Autismo no Fantástico: um desserviço à população

O OIA apóia a manifestação pública do MPASP contra a série do fantástico Autismo: Universo Particular,  e sente-se representado por suas colocações.

São Paulo, 21 de setembro de 2013.

Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública

Carta aberta ao Fantástico e ao Dr. Dráuzio Varella sobre a série Autismo: Universo Particular

Nós, integrantes do Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública (MPASP), que reúne profissionais (psiquiatras, psicólogos,  pediatras, neurologistas, psicanalistas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, acompanhantes terapêuticos, psicopedagogos) que trabalham no campo da saúde mental inseridos em diversas instituições clínicas e acadêmicas disseminadas pelo Brasil, na rede pública e privada, assistimos à série “Autismo: Universo Particular”, apresentada pelo dr. Dráuzio Varella no Fantástico, e vimos, por meio desta, apontar o que consideramos como faltas éticas e desconhecimentos científicos cometidos pelo programa.

Buscamos assim contribuir para com o esclarecimento à população, favorecendo que  programas jornalísticos e de divulgação científica possam trazer informações sérias e efetivas sobre o autismo e seu tratamento, uma vez que se trata de um tema da maior relevância para a saúde pública atual.

Seguem alguns pontos a destacar:

  1. Da forma como foi conduzida, a série praticamente posiciona-se contra o SUS; ao dizer que “nada funciona”, resulta em difamação e em umademonstração de total desconhecimento das inúmeras experiências de sucesso no tratamento de pessoas com autismo nos Centros de Atenção Psicossocial(CAPS) e outros órgãos da rede pública de saúde e nas instituições a ele conveniadas que têm produzido relevantes trabalhos nas terapias de autismo no Brasil.

Isso acontece em um momento crucial para o tratamento das pessoas com autismo e seus familiares, já que estão sendo definidas políticas públicas fundamentais destinadas a nortear o tratamento e o diagnóstico nos equipamentos do SUS (como as lançadas no documento Linha de Cuidado para a Atenção das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde/SUS – Ministério da Saúde, abril, 2013),

  1. A série apresentou uma visão reducionista do autismo, especialmente quanto ao seu diagnóstico e tratamento, ignorando as  contribuições clínicasexistentes, entre elas, as advindas da concepção psicanalítica em equipe interdisciplinar desenvolvidas há mais de 70 anos.
  1. A série  demonstrou desconhecimento acerca dos relevantes efeitos clínicos da detecção e intervenção precoce ao apresentar o autismo como “incurável”. Os progressos científicos produzidos interdisciplinarmente no campo da primeira infância no diálogo entre psicanálise e neurociência têm revelado que os primeiros meses de vida se caracterizam por uma extrema plasticidade neuronal, configurando possibilidades de recuperação orgânica. Os progressos científicos demonstram também que não nascemos com nosso organismo pronto, já que tanto a formação da interconexão neuronal quanto a manifestação de nossa carga genética dependem de fatores ambientais (epigenéticos), entre eles a relação com as outras pessoas como fator fundamental para os humanos.
  2. A série é questionável no que se refere à exposição das crianças. Para um autista, esse nível de invasão recrudesce sua posição de exclusão, e nada justifica tal atitude.

É lamentável que um programa tão assistido e com um tema que exige tanto esclarecimento público não tenha sido capaz de apresentar os aspectos básicos para a abordagem de um problema de saúde premente e complexo como o autismo. Ao privar o telespectador de informações valiosas e necessárias – e conduzi-lo a uma visão comprometida e empobrecedora –, o programa produz ainda mais sofrimento nas famílias.

