20 de junho de 2026

Quando a esquerda dança: o caso Agnelo em Brasília, por Zegomes

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Quando a esquerda dança: o caso Agnelo em Brasília, por Zegomes

            Agnelo perdeu a eleição em Brasília porque não soube conduzir a crise de mobilidade.[1]

Uma de minhas atividades é como médico do trabalho. Tenho observado, num crescente nos últimos anos, aumentar o desespero dos trabalhadores –ou servidores públicos, como se queira chamar- com a dificuldade e a demora em chegar ao trabalho e no retorno para casa.  

Trabalhar já é duro por si. Enfrentar oito horas diárias de trabalho assalariado é pesado. Acrescentar duas ou três horas para o transporte na ida e o mesmo na volta é insuportável para um ser humano. Voltamos à Inglaterra da Revolução Industrial. As pessoas saindo para trabalhar no escuro da madrugada e voltando para casa no escuro da noite. Avassalador.

Precisamos de um intervalo de relaxamento ou gozo entre uma jornada estafante e a seguinte: uma parada no bar para tomar com os amigos, paquerar, ficar com os filhos ou as pessoas queridas, etc. Sem isso a rotina da semana, do mês, da vida, se torna insuportável. A crise de mobilidade está retirando esse intervalo de gozo.

Pesquisadores das doenças do trabalho têm falado, nas últimas décadas, na “Síndrome de Burn Out”. Esse verbo inglês significa queimar até o fim. Consumir tudo. Em medicina do trabalho caracteriza aquela situação em que o trabalhador enfrenta tantas circunstâncias de estresse no trabalho que fica literalmente arrasado. Dizem que seria mais comum nos trabalhadores da educação e da saúde.

Tudo indica que a crise de mobilidade está levando a “Síndrome de Burn Out” a todos os trabalhadores. Portanto, essa crise atinge em cheio os trabalhadores, e sendo assim, esquerda que é realmente esquerda deve enfrentá-la com prioridade.

Mas não com chavões. Agnelo enfrentou a crise de mobilidade em Brasília com chavões. Utilizou uma teoria verdadeira –a de que o transporte público deve ser prioritário- fora do contexto, e isso foi a sua derrota. Vou explicar.

Em Brasília e Entorno vivem mais de quatro milhões de pessoas, que se locomovem basicamente por duas BRs. A BR 020 chega do norte do país, atravessa a cidade com o nome de Via EPIA e sai pelo sul já com o nome de BR 040, que é a saída para Belo Horizonte, Rio e São Paulo. Desse eixo sai um ramo para oeste, em direção a Goiânia e ao oeste do país, que é a BR 060.

Dentro da cidade esses dois eixos têm três faixas de cada lado. Por aí trafega toda Brasília e Entorno de automóvel ou de ônibus, mais os caminhões da cidade, mais os caminhões, ônibus e automóveis de passagem pela região através das BRs interestaduais. Congestionamentos quilométricos nas horas de pico.

Todo mundo sabe que esses dois eixos, há anos, exigem pelo menos seis faixas de cada lado para amenizar um pouco o sufoco. Há espaço disponível nas margens para o alargamento, sem necessidade de desapropriações.

O que fez Agnelo? Fez uma pesquisa. Essa pesquisa apurou que 46% dos que percorriam diariamente a BR 060 andavam de ônibus. Então ele, talvez influenciado por assessores “sonháticos”, decidiu tornar uma das três faixas exclusiva para ônibus, trazendo subitamente o caos total para o trânsito que já era caótico e levando sofrimento para milhares de trabalhadores que se dirigem diariamente ao seu trabalho de automóvel ou de caminhão.

Vamos fazer um paralelo com São Paulo. Morei nessa cidade por dez anos na década de 90. Pegava o ônibus Socorro na Cardeal Arcoverde em Pinheiros e ia trabalhar no Largo 13 de Maio, em Santo Amaro. Ao meio dia pegava um ônibus Terminal de Santo Amaro-Praça da Bandeira que saía de três em três minutos e percorria um corredor exclusivo. Em poucos minutos estava em meu trabalho na Avenida Paulista. Ao final da tarde pegava o metrô, descia na Estação Clínicas e caminhava uns 800 mts até em casa. Lá isso foi possível porque a cidade já conta com uma rede, mínima ainda, é verdade, de conexão do transporte público, onde o trabalhador pode planejar o seu circuito.

