Um ano depois, De Braços Abertos reduz fluxo na Cracolândia em 80%

Jornal GGN – Há um ano, a equipe do prefeito Fernando Haddad (PT) colocava em prática uma ação na Cracolândia que acendeu o sinal vermelho de críticos Brasil afora. O “De Braços Abertos” rendeu discussões fervorosas sobre a legitimidade de um programa que, numa análise simplória, dá comida e renda a usuários de drogas que não necessariamente se comprometem a suspender o vício. 

Pela primeira vez, no entanto, a cidade de São Paulo assistiu ao governo local trabalhar o “resgate social dos usuários de crack por meio de trabalho remunerado, alimentação e moradia digna”, não com “intervenções violentas”. 

Um ano depois, eis o resultado: a chamada Cracolândia perdeu território no Centro de São Paulo, e o fluxo de usuários que consomem crack a céu aberto no local foi reduzido em 80%.

“Atualmente, de acordo com o Secretaria Municipal de Saúde, o fluxo, como é chamada a cena de uso de drogas, está concentrado apenas na região da Alameda Cleveland com a Rua Helvetia e recebe em média 300 pessoas por dia.” Antes, cerca de 1,5 mil usuários circulavam pela 

Além disso, presença mais ostensiva do poder público na região tem impactado também nos números relativos à segurança pública. A Polícia Militar registrou diminuição de 80% nos roubos de veículo e de 33% no furto a pessoas em relação ao ano anterior, antes da implantação do programa, e efetuou número 83% maior de prisões por tráfico de entorpecentes.

Os números do programa

Dos 453 cadastrados hoje no programa, 63% são homens (286) e 37% são mulheres (167). Desse total, há seis adolescentes e 30 crianças. Elas são encaminhadas para creches e escolas da rede municipal e para os Centros para Crianças e Adolescentes (CCA) para atividades no contraturno. 

Entre os beneficiários, 290 são do município de São Paulo, 63 de outras cidades do estado, 99 de outros estados e um estrangeiro.

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As equipes de assistência social estimam que cerca de 70% chegaram a passar pelo sistema prisional. Cinco têm ensino superior completo e outros nove, incompleto. 70 completaram o ensino médio, e outros 13 não foram alfabetizados. Do total de cadastrados, 18 ingressaram em cursos no Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). 

Os participantes hoje residem em sete hotéis da cidade. Segundo a Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social, há 50 pessoas que, apesar de não morarem nos hotéis, continuam no programa – há pessoas que voltaram para as famílias, mas continuam nas atividades no programa e outras que optaram por viver em Centros de Acolhida fora da região.

Atualmente 21 beneficiários estão em processo de autonomia e trabalhando fora do programa. Dezesseis deles foram contratados em agosto de 2014 pela empresa Guima Conseco para prestar serviços em equipamentos públicos municipais. Eles recebem R$ 820 por mês, vale refeição de R$ 9,10 por dia, cesta básica no valor de R$ 81,33 e Vale Transporte.

Outros 321 trabalham no serviço de varrição de ruas e limpeza de praças e, destes, 100 participam de cursos de capacitação, como cursos de estética e beleza, jardinagem e inclusão digital. A remuneração é de R$ 15 por dia, mais três refeições.

Há ainda um grupo de 75 participantes em processo de inserção nas frentes de trabalho, que por ora residem nos hotéis e recebem assistência social, psicológica e em saúde, mas não recebem remuneração.

Os índices de segurança pública

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Os números da Polícia Militar apontam para queda na criminalidade entre 2013, quando ainda não existia o programa, e 2014. Em 2014 a PM registrou 17 furtos de veículos e 392 furtos a pessoas, enquanto em 2013 os números foram 34 e 582, respectivamente – uma queda de 50% e 33%. As prisões por tráfico de entorpecentes realizadas pela PM saltou de 96, em 2013, para 176 em 2014, um acréscimo de 83% no número de registros.  

Ao longo do último ano foram realizadas 6.344 abordagens pela Guarda Civil Metropolitana na região, em apoio ao trabalho da Polícia Militar, e 319 prisões, das quais 91 com crack. No total, a GCM apreendeu 2.486 pedras de crack. Somente em três das maiores apreensões ocorridas em julho, por exemplo, foram apreendidas 513 pedras e, junto aos traficantes, mais de R$ 10 mil.

Evasão

Segundo as equipes de assistência social, desde o início das ações, 113 pessoas deixaram o programa por motivos diversos.

As ações do programa De Braços Abertos são coordenadas pelas secretarias municipais de Saúde (SMS), Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), Desenvolvimento,Trabalho e Empreendedorismo (SDTE), Segurança Urbana (SMSU) e Direitos Humanos e Cidadania (SMDHC).

Com informações da Prefeitura de São Paulo

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22 comentários

  1. Haddad SP

    Nassif,

    Fernando Haddad tornou-se uma autêntica agressão ao pouco que resta da inteligência de boa parte da sociedade paulistana.

    Todas as medidas bancadas por ele funcionam melhor que a encomenda, e quando perguntado sobre as críticas permanentes, o prefeito diz que só está preocupado com o bem estar de todos os paulistanos, tanto que nunca reclamou do cerco covarde que sofre da midiona e da tucanada sempre raivosa e incompetente.

    Goldman, José Aníbal, Alckmin, zezinho da mooca, o lesa pátria, andrea mattarazzo, junta isto tudo, bate no liquidificador e não sai um Haddad.

    A “De Braços Abertos” , ao ser anunciada foi crucificada, morta e sepultada, não teve um oposicionista capaz de vislumbrar uma possibilidade de sucesso para aquela difícil operação, haja incompetência.

    Conheço pessoas do andar de cima, que moram em SP há tempos, que dizem que o sucesso dos programas da prefeitura são devidos ao desgovernador, e que a falta dágua é de responsabilidade do governo federal. Todas elas falam o mesmo besteirol. 

    • A inteligência abandonou o paulistano

      Já tem mais de dez anos.

      Tenho dezenas de colegas e amigos paulistanos, e há anos não os vejo falar nada inteligente, raciocinado, de reflexão própria. Só repetem o que a Veja escreve (creio que se fizerem uma pesquisa, 50% da tiragem da Veja deve ser consumida só na Pauliceia. Outros 30% aqui em Brasília…).

      Só conheço dois paulistanos que pensam de forma autônoma e tem opinião própria. Uma mudou-se para o Rio há uns três anos, não aguentou o reacionarismo de Sampa, e o outro há algum tempo saiu da capital e foi morar no interior.

      • Porra, Alan!
        Os paulistas de

        Porra, Alan!

        Os paulistas de senso crítico e pensamento autônomo também frequentam e contribuem com o blog! E mais, fazem isso sem luz, sem água…

        Já nos basta o sectarismo dos nossos! Mais solidariedade, mano!

        Abs, Luciana Mota.

  2. Haddad dá show de

    Haddad dá show de administração em SP.  Dá gosto de ver as ciclovias, as faixas de ônibus, o programa “‘De Braços Abertos” , a reciclagem com o fornecimento da compusteira e tantos outros programas que estão transformando a cidade.  Uma pena que não exista nenhum programa Bolsa Miami para expulsar a coxinhada…a verdadeira responsável pelos atrasos na nossa cidade. 

    • Nero paulistano

      Zanchetta,

      Eu, de longe, apoiado em notícias da internet, vejo Fernando Haddad como um ótimo prefeito, e você, aí de perto, como classifica a gestão do petista até aqui ?

      A propósito, parece que Haddad conseguiu acabar com aquela série interminável de incêndios que ocorriam na cidade de SP, este camarada tem que ser bom. Diziam que aqueles incêndios eram espontâneos, é verdade ? 

      • Engano seu Alfredo. Os

        Engano seu Alfredo. Os incêndios continuaram na gestão Haddad, apenas comprovando que o problema não é com a prefeitura, mas sim com esse bando que faz casa de papelão e rouba energia elétrica. 

        A gestão dele tem 16%de aprovação da cidade, de quem está aqui na base. Ou seja, sua impressão está equivocada, pois baseada nos instrumentos de marketing do PT e do Prefeito. 

      • Engano seu Alfredo. Os

        Engano seu Alfredo. Os incêndios continuaram na gestão Haddad, apenas comprovando que o problema não é com a prefeitura, mas sim com esse bando que faz casa de papelão e rouba energia elétrica. 

        A gestão dele tem 16%de aprovação da cidade, de quem está aqui na base. Ou seja, sua impressão está equivocada, pois baseada nos instrumentos de marketing do PT e do Prefeito. 

  3. esse programa me encanta,

    esse programa me encanta, desde o início. se não houvesse essa coisa de “fim às drogas”, tão ao gosto do grande irmão do north, já teríamos eliminado o tráfico, uma das principais causas da violência

  4. Muitas Inverdades

    Moro na Cracolândia, não dependo da Imprensa nem de governos para atestar: Apesar da boa vontade da matéria, tudo isso e falso. Os Governos atuais e os que passaram pela cidade e pelo Estado de São Paulo não fazem nem cócegas na Cracolândia, que por completo despreparo dos agentes públicos, só piora e cresce em vários pontos do centro velho.

    O número de crianças é cada vez maior. Morre gente todo dia nas ruas. As vezes, sem saber se o corpo que está estirado é um cadáver, e não mais um viciado detonado, corpos jazem nas ruas por dias.

    Quem segura a onda na cracolândia não é a Pm, o Prefeito muito menos o Governador: são os moradores, que se esforçam ao menos para tentar salvar as crianças, que com 12 anos, já aparentam 20.

    Vemos os traficantes passeando, vendendo, entrando em mercados…tranquilos, a luz do dia. Tem um super-puteiro na Alameda Barão de Limeira, onde moro, chamado Amarelinho. Os traficantes vivem lá, a vontade. 

    O rastro de fezes na cracolândia é prova inequívoca. Está por toda parte. Os viciados acabão se contaminando com fezes nas ruas.

    Essa história de “braços abertos” e outros nomezinhos bonitos que os políticos dão aos seus “produtos” são puro marketing.

    Aqui, a realidade é brasil!

  5. Realidade virtual é assim mesmo…

    Pela internet vivemos num paraíso. A realidade, entretanto…

    Fixaram o “contador de nóias” na esquina entre Cleveland e Helvetia e cantam vitória? Será que não viram que a muvuca se moveu?

  6. drogados transferidos para a zona sul de São Paulo
    Não acredito em nada do que foi publicado . Só números falsos! Os drogados, não sei porque vieram para o entorno da av.Jornalista Roberto Marinho, zona sul de São Paulo, onde vivem se drogando, circulando parecendo zumbis, fazendo a maior sujeira, causando insegurança para todos os moradores.E a Prefeitura tem coragem de inventar números como sendo um sucesso o Programa De Braços Abertos!!!
    A única coisa que aconteceu foi a dispersão dos drogados, isto é, para quem quer acreditar em fantasias pode achar que o numero de drogados na Cravolândia diminuiu, mas é pura mentira…..

    • Impressão sua!

      Bobagem, é só o pessoal que trabalha nos veículos de imprensa na região! O contato contínuo com dejetos  acabou por deixá-los assim, não seja preconceituosa! Só tome cuidado se encontrar um colunista e ex-cineasta já longevo, este às vezes é perigoso!

    • Eles sairam da Cracolandia no

      Eles sairam da Cracolandia no final do governo Kassab, que pediu operação policial para “limpar” o centro. Várias outras regiões formaram pequenas cracolandias e outra parte dos que foram expulsos foram voltando com o tempo, mas isso não lhe dá números para dizer que o que a prefeitura apresenta é falso.

  7. Cracolandia

    Prezado Nacif.

    Pelo que pode constatar  com fotografias feitas na região, aquelas inocentes  barraquinhas que nossas autoridades teimam em chamar de favelina é na verdade uma feira livre de venda de drogas em larga escala.  Para que esta feira  livre  esteja ai comercializando tanta drogas por  tanto tempo, certamente  que esse traficantes  estão  amparados em algum acordo economico mafioso  entre o comando do policiamento e o PCC.

    Atenciosamente

    Luiz França

    Vou tentar  mandar as imagens que fiz do local.

  8. A droga é consequência. A causa é o abandono.

    Nosso sistema “dinheirista” sempre produz um excedente de mão-de-obra para regular o preço da mesma. Os indivíduos que entram para o “exercito de reserva” da “força de trabalho”, dificilmente conseguem sair dele. Nem os parentes de sangue querem um desempregado por perto (às vezes por pura falta de comida para dar-lhe). O buraco em que a pessoa se encontra cresce e suas tentativas de sair acabam jogando parte da terra para fora do buraco, tornando-o mais fundo.

    A solução de alguns “dinheiristas” é tapar o buraco (do crack, mas já foi da cachaça) com cimento e esquecer como ele surgiu.

    Esta solução “De Braços Abertos” é uma escada, com lâmpadas e um chuveiro na saída. É o MÍNIMO que você deveria dar. Ainda mais para um “parente” de sangue seu.

  9. + comentários

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