Sobre o diagnóstico precoce

A importância do diagnóstico precoce foi colocada de maneira distorcida pelo programa. Não há dúvidas em relação à diferença que o diagnóstico precoce pode produzir no tratamento, favorecendo-o, e toda a comunidade científica está de acordo em relação a isso. Mas considerar, como foi feito no programa, que nos Estados Unidos o estado da arte está mais evoluído porque o diagnóstico de autismo é realizado antes dos três anos é um desserviço. Documento produzido pelo Ministério da Saúde em abril deste ano – Linha de Cuidado para a Atenção das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista e suas famílias na Rede de Atenção Psicossocial do Sistema Único de Saúde/SUS – e que segue recomendação da Organização Mundial de Saúde, afirma (pág. 50): “Por apresentarem mais sensibilidade do que especificidade é oficialmente indicado que o diagnóstico definitivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) seja fechado a partir dos três anos, o que não desfaz o interesse da avaliação e da intervenção o mais precoce possível, para minimizar o comprometimento global da criança (Bursztejn et al, 2007, 2009; Shanti, 2008, Braten, 1988, Lotter, 1996)”. Antes dessa idade não se deve fechar o diagnóstico, pois ainda se trata de um bebê em pleno processo de constituição.

Na página 54, o mesmo documento afirma: “Embora os primeiros sinais de Transtornos do Espectro do Autismo se manifestem antes dos três anos, é a partir dessa idade que um diagnóstico seguro e preciso pode ser feito, pois os riscos de uma identificação equivocada (o chamado falso-positivo) são menores.” Até lá, trabalha-se com critérios cientificamente comprovados (por pesquisas referendadas e validadas no circuito acadêmico) de Risco Psíquico para o Desenvolvimento e Sofrimento.

Promover e propagandear em um programa televisivo de cunho jornalístico o diagnóstico fechado de uma patologia antes do tempo recomendado pode ter o efeito de que se deixe de investir em uma possibilidade de mudança. Essa é uma postura irresponsável por produzir efeitos iatrogênicos, para bebês e crianças que ainda estão em pleno processo de constituição e que, portanto, não têm um destino definido, levando ao risco de produzir uma epidemia de autismo

Trabalho clínico interdisciplinar de referencial psicanalítico

Outro aspecto que ficou muito aquém do desejável foi a necessidade de uma discussão interdisciplinar dos casos e a consideração da multiplicidade de fatores correlacionados ao autismo que não se limitam a aspectos orgânicos (de genética, lesões ou deficiências), levando o telespectador  a uma visão reducionista dando a entender  que no autismo haveria uma única causa em jogo e uma única forma de tratamento: a terapia comportamental, como caminho autossuficiente.

Para tratar de crianças e adultos com autismo, não basta descrever que observam o mundo de forma fragmentada; é preciso dizer como é possível ajudá-los a encontrar saídas para esse estado. Tentar “ensinar” sentimentos, como observamos na série, também não resolve. É preciso ajudar o paciente a fazer uso das palavras a fim de representar seus afetos para poder compartilhá-los com as outras pessoas.

O trabalho clínico interdisciplinar de referencial psicanalítico abre inúmeras possibilidades para que cada pessoa com autismo possa construir laços sociais, partilhar a celebração de viver e contribuir para a sociedade. Também permite que os pais, muitas vezes desalentados pelo isolamento de seus filhos, possam ampliar a partir das intervençoes terapêuticas os momentos de troca, contato e reconhecimento mútuo. Favorece o processo de crescimento, desenvolvimento e constituição psíquica do filho e possibilita que as aquisições de linguagem, aprendizagem e psicomotricidade sejam efetivas apropriações do filho com as quais ele possa circular socialmente (na familia ampliada, na escola, na cidade), não de um modo simplesmente adaptativo, mas guiado fundamentalmente pelos seus interesses singulares. Quando realizado com bebês, , permite intervir a tempo, reduzindo enormemente e, em alguns casos, possibilitando a  remissão de traços de evitação na relação com o outro.

Questão educacional

No que tange à educação e escolarização, os integrantes do MPASP, a partir de inúmeras experiências clínicas de inclusão bem-sucedidas, ressaltam a importância de propiciar, sempre que for possível e benéfico para a criança, sua inclusão nas escolas regulares, ou seja, o diagnóstico de autismo não deve configurar per se indicação de escola especial, sob o risco de incorrer numa visão segregacionista.

Uma chance perdida

Pelo exposto acima, o Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública (MPASP), do qual fazem parte cerca de 500 profissionais que atuam em mais de 100 instituições nacionais (públicas, privadas e não governamentais), considera que a série Autismo: Universo Particular foi um desserviço, uma chance perdida de alcançar maciçamente o público leigo com informação de qualidade. 

Mais lamentavel ainda é que a produção desse programa tenha ignorado essas informações enviadas pelo MPASP, enquanto o programa ia ao ar, dispostos que estávamos e estamos a colaborar com a informação nesse âmbito e ampliar a visão reducionista exposta pelo programa.

O MPASP se coloca à disposição dos meios de comunicação para apresentar caminhos possíveis de tratamento que não se restringem a treinamentos e possibilitam ampliar e viabilizar os modos singulares de ser das pessoas com autismo.

Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública/MPASP

Informações: http://psicanaliseautismoesaudepublica.wordpress.com/about/

Instituições participantes

Universidades:FEUSP,FMUSP, Grupo de estudo sobre a criança (e sua linguagem) na clínica psicanalítica – GECLIPS/UFUMG, IPUSP, PUC /RJ, Psicologia PUC /SP, Fono PUC/SP, UERJ, UFBA – ambulatório infanto-juvenil da Residência em Psicologia Clínica e Saúde Mental do Hospital Juliano Moreira/UFBA-SESAB, UFMG Laboratório de Estudos Clínicos da PUC Minas, UFPE, UFRJ, UFSM, UnB, Unesp Bauru, UNICAMP, Univ. Católica de Brasília, Setor de Saúde Mental do Departamento de Pediatria da UNIFESP, Centro de Referência da Infância e da Adolescência – CRIA/UNIFESP, DERDIC/PUCSP, Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais (FCMMG), UNIFOR. Instituições de Psicanálise: ALEPH – Escola de Psicanálise, Associação Psicanalítica de Curitiba- APC, Circulo Psicanalítico MG – CPMG, Círculo Psicanalítico de Pernambuco – CPP, EBP/SP ( escola brasileira de psicanálise), EBP/MG ( escola brasileira de psicanálise),  EBP/RJ  (escola brasileira de psicanálise), Escola Letra Freudiana, Espaço Moebius/BA, Laço Analítico, Escola de Psicanálise dos Fóruns do Campo Lacaniano – Brasil (EPFCL-Brasil), Fórum do Campo Lacaniano – São Paulo (FCL-SP), Rede de Pesquisa sobre as Psicoses do FCL-São Paulo, Rede Brasil Psicanálise Infância/ FCL, IEPSI, Associação Psicanalítica de Porto Alegre -APPOA, Instituto APPOA, IPB ( instituto de psicanálise brasileiro), Intersecção Psicanalítica do Brasil/NEPP, Grupo que estuda a clinica com bebês e as intervenções precoces da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Grupo de Estudos e Investigação dos TGD da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Departamento de Psicanálise do Instituto Sedes Sapientiae (SEDES), Departamento de Formação em Psicanálise do Instituto SEDES, Departamento de Psicanálise de Crianças do Instituto SEDES, Departamento de Psicossomática Psicanalítica do Instituto SEDES, Núcleo de Investigação Clínica Hans da