Brasília é diferente. Não é compacta como São Paulo ou outras grandes cidades do país. As distâncias entre os núcleos habitacionais aqui ainda são grandes, com quilômetros de áreas vazias entre eles, o que encarece e dificulta as conexões do transporte público. Aqui eu não consigo fazer o que fazia em São Paulo. Saio de casa pela manhã para meu trabalho no Plano Piloto. Ao meio dia me dirijo para outro trabalho em uma cidade satélite da periferia. De lá para casa, ao fim da tarde. Um triângulo de 100 kms diários. Fazer isso no transporte público de Brasília? Impossível. Teria de pegar umas seis conexões, com longas esperas, inviabilizaria o trabalho.

Agnelo e os assessores sonháticos tiveram boas intenções. Eles julgaram ajudar os trabalhadores que andam de ônibus criando o corredor. Erraram feio quando esqueceram que os outros 54% que andam de automóvel também são trabalhadores. Aumentaram o inferno diário para estes e não melhorou muito a vida daqueles que andam de ônibus, pois, embora tendo sido criado o corredor, as empresas de ônibus privatizadas não podem aumentar a freqüência dos ônibus para destinos muito distantes e com caminho intermediário despovoado, porque sendo assim não há lucro.

Ao contrário de São Paulo e outras grandes cidades brasileiras compactas, onde a opção alargamento de vias já não existe, na populosa mas esparsa, pouco povoada Brasília e seu Entorno, a solução imediata, “ululante”, é o alargamento dos dois eixos principais que cortam a região, pois há terreno público disponível, e aí sim, reservar uma faixa exclusiva para ônibus.

Eliminando a pressão imediata, ganhar-se-ia uns dez a quinze anos para o planejamento e reformulação do transporte público.

No primeiro dia de campanha na TV, Arruda declarou em alto e bom som que iria alargar os eixos. O povão vibrou. É o cara.

A direita não acha que todos que andam de automóveis são “burgueses”. Especialmente numa cidade fragmentada em núcleos distantes uns dos outros e sem boa interconexão do transporte público.

Não estou querendo dizer que a direita faria esse benefício para os trabalhadores de Brasília e Entorno, se eleita. Estou querendo dizer que a esquerda deveria ter percebido, sem traves ideológicas, a urgente necessidade de agir adequadamente e fazer a coisa certa.

Agnelo foi um bom governador. Encheu a cidade de obras, melhorou e muito a saúde pública, ao contrário do que muitos dizem. Errou ao não perceber o sofrimento da população na crise de mobilidade. Suas ações acentuaram esse sofrimento, em vez de atenuar.        

A esquerda é cheia de boas intenções, porém às vezes não pensa, ou pensa através de chavões (o mais tradicional chavão é aquele da “reforma ou revolução?”!!), e sempre que age assim, dança.    

[1] Aprendi aqui no Nassif, com o próprio, a chamar congestionamentos de crise de mobilidade. É mais delicado.

Lourdes Nassif

Redatora-chefe no GGN

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

40 Comentários
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  1. Its

    7 de outubro de 2014 2:39 pm

    O outro defeito do Agnelo

    Outro grande defeito do Agnelo é a mentira. Sim, ele é um mentiroso daqueles convictos. Às vezes penso que ele realmente acredita no que diz, por exemplo: “Acabei todas as obras que recebi do governo anterior”, mentira (vide o BRT iniciado pelo Arruda, fora a linha exclusiva na EPTG)! E para não me alongar mais a minha preferida: “Só critica a saúde pública no DF quem é usuário de plano de saúde”, sim ele teve coragem de falar isso em público.

     

    Num bairro bastante pobre encontrei um morador que me disse: Pois é, hoje o Mentiroso vai passar por aqui. A tarde teve um evento com o governador.

    1. edna baker

      7 de outubro de 2014 6:13 pm

      Eleitor de Arruda.

      Eleitor de Arruda.

  2. vera lucia venturini

    7 de outubro de 2014 2:41 pm

    E porque o Alckmin ganhou a

    E porque o Alckmin ganhou a eleição em São Paulo, com crise de mobilidade e roubo escancarado no metrô?

