20 de junho de 2026

O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas, Por Frei Betto

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No Pragmatismo Político

O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas, Por Frei Betto

Direitista visceral e esquerdista fanático – os dois são perfeitos idiotas. O direitista padece da doença senil do capitalismo e o esquerdista, como afirmou Lênin, da doença infantil do comunismo

Nada mais parecido a um esquerdista fanático, desses que descobrem a nefasta presença do pensamento neoliberal até em mulheres que o repudiam, do que um direitista visceral, que identifica presença comunista inclusive em Chapeuzinho Vermelho.

Os dois padecem da síndrome de pânico conspiratório. O direitista, aquinhoado por uma conjuntura que lhe é favorável, envaidece-se com a claque endinheirada que o adula como um dono a seu cão farejador. O esquerdista, cercado de adversários por todos os lados, julga que a história resulta de sua vontade.

O direitista jamais defende os pobres e, se eventualmente o faz, é para que não percebam quão insensível ele é. Mas nem pensar em vê-lo amigo de desempregados, agricultores sem terra ou crianças de rua. Ele olha os deserdados pelo binóculo de seu preconceito, enquanto o esquerdista prefere evitar o contato com o pobre e mergulhar na retórica contida nos livros de análises sociais.
O esquerdista enche a boca de categorias teóricas e prefere o aconchego de sua biblioteca a misturar-se com esse pobretariado que nunca chegará a ser vanguarda da história.

O direitista adora desfilar suas ideias nos salões, brindado a vinho da melhor safra e cercado por gente fina que enxerga a sua auréola de gênio. O esquerdista coopta adeptos, pois não suporta viver sem que um punhado de incautos o encarem como líder.

O direitista escreve, de preferência, para atacar aqueles que não reconhecem que ele e a verdade são duas entidades numa só natureza.

O esquerdista não se preocupa apenas em combater o sistema, também se desgasta em tentar minar políticos e empresários que, a seu ver, são a encarnação do mal.

O direitista posa de intelectual, empina o nariz ao ornar seus discursos com citações, como a buscar na autoridade alheia a muleta às suas secretas inseguranças. O esquerdista crê na palavra imutável dos mentores do marxismo e não admite outra hermenêutica que não a dele.

O direitista considera que, apesar da miséria circundante, o sistema tem melhorado. O esquerdista vê no progresso avanço imperialista e não admite que seu vizinho possa sorrir enquanto uma criança chora de fome na África.

O direitista é de uma subserviência abjeta diante dos áulicos do sistema, políticos poderosos e empresários de vulto, como se em sua cabeça residisse a teoria que sustenta todo o edifício de empreendimentos práticos que asseguram a supremacia do capital sobre a felicidade geral.

O esquerdista não suporta autoridade, exceto a própria, e quando abre a boca plagia a si mesmo, já que suas minguadas ideias o obrigam a ser repetitivo. O direitista é emotivo, prepotente, envaidecido. O esquerdista é frio, calculista e soberbo.

O direitista irrita-se aos berros se encontra no armário a gola da camisa mal passada. Dedicado às grandes causas, as pequenas coisas são o seu tendão de Aquiles.

O direitista detesta falar em direitos humanos, e é condescendente com a tortura. O esquerdista admite que, uma vez no poder, os torturados de hoje serão os torturadores de amanhã.

O direitista esbraveja por ver tantos esquerdistas sobreviverem a tudo que se fez para exterminá-los: ditaduras militares, fascismo, nazismo, queda do Muro de Berlim, dificuldade de acesso à mídia etc. O esquerdista considera o direitista um candidato ao fuzilamento.

Direitista e esquerdista – os dois são perfeitos idiotas. O direitista padece da doença senil do capitalismo e o esquerdista, como afirmou Lênin, da doença infantil do comunismo.

Embora mineiro, não fico em cima do muro. Sou de esquerda, mas não esquerdista. Quero todos com acesso a pão, paz e prazer, sem que os direitistas queiram reservar tais direitos a uma minoria, e sem que os esquerdistas queiram impedir os direitistas de acesso a todos os direitos – inclusive o de expressar suas delirantes fobias.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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18 Comentários
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  1. Tonin

    29 de novembro de 2015 11:42 am

    Idiotas

      Penso que não existam idiotas perfeitos. Eles são seres em construção. Sempre é possível piorar.

  2. Silvio Torres

    29 de novembro de 2015 12:56 pm

    Melhor ser um esquerdista

    Melhor ser um esquerdista maduro, que se refestela no high society de BH, né frei?

    1. sergio l santos

      29 de novembro de 2015 1:30 pm

      passou recibo, Silvioao Lula

      Uma das características do idiota (direitista ou esquerdista) é esta mesmo: acusar o oponente de alguma deficiência moral ou intelectual. E o que seria “se refestelar no high society”? Parecem as críticas, ou melhor acusações, que idiotas (direitistas e esquerdistas) faziam ao Lula líder sindical nos anos 1980-1990 por vestir terno e viajar de avião.

  3. Carlo Zardinni

    29 de novembro de 2015 1:59 pm

    Palavras de um imperfeito

    Palavras de um imperfeito conselheiro que recomendou ao Presidente Lula a indicação do menino pobre de Paracatu ao STF, e, hoje, fruto dessa desastrada ação, destrambelhou-se de vez a justiça deste País a partir da AP-470, extinguiu para alguns a exigência de provas condenatórias sólidas e consubstanciadas em fatos, tornando-a palanque permanente de justiceiros e não de Juízes.

    Por falar em soberba, que tal um pouco de humildade em julgar e rotular ao próximo, Padre? Um padre, ainda, pois suponho que o sejas.