Escola Letra Freudiana, Sigmund Freud Associação Psicanalítica/RS, GEP/Campinas, NEPPC/SP, Instituto da Família –IFA/SP, Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, Invenção Freudiana – Transmissão da Psicanálise. Centros de atendimentos não governamentais: Ateliê Espaço Terapêutico/RJ, Attenda/SP, Centro de Atendimento e Inclusão Social, CAIS/MG, Carretel – Clínica Interdisciplinar do Laço/SP, Carrossel/BA, Centro da Infância e Adolescência Maud Mannoni CIAMM, CERSAMI de Betim, Centro de Estudos, Pesquisa e Atendimento Global da Infância e Adolescência – CEPAGIA/Brasília/DF, Clínica Mauro Spinelli/SP, Clube/SP, CPPL – Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem, Centro de Pesquisa em Psicanálise e Linguagem de Recife – CPPL, Escola Trilha, ENFF, Espaço Escuta de Londrina, Espaço Palavra/SP, GEP-Campinas, Grupo Laço/SP, Grupo de Pesquisa CURUMIM do Instituto de Clínica Psicanalítica/RJ, Incere, Instituto de Estudo da Familia INEF, Insituto Langage, Instituto Viva Infância, LEPH/MG, Lugar de Vida, Centro Lydia Coriat de Porto Alegre, NIIPI/BA, NINAR – Núcleo de Estudos Psicanalíticos, NÓS – Equipe de Acompanhamento Terapêutico, Projetos Terapêuticos/SP, Trapézio/SP, Associação Espaço Vivo/RJ. Clínica Psicológica do Instituto Sedes Sapientiae/SP. Centros de atendimentos do governo: Caps Pequeno Hans/RJ, Capsi Guarulhos/SP, Capsi-Ipiranga/SP, Capsi-Lapa/SP, Capsi Mauricio de Sousa/Pinel-RJ, Capsi Mooca/SP, CAPSI-Taboão/SP, CAPSI de Vitória, CARM/UFRJ, NASF Brasilandia/SP, NASF Guarani/SP, UBS Humberto Pasquale/SP, Centro de Orientação Médico-Psicopedagógica – COMPP/SES-DF, Capsi COMPP/SES-DF, Capsi Campina Brande/PB.Associações:ABEBÊ – Associação Brasileira de Estudos sobre o Bebê, ABENEPI/Maceió, ABENEPI/RJ, ABENEPI/BSB, Associação Metroviária do Excepcional AME, Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental, CRP/SP (conselho regional de psicologia). Hospitais: Centro Psíquico da Adolescência e Infância da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (CePAI/FHEMIG), CISAM/UPE – Centro Integrado de Saúde Amauri de Medeiros – Universidade de Pernambuco, HCB (Hospital da Criança de Brasília), Serviço de psicossomática e saúde mental do Hospital Barão de Lucena -HBL/ Recife, Hospital Einstein, IEP/HSC Instituto de Ensino e Pesquisa do Hospital de Santa Catarina, Hospital Pinel, Hospital das Clínicas – Universidade de Pernambuco.Revista: Revista Mente e Cérebro. Grupo de pesquisa: PREAUT BRASIL, Grupo de pesquisa IRDI nas creches.

47 comentários

  1. Incoerência

    Este texto tem uma incoerência grave. Se “é oficialmente indicado que o diagnóstico definitivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) seja fechado a partir dos três anos”e “antes dessa idade não se deve fechar o diagnóstico, pois ainda se trata de um bebê em pleno processo de constituição” não pode ocorrer simultaneamente o tratamento que, “quando realizado com bebês, permite intervir a tempo, reduzindo enormemente e, em alguns casos, possibilitando a remissão de traços de evitação na relação com outro”, pois a criança, segundo o texto, não foi diagnosticada por estar em “processo de constituição”. Então, segundo esse texto, se faz o tratamento sem ter o diagnóstico certo, “chutando”?

    Quanto à exposição das crianças, é melhor que fiquem escondidas e ninguém saiba lidar com isso? Para mim, isso sim é que é exclusão.

