PSL suspende Eduardo por um ano; sanções foram aplicadas a outros 17 bolsonaristas da sigla

Filho do presidente também foi destituído da presidência do PSL em São Paulo; Nova liderança será escolhida por votação de lista na Câmara

Eduardo Bolsonaro. Foto: Alex Ferreira/Câmara dos Deputados

Jornal GGN – A direção do PSL anunciou nesta terça-feira (3) as penalidades aplicadas a 18 parlamentares da sigla no Congresso Nacional. O grupo foi enquadrado por agir contra o presidente do partido, o deputado federal Luciano Bivar (PE), na crise que se abriu entre ele e o presidente Jair Bolsonaro.

Tudo começou quando, em outubro, ao sair do Palácio da Alvorada, Bolsonaro pediu para um apoiador esquecer o PSL e, ainda, que o presidente nacional do partido, Bivar, estava queimado.

Bivar é um dos nomes do PSL citados nas investigações sobre as candidatas laranjas do partido nas eleições de 2018. A denúncia do esquema, iniciada a partir de reportagens da Folha de S.Paulo, gerou dois inquéritos. Um deles está na Justiça Eleitoral de Pernambuco, reduto de Bivar.

O outro inquérito tramita na justiça de Minas Gerais. Nele a Polícia Federal e o Ministério Público acusam o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e outras 10 pessoas pela prática dos crimes de falsidade ideológica eleitoral, apropriação indébita de recurso eleitoral e associação criminosa.

A ação de Bolsonaro em abandonar a liderança do PSL que, mais tarde, acabou oficializando sua saída da sigla, aponta para uma estratégia do presidente se afastar das denúncias sobre o esquema de candidaturas laranjas.

Alguns dias antes de ele pedir para o apoiador esquecer o PSL, a Folha havia divulgado uma reportagem com o depoimento de Haissander Souza de Paula à PF, que foi assessor de Álvaro Antônio. Ele afirmou achar que “parte dos valores depositados para as campanhas femininas”, empregadas como laranjas do partido, “na verdade, foi usada para pagar material de campanha de Marcelo Álvaro Antônio e de Jair Bolsonaro”. A matéria traz ainda dados de uma planilha apreendida em uma gráfica pela PF sugerindo que o dinheiro desviado de candidatas laranjas do PSL mineiro foi para montar caixa dois à produção de materiais das campanhas de Bolsonaro e Álvaro Antônio.

O clima de tensão no PSL entre as alas bivaristas e bolsonaristas aumentou em outubro, quando o filho do presidente, deputado Eduardo Bolsonaro articulou uma lista para assumir liderança do partido na Câmara. Em meio a guerra, o então líder, deputado Delegado Waldir (GO), apoiador de Bivar, decidiu entregar o cargo. Os aliados dos Bolsonaro ainda conseguiram derrubar mais de 100 diretórios municipais do PSL, que chegou ater 340 em 645 municípios.

Leia também:  'Quartel-general' da campanha de Bolsonaro em BH foi omitido à Justiça Eleitoral

O grupo bolsonarista tenta articula a oficialização de um novo partido, chamado de Aliança pelo Brasil. Pelas regras da legislação eleitoral, deputados estaduais e federais precisam esperar a janela partidária, período aberto a poucos meses antes da eleição, para mudar de sigla. Apenas políticos eleitos para cargos majoritários podem se filiar a um novo partido, portanto prefeitos, governadores, senadores e o presidente da República.

Dos 18 parlamentares do PSL que soferam sansões da direção do partido, 14 foram suspensos e 4 advertidos. Entre os que receberam as maiores penalidades estão Eduardo Bolsonaro (SP), Bibo Nunes (RS), Alê Silva (MG) e Daniel Silveira (RJ). Todos estão suspensos de todas as atividades parlamentares por 12 meses.

Já Carlos Jordy (RJ) recebeu suspensão por 7 meses e Carla Zambelli (SP) e Bia Kicis (DF) por 6 meses, cada uma. Entre os parlamentares que sofreram a advertências (a pena mais branda) estão Aline Sleutjes (PR) e Hélio Lopes (RJ).

Além dessas medidas, o Diretório Nacional do PSL dissolveu o diretório de São Paulo, retirando da presidência Eduardo Bolsonaro. A nova direção no estado será decidida após a escolha do novo líder do partido na Câmara, que passa a não ser mais Eduardo Bolsonaro.

Apesar de todas essas sanções, o deputado, filho 03 de Bolsonaro, continuará na presidência da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional por ter sido eleito pelos membros do órgão para assumir o posto.

Na semana passada, Eduardo sofreu outro revés na Câmara com a abertura de um processo contra ele, no Conselho de Ética, para explicar sua fala sobre o AI-5. Em uma entrevista à jornalista Leda Nagle, o parlamentar disse que se “a esquerda brasileira radicalizar”, o Estado pode responder “via um novo AI-5”.

Leia também:  Militar apontado como torturador processa vítima alegando 'danos morais'

*Com informações da Folha de S.Paulo

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome