21 de maio de 2026

O que esperar do segundo turno em Palmas?, por Hesaú Rômulo

Mas, agora, a disputa ganha contornos decisivos, principalmente porque o apoio dos vereadores eleitos e reeleitos será de suma importância.

O que esperar do segundo turno em Palmas?

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por Hesaú Rômulo

A exemplo de outras capitais brasileiras, a eleição em Palmas será decidida em segundo turno. Janad Valcari (PL) e Eduardo Siqueira Campos (Podemos) disputam a preferência do eleitorado naquilo que promete ser um embate acirrado. Aqui eu trago alguns insights que ajudam a entender o cenário da capital, em três pontos. Traçando chaves explicativas e analisando em retrospecto o que aconteceu no primeiro turno, o que está em jogo para Palmas?

Em primeiro lugar, uma disputa que orbita no campo da direita/centro-direita. A esquerda, que nunca foi expressiva em Palmas, perdeu ainda mais força nesta eleição. Valcari foi apoiada por Bolsonaro no primeiro turno e deve receber ainda mais reforço do campo Bolsonarista nesta segunda etapa da disputa. Vale lembrar que Valcari sempre liderou as pesquisas de intenção de voto até dia 6 de outubro, mas viu sua liderança diminuir a cada nova rodada de questionários. Ainda que seja a favorita a vencer as eleições, esperava-se em algum momento que a definição da eleição pudesse ser resolvida, algo que não se concretizou. Com a campanha em curso, entrevistas, debates, sabatinas e horário eleitoral, Valcari sentiu dificuldades em manter a ponta na disputa, o que se credita também aos ataques que recebeu dos outros candidatos.

Em segundo lugar, destaco aqui a campanha de recuperação que faz Eduardo Siqueira Campos. Conseguiu reduzir a vantagem para Valcari, reduziu a rejeição (medida pelos institutos de pesquisa) e tensionou um segundo turno na capital. Dentro da disputa, produziu um contraste com a sua adversária e, por assim dizer, deixou a disputa em aberto. Mas não tem uma tarefa simples pela frente. Precisa agregar os votos do terceiro colocado, Professor Junior Geo (PSDB), atacar Valcari sem atacar diretamente Bolsonaro e muito menos o eleitor conservador, e manter uma curva ascendente em busca de uma virada, que hoje é improvável, mas não impossível.

Eduardo Siqueira Campos mostrou fôlego na reta final de campanha e foi beneficiado, na minha avaliação, pela estratégia equivocada da equipe de campanha de Valcari em não ir ao debate da TV Anhanguera. Mas, agora, a disputa ganha contornos decisivos, principalmente porque o apoio dos vereadores eleitos e reeleitos será de suma importância.

Um outro aspecto que ressalto é a questão dos aliados de cada uma das candidaturas. De um lado, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) intensifica o endosso a Valcari, além, é claro, de Bolsonaro e outras lideranças do campo conservador, a citar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Com uma base de aliados reforçada e homogênea, Valcari tenta capturar o eleitor mais conservador de Palmas ao mostrar que tem condições de trazer parcerias para o município, no meio de todo o drama de identidade política que o bolsonarismo vive no país.

Do outro lado, Eduardo Siqueira Campos conta com o ex-prefeito Carlos Amastha, que tem um recall que não pode ser ignorado. A favor de Siqueira Campos há uma reputação de origem familiar não só em Palmas, mas no estado do Tocantins. Além disso, existe uma expectativa de que a terceira força, Junior Geo, apoie Siqueira Campos. Em declaração pública, tanto Geo como a prefeita Cinthia Ribeiro já sinalizam que não apoiarão Valcari; então, a costura política com o candidato do Podemos ou ganha força ou uma neutralidade para o segundo turno pode ser esperada.

Em último lugar, destaco que o tom da campanha eleitoral deve subir nesse segundo turno, com ataques mais ostensivos de ambas as candidaturas. O que antes parecia ser algo resolvido, hoje está em aberto, ainda que, insisto, Valcari seja favorita. Na minha avaliação, tanto o horário eleitoral na TV como o debate entre os candidatos serão variáveis importantes para a decisão de voto. Além de, claro, a disputa nas redes sociais por uma narrativa digital de integridade, honestidade e anticorrupção.

Hesaú Rômulo é cientista político. Doutor em Ciência Política pela Universidade de Brasília e professor de Teoria Política na Universidade Federal do Norte do Tocantins. hesau@ufnt.edu.br

O texto não representa necessariamente a opinião do Jornal GGN. Concorda ou tem ponto de vista diferente? Mande seu artigo para dicasdepautaggn@gmail.com. O artigo será publicado se atender aos critérios do Jornal GGN.

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