24 de junho de 2026

Manifestação de profissionais marca os 10 anos de reforma sem fim do Emílio Ribas

Instituto também enfrenta a precarização dos serviços, desmonte e falta de profissionais para abrir mais leitos para atender a população
Crédito: Divulgação

Na última terça-feira (22), os profissionais do Instituto de Infectologia Emílio Ribas fizeram uma manifestação em frente à Secretaria de Estado da Saúde para descomemorar os 10 anos de uma reforma que, além de inacabada, não trouxe os benefícios prometidos à população. 

Siga o Jornal GGN no Google e receba as principais notícias do Brasil e do Mundo

Seguir no Google

O principal deles era a ampliação de leitos, que passariam de 192 para 300. A obra para tal feito deveria durar dois anos. 

“Só que o que aconteceu: a obra atrasou, ela começou a ser entregue em 2021. Já nessa época, a gente começou a ter leitos prontos, reformados, mas fechados por falta de funcionários e não por conta da obra em si. Esses leitos já poderiam ser reabertos, porque tem andares reformados, só que não estava ocorrendo por causa de RH [recursos humanos]”, aponta a presidente da Associação dos Médicos do Instituto de Infectologia Emílio Ribas (AMIIER), Claudia Mello. 

Médica que atua na enfermaria, Claudia aponta ainda que apenas a área em que lidera conta com 20 leitos, mas que poderia abrir outros oito, se os profissionais já aprovados em concurso fossem efetivamente contratados pela governo do Estado, que responde pela administração do Emílio Ribas. 

Mas, em vez de aproveitar plenamente a infraestrutura e  contratar mais profissionais da área da saúde, a diretoria do Emílio Ribas anunciou o fechamento de 38 leitos, abertos para atender casos de dengue. 

Pequenas vitórias

A mobilização de profissionais da área da saúde e da sociedade civil teve efeito. Após repercussão midiática do anúncio do fechamento dos leitos, a Secretaria da Saúde estadual voltou atrás. 

“Os 38 leitos do 6º andar estão funcionando normalmente, não havendo demissão de funcionários. O contrato segue vigente e com validade até janeiro de 2025, para atendimento de dengue e outras doenças infectocontagiosas. O valor mensal do contrato é de RS 630 mil”, informou a assessoria de imprensa em nota.

O governo informou ainda que a reforma para modernização do Emílio Ribas foi retomada em setembro, tem a previsão de 36 meses e deve custar aos cofres públicos R$ 347 milhões. 

Em relação à falta de médicos, todos os aprovados no último concurso estão trabalhando desde 2023. 

“Foi a nossa primeira vitória. No dia 14 começaram as movimentações devido às reportagens e aí, por coincidência, a secretaria mudou de ideia e expandiu o contrato [dos 38 leitos que seriam fechados com o fim da epidemia de dengue] por medo da repercussão midiática”, comemora Claudia. 

Mas a luta pelo Emílio Ribas não terminou. “Continuamos com leitos fechados por falta de RH, continuamos com profissionais aprovados em concurso que não são chamados e com uma obra inacabada e com uma promessa de fim de obra daqui a três anos”, emenda a presidente da AMIIER. 

Afinal, os profissionais ainda se deparam com a falta de profissionais e leitos fechados, mesmo com plena infraestrutura para funcionar. 

Futuro

Claudia Mello acredita que o Instituto Emílio Ribas seguirá uma instituição forte, apesar da atual situação de desmonte combatida pelos profissionais. 

Porém, o futuro ainda é incerto. Em junho, o governo paulista anunciou que estuda a possibilidade de privatizá-lo. 

Uma alternativa, ainda em discussão, é a incorporação do instituto pela Universidade de São Paulo. 

O Instituto de Infectologia Emílio Ribas é uma das mais antigas instituições em atividade até hoje, pois além do tratamento de doenças infecciosas dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), também é referência em ensino e pesquisa.

LEIA TAMBÉM:

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Assine a nossa Newsletter e fique atualizado!

Mais lidas

As mais comentadas

Colunistas

Ana Gabriela Sales

Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É...

Carla Castanho

Carla Castanho é repórter no Jornal GGN e produtora no canal TVGGN

...

Faça login para comentar ou registre-se.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Recomendados para você

Recomendados