    1. Marco St.

      7 de outubro de 2014 3:06 pm

      Porque cerca de 50% da

      Porque cerca de 50% da população de SP não vota no que precisa. Vota no que dizem que ela precisa. Não conduzem. São conduzidos.

    2. André LB

      7 de outubro de 2014 3:18 pm

        Por que todo teleguiado

        Por que todo teleguiado piguiático sabe que isso é responsabilidade do PT. Ao Alckmin sobra fazer propaganda, enquanto que Dilma, Haddad & Cia. são responsáveis por tudo que não funciona, desde crise em Wall Street até o controle remoto que caiu atrás do sofá.

    3. edna baker

      7 de outubro de 2014 6:08 pm

      Porquê em São Paulo ainda


      Porquê em São Paulo ainda impera a revolução de 32.

    4. MarFig

      7 de outubro de 2014 8:21 pm

      Por que ele comprou muitas

      Por que ele comprou muitas revistas Oias, Falhas de SP, Estadões, encheu as burras do PIG de publicidade e teve a brilhante idéia de bombear a água da Cantareira para não haver racionamento, pelo menos até o dia 26.

      Tem que lembrar também que ele travou uma batalha épica com o Cartel do Metrô, um Cartel diferente esse, onde existe o agente corruptor mas não existe o agente corrompido, difícil de detectar, por isso levou 20 anos e precisou de outro país denunciar e o carinha lá do MP até esqueceu na gaveta, talvez esperando alguma prova de DNA no futuro.

  3. Lucinei

    7 de outubro de 2014 2:52 pm

    O argumento no geral é

    O argumento no geral é correto. Mas não tem nada de “trava ideológica”. A pergunta que fica é o quanto de tempo que esse alargamento das vias vai durar. Em algum momento ou lugar isso vai estrangular de novo.

    A solução mais duradoura é o transporte público, sim; mesmo em Brasília.

    É mais um dos preconceitos achar que “a esquerda” acha que quem tem carro é “burgues”. Foi exatamente o governo do pt que estabeleceu as condições pra massa comprar carros, ora, ora…

  4. mario silva

    7 de outubro de 2014 2:59 pm

    derrota de agnelo

    Tenho opinião diferente do autor do post. Moro atualmente em Recife, mas nasci em Brasília. Estou passando , no momento, férias nessa cidade. Os meus familiares e da minha esposa moram, a grande maioria, no Distrito Federal. A mobilidade melhorou muito em toda Brasília. Principalmente para aqueles que mais precisam, no caso dos trabalhadores que necessitam de transporte público. Na quinta-feira, no horário de pico, tive o prazer de andar no corredor Rodoviária/Plano Piloto ao Gama, confesso que fiquei supresso pela rapidez. É bom salientar que todos os ônibus são novissímos e confortáveis. Alguns até com ar-condicionados. Sobre a saúde. Entrei, para conhecer, em várias UPAs, postos de saúde e no hospital das crianças, achei, todos, perfeitos. Sobre a educação. A várias creches, principalmente nas cidades satélites mais pobres, com estrutura de primeiro mundo; com varias refeição ao dia. Sobre as estradas. Nunca vi, nas minhas vindas, tão perfeitas. Por fim, saliento que conversei com vários moradores de Brasília, confirmaram as informações acima postas.

    No meu entendimento Brasília não está a altura de ter um governador como Agnelo. Por fim, agnelo saiu no primeiro turno por ser do Partido dos Trabalhadores, tão somente. Veja a situação de Dilma nessa cidade. Por sinal, não entendo o motivo pelo qual os funcionários dessa cidade, que nada produz, tem os salários muito maiores dos funcionários públicos dos outros estados. Aqui, um soldado de policia militar receber mais do que um capitão dos outros estados. É um absurdo!.

     

    1. eu

      7 de outubro de 2014 4:24 pm

      Apesar de existir um

      Apesar de existir um anti-Petismo na Cidade, acho que faltou ao Agnelo mais PROPAGANDA E COMUNICAÇÃO.

      Além de ter enfrentar Arruda e Roriz.

       

    2. edna baker

      7 de outubro de 2014 6:05 pm

      Não entendi! se Brasília está

      Não entendi! se Brasília está uma beleza e eu concordo com você porquê essa má vontade com o Agnelo?

