5 de junho de 2026

Quaest: Trump erra ao impor tarifa ao Brasil, dizem 72% dos brasileiros

Maioria considera que medida vai prejudicar famílias e apoia reação de Lula; pesquisa mostra desgaste da imagem de Trump no país
Gage Skidmore - Flickr

Uma ampla maioria dos brasileiros rejeita o tarifaço imposto pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao Brasil. Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (16), 72% dos entrevistados avaliam que Trump está errado ao elevar em 50% as tarifas sobre produtos brasileiros. Apenas 19% consideram a decisão correta, enquanto 9% não souberam ou não quiseram opinar.

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A medida, segundo Trump, seria uma resposta à suposta perseguição política contra Jair Bolsonaro (PL), hoje inelegível até 2030. No entanto, o argumento não convenceu a maioria da população brasileira, que também discorda da crítica feita por Trump ao processo judicial contra o ex-presidente. Neste caso, 57% responderam que ele não tem legitimidade para isso, enquanto 36% disseram que sim. Outros 7% não souberam responder.

A pesquisa foi encomendada pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas, com 16 anos ou mais, em 120 municípios do país, entre os dias 10 e 14 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

Prejuízo à vida dos brasileiros

Para 79% dos entrevistados, a taxação anunciada por Trump tende a prejudicar diretamente suas vidas ou as de seus familiares. Apenas 17% acreditam que não haverá impacto, e 4% não souberam responder.

Lula ganha fôlego com confronto

O diretor da Quaest, Felipe Nunes, destaca que o embate com Trump teve um efeito positivo para o governo Lula (PT) entre setores mais informados da população. “A recuperação do governo aconteceu entre quem é de classe média, que tem alta escolaridade, no Sudeste. São os segmentos mais informados da população, que se percebem mais prejudicados pelas tarifas de Trump, e que consideram que Lula está agindo de forma correta até aqui, por isso passam a apoiar o governo”, afirmou.

Reação dividida sobre provocação

A pesquisa também investigou a percepção pública sobre a postura de Lula. Para 55% dos entrevistados, o presidente brasileiro provocou Trump ao criticá-lo durante a reunião do BRICS. Outros 31% avaliam que não houve provocação, enquanto 14% não souberam responder.

Ainda assim, 53% consideram correta a reação do governo Lula às medidas norte-americanas, que inclui a possibilidade de retaliação comercial. A ampla maioria (84%) defende que governo e oposição se unam para proteger os interesses do país diante do tarifaço.

Conhecimento do caso e impacto político

A maioria da população brasileira (66%) já tinha ouvido falar da carta enviada por Trump a Lula anunciando as tarifas. Outros 33% afirmaram que só tomaram conhecimento do assunto durante uma entrevista do líder brasileiro, transmitida pela TV em horário nobre.

Questionados sobre a declaração de Trump de que a relação comercial entre Brasil e Estados Unidos seria injusta, 63% disseram que a afirmação está incorreta. Apenas 25% concordam com o argumento do republicano, e 12% não souberam opinar.

O que estaria por trás do tarifaço?

A percepção sobre os reais motivos das sanções comerciais também foi analisada. Para 26%, as falas de Lula contra Bolsonaro durante os BRICS teriam provocado a retaliação. Outros 22% culpam ações do STF contra o ex-presidente, 17% veem influência de Eduardo Bolsonaro nos EUA como determinante e 10% apontam as medidas do STF contra big techs. Um quarto dos entrevistados (25%) não soube identificar um motivo.

Lula, Bolsonaro ou nenhum dos dois?

Sobre quem está “fazendo o que é mais certo” no embate, 44% apontaram Lula e o PT, enquanto 29% preferem Bolsonaro e seus aliados. Para 15%, nenhum dos dois lados está agindo corretamente, e 12% não souberam ou não responderam.

Mesmo assim, a maioria (59%) acredita que Trump não voltará atrás em sua decisão, ao passo que 31% ainda têm esperança de um recuo. Os que não souberam responder somam 10%.

Efeito nas eleições de 2026

Apesar da repercussão do tarifaço, a carta de Trump não deve ter grande influência na eleição de 2026: 53% dizem que o episódio não muda sua intenção de voto. Ainda assim, 19% afirmam que ficaram mais inclinados a votar em Lula e o mesmo percentual declarou preferência reforçada por Bolsonaro ou seu indicado.

Embora Bolsonaro esteja inelegível até 2030, o resultado mostra que o embate comercial com os EUA pode mexer com o tabuleiro político nacional.

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Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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  1. Carlos

    16 de julho de 2025 2:26 pm

    Segundo diretor:
    “A recuperação do governo aconteceu entre quem é de classe média, que tem alta escolaridade, no Sudeste. São os segmentos mais informados da população, que se percebem mais prejudicados pelas tarifas de Trump, e que consideram que Lula está agindo de forma correta até aqui, por isso passam a apoiar o governo”.
    Vou acrescentar que na análise de um campo de forças eleitoral, este grupo na realidade sempre esteve no muro que divide a neutralidade do apoio ainda que não muito forte, só precisavam de um motivo para abandonarem a neutralidade seguindo para o apoio.
    Aqueles 30% que negam a positividade das ações do governo é o grupo que jamais subirá no ônibus, representado por grupos radicais de policiais e militares, grileiros, adeptos de armas, etc.
    Para não perder impulso o governo deve:
    1) Não se apoiar neste momento para bravatas contra o idiota americano. O ritmo é o mesmo e nossa soberania não pode ser negociada.
    2) Também sem bravata contra o congresso. O povo já entendeu que servem as elites.
    3) Quem cuida do covarde golpista é a justiça, o executivo fica a parte.

    #SemAnistia
    #SimparaSoberania

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