Macron demonstra apoio a projeto de Lula para paz na Ucrânia

"A Ucrânia mostrou verdadeira coragem iniciando a discussão com seu plano de paz de 10 pontos. Vamos continuar juntos nesta base, Lula", disse o presidente francês

O presidente Emmanuel Macron recebeu Lula no Palácio do Eliseu, em Paris, em 17 de novembro de 2021. © Lula Instagram

da RFI

O presidente francês Emmanuel Macron respondeu, neste sábado (11), a uma publicação de Lula no Twitter, apoiando o projeto de paz do chefe de estado brasileiro e a necessidade de criar um grupo de trabalho sobre a paz na Ucrânia. 

“A paz estava no centro de nossas discussões em Paris durante a visita histórica do presidente Zelensky, com o chanceler Scholz”, diz o texto de Macron no Twitter, se referindo ao encontro entre os três líderes, no Palácio do Eliseu, nesta quarta-feira (8). “A Ucrânia mostrou verdadeira coragem iniciando a discussão com seu plano de paz de 10 pontos. Vamos continuar juntos nesta base, Lula”, completa. 

O tuíte foi uma resposta a uma publicação do presidente brasileiro publicado após reunião com Joe Biden, na sexta-feira (10), em Washington, onde dizia ter falado com o presidente americano o que já tinha dito a Macron e a Scholz, “sobre a necessidade de criar um grupo de trabalho pela paz e o fim da guerra no mundo”.

Peace was at the heart of our discussions in Paris during the historical visit of President Zelensky, with Chancellor Scholz. Ukraine has shown real courage by initiating this conversation with its 10 points Peace plan. Let’s continue together on that basis @LulaOficial.— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) February 11, 2023

Em conversa telefônica, em 27 de janeiro, Macron e Lula já haviam discutido a invasão da Ucrânia pela Rússia. De acordo com o site do Palácio do Eliseu, o presidente francês insistiu sobre a necessidade de restaurar a soberania e a integridade territorial da Ucrânia e que estes dois princípios “constituem o fundamento da ordem internacional multilateral”.

Na mesma ligação, Lula teria reiterado que o Brasil participaria das negociações de paz, mas não da guerra. 

O presidente brasileiro defende que a mediação entre Kiev e Moscou deve ser feita por um país não envolvido no conflito. 

Atenção especial

Desde que assumiu o cargo, Lula vem recebendo uma atenção especial dos europeus. Na semana passada, a ministra das Relações Exteriores francesa, Catherine Colonna, realizou uma visita de 48h a Brasília e manifestou o “prazer de reencontrar” o Brasil. 

Antes dela, em 30 de janeiro, o chanceler alemão Olaf Scholz foi pessoalmente ao Brasil, com o objetivo de revitalizar “parcerias estratégicas entre os dois países”, de acordo com o site do Itamaraty. 

Na época, os dois líderes deploraram a violação da integridade territorial da Ucrânia pela Rússia e a anexação de partes do território ucraniano como violações do direito internacional. 

Plano de 10 pontos

O plano de Zelensky, que foi apresentado durante a reunião do G20, em novembro, inclui 10 pontos principais que abrangem as seguranças nuclear, alimentar, energética, a libertação de prisioneiros e deportados de guerra, o respeito à integridade territorial da Ucrânia, a retirada das tropas russas do território ucraniano, o estabelecimento de um Tribunal especial para juntar a agressão da Rússia contra a Ucrânia e de um mecanismo internacional para compensar os danos causados pela guerra, a proteção do meio ambiente, o estabelecimento de um Pacto de segurança de Kiev e, finalmente, a assinatura de um documento confirmando o fim da guerra quando todas as metas tiverem sido cumpridas. 

O Pacto de segurança de Kiev, de nove páginas, foi publicado em setembro e pede aos países ocidentais que forneçam recursos políticos, financeiros, militares e diplomáticos para reforçar a capacidade de Kiev de se defender. 

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Redação

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