  5. janes salete

    7 de outubro de 2014 3:05 pm

    Vejam como os direitosos

    Vejam como os direitosos chamam os governos do PT de mentirosos. Nos governos anteriores, os grandes corruptos, a mobilidade acontecia, porque pouca gente possuia automóvel e o roubo, o assalto aos cofres píblicos do DF eram visíveis a olho nu. Df, como  sp, seguem a risca o que a mídia vomita, porque se não aparecer na mídia, não está acontecendo. Votaram massivamente no aruda, só não foi eleito porque o justiça eleitoral não permitiu. Então,  acusar, pra variar, governo petista pelo descalabro no DF, é malandragem de quem não consegue ver o que não passa na mídia. DF como sp, sempre apoiarão governos corruptos(roriz, arruda, serra, maluf, alckimin, covas e tais), porque eles aparecem nas páginas amarelas da veja, como exemplos de honestidade e realizações. Tenha a santa paciência!!!!!! Não sabem votar, votam em corrupto assumido e vem querer dar motivos fajutos pelo voto antipetista.

  6. Assis Ribeiro

    7 de outubro de 2014 3:07 pm

    Gostei muito do artigo, mas

    Gostei muito do artigo, mas faço uma critica à abordagem ideológica

    O erro não foi fazer a faixa exclusiva para ônibus que sem transportes de trilhos se torna obrigatória. A preferência em locomoção deve ser pedrestres, transeuntes de coletivos e só depois particulares.

    Por aí digo que não foi uma opção ideológica como o artigo atribui.

    O erro foi não alargar (já que o artigo afirma haver espaço) as pistas.

     

    1. JucaBolado

      7 de outubro de 2014 8:26 pm

      Mas…

      Mas o cara devia ter criado ciclofaixas….ai ia resolver o problema. Simples nao?

  7. aqua

    7 de outubro de 2014 3:14 pm

    um clássico de engenharia de tráfego

    Não adianta alargar vias arteriais sem projetar a entrada de novo volume na malha urbana em si, não é tão simples.

  8. altamiro souza

    7 de outubro de 2014 3:14 pm

    a cynara meneses na carta

    a cynara meneses na carta capítal disse  que o agnelo

    não atendeu  ceilandia na área de saúde,

    por exemplo,  embora seja médico.

    .o seu maior erro, segundo ela.

    mas acho que a grande mídia teve

    um papel fundamental na deconstrução política do seu governo.

    além do contra-0sendo do cara

    achar que arruda, o da ficha suja, iria resolver o problema.

    inacreditável.

  9. atenir

    7 de outubro de 2014 3:17 pm

    A analise é correta e

    A analise é correta e pertinente. Provavelmente isso não é a única causa da derrota, mas é uma delas. Eu percebi imediatamente a insatisfação da populaçao quando o Agnelo tirou uma das faixas de uma importante rodovia e colocou como exclusiva para ônibus. O engarrafamento aumentou absurdamente. Até aí tudo bem, mas Brasilia é diferente. Aqui o transporte de massa é de carro. E o pior, os “sonháticos” colocaram a faixa exclusiva até nos finais de semana, onde o trasnsito de brasilia não tem retenção, mas nessa dita avenida o engarrafamento continuou atÉ nos finais-de-semana e feriados. Foi uma tragédia. Depois de muita reclamação, eles deixaram a faixa exclusiva somente nos dias úteis. Mas o estrago já estava feito.

    Arruda que não é tolo, disse que a primeira obra que iria fazer era justamente alargar a dita pista e ai sim colocar faixa exclusiva…O povão vibrou como fosse gol de final de compeonato…

    O problema é que a esquerda é cheia de boas intenções, mas MUITO, MUITO MAL ASSESSORADA.

    Em fim, não os governos, mas os assessores(“sonháticos”) estão matando os governos do PT….

  10. eu

    7 de outubro de 2014 3:55 pm

    Não concordo, moro atualmente

    Não concordo, moro atualmente em Brasilia e temos:

    1) O pessoal do plano piloto, que não usa as faixas, que votou no Rollemberge.

    2) O pessoal das cidades satelites, que usam carros, onibus e metro dependendo do nivel economico e necessidade de trabalho, esse pessoal se divide entre os 3 candidatos.

    A verdade o Agnelo, tem um problema serio de comunicação, o mesmo problema da Dilma, só que aqui ele compete com o Arruda e Roriz, que tem eleitores fieis em algumas regiões administrativas. 

