5 de junho de 2026

Justiça solta estudantes da Unifesp

Do O Globo

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Justiça Federal liberta estudantes da Unifesp

Alunos ficaram presos por 24 horas na Superintendência da Polícia Federal, em São Paulo

SÃO PAULO – A Justiça mandou soltar os 22 universitários envolvidos num tumulto com a Polícia Militar na noite de quinta-feira no campus da Unifesp de Guarulhos, na Grande São Paulo. Os estudantes estão em greve há cerca de 80 dias para reivindicar uma melhor infraestrutura para o campus.

Eles foram liberados após passar cerca de 24 horas detidos no prédio da Superintendência da Polícia Federal, na zona oeste da capital. Os estudantes foram liberados sob a condição de comparecer na próxima segunda-feira na sede da Justiça Federal de São Paulo para assinar um termo de compromisso de comparecimento aos autos judiciais

A reportagem do GLOBO obteve vídeo gravado por estudantes que mostra o momento da chegada da Polícia Militar ao campus, na noite desta quinta-feira. As imagens mostram um dos policiais militares agarrando uma estudante pelo pescoço após os manifestantes chamarem os PMs de “fascistas”.

O reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Walter Manna Albertoni, disse que ficou surpreso com a depredação ocorrida no prédio da Diretoria Acadêmica do campus Guarulhos, na Grande São Paulo, na noite desta quinta-feira. Vinte e cinco alunos suspeitos de participar da ocupação do prédio e dos atos de vandalismo foram presos pela Polícia Militar e encaminhados à Superintendência da Polícia Federal, onde foram ouvidos. Três deles foram liberados por serem réus primários. Os outros 22 ficaram presos na carceragem da superintendência. A Unifesp abrirá sindicância para apurar as responsabilidades da ocupação. O processo administrativo poderá, inclusive, resultar na expulsão dos alunos envolvidos.

O clima entre policiais e estudantes voltou a ficar tenso nesta sexta-feira, dessa vez em frente à superintendência da PF. Por volta das 19h, um grupo de alunos bloqueou temporariamente a rua em frente ao prédio, causando um princípio de tumulto após uma viatura da Polícia Militar forçar a passagem pelo local, entre os manifestantes.

De acordo com o reitor da Unifesp, uma audiência pública estava agendada para o próximo dia 20, em Guarulhos, para discutir a greve dos alunos, iniciada para reivindicar melhor infraestrutura e novas instalações no campus, que hoje conta com cerca de 3 mil alunos entre graduação e pós-graduação.

– Foi absolutamente surpreendente e altamente triste para nós. Após uma assembleia de estudantes, esse grupo de alunos entrou no prédio gritando e depredando o patrimônio público. Eles avançaram para cima de dez pessoas que lá estavam, entre eles a secretária e professores. Com bastões, quebraram vidros. Acuados dentro de uma sala, com seus celulares, os professores pediram socorro à polícia (Militar). Apesar da greve, esses funcionários trabalhavam normalmente nesse momento.

Em nota à imprensa, a Reitoria diz que “mesmo após o processo de reintegração de posse pacífica, ocorrida no dia 6 de junho, no Campus Guarulhos, e agendamento de audiência pública entre os estudantes e o reitor, para o dia 20 de junho, na noite de ontem (14), um grupo de estudantes, que participava de uma assembleia multicampi destinada a discussão de apoio à greve dos docentes, voltou a depredar as instalações do Campus aos gritos de ocupação, após encerrada a assembleia” e que “por volta das 18 horas, um grupo de alunos se concentrou na frente da Diretoria Acadêmica e começou a insultar o diretor acadêmico…em seguida, entraram no prédio quebrando vidros, móveis e computadores, intimidando e acuando não apenas o diretor acadêmico como também professores no local, ameaçando, inclusive, ocupar o prédio”.

Os 25 alunos presos após o confronto com a PM prestaram depoimento nesta sexta-feira, no auditório da Superintendência da Polícia Federal (PF), na Zona Oeste da capital paulista. Três deles foram liberados após serem ouvidos. Os outros 22 foram autuados por serem reincidentes – eles haviam participado da ocupação anterior do prédio da reitoria, encerrada no último dia 6. Do lado de fora do prédio da Polícia Federal, cerca de 50 alunos e pais de estudantes protestaram, em solidariedade aos estudantes detidos, e pediram que o grupo seja solto.

Os 22 alunos responderão, na medida de suas participações, segundo a PF, pelos crimes de dano ao patrimônio público, constrangimento ilegal e formação de quadrilha, cujas penas somadas podem chegar a 8 anos de prisão.

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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