Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) têm articulado nos bastidores a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) à presidência do Senado, prevista para fevereiro de 2027.
Segundo fontes ouvidas pelo UOL, a movimentação busca evitar que a nova composição da Casa avance com pedidos de impeachment contra integrantes da Corte. As conversas ganharam intensidade nas últimas semanas, diante da perspectiva de que parlamentares eleitos em outubro levem adiante propostas de responsabilização de ministros do Supremo.
A articulação envolve contatos de ministros com senadores e interlocutores políticos, inclusive por meio de advogados. As conversas não seriam marcadas por ameaças explícitas, mas por uma espécie de entendimento tácito: parlamentares teriam interesse em evitar o avanço de questões judiciais que os envolvem, enquanto integrantes do STF procurariam impedir a abertura de processos de impeachment.
Um dos principais pontos de aproximação é a relação entre Alcolumbre e o ministro Alexandre de Moraes. Moraes já atuou como interlocutor para reduzir tensões entre o senador e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), especialmente após a rejeição, em abril, da indicação de Jorge Messias ao Supremo.
A frequência e a intensidade dos contatos seriam, segundo fontes da Corte, o aspecto novo da movimentação. O receio de uma ofensiva do Senado contra ministros teria aproximado magistrados que nem sempre compartilham os mesmos interesses políticos.
Caso Banco Master amplia tensão no Supremo
As revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master aparecem como um dos fatores que ajudam a explicar a convergência entre integrantes do STF. Ministros de diferentes perfis passaram a enfrentar questionamentos sobre relações pessoais, profissionais ou empresariais com pessoas ligadas ao banco.
Alexandre de Moraes está no centro de uma das frentes mais delicadas. Segundo a reportagem, a análise do celular apreendido de Vorcaro identificou 316 registros de interação entre o banqueiro e o ministro nos dois meses anteriores à prisão, em novembro de 2025. O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do magistrado, também foi contratado pelo Banco Master por quase R$ 130 milhões para prestar serviços jurídicos. Moraes nega irregularidades.
O ministro Dias Toffoli também passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de vínculos empresariais entre fundos relacionados ao universo do Master e empresas de familiares. Um desses fundos teve participação na Tayayá Administração e Participações, empresa ligada ao resort que pertenceu a familiares do magistrado. Toffoli deixou a relatoria do caso em meio à pressão provocada pelas revelações.
Outro nome citado é o de Kassio Nunes Marques. Mensagens encontradas pela Polícia Federal no celular de Vorcaro mencionam um contrato de honorários de R$ 427 milhões associado à chamada “Turma do KN”, expressão utilizada para se referir a pessoas apontadas como próximas ao ministro. O acordo previa pagamentos condicionados a resultados favoráveis em ações de interesse do Master relacionadas a precatórios.
O próprio Alcolumbre aparece em desdobramentos relacionados ao banco. Em fevereiro de 2026, a Polícia Federal deflagrou a Operação Zona Cinzenta para investigar aplicações de aproximadamente R$ 400 milhões da Amapá Previdência (Amprev), responsável pelos recursos previdenciários dos servidores estaduais, em letras financeiras do Banco Master.
A eleição de fevereiro de 2027 também mobiliza grupos da oposição que buscam impedir a continuidade de Alcolumbre. Dois nomes mantêm pré-candidaturas: Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição, e Tereza Cristina (PP-MS).
Marinho conta com o apoio do PL, que terá uma bancada de 29 senadores. Tereza Cristina, por sua vez, busca reunir apoio de setores do centro político e do agronegócio. A expectativa é que os grupos possam convergir em torno de uma candidatura única à medida que a disputa se aproxime.
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