5 de junho de 2026

O papel das PMEs no Plano Nacional de Terras Raras

As pequenas e médias empresas (PMEs) podem ser os nós vitais que conectam os elos tecnológicos, regionais e de inovação da cadeia.

É fundamental que a Política Nacional de Terras Raras (PNTR) deixa de ser uma política de “grandes players” e passa a ser um projeto nacional de industrialização distribuída.

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As pequenas e médias empresas (PMEs) podem ser os nós vitais que conectam os elos tecnológicos, regionais e de inovação da cadeia.

Onde as PMEs entram:

1. ELETROMOBILIDADE & ENERGIA EÓLICA

Onde as PMEs entram:

  • Fabricação de componentes: carcaças, eixos, sistemas de resfriamento, rolamentos, sensores, conectores e inversores de frequência.
  • Revestimentos e tratamentos térmicos para ímãs e motores.
  • Serviços de retrofit de motores convencionais para versões de ímã permanente.
  • Manutenção especializada em motores elétricos de alto rendimento.

Instrumentos recomendados:

  • Linhas BNDES MPME Verde: crédito simplificado até R$ 20 milhões, garantido por FGI, com carência de 2 anos.
  • Vouchers tecnológicos Embrapii/SENAI: até R$ 500 mil para protótipos e certificações.
  • Rede de certificação descentralizada (Inmetro) para testar torque, rendimento e curva BH.
  • Consórcios de exportação com WEG, Marcopolo, Eletra — para PMEs fornecerem subconjuntos.

Cluster sugerido:

“Vale do Magneto” (MG-SP-SC) – integração de WEG e fornecedores de precisão (usinagem, eletrônica, materiais).

2. ELETRÔNICOS, SENSORIAIS E ÓPTICOS

Onde as PMEs entram:

  • Produção de atuadores, solenoides, sensores miniaturizados.
  • Montagem de módulos e placas com componentes magnéticos nacionais.
  • Design e encapsulamento de componentes ópticos (LEDs, displays, microprojetores).
  • Impressão 3D de peças magnéticas bonded para protótipos rápidos.

Instrumentos:

  • Lei da Informática 2.0: abatimento fiscal escalonado (10%–30%) conforme uso de insumos nacionais e P&D local.
  • Parques Tecnológicos Regionais com incubadoras dedicadas a eletrônica fina (Campinas, São José dos Campos, Recife).
  • Editais Finep Startups + Softex: aceleração de 100 startups deeptech em terras raras até 2030.

Cluster:

“Polo Sensorial Brasil” – São Carlos / Campinas / Recife: PMEs em microeletrônica e óptica fina com universidades.

3. QUÍMICA E CATALISADORES

Onde as PMEs entram:

  • Formulação de pastas, suspensões e catalisadores sob medida (Ce/La).
  • Serviços de regeneração de catalisadores usados.
  • Polimento químico e ótico especializado.
  • Desenvolvimento de aditivos e nanocompósitos.

Instrumentos:

  • Linha Finep InovaNano: financiamento 50/50 (público/empresa).
  • Crédito presumido de ICMS para uso de terras raras nacionais em catalisadores.
  • Fundos setoriais (CT-Petro, CT-Verde Amarelo) para incubar spin-offs de universidades.
  • Certificação Verde Química (MMA/Inmetro) que aumenta competitividade exportadora.

Cluster:

“Polo Catalítico Nordeste” (BA–PE–CE) – integração com refinarias, parques químicos e laboratórios Senai Cimatec.

4. SAÚDE E BIOTECNOLOGIA

Onde as PMEs entram:

  • Startups de radiofármacos e contrastes baseados em gadolínio (Gd).
  • Produção de nanopartículas para diagnóstico.
  • Equipamentos médicos de imagem com componentes magnéticos.
  • Laboratórios de calibração e serviços de esterilização.

Instrumentos:

  • Edital MCTI-Saúde 4.0: subvenção econômica até R$ 2 milhões.
  • Fast-track Anvisa para startups com certificação de boas práticas.
  • Fundos de coinvestimento (BNDES Garagem / FIP Inova Saúde).
  • Convênios Fiocruz e universidades federais para testes clínicos.

Cluster:

“Biomagneto Brasil” (RJ-SP-MG) – integração entre universidades, Fiocruz e PMEs biomédicas.