    Para ele enfrentar a resistencia deveria ter investido na comunicação de suas ações e principalmente no metro e agilizado o Centro Administrativo, que vai reduzir o trasito do plano piloto. 

  11. Athos

    7 de outubro de 2014 3:57 pm

    Não é isso não.
    O pessoal vai
    Não é isso não.
    O pessoal vai de carro porque o transporte público é coisa de pobre.
    Não me entenda mal.
    Os governantes fizeram algo mal feito, desconfortável e que funciona mal.
    Resumidamente coisa pra pobre!

    Além disso, a cidade foi extremamente mal planejada para pessoas morarem.
    Locais onde a construção de um simples retorno resolveria um grande problema de trânsito, não é feito por que o patrimônio histórico não permite a porcaria de um retorno.
    Lúcio Costa não previu aquela curva 50 anos atrás então ela não existe e jamais existirá.

    1. Mariano_ptn

      7 de outubro de 2014 5:17 pm

      Brasília tem uma realidade

      Brasília tem uma realidade diferente, que foi bem explicitada.

      O único meio de transporte que atende com regularidade as cidades mais distantes é o metrô, que só atinge o centro de Brasília e a Asa Sul.

      As cidades satélites, e em especial as cidades do entorno, sugam todo o fluxo rodoviário.

      Nos horários de pico o congestionamento dos ônibus é grande, o de carros enorme. Nos outros horários há bem menos ônibus.

      Sou avesso ao uso de carro, contudo nas experiências que tive de transporte público o que experienciei foi o que o colega relatou, não há conexão entre linhas de ônibus e metrô. São duas horas para ir e voltar, quando, se for de carro, devido ao meu horário ser de contrafluxo, demoro vinte e cinco minutos para os 35 km.

      Não há como tratar o assunto de outra forma, Brasília é dependente de rodovias (não de avenidas), 70% da população mora fora da região administrativa (Plano Piloto), que não tem como crescer mais, por determinação legal (somos uma cidade tombada).

  12. Zé das Couves

    7 de outubro de 2014 5:33 pm

    Alargar vias é paliativo,

    Alargar vias é paliativo, isso foi feito na EPTG (pra quem não conhece Brasília, é uma das vias mais importantes do DF) e continua congestionando todo dia pq quando chega no plano piloto afunila tudo, quatro faixas viram duas. E não adianta tirar a faixa de ônibus, vai afunilar do mesmo jeito.
    Na minha opinião de leigo o problema de Brasília é o modal, as distâncias são muito grandes para usar ônibus. Esses deveriam circular apenas dentro das cidades-satélite e do plano piloto. Das cidades-satélite até o plano o transporte deveria ser feito apenas por trem e metrô. Mais ou menos como é em Curitiba (só que lá, em vez de metro há os expressos biarticulados).

    Mas o ideal mesmo seria descentralizar a administração, como o Agnelo, é preciso reconhecer, começou a fazer criando o Centro Administrativo em Taguatinga.

  13. jluizberg

    7 de outubro de 2014 5:40 pm

    Embora pertinente, não

    Embora pertinente, não concordo com a análise. Moro em Brasilia, e em Águas Claras, cidade que fica exatamente entre Brasília e Taguatinga, ligadas pela EPTG, uma das vias expressas que tem corredor de ônibus.

    Essa via foi iniciada pelo Arruda, e terminada pelo Agnelo, e tem uma característica ímpar no projeto que provoca revolta em qualquer mortal: foi projetada para ônibus com portas no lado esquerdo, e todos os ônibus de Brasília tem porta na direita. Então além de os ônibus não funcionarem na via, ela continuam tendo a  faixa exclusiva, ou seja, os carros perdem a faixa e os ônibus não podem utilizá-la direito, e precisam atravessar a pista para pegar passageiros.

    Mas não acho que a mobilidade tenha sido um grande problema na eleição. Como sou do RJ, acho até graça quando falam de problemas de mobilidade aqui. Se colocar o cara em um engarrafamento do RJ ou SP ele vai pirar. O Agnelo focou muito na saúde e na mobilidade, fez algumas boas obras, incluindo escolas, mas não deu muita atenção à segurança, que deixou à desejar.