    Em tempo: não sou da área,sou professora de fundamental 2, não especializada, sem treinamento nenhum, e sempre com autistas na sala. Nem ouvi falar na faculdade. Tampouco recebi alguma orientação de alguém em serviço. E por aí vou, sempre lendo muito e procurando estudar. Acredito que o programa tenha seguido a linha do especial sobre autismo de Louis Theroux. Uma curiosidade: meu filho tem um coleguinha autista na sala. Assistir ao episódio o ajudou a entender e ter mais paciência com o amiguinho. Inclusive ele quis levar o vídeo para sua professora ver “porque o João ficava tão nervoso e como a gente poderia fazer pra ele não machucar tanto a gente nem ele mesmo”. Palavras dele (5 anos). Ou seja: divulgação e esclarecimento ao público leigo, mesmo que com algumas incorreções, ajuda. E muito.

    Agora, minha outra crítica é relativa à minha área. Se tanta gente assinou esse texto —acredito que, com tantas instituições, falamos em mais de 1000 profissionais, certo? —para reclamar, porque esse mesmo tanto de gente não vira multiplicador em escolas públicas e ensina a nós, professores, como lidar com essas crianças para que sejam efetivamente incluídas?

    Obrigada pelo espaço!

    Ah, esqueci de falar. Conheço bem os Caps pq meu marido tem transtorno bipolar severo e mudou-se várias vezes de cidade e bairros. Tenho certeza que, mesmo pagando muito, nada se compara ao tratamento disponibilizado lá. Às vezes, até esqueço que o Caps é do SUS!:-)

  2. Pelo menos o IG resolveu fazer jornalismo

    Eu tinha chegado a este post, anteontem (25/09) através de um destaque dado no Portal do IG com algo do tipo “Entidade critica série Autismo do Fantástico”.

    Felizmente, hoje, a matéria foi reformulada, com certeza, apresentando os contrapontos expostos nos comentários feitos por aqui:

     

    http://saude.ig.com.br/minhasaude/2013-09-27/especialistas-criticam-serie-do-fantastico-sobre-autismo.html

     

    Especialistas criticam série do Fantástico sobre autismo

    Grupo afirma que reportagens apresentadas por Drauzio Varella mostram apenas uma visão sobre o transtorno

    iG São Paulo | 

    27/09/2013 06:00:52 – Atualizada às 27/09/2013 10:52:22         

    Um grupo formado por cerca de 500 profissionais que atuam em mais de 100 instituições nacionais de saúde está indignado com a série de reportagens sobre o autismo exibida no programa Fantástico, da Rede Globo. De acordo com o Movimento Psicanálise Autismo e Saúde Pública (MPASP), a série “Autismo: Universo Particular”, apresentada por. Drauzio Varella, representa um desserviço à população.

    “O programa apresentou informações desatualizadas e que não estão de acordo com aquilo que as equipes multidisciplinares têm revelado”, disse Nina Leite, psicóloga, pesquisadora do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp (SP) e integrante do movimento.

    Leia carta do Movimento Psicanálise, Autismo e Saúde Pública

    A psicanalista Sandra Pavone, mestre em semiótica e comunicação pela PUC-SP, pega mais leve nas críticas. “Foi uma visão fechada sobre o tema. Esta é uma das visões, mas não é a única”, define. Sandra lamenta que o programa tenha sido “reducionista”. “É uma pena. Esta foi a primeira vez que o tema ganhou a possibilidade de alcançar tantas pessoas pela mídia”. De acordo com estimativas, cerca de 1% da população apresenta algum dos transtornos do espectro do autismo.

    Para o grupo, que publicou uma carta aberta como manifesto, o principal problema do programa foi tratar o autismo como incurável. “Tenho dois casos de cura para contar e isso só no meu consultório”, rebate Wagner Ranna, médico pediatra, professor da Faculdade de Medicina da USP e especialista em saúde mental de criança e adolescente.

    “Vendo a reportagem, a sensação que fica é que uma vez autista, sempre autista. Isso não é uma verdade. Existem casos de crianças que com um ano e meio apresentavam sintomas de risco e depois, com quatro anos, não são mais diagnosticadas com autismo”, diz Ranna. “Os pessimistas, claro, afirmam que estes casos ocorrem por erro no primeiro diagnóstico”.

    O pediatra afirma que até mesmo os casos genéticos, que representariam apenas 5% dos diagnósticos, não devem ser considerados incuráveis. “A presença de um gene não vai selar o sintoma. O gene não é desativado, ele tem a expressão alterada e isso muda o sintoma”, disse.

    Porém, as críticas do MPASP sobre a abordagem ao tratar o autismo não são unanimidade entres os especialistas do País. O psiquiatra do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo Guilherme Polanczyk discorda do barulho provocado pelo MPASP. “O autismo é uma condição crônica e persistente. Não conseguimos falar em cura. Se alguém descobriu que o autismo tem cura. Isso sim é uma grande novidade”, disse. Polanczyk afirma ainda que o curso do transtorno pode ser variado, mas não há cura.

    “Acho que existe um desconhecimento muito grande. As pessoas se valem de teorias, achismo e entendimentos diversos. Nossos estudos mostram que o autismo é um transtorno perene, resultado de processos biológicos do desenvolvimento do cérebro que sofre também ou outras causas variáveis sejam nutricionais, exposição do feto à poluição”, disse Polanczyk sobre a crítica de que a série teria apresentado uma visão reducionista.

    Procurados pela reportagem do iG, nem o Fantástico, nem o médico Drauzio Varella quiseram se pronunciar.

     

  3. Na mesma

    Tenho um filho autista, e sinceramente nao vi nada de controverso na reportagem. Autismo nao tem cura ,um dia pode vir a ter. O Autismo tem tratamento(nao cura) que dependendo do caso pode deixar o paciente quase 100% sem sintomas. O grau da doença , interfere muito no resultado final do tratamento.

    Até hoje , nunca foi fechado um diagnostico para a causa do Autismo. Ora como voce vai curar alguma coisa, se voce nem sabe a causa.

    Li essa carta de cabo à rabo e só achei enchimento de linguiça. Em termos práticos, fica tudo na teoria do “talvez” , “pode ser” etc…

     

    • Autismo por si so’.

      Caro Pai, Ricardo Mattos, Tenho um filho Autista de 7 anos.  Sim o Autismo e’ curavel, mas enfim ele e’ controverso, vejo nas suas proprias  palavras “quase 100% sem sintomas”  Isso pra mim  e’ curado – nos comumente misturamos autismo de realiadade. A manha, a crise de frustracao isto esta em todos nos. Existe esse conceito,e isso sim o Fantastico e mais especificamente o Dr. Salomao deixaram erradamente  no ar. “Nao ha cura”. Essa infelismente e ‘a visao de muitos Doutores no Brasil,  que esta 30 anos atrasado nesse sentido. Vejo depoiemntos de criancas ex-autistas onde lhe perguntam: Voce quer voltar a ser Autista novamente e a resposta e’: Nao uma vez so’ja’e’suficiente, outra dizendo Foi uma  e’poca “amazing” que valeu na minha formacao e outra que diz que nao se lembra da sua e’poca autista. Infelismente isto vem de fora e nao temos aqui. Mais existe. Terrivel e’dizer que nao cura e tao terrivel quanto e’nao acreditar …. Fico a disposicao para maiores informacoes como facilitador comportamental de criancas autista que sou. Trabalho com o programa SonRise onde estudei e continuo estudando. O SonRise e’ um programa com 30 anos de experiencia onde milhares de criancas ja foram trabalhadas e nao ha nenhuma entre elas que nao progrediu e ha varias entre elas que o autismo desapareceu.

  4. Autismo tem cura? Ah é?

    É por bobagens assim que o Dr. Paulo Mattos tem razão: A psicologia está para a psiquiatria assim como a astrologia está para a astronomia.

