Militares temem que governo ceda ao núcleo olavista e declare o Hezbollah terrorista

Agentes do Ministério da Defesa, a Abin e Polícia Federal avaliam que se o Brasil seguir atendendo pedido dos EUA, criará inimigos não existentes hoje no país

Bolsonaro e Trump. Foto: Alan Santos/PR

Jornal GGN – Nesta segunda-feira (19), a deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) defendeu publicamente a inclusão do Hezbollah na lista de grupos terroristas reconhecidos pelo Brasil.

“Essa questão do Hizbullah envergonha o Brasil no exterior. Temos que mudar essa realidade o quanto antes”, escreveu o filho do presidente no Twitter. “Desconheço argumentos plausíveis que justifiquem considerar o grupo terrorista Hizbullah como partido político”, completou.

Eduardo preside atualmente a Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados e deve ser indicado pelo pai ao cargo de embaixador do Brasil em Washington.

O Hizbullah ou Hezbollah (partido de Deus, em árabe) foi criado no Líbano, em 1985, por uma organização islâmica xiita como um movimento de resistência a Israel. Além de partido político, o grupo possui um braço filantrópico. Apesar disso, é também apontado por alguns países como uma organização terrorista. Entre as ações atribuídas ao grupo, está o bombardeio ao prédio da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), em 18 de julho de 1994.

Entre os países que consideram o Hezbollah uma organização terrorista estão Israel, Estados Unidos e Canadá. Há cerca de um mês a Argentina oficializou esse entendimento e, nesta segunda-feira (19), o governo paraguaio classificou o movimento libanês como um grupo terrorista.

A intenção do Brasil seguir na mesma linha é apoiada pela ala olavista do governo Bolsonaro como um todo, e isso inclui, além de Eduardo, o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo. Este último, respondendo a pressão dos Estados Unidos, trabalha para declarar o Hezbollah como grupo terrorista.

Mas, segundo apurações do jornal Folha de S.Paulo, essa proposta encontra fortes resistência no Ministério da Defesa, na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e na Polícia Federal. A ala militar, e formada pelos agentes de inteligência no governo, ponderam que o Brasil deve evitar tomar lado na complexa relação geopolítica do Oriente Médio.

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A reportagem lembra que, além dos Estados Unidos, o governo Bolsonaro sofre pressão de Israel e Emirados Árabes Unidos para declarar o partido libanês como uma organização terrorista.

A Folha informa que, “nas palavras de um militar”, se o Brasil ceder à pressão desses países liderados pelos EUA, “criará inimigos que hoje não existem no país e sofrerá uma redução na sua capacidade de conduzir sua política externa de forma independente de Washington”.

“Assim como ocorreu na promessa de campanha de Bolsonaro de transferir a embaixada brasileira em Israel para Jerusalém, os militares temem que o Brasil vire alvo de atividades terroristas”, completa.

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A reportagem destaca, porém, a visão de “um interlocutor que acompanha o tema”, segundo o qual, “embora haja forte vontade política para que o Hezbollah entre na lista, a ala olavista terá dificuldades em conseguir seu objetivo”.

Isso porque, existe uma lei em vigor no Brasil que não prevê que um grupo seja declarado terrorista se não houver um reconhecimento igual do Conselho de Segurança da ONU. Na lista dos grupos considerados terroristas pelo Brasil hoje estão Al Qaeda, Estado Islâmico e Taleban.

O principal argumento usado pelos EUA para que o Brasil liste o Hezbollah como uma organização criminosa, é porque o grupo possui membros na região da tríplice fronteira – nome da região onde fazem divisas Brasil, Argentina e Paraguai.

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A ala militar aponta ainda que, se o Brasil seguir adiante incluindo o partido libanês na lista dos grupos terroristas, criará atrito com o Irã, aliado do Hezbollah.

O governo Bolsonaro, porém, não parece se preocupar muito com essa última questão, como mostrou o episódio da retenção, por quase 50 dias, de dois navios iranianos perto do porto de Paranaguá (PR). As embarcações precisavam de abastecimento, mas a Petrobras se negou a vender combustível temendo ser alvo de sanções dos EUA. A situação foi resolvida pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que determinou que a Petrobras fizesse o fornecimento.

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5 comentários

  1. As Forças Armadas e a ABIN, comandadas por generais, escolheram livremente colocarem-se como subservientes aos EUA. Então, têm q obedecer o q manda o chefe Trump (o nosso presidente, como diz o general Mourão).

  2. Quando explodir a primeira embaixada a galera cala a boca e bota o galho dentro. E nem adianta tentar se esconder atrás do trump, pois este vai tirar a escada e deixar estes otarios pendurados na broxa, assim como fez no caso Venezuela.

  3. Seria ótimo dizer que o Hezbollah, a principal força politica do Líbano, que tem um braço armado tão forte que expulsou os israelenses do Sul do Líbano em 2006 e venceu TODOS os embates contra a Al Qaeda e a Al Nusra na Guerra da Síria, é um Grupo Terrorista.

    E de quebra comemorar a morte de um neto de Hassan Nasrallah ou tentar defender/justificar crimes de juízes e procuradores fascistas e otras cositas más que só acontecem em lugares com “esquerda urbana” de gente como Ze Cardozo, Mercadante e Jacques Wagner.

    Seria ótimo!!

    Uma coisa que caracteriza o Fascismo é que quando tombam os primeiros todos os demais desaparecem.

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