Os interesses econômicos e políticos por trás do encarceramento, por Luis Nassif

O maior estímulo ao aumento do crime é a ausência de Estado. Fora dos presídios, onde o Estado não oferece renda mínima e a economia formal não oferece empregos, o crime entra cooptando.

A celebração do aumento do encarceramento no Brasil é fruto de uma das alternativas abaixo:

  1. Terraplanismo penal, do pessoal incapaz de uma analise técnica das políticas de segurança.
  2. Cadeia improdutivo do combate ao crime, que envolve empresas privadas especializadas em administrar presídios e corporações de segurança interessadas em aumentar seu poder.
  3. Populismo barato.

O maior estímulo ao aumento do crime é a ausência de Estado.

Fora dos presídios, onde o Estado não oferece renda mínima e a economia formal não oferece empregos, o crime entra cooptando.

No processo penal, a maneira mais rápida de jogar uma pessoa no crime é uma condenação por falta irrisória – como acontece abundantemente, com jovens sendo presos e condenados por carregar quantidades mínimas de drogas, muitas vezes para consumo próprio. Depois que vira ficha suja, a sociedade se encarrega de blindar qualquer possibilidade de voltar à economia formal.

Dentro dos presídios, duas inseguranças são aproveitadas pelas organizações criminosas.

A primeira, a insegurança do preso comum, convivendo com bandidos perigosos. Se não se aliar a uma das facções, dança. A segunda, a insegurança financeira da sua família.

Em ambos os casos, os selvagens do punitivismo ajudam o aliciamento pelas organizações criminosas. De um lado, combatendo o auxílio reclusão, visto como privilegio dos condenados.

De outro com a ideia estapafúrdia de que os presos devem pagar por sua própria alimentação.

Os vínculos políticos das administradoras de presídios

Luiz Gastão é dono de várias empresas de terceirização de presídios. Consegue seus contratos com alianças políticas em diversos estados. Sua empresa administrava presídios onde houve massacres terríveis.

Leia também:  Moro emula Bolsonaro miminizando coronavírus nos presídios

Mas, ao mesmo tempo, faz parte do grupo de controle da Confederação Nacional do Comércio (CNC). E assumiu como interventor o bilionário orçamento do SENAC-Rio de Janeiro.

Nos links abaixo, há um pouco da extraordinária influencia dessas empresas nas políticas de segurança:

https://jornalggn.com.br/seguranca/luiz-gastao-a-blindagem-de-um-homem-de-bem-responsavel-por-110-mortes-em-presidios/

https://jornalggn.com.br/coluna-economica/xadrez-da-politica-do-crime-e-da-contravencao/

https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-pacote-de-moro-e-do-punitivismo-que-alimenta-o-crime-por-luis-nassif/

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8 comentários

  1. Sinceramente ?!
    Acho q vc tem muito pra dizer ..e como muitos, tá cansado de repetir.
    Claro que num mundo insuficiente em oportunidades, agravado pela ausência do Estado, o crime se torna uma opção quase que inescapável, e este cenário de autofagia, de certo que corrobora com o florescimento e retroalimentação desta economia que vive da “insegurança e desgraça alheia”.
    Qto a este texto em específico, talvez pela obviedade dos fatores e consequências, acho que faltou conteúdo prum melhor desenvolvimento do tema.

    2
    1
  2. Enquanto países de alto IDH (não apenas o índice, mas o conceito) estão fechando prisões (excelentes!) por “falta de uso”, aqui as vamos transformando numa solução autofágica”.
    Vamos fabricando bandidos, os jogamos numa vala coletiva (as nossas prisões), e …
    Transformamos isso num negócio!
    Não precisa melhorar, expandir (a não ser como negócio).
    Se superlotar, um morticíniozinho dá uma aliviada.
    O estoque para manter cheias está garantido:
    A fabricação social é contínua.
    Embora cada vez mais gente acredite que é uma questão de DNA, cor da pele ou decisão simples de não querer ser “do bem”. “Vai trabalhar vagabundo!”
    (só não dizem onde, se vão pagar algo e quanto).
    No neoliberalismo capitalista selvagem predatório
    Tudo se resume a poder ser ou não ser:
    Um bom negócio.

    • O que é o “aguardando moderação”?
      Uma nova regra do portal ou está relacionado ao teor do comentário
      Não precisa publicar este comentário, mas agradeço esclarecimento.

  3. A Criminalidade explode a partir da década de 1980. 1978. Fundação do PT. 1979 Lei da Anistia. Perseguidos Políticos de cunho socialista e esquerdista, retornam ao país e começam a alcançar os postos de comando em toda estrutura política brasileira. A Bandidolatria floresce e prospera como nunca. Facções Criminosa ganham projeção nacional e internacional. Depois de 40 anos de Redemocracia sendo 30 anos de Constituição Cidadã, temos Presídios e Cemitérios abarrotados de Jovens com menos de 30 anos? Como se deu o milagre? Onde estão as Políticas Socializantes destes Progressistas? Por que nas regiões onde mais foram investidos recursos sociais, como Norte e Nordeste, mais explodiu a criminalidade? Por que tanta critica de Setores Políticos e Imprensa Partidarizada e Ideologizada contra Forças Policiais Públicas, se estas Forças Policiais e Militares estão submetidas ao Poder Político? Se agem fora do Estado de Direito, responsabilidade de quem? Pobre país rico. Mas de muito fácil explicação.

    • Poxa, Zé Sérgio, porque será que vc esqueceu a formação das milícias por militares pós ditadura? Vai inventar fake pro teu gado.

  4. Pedro Estevam Serrano, pelo Facebook, em 16.02.2020:

    Pedro Estevam Serrano
    7 h ·
    Moro revela total despreparo na analise que fez dos números do encarceramento por prisões provisórias . Compara situações incomparáveis . Quem trabalha com esses números há algum tempo sabe que os dados proporcionais a população dos países geram distorções grandes .

    O Canadá citado por ele tem menos de 40 mil presos e Mônaco tem 32 presos, sim 32 presos apenas . Sei que há uma afetividade insensata no meio social brasileiro que não aceita argumentos racionais , querem aprisionar mais e mais . Os EUA já produziram, recentemente e por raro consenso entre republicanos e democratas, legislação para redução do encarceramento . Aqui creio que não tem jeito, a degradação social pela violência vai prosseguir .

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