    Mas o pior foi a comunicação. Deixou de dialogar com a sociedade, e o principal, mostrar o que estava fazendo, dando combustível à oposição para dizer que ele não fez nada. Alias, essa é uma lição para todo o partido: você pode ser o melhor gestor do mundo, mas se só você souber disso não adianta nada.

    Apesar dessa análise, acho ele não perdeu por causa disso, mas simplesmente pelo perfil das pessoas daqui. O Distrito Federal é pequeno, e cercado de cidades que apesar de viverem em função de Brasília, são de Minas Gerais ou Goiás, então as pessoas votam lá. Os eleitores do DF mesmo são de classe média ou alta, e normalmente reacionários, tanto que a a própria Dilma teve menos de 30% de votos por aqui. Considerando isso, os 21% de votos no Agnelo não foram tão ruins, e se tivesse cuidado um pouco mais da comunicação conseguiria até alcançar os votos da Dilma, mas, dificilmente passaria deles.

     

    1. edna baker

      7 de outubro de 2014 5:56 pm

      Concordo plenamente com seu

      Concordo plenamente com seu disgnóstico. Parabéns. Brasília sempre foi reacionária, desde que nasceu. Eu cresci com ela e conheço cada grão de terra daquele lugar.

  14. drigoeira

    7 de outubro de 2014 5:46 pm

    Explicação não procede…

    O PT perdeu esta eleição porque não é dono dos meios de comunicação, simples assim.

    O PSDB está em SP há 20 anos e os problemas não são resolvidos, pior estão aumentando. E nem por isto perdem a eleição. Porque são donos da comunicação em SP.

    1. Maurício Gil - Floripa (SC)

      7 de outubro de 2014 6:26 pm

      A Mídia ainda manda sim!

      Certíssimo, Drigoeira.

      E não é só em SP não, aqui em SC também; em todo o Brasil é assim: a mídia solta e manda prender.

      E a esquerda fica com essa baboseira de dizer que “eles já não são tão poderosos, não fazem mais a cabeça do brasileiro”.

      Bobagem pura. Alkmin é a mais perfeita tradução disso: um governador atolado em problemas, corrupção deslavada em todos os ógãos e secretarias, crise em cima de crise e… reeleito está.

      E vai se eleger para o que quizer, quantas vezes quizer e para o que quizer!!!

      Mas por que, Maurício?

      Por que?!?! Respondo: é porque ele tem a mídia gorda ao seu lado. Que não mancheteiam os seus escândalos, não o perseguem sistematicamente com factóides e mentiras.

      E é assim com todos os tucanos e demais conservadores Brasil afora.

      A questão central está – como sempre esteve – na mídia.

    2. eu

      7 de outubro de 2014 6:38 pm

         Isto também não é 100% 

         Isto também não é 100%  verdade, na Bahia o grupo do Carlista domina a midia e ganhou Rui Costa.

        O que acontenceu em SP,  na minha opinião, faltou um candidato com coragem de bater na administração Tucana. 

    3. MarFig

      7 de outubro de 2014 8:00 pm

      Claro, a mídia antipt é um

      Claro, a mídia antipt é um fator muito importante. Mas se o governante do partido apoiado pela mídia for ruim de doer, aí nem a mídia dá conta. Que é o caso de Minas. Mas acho também, que a derrota do Aécio em Minas pode ser creditada em boa parte à oposição e ao Marco Aurélio Carone, o jornalista que Aécio mandou prender, que durante anos com o Novojornal na internet divulgou uma série de denúncias contra o governo dele. Devemos isso a ele. A prisão dele me causa revolta, uma prisão arbitrária, sem nenhum motivo. O Pimentel vai ter que pisar em ovos com a justiça tucana mineira.

