Moro agora depende de Paulo Guedes. E do que virá do STF, por Alon Feuerwerk

Quando a impaciência com a economia ruim começar a erodir, a população continuará tolerante quanto aos ditos malfeitos do governo e Moro?

O presidente Jair Bolsonaro e ministro da Justiça, Sérgio Moro. Foto: José Cruz/Agência Brasil

Do Blog Análise Política

Por Alon Feurwerker

Por enquanto, o conflito político em torno do ministro da Justiça e ex-juiz Sérgio Moro passou de guerra de movimento para guerra de posição. Sai a lógica da blitzkrieg e entra a da guerra de trincheiras. Nem Moro conseguirá rapidamente amputar a série de revelações do Intercept, nem este parece estar perto de derrubar o símbolo maior da Lava-Jato.

O morismo teve alguma perda de musculatura. Acabou a unanimidade jornalística, e mesmo no mundo político personagens que antes assinavam cheques em branco para o então juiz e hoje ministro embainharam a caneta. E Moro não é mais juiz. Não pode mais mandar prender nem fazer busca e apreensão nem ordenar condução coercitiva.

Mas o ministro mantém fortes trunfos. O mais importante deles: sua presença na Esplanada continua mais ajudando que atrapalhando Jair Bolsonaro. E o presidente tem motivos reforçados para segurar o ministro, pois agora não é mais o um que depende do outro, é o outro que depende do um. E enquanto Moro estiver no alvo também concentra a sanha dos inimigos do governo.

Taticamente, o saldo de Moro no Senado foi neutro. É sempre ruim estar na berlinda por causa de acusações, mas o núcleo duro do morismo garante uma versão favorável do que aconteceu ali. Que contrabalança o desconforto de ter virado vidraça depois de anos de estilingue. E esse saldo tático seria até positivo, não fosse um detalhe: o trem vai continuar rodando.

Estrategicamente, há alguns complicadores. Se é mesmo crime a captação não autorizada de mensagens alheias trocadas em ambiente reservado, a divulgação delas é garantida não apenas pela Constituição mas por um punhado de decisões judiciais recentes. E para azar dos vazados a face visível do Intercept é um cidadão dos Estados Unidos da América. Complicado.

Leia também:  Sem ver parcialidade de Moro, PGR se diz contra absolvição de Lula no caso triplex

O que acompanhar nas atribulações de Moro? Principalmente a curva de prestígio-desprestígio que o ex-juiz transfere para o presidente, elemento central para avaliar a probabilidade de um ministro continuar no cargo. E por enquanto o saldo é favorável a ele continuar. Mas a novela está no começo. Aliás não chegou nem no fim do começo, muito menos no começo do fim.

E será necessário avaliar melhor mais adiante, quando, e se, a impaciência com a economia ruim começar a erodir para valer a gordura presidencial. As pessoas toleram melhor os ditos malfeitos, reais ou atribuídos, quando a economia vai bem ou quando têm a esperança forte de que vai melhorar. E toleram pior quando esse capital de otimismo é dissipado.

Moro agora depende muito de Paulo Guedes. E do Intercept, claro.

O próximo capítulo da série virá do STF, quando analisar o pedido de suspeição de Moro para julgar o ex-presidente Lula. Isso se o STF decidir enfrentar o problema, pois tem muitas maneiras de protelar. Pelo jeito a decisão vai depender do decano, Celso de Mello. Uma declaração de suspeição abriria caminho para a anulação do veredito de Moro no triplex.

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5 comentários

  1. A única força do Conge é sua psicopatia. Aliás a psicopatia dele e de sua conge Rosanja.
    O “projeto Bozo-Guedes” é o projeto de transformar o Brazil numa fazendona
    Plantaction e fome.

  2. Moro explicou, mas não convenceu! Lula acertou em cheio quando dizia: “Moro é do mal!” “Moro é um criminoso!” “Moro é um mentiroso!” “Moro tem a mente doentia!”. O ex-juiz Moro, em conluio com Deltan Dallagnol, e demais Procuradores da Lava Jato, que atuaram no caso Lula, são um bando de mentirosos, bandidos, crápulas, e criminosos em série, inclusive, utilizando-se de “lawfare”, uso indevido da lei para fins políticos, objetivando condenar Lula, mesmo sem prova, com respaldo do Departamento de Justiça dos Estados Unidos que os orientou. Essa gente deveria ser exonerada de seus cargos a bem do Serviço Público. As máscaras de Moro, Deltan Dallagnol e sua trupe, caíram! Foi necessário chegar aqui, no país do carnaval, um renomado e corajoso jornalista norte-americano, Green Glennwald, para denunciar o escândalo da Lava Jato, desferindo um golpe fulminante nessa corja de bandidos, através do site The Intercept Brasil, do qual é cofundador; desbaratar e acabar com a farra, e a farsa dessa quadrilha que está à frente da Lava Jato, deixando-a de joelhos. Acabou! Caiu a máscara dos algozes e perseguidores de Lula, pois quem com grampo fere, com grampo, será ferido! Cadeia pra essa corja! Parabéns, Green Glennwald, e à AJD – Associação Juízes para a Democracia! (Poeta nordestino, de Sousa, no Sertão da Paraíba)😂😂😂🤣🤣😜🤩✊

  3. Este capítulo é aguardado ansiosamente pelos petistas, mesmo sabendo-se que pode não ser o último.

    “Pelo jeito a decisão vai depender do decano, Celso de Mello. Uma declaração de suspeição abriria caminho para a anulação do veredito de Moro no triplex.”
    Obrigado

  4. O conteúdo do ultimo parágrafo resume o desenrolar do próximo que é a ansiosamente pelos petistas, mesmo sabendo-se que pode não ser o último.

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