PT lança Plano de Reconstrução do Brasil sob críticas construtivas de aliados

Programa "tem que falar para além da classe trabalhadora organizada e da intelectualidade progressista", diz Flávio Dino. Requião pede "hierarquização" das propostas. Freixo destaca liderança do PT

Jornal GGN – Com transmissão ao vivo nas redes sociais, o Partido dos Trabalhadores lança nesta segunda (21) um documento de 210 páginas batizado de “Plano de Reconstrução e Transformação do Brasil”.

Desenvolvida pela Fundação Perseu Abramo – um “think thank progressista”, nas palavras de Fernando Haddad – a proposta está dividida em três partes (“diagnóstico [da crise atual], medidas emergenciais e propostas para o futuro”) e pode ser conferida aqui.

Convidados para o lançamento, o governador Flávio Dino (PCdoB), o ex-senador Roberto Requião (MDB), o ex-governador da Paraíba Ricardo Coutinho (PSB), o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) e o ex-ministro Manoel Dias (PDT) tiveram acesso ao documento na noite anterior e não conseguiram ler a íntegra da proposta, mas elogiaram amplamente a iniciativa do PT e fizeram críticas construtivas.

Entusiasta de uma frente ampla contra o bolsonarismo, Dino afirmou que o Plano de Reconstrução pode servir de “referencial” para a construção de alianças eleitorais já nas eleições de 2020, mesmo que os pactos progressistas sejam possíveis apenas nas cidades onde haverá segundo turno.

O comunista observou, contudo, que o programa não pode falar para convertidos, ou seja, a militância de esquerda. “Tem que falar para além da classe trabalhadora organizada e da intelectualidade progressista.”

Requião concordou com Dino e afirmou que é preciso “ter um documento para constituir maioria no Brasil. As ideias são muito boas, mas ressinto que falta de hierarquização de prioridades.”

Para o ex-senador, a proposta precisa ser dirigida claramente a “70%, 80% da população brasileira”, o que pede que pautas “identitárias”, por exemplo, fiquem em segundo plano. O foco, em sua visão, deve ser nas “ações fundamentais, de geração de emprego, valorização do trabalho, referendo das empresas públicas.” Propostas para conter os “avanços do capitalismo financeiro.”

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Coutinho chamou a ala progressista a unir forças na guerra de narrativas contra a extrema-direita. Para ele, há anos a esquerda perde protagonismo no debate público e precisa “retomar a ofensiva com ideias”.

Freixo disse que “Requião tem razão nas suas agonias” e que os aliados querem, de fato, que o programa atenda ao esforço de encantar a maioria na sociedade contra o governo Bolsonaro.

“É preciso que estejamos juntos num projeto de País que o povo entenda que é muito melhor do que o projeto que está aí. Não podemos perder essa disputa”, comentou.

Freixo falou ainda que é “importante saber que isso pode ser conduzido pelo maior partido político, que é o PT”.

Para ele, as esquerdas devem ter como compromisso principal derrotar a reeleição de Bolsonaro. “2022 começa agora.”

“O que temos em comum é muito maior do que os pontos de diferença. É a ausência de um debate programático que pode nos separar”, frisou. “Temos que buscar o que temos em comum, não o idêntico.”

“Vou ler o documento com mais atenção e calma e mando a contribuição para vocês”, prometeu Freixo, assim como os outros aliados.

O pedetista Manoel Dias disse que o “Observatório da Democracia, que é a união das fundações dos partidos populares”, vai “aprofundar e contribuir [com o Plano] para chegarmos em 2022 unidos. A divisão vai permitir que seja vitoriosa uma frente fascista.”

Em sua fala, o ex-presidenciável Fernando Haddad agradeceu a participação dos aliados de outros partidos progressistas. Segundo ele, o programa apresentado pelo PT será discutido com diversos setores e aprimorado.

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A ex-presidente Dilma disse que o Plano “abre um processo, de fato, de unidade qualificada”, e que “tem a grande característica de propor um enfrentamento emergencial” aos problemas que assolam o País hoje, sobretudo o desemprego, a crise sanitária e ambiental e a destruição da soberania nacional.

Assista ao lançamento clicando aqui.

 

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5 comentários

  1. PT oferecendo munição ao inimigo.
    Amanhã o mito fica “bonzinho” e “socializa” os bons planos do partido respeitando, claro, os apoiadores e as elites.
    Gente, o bozo foi eleito sem participar de um só debate, prometendo matar todo mundo, armar a população, entre outras promessas, a maioria delas lesivas à população.

    Em um ano, foram 57 promessas, das quais 32 ainda estão a ser cumpridas.
    https://diariodopoder.com.br/politica/poder-em-numeros/quais-foram-as-promessas-de-bolsonaro

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  2. Em “PARTE II MUDANÇAS PARA O PRESENTE”, faltou esta proposta essencial: FORA, BOLSONARO.
    Ou será que a estratégia do PT se resume a lança belas propostas no papel e a, bovina e republicanamente, esperar pela campanha eleitoral de 2022?

    • Alguém tinha q fazer algo e alguém fez algo(tentando)e os OUTROS DITOS LÍDERES O Q FAZEM DE EFETIVO ???
      Obs: Os outros “líderes”só ficam no gogó(padrão Guedes de qualidade)

      • Quando Lula declara “Temos todas as condições de tirar Bolsonaro em 2022”, a impressão que me passa é que a maior liderança do partido já normalizou a Era Bolsonaro.
        Quanto às demais esquerdas, de modo geral, nem vale a pena comentar.

  3. Frase famosa, hstórica: «Quantas divisões tem o Vaticano?», terá replicado José Estaline no momento de dispensar um dirigente francês que o pressionava a ter em conta as susceptibilidades do soberano pontífice.”
    Vale para o momento, quantos deputados e senadores o campo progressista, ou equerdas, tem no momento?
    Quantas “divisões” tem o PT e outros partidos do mesmo campo ideológico?
    Até que esta construção ocorra, tem muita conversa entre as lideranças. Por isso da demora e contar com processo democrático eleitoral.

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