5 de junho de 2026

Sobre as atividades organizadas na Aldeia Maracanã

Por Carla Suhett

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Comentário ao post “Cláudio Lembo e a reintegração de posse do Museu do Índio

Um esclarecimento aos leitores que escreveram que “lugar de índio é no mato”:

Na Aldeia Maracanã funcionava – mesmo que precariamente devido às condições físicas do imóvel – um centro cultural, onde eram realizadas diversas atividades organizadas pelos indígenas – muito interessantes,por sinal – como tardes de contação de histórias(indígenas),divulgação de suas danças,rituais,etc. Uma excelente oportunidade para nós,urbanos,entrarmos em contato com este universo riquíssimo sem precisarmos nos embrenhar na mata! E bem diferente e mais interessante,por sinal,do que irmos a um museu tradicional(como o atual Museu do Índio,em Botafogo) e vermos apenas objetos expostos! A Aldeia Maracanã era um Museu Vivo!

O que todos nós queríamos (índios e aqueles outros que amam o Brasil em sua diversidade cultural e étnica) é que,após a restauração do belíssimo prédio – que, mesmo após 150 anos ainda preserva sua riqueza histórica – fosse instalado,ali, um Centro Cultural Indígena,onde abrigaria até uma universidade(indígena)!!! No meio daqueles índios da Aldeia havia vários com formação superior,prontos para gerir este espaço com competência!

Quantos leitores sabem quantas etnias indígenas existem no Brasil???…Quantas línguas são faladas por eles?…Quanto desconhecimento de nós mesmos!!!…Quanto tínhamos a aprender com eles,se a arrogância do poder tivesse deixado!!!…Quantas pessoas se acham dotadas de grande conhecimento e demonstram um total ignorância sobre o que é este Brasil!!!Quantos de nós falamos o inglês e o espanhol,mas alguém conhece o tupi-guarani? E por que não conhecê-lo, e aprendê-lo com quem sabe?

Li uma frase outro dia muito certeira;dita por um índio: “Nós não queremos doutores em índios,mas índios doutores!!!”

* Obs: Àqueles que adoram descaracterizar os movimentos sociais por não aguentarem seu próprio comodismo ao se olharem no espelho, esclareço que trabalho como agente fiscal sanitário em minha cidade (Angra dos Reis), não sou manipulada por nenhuma “ONG oportunista”, não sou nenhum ser marginalizado,sou apenas um ser sensível e pensante!!!

Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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