  4. Weyll

    29 de novembro de 2015 2:29 pm

    Graciliano Ramos, a propósito

    Graciliano Ramos, a propósito do lema “Proletários de todo o mundo, uni-vos”, comentou: “O comunismo não vai dar certo no Brasil, porque o povo não sabe o que significa uni-vos”

  5. zé lima

    29 de novembro de 2015 2:53 pm

    Irretocável…

    O “textículo” do Frei é tão somente uma irretocável compilação de platitudes!

  6. jose adailton v ribeiro

    29 de novembro de 2015 3:36 pm

    Praga

    Vade retro ,satanás

    O esquerdista fanático e o direitista visceral: dois perfeitos idiotas”

  7. jose adailton v ribeiro

    29 de novembro de 2015 3:42 pm

    Tem sentido?

    Apagaram a crônica de Ruy Castro? Nada a declarar.

  8. NICKNAME

    29 de novembro de 2015 5:01 pm

    uma de Frei Beto . Mas quem é ele pra falar em fanatismo?

    no início de década de 60 (documentário no Canal CURTA!), Frei Beto organizou um Encontro ou Congresso convidando educadores, pedagogos daqui e de fora. Deixou de lado um Fulano X (já famoso), cristão, sob o argumento de que o não-convidado era marxista (pelo menos é o que depõe Rubem Alves diante de câmeras e microfones )

     

  9. Jofran Oliva

    29 de novembro de 2015 5:29 pm

    “In medio virtuos”

    “In medio virtuos” já diziam os romanos, mas são tanto os esquerdistas como os direitistas fanáticos os que promovem mudanças, algumas favoráveis para alguns e desfavoráveis para outros, e lembrando que os de “centro” só querem que as coisas continuem como estão, ou seja favoráveis à direita. 

  10. NICKNAME

    29 de novembro de 2015 5:32 pm

    dar chute em cachorro morto

    agora é fácil, né, Frei Beto? (Quero ver o despojamento muito mais franciscano de Mangab eira Unnger ao renunciar e discursar de que o Governo Lula tava cheio de corrupção. Márcio Porchmann e Jessé ded Souza t~em o dedo de Mangabeira Unger, que não veio, nem aceitou novo convite de Lula e depois Dilma pra aperfeiçoar seu português. Jessé, numa entrevista – que reproduzi link aqui, e que levou 3 estrelinhas, naqele link que remetia a entrevista na UNISINOS-RS talvez por fazer críticas aos governos do PT, ao mesmo tempo que reconhecia avanços).

    1. NICKNAME

      29 de novembro de 2015 5:34 pm

      M. Unger / Jorge Amado

      Como fã de sonhadores, tenho fé que M. Unger tem uma vontade maior de dar contribuição ao pais (e não por ooportunismo que aceitou voltar ao governo Lula, em quem não vou votar se for a 2018). Isso é antigo: a religiosidade das ideologias, das militâncias. Numa antiga entrevista, Jorge Amado afirma que os melhores homens que conheceu foi no Partido. E acrescente: os piores também. ((Já citei a entrevista e a fonte uma vez por aqui)

  11. Rodrigo Jurucê

    29 de novembro de 2015 6:09 pm

    Faltou um idiota.

    Um idiota muito comum é aquele travestido de “moderado”, dito “nem de esquerda, nem de direita”, sua ideologia é o moderantismo conservador (conforme conceituado por Antonio Gramsci nos “Cadernos do cárcere”). Ele critica os “radicais”, os “extremistas”, com ar de superioridade, mas esconde o fato de que faz o jogo do capital e muitas vezes é governista, mas pode estar na oposição também. De qualquer forma, praticamente defende o capitalismo e a ordem, mesmo que não pareça. Para os adeptos do moderantismo conservador, tudo é uma questão geográfica (não política-social), e ficar no centro parece o mais sábio. Quantos já se esconderam nesta posição pró-burguesa? Muitos, à começar por Camilo Benso, Conde de Cavour. Mas ele não se escondia. A ação dos “moderados” foi essencial para que, na recusa da aliança com a esquerda revolucionária, os fascistas chegassem ao poder na Europa e alhures, ou que as ditaduras grassassem na América Latina. Tolice. Mas eles sempre dizem que a culpa é do “extremismo”.   

    1. jose antonio santosj

      29 de novembro de 2015 6:50 pm

      bem observado

      Bem observado. preciso ler Gramsci com urgencia.

  12. Anarquista Lúcida

    29 de novembro de 2015 8:34 pm

    O cara cria 2 estereótipos, e depois critica o q ele mesmo criou

    Quem é o idiota?

  13. Sérgio T.

    29 de novembro de 2015 8:49 pm

    Pois é…

    Pois é, e agora vão aparecer um monte de esquerdistas e direitistas concordando ou dizendo e explicando porque não são iguais aos do texto… 

    Eu particularmente tenho reservas com todo texto que classifica e particulariza indivíduos, quando atuam atendendo ideologias de grupos humanos em ação coletiva, seja social, política, econômica ou efeito manada… 

    Um abraço.

  14. JMauricio

    30 de novembro de 2015 7:53 am

    Depois que derrubaram o muro
    Depois que derrubaram o muro de Berlim, quem estava em cima dêle ficou sem casa, desnorteado, e danou a falar mal dos dois lados. É compreensivel. Calma Frei Betto! Sobe em uma arvore, que alivia. Vai melhorar.

  15. fabio da silva2

    30 de novembro de 2015 4:29 pm

    É muito bom uma autocrítica
    É muito bom uma autocrítica para todos. Mas achei os estereótipos muito caricatos.

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