5. DEFESA E AEROESPACIAL

Onde as PMEs entram:

  • Produção de atuadores e motores de precisão.
  • Desenvolvimento de sensores IR e magnetômetros.
  • Componentes para controle de voo, radares e drones.
  • Recuperação e recondicionamento de componentes críticos.

Instrumentos:

  • Crédito Defesa Dual (MCTI/MD) para PMEs até R$ 15 milhões com garantia soberana.
  • Cláusula de subcontratação obrigatória de PMEs em contratos estratégicos.
  • Isenção de IRPJ por 10 anos para exportadores dual-use.
  • Parcerias com o Instituto Militar de Engenharia (IME) e ITA.

Cluster:

“Polo Aeroespacial Sudeste” (São José dos Campos–Resende–RJ) com PMEs fornecendo para Embraer e Avibras.

6. RECICLAGEM E ECONOMIA CIRCULAR

Onde as PMEs entram:

  • Desmontagem de motores e equipamentos elétricos.
  • Separação magnética e hidrometalurgia de scrap.
  • Recuperação de NdPr de ímãs usados.
  • Recondicionamento e revenda de ligas recicladas.

Instrumentos:

  • Crédito ICMS Verde e Recicla+ Federal: incentivos diretos por tonelada recuperada.
  • Consórcios municipais e cooperativas de reciclagem tecnológica com apoio do BNDES Microcrédito.
  • Regime de “conteúdo reciclado obrigatório” em produtos eletromecânicos públicos.
  • Parcerias SENAI-ReciclaTech para treinamento técnico.

Cluster:

“Circular Sul-Sudeste” (SP–PR–RS) – reuso industrial com foco em logística reversa e certificação ESG.

7. DESIGN, CULTURA E LUXO TECNOLÓGICO

Onde as PMEs entram:

  • Design de luminárias LED, instrumentos ópticos, joias tecnológicas.
  • Cerâmicas e vidros especiais com fósforos e pigmentos de terras raras.
  • Estúdios de arte tecnológica (LED, laser, realidade aumentada).

Instrumentos:

  • Programa DesignBrasil Tech (MDIC/SEBRAE): apoio a branding e exportação criativa.
  • Créditos culturais (Lei Rouanet Tecnológica) para empresas que usem elementos inovadores sustentáveis.
  • Hub Criativo com incubadoras Senai/SESC/Sebrae.

Cluster:

“LumiArte Brasil” (SP–RS–MG) – artesanato tecnológico com elementos de alto valor agregado.

8. Instrumentos Transversais para as PMEs

MecanismoDescriçãoGestão
Arranjos Produtivos Digitais (APDs)Plataformas regionais integrando PMEs, universidades e grandes empresas com coordenação digital (BNDES/MDIC)MDIC + Embrapii
Fundo de Garantia de Inovação (FGI-Tech)Garantia parcial de crédito para inovação até 80%BNDES
Compras públicas inovadorasCotas de 20% dos editais federais para PMEs com tecnologia nacionalMDIC
Plataforma de certificação compartilhadaLaboratórios SENAI e universidades oferecem infraestrutura de testesMCTI + Inmetro
Rede de Propriedade Intelectual Compartilhada (IP Commons)Licenciamento cruzado entre startups e grandes empresasINPI + Embrapii
Treinamento e requalificaçãoSENAI + IFs com cursos de metalurgia, química fina e design de produtoMEC + MDIC

Estratégia de Integração

  1. Criar 5 Hubs Regionais PNTR:

Cada um com uma âncora (empresa grande), 10–20 PMEs e 3 ICTs, focado em produtos finais específicos.

  1. Plataforma Digital PNTR+:

Marketplace industrial que conecta PMEs a compradores públicos e privados, mostrando rastreabilidade e conteúdo local.

  1. Cadeia Financeira Integrada:

Uso de créditos verdes, garantias públicas e fintechs industriais para destravar crédito de giro.

  1. Governança Local:

Comitês regionais de governança com representantes de PMEs, governos estaduais e universidades.

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Luis Nassif

Jornalista, com passagens por diversos meios impressos e digitais ao longo de mais de 50 anos de carreira, pelo qual recebeu diversos reconhecimentos (Prêmio Esso 1987, Prêmio Comunique-se, Destaque Cofecon, entre outros). Diretor e fundador do Jornal GGN.

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