Olavo é pivô das crises no governo Bolsonaro, confronta general Villas Bôas

Ex-comandante das Forças Armadas voltou a criticar ideólogo de Bolsonaro; Olavo chamou Villas Bôas de "doente preso a uma cadeira de rodas”

Ministro e general Santos Cruz e ex-comandante do Exército Villas Bôas. Foto: Reprodução/Twitter

Jornal GGN – “Praticamente todas as crises que nós vivemos desde que o presidente Bolsonaro assumiu têm a participação direta ou indireta do Olavo de Carvalho, que não contribui”, disse o ex-comandante do Exército, general Villas Bôas, nesta quarta-feira (08), para jornalista depois de deixar a comissão onde o ministro da Justiça, Sérgio Moro, discursava na Câmara, segundo informações são da Folha de S.Paulo.

“Temos tantas questões importantes, e a gente fica dispersando energia com questões que absolutamente não contribuem para a solução dos problemas”, completou o general.

Na última semana o ideólogo do governo Bolsonaro aumentou seus ataques contra os militares. Ele já vinha criticando o vice-presidente, general Hamilton Mourão, e outros militares do governo como incapazes de defender Bolsonaro dos ataques da mídia e, até mesmo, responsáveis pela articulação de um golpe.

Depois, o alvo principal do escritor passou a ser o ministro da Secretaria de Governo, general Carlos Santos Cruz, após ele ter comentado em entrevista à Jovem Pan sobre o fato de grupos mais radicais, independente da corrente política, usarem as redes sociais para propagar distorções.

“As distorções e os grupos radicais, sejam eles de uma ponta ou de outra, da ponta leste ou da ponta oeste, isso aí tem que ser tomado muito cuidado, tem que ser disciplinado. A própria legislação tem de ser melhorada”, comentou o ministro.

A partir dessa fala, Olavo e seus seguidores começaram a acusar Santos Cruz de querer promover a regulamentação das redes sociais. No último domingo (5), acompanhando o núcleo duro do seu eleitorado, o presidente Bolsonaro comparou, em uma publicação via Twitter, a regulamentação da mídia com políticas de Cuba e Coreia do Norte.

“Em meu governo, a chama da democracia será mantida sem qualquer regulamentação da mídia, aí incluída as sociais. Quem achar o contrário recomendo um estágio na Coreia do Norte ou Cuba”.

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Os ataques do Olavo aumentaram a ponto de dispensar até mesmo xingamentos contra Santos Cruz e os militares: “Já expliquei mil vezes, mas esses bebês fardados não querem ou não podem entender: A ciência política pode ser superior a ideologias, não pelo isentismo mas pela correta articulação dialética das forças e razões em jogo, da qual o exemplo clássico é a “História da Guerra do Peloponeso” de Tucídides. Mas uma política prática sem ideologia é coisa que só pode existir na boca de um charlatão ou no cu da sua platéia”, escreveu na terça (7).

No mesmo dia, ele indicou falta de capacidade cognitiva dos grupos do Exército: “Tento me imaginar discutindo filosofia política com um desses generais. É mais fácil treinar artes marciais com um bicho-preguiça”.

Em publicações feitas em dias anteriores, Olavo chamo ainda Santos Cruz de “merda” e “bosta”, levando o ex-comandante do Exército Brasileiro, general Villas Boas, a publicar um comentário aberto, na segunda-feira (6), chamando Olavo de “Trótski da direita”, responsável por “acentuar divergências” no governo.

Olavo de Carvalho não ficou quieto, primeiro público no mesmo dia que responderia Villas Bôas no momento correto, mas em menos de 24 horas fez uma nova publicação, mais grosseira, chamando o ex-chefe das Forças Armadas de “doente preso a uma cadeira de rodas.”

“Há coisas que nunca esperei ver, mas estou vendo. A pior delas foi altos oficiais militares, acossados por informações minhas que não conseguem contestar, irem buscar proteção escondendo-se atrás de um doente preso a uma cadeira de rodas.”

O militares esperavam do presidente Bolsonaro uma resposta de repreensão ao seu ideólogo, após a escalada de ataques. Entretanto, o líder do Planalto se recolheu e voltou a defender Olavo.

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“Eu recebo críticas muito graves todo dia e não reclamo. Inclusive, olha só. O pessoal fala muito em engolir sapo. Eu engulo sapo pela fosseta lacrimal [órgão das serpentes usado para detectar variações de temperatura e capturar animais] e estou quieto aqui, ok?”, falou para jornalistas após um evento no Palácio do Planalto na terça (7).

Pouco antes, o presidente destacou: “Olavo é dono do seu nariz. Como eu sou do meu e você é do seu. Então liberdade de expressão”. No evento, ele foi acompanhado do seu filho, o deputado federal Eduardo, que também defendeu o escritor, contrariando a análise de Villas Bôas, de que sua influência gera crises no governo.

“Eu acho que ele ajuda. Eu acredito que alguns assunto têm de ser resolvidos internamente, mas ele não tem essa possibilidade estando lá fora. Agora, é uma pessoa que ganhou muita notoriedade e, se não fosse ele pautando determinados debates, talvez eles não ocorressem”, disse. Leia também: Militares estão inconformados com apoio de Bolsonaro a Olavo de Carvalho

Como uma prova de apoio ao general e ministro Santos Cruz, Villas Bôas publicou nesta quarta-feira (8) uma foto ao lado do colega.

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5 comentários

  1. “Temos tantas questões importantes, e a gente fica dispersando energia com questões que absolutamente não contribuem para a solução dos problemas”, completou o general”:

    Vamos dispersar energia com a questao do exercito ter se escondido atraz do “doente em cadeira de rodas” para que Dilma fosse derrubada entao.

  2. Alias, gente, deixem me te contar duas coisas que voces nao sabem:

    1– “doente” em “cadeira de rodas” eh eufemismo para “aleijado”.
    2— meu irmao cresceu sendo chamado se “aleijado” (poliomielite) pelo meu pai. So parou o dia que meu irmao cresceu e aos 16 anos deu uma surra tao grande no meu pai que ele terminou no hospital por varias semanas.

    Parou MESMO.

    Porque eh mesmo que eu estava do lado do meu irmao e nao estou do lado do outro aleijado hoje?

    Dilma Rousseff.

  3. Para infelicidade de Olavo, ate pra estar certo ele esta errado, enquanto EU sou oraculo e ate pra estar errado eu continuo certo…

  4. Cadê o Generalito Twitteiro que ‘assegurava à Nação que o Exército Brasileiro julgava compartilhar o anseio de todos os cidadãos de bem de repúdio à impunidade e de respeito à Constituição, à paz social e à democracia, bem como se mantém atento às suas missões institucionais’? Hein?

    Porque pau que bate em Lula não bate no Olarvão?

    Eu quero que esses vermes duelem até que ambos matem um ao outro.

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