A balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,39 bilhões em agosto, resultado de exportações de US$ 33,16 bilhões e importações de US$ 25,76 bilhões. Na comparação com agosto de 2025, as vendas externas cresceram 12,2%, enquanto as compras do exterior avançaram 9,2%.
A corrente de comércio, que soma exportações e importações, alcançou US$ 58,92 bilhões no mês, alta de 10,9% sobre o mesmo período do ano anterior. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
O resultado positivo de agosto também reforçou o desempenho acumulado de 2026. Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou US$ 250,86 bilhões, alta de 10,3% sobre os US$ 227,41 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
As importações somaram US$ 195,54 bilhões no acumulado do ano, crescimento de 6,1%. Com isso, o saldo comercial chegou a US$ 55,32 bilhões, avanço de 28,2%, enquanto a corrente de comércio alcançou US$ 446,39 bilhões, alta de 8,4%.
Petróleo, soja e cobre puxam exportações
O avanço das exportações em agosto ocorreu nos três principais setores acompanhados pela Secex. A agropecuária cresceu 11,4%, para US$ 7,39 bilhões; a indústria extrativa avançou 16,4%, alcançando US$ 8,35 bilhões; e a indústria de transformação aumentou 10,2%, para US$ 17,17 bilhões.
Na agropecuária, a soja teve alta de 14%, com aumento de US$ 0,54 bilhão nas vendas. Também se destacaram o café não torrado, com crescimento de 24,1%, e os animais vivos, cujas exportações avançaram 174,3%.
Na indústria extrativa, o petróleo bruto teve crescimento de 18%, acrescentando US$ 0,74 bilhão às exportações. O destaque, contudo, foi o minério de cobre, cujas vendas cresceram 223,1%, com aumento de US$ 0,67 bilhão.
A expansão também foi acompanhada por mudanças nos destinos das vendas brasileiras. Em agosto, as exportações para a Europa cresceram 44,88%, com aumentos expressivos para Espanha, Itália, Polônia, Alemanha e Bélgica. Para a América do Norte, o crescimento foi de 11,54%, impulsionado principalmente pelos Estados Unidos, com alta de 12,1%, além de Canadá e México.
Na Ásia, a expansão foi mais moderada, de 0,7%, mas alguns mercados apresentaram forte crescimento. As vendas para a Índia aumentaram 213%, acrescentando US$ 1 bilhão às exportações brasileiras, enquanto Taiwan, Bangladesh e Paquistão também registraram avanços.
No sentido contrário, a América do Sul apresentou queda de 1,55%, puxada pela redução das exportações para Argentina e Chile.
Importações avançam com indústria de transformação
O aumento das importações em agosto foi concentrado principalmente na indústria de transformação, cujas compras externas cresceram 13,4%, acrescentando US$ 2,85 bilhões ao resultado. A agropecuária registrou alta de 7,4%, enquanto a indústria extrativa apresentou queda de 41,3%.
Entre os produtos que mais contribuíram para o crescimento das importações estão os óleos combustíveis de petróleo, com alta de 88,5% e aumento de US$ 1 bilhão; componentes eletrônicos, que avançaram 66,4%; medicamentos e produtos farmacêuticos, com alta de 48,4%; e máquinas de processamento automático de dados, cujas compras cresceram 163,4%.
A China foi o principal destaque entre os países que ampliaram as vendas ao mercado brasileiro. As importações provenientes do país asiático cresceram 21,3% em agosto, com aumento de US$ 1,2 bilhão. Também houve crescimento expressivo das compras provenientes da Coreia do Sul, de 69,5%, e da Índia, de 25,4%.
No acumulado de janeiro a agosto, o crescimento das exportações brasileiras também revela uma concentração importante em mercados asiáticos. As vendas para a China cresceram 15%, com aumento de US$ 10 bilhões, enquanto as exportações para a Índia avançaram 98,4%, acrescentando US$ 3,6 bilhões.
Em direção oposta, as exportações para os Estados Unidos recuaram 9,7% no acumulado do ano, uma redução de US$ 2,6 bilhões. A Argentina também registrou queda de 17,5%, correspondente a US$ 2,2 bilhões.
O desempenho reforça a expansão do comércio exterior brasileiro em 2026, mas também evidencia uma mudança na composição dos fluxos comerciais. Enquanto o saldo permanece amplamente positivo, a expansão das exportações vem sendo acompanhada por maior dinamismo das relações comerciais com países asiáticos e europeus, ao mesmo tempo em que mercados tradicionais, como Estados Unidos e Argentina, registram redução das compras de produtos brasileiros.
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