5 de junho de 2026

Lula vai reclamar taxas de importação dos EUA na OMC: “Não dá para ficar quieto”

Caso não tenha êxito, o governo vai aumentar as tarifas de importação para produtos dos EUA, atendendo a lei da reciprocidade
Crédito: Ricardo Stuckert / PR

Durante a coletiva de imprensa concedida ao fim da viagem ao Japão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que o governo brasileiro vai recorrer à Organização Mundial do Comércio, a fim de reclamar a taxação de 25% sobre o aço imposto pelo governo norte-americano chefiado por Donald Trump.

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Caso não tenha êxito, o Brasil vai aumentar as tarifas de importação para produtos dos Estados Unidos, atendendo a lei da reciprocidade. 

“Nós temos duas decisões a fazer. Uma é recorrer na Organização Mundial do Comércio, que nós vamos recorrer, e a outra é a gente sobretaxar os produtos americanos que nós importamos. É colocar em prática a lei da reciprocidade. Não dá para a gente ficar quieto, achando que só eles têm razão e que só eles podem taxar outros produtos”, afirmou Lula.

O presidente brasileiro ressaltou que a relação entre Brasil e EUA movimenta praticamente US$ 87 bilhões de dólares, dos quais os norte-americanos são superavitários em US$ 7 bilhões.

“Então, é um comércio muito equilibrado e que nós vamos tomar as atitudes que nós entendemos que seria bom para o Brasil. Eu acho muito ruim essa taxação, porque ao invés de a gente facilitar o comércio no mundo, a gente está dificultando o comércio no mundo. E esse protecionismo não ajuda nenhum país”, emendou o presidente.

Lula reafirmou a soberania dos Estados Unidos em tomar as melhores decisões para o país, mas advertiu que taxar produtos importados vai elevar o custo de vida dos cidadãos e gerar inflação. 

“A única coisa que eu sei é que vai ficar mais caro para o povo americano comprar. É a única coisa que eu sei. E esse mais caro pode resultar no aumento da inflação. E esse aumento de inflação significa aumento de juros. O aumento de juros significa a contenção da economia. Então, eu não prevejo um quadro positivo nessa política de aumento de taxação. Eu acho que seria muito melhor discutir uma política de preços que fosse justa para quem vende, justa para quem compra”, continuou o chefe de Estado brasileiro.

O presidente demonstrou ainda preocupação com o impacto das decisões de Trump sobre o livre-comércio, sobre o multilateralismo e recomendou que o Japão também adotasse as estratégias brasileiras em caso de aumento de taxas de produtos importados. 

“Estou preocupado porque o presidente americano não é xerife do mundo. Ele é apenas presidente dos Estados Unidos. Então, é importante que, ao invés de tomar medidas unilaterais, que ele pudesse conversar com os governadores de outros países, com os presidentes, com os políticos de outros países para tomar suas decisões”, concluiu.

Avanços

Lula afirmou ainda que a visita ao Japão teve como objetivo estreitar laços e expandir o comércio entre os dois países, tendo em vista que o fluxo comercial caiu de US$ 17 bilhões para US$ 11 bilhões desde 2011.

Ainda no início da coletiva de imprensa, o presidente brasileiro comemorou os acordos comerciais e também o fato de que o primeiro-ministro Shigeru Ishiba aceitou analisar a carne brasileira, a fim de expandir a importação do item. 

“O que eu ouvi do primeiro-ministro é que ele vai, sabe, o mais rápido possível mandar os especialistas dele para analisar, sabe, os rebanhos brasileiros e depois vamos ver se eles vão tomar decisão. O dado concreto é que nós vendemos uma carne de muita qualidade e a carne mais barata de todos os países. É importante o Japão saber disso”, relatou Lula.

O encontro foi pautado ainda pela falta de representação da geopolítica na governança mundial, em especial no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) e a transição energética. 

“Em 2008, aqui no Japão os governantes imaginavam que iam adotar 3% de etanol, sabe, no combustível a partir de 2010: não foi adotado. E agora o Japão está com a disposição de adotar 10% de etanol na gasolina, começar a produzir biodiesel e o Brasil é o lugar mais extraordinário”, lembrou o presidente.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

3 Comentários
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  1. João

    27 de março de 2025 8:33 pm

    ocupação irregular
    Esta pessoa tem o atrevimento de acometer.
    Esta pessoa é criminoso.
    Você sabe que esta pessoa não foi preso.
    Esta pessoa não é pobre.
    Malandragem
    Esperteza
    O estado é criminoso.
    É obrigatório punir.

  2. emerson57

    28 de março de 2025 10:21 am

    Dá para calar.
    O empresário brasileiro que perdeu exportações deve procurar outros mercados.
    O governo deve mensurar o prejuizo e retaliar nas importações na mesma moeda.
    O governo deve retomar o diálogo com os demais paises atingidos pela política do trumpe, Venezuela à frente, Canadá, México, etc.
    As declarações do governo devem exaltar o livre mercado e os BRICS, rota da seda e “tals”. Não deve em hipótese alguma citar trumpe e os absurdos por ele praticados.
    Trumpe que tente o blefe dele.
    O Brasil que se dedique à uma política soberana, sem acordos ou penicos.

  3. Rui Ribeiro

    28 de março de 2025 2:37 pm

    A taxa de juros foi elevada ainda mais, a inflação não dá trégua, pois Inflação só volta à meta em 2027, diz relatório do Banco Central’ e o desemprego aumenta.

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