  15. Dorgival

    7 de outubro de 2014 6:14 pm

    Há muitas meias verdades no

    Há muitas meias verdades no texto. Quanto a mobilidade urbana Agnelo rebeu uma herança dos governos anteriores que parecia insanável: uma legião de transportes piratas, ônibus velhos que quebravam a cada esquina, pneus carecas e o pior, uma máfia instalada na área de transportes que impedia qualquer  intervenção séria. Agnelo teve a coragem de enfrentar a máfia dos transportes e abriu licitação nacional para a circulação de novos ônibus, que se ainda não eram suficientes, deu maior conforto aos usuários.Paralelamente, construiu uma faixa exclusiva para ônibus BRT que reduziu substancialmente o tempo de viajem para os moradores do Gama e Santa Maria. Já iniciou a construção de uma linha de BRT de Planaltina para Brasília  e já havia previsão de construção de outras vindo de Ceilândia e outras regiões. Nunca um governo fez tanto pela mobilidade urbana como Agnelo. Não solucionou os problemas, mas estava a caminho. É importante lembrar que seu governo ficou perto de 2 anos imobilizado em razão da Caixa de Pandora do Arruda que ainda encontra-se em processo de investigação. Construiu UPAs que aliviou em muito os hospitais, contratou mais de 4.000 servidores para a Saúde e melhorou seus salários. Como não tinham mais do que reclamar passaram a reinvidicar a eliminação do ponto eletrônico. Na educação contratou mais de 3.000 professores. Começou a implantar um projeto de educação em tempo integral abrangente, começando pela cidade de Brazlândia, passando por Santa Maria e assim por diante. Até o fim de 2014 terá inaugurado mais de 40 creches com padrão de primeiro mundo. Fez um novo Plano de Carreira para os professores que incorporou a dedicação exclusiva aos vencimento  como o início de um processo que levaria a equiparação salarial com outras categorias do serviço público local. Criou ciclovias em quase todas Regiões Administrativas, renovou asfaltos e asfaltou muitos áreas onde esse serviço não havia chegado. Na luta contra o analfabetismo o DF recebeu o selo de “Território livre do analfabetismo”. Organizou o Plano diretor das cidades para preparar a regularização os terrenos de grande parte das centenas de condomínios de classe média e ainda projetou a construção de 100.000 moradias por meio do projeto “morar bem” com milhares de unidades já entregues. Por que então perdeu as eleições? Na minha opinião pessoal, boa parte da população de Brasília ainda segue a velha carcomida cartilha de Roriz: Se é PT sou contra. Quem não se lembra daa cruzada contra o vermelho?Um fundamentalismo de fazer inveja a qualquer regime de exceção. Costumo a dizer que Agnelo não perdeu, quem perdeu foi a população.Os mentirosos compulsivos sempre negarão qualquer feito de Agnelo.  

    1. eu

      7 de outubro de 2014 7:28 pm

      Dorgival, não concordo com

      Dorgival, não concordo com vc. Cheguei em Brasilia a menos de 2 anos e também não sou de Brasilia, nunca vi um governo tão ruim de comunicação ( bem parecido com a Dilma).  Fala pouco e quando fala parece que são poucas realizações.

      Acho o que ocorreu com Agnelo, deve servir de alerta para Dilma e Hadd

  16. sergior

    7 de outubro de 2014 6:24 pm

    DF é anti-petista

    Desculpe, mas essa justificativa não cola. DF é anti-petista. Nos últimos anos, DF elegeu e reelegeu Roriz. Elegeu e reelegeu Arruda. Agnelo, neo-petista, ex-PC do B,  poderia ter mudado esse quadro? Talvez, mas ele só foi eleito pela impossibilidade de Arruda disputar. Caso Arruda fosse o candidato, tanto em 2010 quanto agora, estaria eleito em primeiro turno. Mesmo com todas as denúncias, com todos os inquéritos, com todas as condenações. Mesmo tendo uma política anti-povo. Rollemberg, que ganhou o primeiro turno, é um tucano fora do ninho, apenas isso. Na primeira oportunidade retorna.

    1. Klaus BF

      7 de outubro de 2014 8:32 pm

      É isso!

      Resumiu muito bem meu caro!

  17. armandolo

    7 de outubro de 2014 6:30 pm

    Esse político, Agnelo, deixou

    Esse político, Agnelo, deixou controvérsias por onde passou. Ou alguem acha que o caso ANVISA ou Ministerio dos Esportes estão suficientemente  esclarecidos ? Não sei como o mesmo ainda é filiado ao PT.

    1. sergior

      7 de outubro de 2014 7:25 pm

      Se fama de corrupto e gestão

      Se fama de corrupto e gestão temerária levassem algum político a perder eleição no Brasil (ou em quase todos os países), não teríamos ninguém eleito, praticamente. Basta olhar para a eleição presidencial e ver Aécio na situação em que está. Além disso, se fosse esse o parâmetro, o DF não teria eleito e releito Roriz, Arruda, Paulo Octávio, Luiz Estevão, só para ficar nos mais notáveis. DF, ao que parece, gosta desse nível de político. Talvez, vendo por outro lado, Agnelo não tenha chegado a esse ponto, apesar de seus malfeitos. Portanto, não estava no tamanho de corrupto exigido pelo eleitorado da capital.