    Ficaram zangados com a crítica ao SUS? Maravilhosas experiências? Onde, com quem? Onde o SUS funciona? Por favor, nos iluminem!!!

    Sugiro que abram uma Rede de TV rival à Globo e façam o seu programa com as suas verdades. Não é melhor que criticar quem de FATO faz alguma coisa?

  5. Existem clínicas para autista (como para dep. químicos)?
    Tenho um sobrinho autista já adulto e que vem tendo muitas crises de violência. Já quebrou quase tudo dentro de casa. Ele, desde pequeno, estudou em Escolas Especiais, fez tratamento com Psicólogo, T.O., Equoterápico, etc. Afastado do convívio escolar pelo seu porte físico (pelo medo de que em alguma crise pudesse machucar alguém), hoje ele está limitado a quatro paredes em casa. Pais sofrem com agressões; ele já foi internado várias vezes e a cada retorno parece que as crises são mais violentas e com mais frequência. Trata-se com Psiquiatra, já trocou várias vezes a medicação. Pais estão desesperados e não conseguem ajuda prática. A quem recorrer? Eles não querem, mas parece que o mais indicado seja interná-lo definitivamente com medo de que algo pior aconteça a eles ou ao próprio filho.
    Existem clínicas para autistas (em especial neste caso de agressividade) se tratarem por um longo período (assim como existem para tratamento de dependentes químicos). Muito obrigado.

    • Nos que somos os estranhos pra eles….

      Cara Ana Maria, tenho um filho Autista, e nao ha autismo que nao possa evoluir no sentido de progresso e crescimento do seu desempenho comportamental. Vejo nas suas palavras, vejo nas opcoes apresentadas o caminho errado para o tratamento do autismo. A crianca autista se frustra por ser controlada, impedida, mandada e mau compreendida. Existe uma maneira  sim de compreende-las. E elas sao maravilhosas, todas possuem genialidades….Indico o programa SonRise, trabalho com isso, tenho  e lhe digo: prende-lo e’ o pior, controla-lo tambem. Experimentem criar um ambiente dentro da casa dos pais onde, inclusive pode ser essas 4 paredes, mas ali dentro permitam que ele faca oque quizer, que ninguem o controle, mas passem o controle a ele, tirem as coisa que incomodem e deixem sem nada praticamente. E ali dentor incluam confianca, admiracao, e muitas outras tecnicas para entende-lo, unir-se a ele, Uma tecnica e’ se unir a ele na brincadeira repetitiva dele, achem graca e facam a mesma coisa junto dele…Ah isso vai atrair aatencao dele e se ele nao os permitirem no espaco dele, respeitem, mas temtem voltar ficar de mansinho la dentro….enfim  acredito que a mae ou o pai instintivamente com paciencia e muito amor, podem encontrar dentro deles essa ponte que os levara ao mundo do filho. E ai comeca a jornada, uma vez que o garoto comece a confiar nessa multidao de estranhos que nos somos pra eles.

  6. EXISTE A CURA PARA O AUTISMO

    TENHO UM FILHO COM 7 ANOS, NAO ELE NAO ESTA CURADO.

    MAS COM O TEMPO FICARA.

    EXISTEM CENTENAS DE TECNICAS E O TRABALHO E’ GIGANTESCO, MAS OQUE NAO E’? OQUE SE CONSEGUE SEM USAR A CABECA E SEM TRABALHAR POR ISSO ?

    EIS AQUI ALGUMAS TECNICAS.

    AS PESSOAS, TODAS INCLUSIVE EU MESMO E MINHA MULHER, UM  FONO, UM NEURO, UM FACILITADOR QUE SEJA DEVE ACREDITAR. AQUI JA ELIMINAMOS 90% DOS PROBLEMAS. OS OUTROS 10% QUE POR VENTURA ACREDITAREM, PASSAREMOS TODAS AS TECNICAS INFORMACOES SUPORTE E INCLUSIVE DEPOIMENTOS DE CRIANCAS EX-AUTISTAS PARA QUE VEJAM E CELBREM O CAMINHO DA CURA.

