Sturm e Doriana Júnior, um ataque à cultura, por Rui Daher

Por Rui Daher

Confio plenamente nos arte-educadores de São Paulo. O mesmo para o Periferia em Movimento e para o jornal em que escrevo, este GGN. Não confio no cineasta gaúcho, André Sturm, secretário da Cultura de Doriana Júnior e diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS), São Paulo.

Sturm (me seguro diante do trocadilho) se declara “ativista cultural”. Pode ser. Nas entranhas das patotas amigas da Vila Madalena. Em cinema, é ativista de péssima filmografia, característica brasileira pós-Cinema Novo.

Foi decretado secretário da Cultura e sua limitação verbal (em todos os sentidos – texto e congelamento de 43,5% do orçamento) o fez interferir num dos melhores aparelhos culturais da cidade, o dos arte-educadores.

Diante de um protesto dos artistas em frente à Galeria Olido, sede da Secretaria (!) e fulcro de exposições e ações culturais no centro da cidade, declarou fascistas os manifestantes.

Por quê? Leu alguma coisa sobre o fascismo? Não seria o protesto a legítima vontade de quem inicia crianças e adolescentes na arte? E aonde manda seu incômodo? Às redes sociais, num mísero texto de moderno ativista assacado por uma esquerda cultural passadista.

Conheço bem, como sabem meus amigos na internet, a batalha dos arte-educadores da periferia de São Paulo. Fui às suas exposições na Galeria Olido. Acompanho iniciativas de organizações educacionais e culturais em Paraisópolis e outros locais subalternos da cidade, diariamente, por relato de que não posso desconfiar.

Um certo Gabriel que, idealista, trocou as galerias de São Paulo, Paris e Amsterdam para chegar nos inícios da manhã, saída dos bailes funk, nem sempre pacíficos, para ensinar crianças como é e se pratica arte. Felizmente, faz isso para organizações privadas, pois o Estado desconsidera a abrangência do ensino de matérias humanas e culturais nesta Federação de Corporações endireitadas pelo golpe.

Leia também:  Abstinência sexual não resolverá problema da gravidez precoce, afirma pesquisadora

Matéria neste GGN, http://jornalggn.com.br/noticia/prefeitura-de-sao-paulo-cancela-contratacao-de-arte-educadores informa que se foi o PIÁ, e a reclamação da ”Frente Única Descongela a Congela Já”, para Sturm, em seu post no FB, “é um gesto fascista, autoritário, arrogante”.

A que estrume chegamos, hein, ativista cultural André?

Nota: aos leitores que acompanham a republicação de meus textos sobre agronegócios, originalmente publicados em CartaCapital, embora não “conceiçõanizados a subir no GGN”, estão no meu blog. Gosto de discuti-los com vocês. Estão lá. Nem sempre dá para falar sobre Temer, Moro e Lula lá para emular meus editores! 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

8 comentários

  1. Do mais novo símbolo da elite

    Do mais novo símbolo da elite jeca de São Paulo, é o que se pode esperar: ativistas do atraso e arte-destruidores. 

  2. Pois é…

    … as primeiras coisas que cortam é educação e cultura. Sou artista de Teatro, e conheço muuuiiiita gente da arte que votou no doriana só por causa da onda do antipetismo, alguns estavam lá em frente ao Olido. Nessas horas da uma votade louca de dizer: Bem feito!

    • Gil,

      com tudo o que estão fazendo no Brasil, em todas as áreas, pior é que eles nos fizeram o malfeito e agora fazem que não é com eles. Gorça ao Teatro, meu caro. Abs 

  3. cultura e educação

    Para esses legítimos representantes da escumalha dominante deste país educação e cultura são o sturm do cavalo do bandido.

     

  4. Patrulharam a competência

    O que está acontecendo com o Brasil? Estão penalizando os profissionais de verdade para atender a conveniência de grupos políticos, que usam fortemente o instrumento da pressão para conquistar o cargo alvo, que deverá favorecê-los mais a frente. O antes laureado, valorizado e admirado profissional competente, experiente e correto em todos os aspectos da profissão está sendo penalizado pela falta de ética e pela deslealdade daqueles que, normalmente decidem entre a ascensão profissional do que foi indicado para o cargo ou daquele que é o preparado para o cargo. As super exigidas qualificações especiais (mestrado, pós-graduação, bacharelado, licenciatura, MBA, tecnológico e outras) perdem espaço, perdem valor e perdem importância para o penetra e o estranho no ninho indicado.

    • Almeida, caro

      Espero que vc esteja se referindo à nomeação do cineasta gaúcho, pois os arte-educadores de São Paulo têm diversos graus de formação acadêmica. Abs.

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome