
É fundamental que a Política Nacional de Terras Raras (PNTR) deixa de ser uma política de “grandes players” e passa a ser um projeto nacional de industrialização distribuída.
As pequenas e médias empresas (PMEs) podem ser os nós vitais que conectam os elos tecnológicos, regionais e de inovação da cadeia.
Onde as PMEs entram:
1. ELETROMOBILIDADE & ENERGIA EÓLICA
Onde as PMEs entram:
- Fabricação de componentes: carcaças, eixos, sistemas de resfriamento, rolamentos, sensores, conectores e inversores de frequência.
- Revestimentos e tratamentos térmicos para ímãs e motores.
- Serviços de retrofit de motores convencionais para versões de ímã permanente.
- Manutenção especializada em motores elétricos de alto rendimento.
Instrumentos recomendados:
- Linhas BNDES MPME Verde: crédito simplificado até R$ 20 milhões, garantido por FGI, com carência de 2 anos.
- Vouchers tecnológicos Embrapii/SENAI: até R$ 500 mil para protótipos e certificações.
- Rede de certificação descentralizada (Inmetro) para testar torque, rendimento e curva BH.
- Consórcios de exportação com WEG, Marcopolo, Eletra — para PMEs fornecerem subconjuntos.
Cluster sugerido:
“Vale do Magneto” (MG-SP-SC) – integração de WEG e fornecedores de precisão (usinagem, eletrônica, materiais).
2. ELETRÔNICOS, SENSORIAIS E ÓPTICOS
Onde as PMEs entram:
- Produção de atuadores, solenoides, sensores miniaturizados.
- Montagem de módulos e placas com componentes magnéticos nacionais.
- Design e encapsulamento de componentes ópticos (LEDs, displays, microprojetores).
- Impressão 3D de peças magnéticas bonded para protótipos rápidos.
Instrumentos:
- Lei da Informática 2.0: abatimento fiscal escalonado (10%–30%) conforme uso de insumos nacionais e P&D local.
- Parques Tecnológicos Regionais com incubadoras dedicadas a eletrônica fina (Campinas, São José dos Campos, Recife).
- Editais Finep Startups + Softex: aceleração de 100 startups deeptech em terras raras até 2030.
Cluster:
“Polo Sensorial Brasil” – São Carlos / Campinas / Recife: PMEs em microeletrônica e óptica fina com universidades.
3. QUÍMICA E CATALISADORES
Onde as PMEs entram:
- Formulação de pastas, suspensões e catalisadores sob medida (Ce/La).
- Serviços de regeneração de catalisadores usados.
- Polimento químico e ótico especializado.
- Desenvolvimento de aditivos e nanocompósitos.
Instrumentos:
- Linha Finep InovaNano: financiamento 50/50 (público/empresa).
- Crédito presumido de ICMS para uso de terras raras nacionais em catalisadores.
- Fundos setoriais (CT-Petro, CT-Verde Amarelo) para incubar spin-offs de universidades.
- Certificação Verde Química (MMA/Inmetro) que aumenta competitividade exportadora.
Cluster:
“Polo Catalítico Nordeste” (BA–PE–CE) – integração com refinarias, parques químicos e laboratórios Senai Cimatec.
4. SAÚDE E BIOTECNOLOGIA
Onde as PMEs entram:
- Startups de radiofármacos e contrastes baseados em gadolínio (Gd).
- Produção de nanopartículas para diagnóstico.
- Equipamentos médicos de imagem com componentes magnéticos.
- Laboratórios de calibração e serviços de esterilização.
Instrumentos:
- Edital MCTI-Saúde 4.0: subvenção econômica até R$ 2 milhões.
- Fast-track Anvisa para startups com certificação de boas práticas.
- Fundos de coinvestimento (BNDES Garagem / FIP Inova Saúde).
- Convênios Fiocruz e universidades federais para testes clínicos.
Cluster:
“Biomagneto Brasil” (RJ-SP-MG) – integração entre universidades, Fiocruz e PMEs biomédicas.
5. DEFESA E AEROESPACIAL
Onde as PMEs entram:
- Produção de atuadores e motores de precisão.
- Desenvolvimento de sensores IR e magnetômetros.
- Componentes para controle de voo, radares e drones.
- Recuperação e recondicionamento de componentes críticos.
Instrumentos:
- Crédito Defesa Dual (MCTI/MD) para PMEs até R$ 15 milhões com garantia soberana.
- Cláusula de subcontratação obrigatória de PMEs em contratos estratégicos.
- Isenção de IRPJ por 10 anos para exportadores dual-use.
- Parcerias com o Instituto Militar de Engenharia (IME) e ITA.
Cluster:
“Polo Aeroespacial Sudeste” (São José dos Campos–Resende–RJ) com PMEs fornecendo para Embraer e Avibras.
6. RECICLAGEM E ECONOMIA CIRCULAR
Onde as PMEs entram:
- Desmontagem de motores e equipamentos elétricos.
- Separação magnética e hidrometalurgia de scrap.
- Recuperação de NdPr de ímãs usados.
- Recondicionamento e revenda de ligas recicladas.
Instrumentos:
- Crédito ICMS Verde e Recicla+ Federal: incentivos diretos por tonelada recuperada.
- Consórcios municipais e cooperativas de reciclagem tecnológica com apoio do BNDES Microcrédito.
- Regime de “conteúdo reciclado obrigatório” em produtos eletromecânicos públicos.
- Parcerias SENAI-ReciclaTech para treinamento técnico.
Cluster:
“Circular Sul-Sudeste” (SP–PR–RS) – reuso industrial com foco em logística reversa e certificação ESG.
7. DESIGN, CULTURA E LUXO TECNOLÓGICO
Onde as PMEs entram:
- Design de luminárias LED, instrumentos ópticos, joias tecnológicas.
- Cerâmicas e vidros especiais com fósforos e pigmentos de terras raras.
- Estúdios de arte tecnológica (LED, laser, realidade aumentada).
Instrumentos:
- Programa DesignBrasil Tech (MDIC/SEBRAE): apoio a branding e exportação criativa.
- Créditos culturais (Lei Rouanet Tecnológica) para empresas que usem elementos inovadores sustentáveis.
- Hub Criativo com incubadoras Senai/SESC/Sebrae.
Cluster:
“LumiArte Brasil” (SP–RS–MG) – artesanato tecnológico com elementos de alto valor agregado.
8. Instrumentos Transversais para as PMEs
| Mecanismo | Descrição | Gestão |
| Arranjos Produtivos Digitais (APDs) | Plataformas regionais integrando PMEs, universidades e grandes empresas com coordenação digital (BNDES/MDIC) | MDIC + Embrapii |
| Fundo de Garantia de Inovação (FGI-Tech) | Garantia parcial de crédito para inovação até 80% | BNDES |
| Compras públicas inovadoras | Cotas de 20% dos editais federais para PMEs com tecnologia nacional | MDIC |
| Plataforma de certificação compartilhada | Laboratórios SENAI e universidades oferecem infraestrutura de testes | MCTI + Inmetro |
| Rede de Propriedade Intelectual Compartilhada (IP Commons) | Licenciamento cruzado entre startups e grandes empresas | INPI + Embrapii |
| Treinamento e requalificação | SENAI + IFs com cursos de metalurgia, química fina e design de produto | MEC + MDIC |
Estratégia de Integração
- Criar 5 Hubs Regionais PNTR:
Cada um com uma âncora (empresa grande), 10–20 PMEs e 3 ICTs, focado em produtos finais específicos.
- Plataforma Digital PNTR+:
Marketplace industrial que conecta PMEs a compradores públicos e privados, mostrando rastreabilidade e conteúdo local.
- Cadeia Financeira Integrada:
Uso de créditos verdes, garantias públicas e fintechs industriais para destravar crédito de giro.
- Governança Local:
Comitês regionais de governança com representantes de PMEs, governos estaduais e universidades.
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