    OUTRA TECNICA: AMAR SUA CRIANCA, MAS AMA-LA POR INTEIRO, NAO SOMENTE A PARTE QUE NAO E’ AUTISTA.

    COLEGAS CRIANCAS PARENTES PAIS AMIGOS VIZINHOS TENHO CERTEZA QUE OQUE MENCIONEI ACIMA NAO E’ NOVO PRA NINGUEM – JA ESTA EM NOS PAIS,  PESSOAS A CURA – MAS SE OS PASSOS SAO AO CONTRARIO DO ACREDITAR, DO TRABALHO, FICA BEM DIFICIL CHEGAR AO OBJETIVO.

    RECOMENDO O PROGRAMA SONRISE, COM 30 ANOS DE EXPERIENCIA COM CRIANCAS, NENHUMA SEM PROGRESSO E VARIAS EX-AUTISTAS.

  7. Ola,
    Me chamo Clarissa

    Ola,

    Me chamo Clarissa Magalhaes, vim fazer mestrado na França, conheci grandes nomes da psicanalise com autismo, mas optei por expandir meu olhar e ver o que essas outras abordagen, tratadas como tao monstruosas nos textos de psicanalise, tinham para propor como tratamento para o autismo.

    Me surpreendi com o que vi, mas o que me surpreende mais ainda hoje é que um grupo de pessoas de baseie em textos de uma so teoria para julgar outros trabalhos sem olhar realmente o que esses outros trabalhos proporcionam como resultados ou possibilidade. Esse tipo de fechamento é comum na religiao, mas aberrante numa pratica clinica.

     

    o que eu vi na França nos hospitais dia regidos por psicanalistas foram profissionais que falavam em suposiçao de sujeito, tentavam dar algum suporte a equipes desmotivadas e crianças que nao dispunham de um meiod e comunicaçao ou um programa educativo adaptado. Toda criança tem direito a educaçao, ateliês nao sao um investimento na capacidade da criança, mas sim uma desistencia total face a uma criança que parece incapaz de aprender.

     

    O fato é que existem formas de ensinar a comunicaçao e tantas outras coisas para essas crianças, mas elas sao rejeitadas pelos psicanalistas sem que eles nem mesmo se interessem um minimo por elas. Temos que supor sujeito e esperar um sujeito advir, mas quando a criança continua presa nas estereotipias e dificuldade de comunicaçao? Sera que proporcionar meios para que ela se comunique e aprenda nao é exatamente supor nela um sujeito. Um sujeito que quer comunicar coisas simples do dia dia para os pais, mas nao consegue (vejam a historia de Carly Fleishman).

     

    O programa de Drauzio Varela de fato nao foi perfeito, mas o tipo de opiniao exibido nesse texto é bem mais nocivo às familias de crianças autistas que outra coisa. Antes de criticar conheçam, se aprofundem, visitem estruturas. As crianças autistas que vejo hoje numa estrutura comportamentalista me parecem bem mais sujeitos que tantos tratados pela psicanalise que vi.

  8. Chorumelas

    Assisti normalmente a reportagem aludida no texto e não vi e nem ouvi nada do que o MPASP criticou. O que me leva a concluir que o desejo da instituição é apenas marcar uma posição, pois nada de positivo foi apontado. Ou seja, parece que aos olhos dessa instituição é melhor ignorar uma realidade (não exibir) do que exibir com falhas de abordagem. Só para constar: desserviço foi ler esse texto.

  9. Fontes

    Senhores,

    Gostaria de ler as fontes científicas nas quais se baseiam.

    Obrigada.

    Profª. Drª. Aliny Lamoglia

    UNIRIO/UNESA

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