      1. armandolo

        8 de outubro de 2014 4:12 pm

        Ao reconhecer que vossa

        Ao reconhecer que vossa senhoria tem razao, outra questao surge. Provavemente, os citados em vossa resposta fizeram aquilo que eh conhecido por “rouba mas faz”. O que nos leva a concluir que Agnelo nao rouba e nao faz , ou rouba e nao faz. 

  18. Memória

    7 de outubro de 2014 7:23 pm

    Escolhas equivocadas na Comunicação

    Basta investigar o passado e o perfil dos secretários de Comunicação e porta-vozes do governo Agnello para descobrir porque a comunicação dele foi tão sofrível e acabou tornando-se uma das principais causas de sua derrota.

  19. adolpho

    7 de outubro de 2014 8:05 pm

    O Agnelo, chamado Agnulo pelo

    O Agnelo, chamado Agnulo pelo pessoal do BSB, deve ser muito , mas muuuito ruim de serviço. Tenho amigos petistas que votaram no Rollemberg porque tinham críticas enooormes à gestão desse Governador. Amigos PETISTAS; não são amigos COXINHAS, ou coisa que o valha. Petistas que sentiram na pele o que significa alguém que é incompetente como chefe do executivo.

  20. JucaBolado

    7 de outubro de 2014 8:21 pm

    Ciclofaixas e corredores de onibus

    CAro,

    Aqui em SP só deu certo os corredores de ônibus à esquerda. Os correios recentemente criados pelo prefeito está causando caos na cidade. Da mesma forma as novas ciclofaixas estão atrapalhando o trânsito. O pior que as ciclofaixas não se vê ninguém utilizando.

    ja prevejo a derrota do prefeito pelas mesmas razões que vc alencou acima.

     

  21. alê minas

    7 de outubro de 2014 11:18 pm

    NA MOSCA:  “PT NÃO É DONO DE

    NA MOSCA:  “PT NÃO É DONO DE SUA COMUNICAÇÃO” ( Drigoeira). É isso. A comunicação do PT é tucana. É gente que um dia trafegou (e bem) do outro lado. Não sei por que cargas d´agua, de repente a gente ouve falar. O cara foi de tal partido. Era fodão no Globo.. na Veja. Enfim… Podem falar, podem espernear. Mas é isso. Dilma é ruim de comunicação. Haddad é ruim de comunicação. Li hoje que o Olívio Dutra perdeu a eleição no RS por 100 mil votos. Razão: comunicação ruim. Costuraram a boca de um sapo e enterraram na área de comunicação do PT. O negócio não anda! Só desanda …

  22. donadio

    8 de outubro de 2014 2:06 am

    O PT de Brasília foi

    O PT de Brasília foi destruído pelo governo ultra-coxinha do Sr. Cristovam Buarque. Depois disso só ganhou eleição quando a direita estava toda na cadeia, em 2010.

  23. Donadio

    9 de outubro de 2014 4:38 pm

    Aqui tem uma análise um pouco

    Aqui tem uma análise um pouco mais aprofundada do desastre que foi o governo Cristovam Buarque no Distrito Federal:

    http://mrs-pt.com.br/ler_noticias.php?id_noticia=48

    “<i>Além do ataque ao movimento sindical, a que já nos referimos, e que neutralizou a classe média e os trabalhadores organizados, esterilizando a principal força transformadora na cidade, o Governo Cristóvam Buarque cortou pela raiz as ilusões daqueles a que se tornou moda chamar “excluídos”, cumprindo fielmente a promessa de campanha de estancar a imigração para Brasília. Desta maneira, tornou-se, no imaginário de gigantesca parcela da população, um “governo dos ricos”. Mas “ricos” num sentido populista e impreciso, numa ótica característica dos estratos mais atrasados da população trabalhadora: “ricos” não como designação da burguesia ou do patriciado urbano, mas como apelido da classe média alta, dos “doutores” e “madames”, e, no limite, até da classe média baixa e do baixo funcionalismo público que constituem uma das bases políticas do PT.</i>

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