A epidemia de chikungunya em Dourados (MS) forçou a prefeitura a decretar situação de calamidade em saúde pública, o terceiro decreto relacionado à doença desde março. A cidade registra mais de 6 mil casos prováveis, taxa de positividade de 64,9% e oito mortes confirmadas, sete delas entre moradores da Reserva Indígena de Dourados.
O colapso na rede hospitalar é um dos fatores que justificaram o novo decreto: a taxa de ocupação dos leitos de internação está em aproximadamente 110%, configurando, segundo a prefeitura, “impossibilidade de resposta assistencial oportuna até mesmo para casos graves”.
O decreto tem validade de 90 dias e segue orientações do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública (COE), criado para coordenar o enfrentamento à crise na reserva indígena e no perímetro urbano.
O prefeito Marçal Filho havia decretado emergência em saúde pública em 20 de março e, uma semana depois, emergência em defesa civil nas áreas afetadas. Até a última segunda-feira (20), Dourados contabilizava 4.972 casos prováveis, sendo 2.074 confirmados, 1.212 descartados e outros 2.900 ainda em investigação.
Vacinação
A campanha de vacinação contra a chikungunya está prevista para começar na próxima segunda-feira (27). O primeiro lote de doses chegou ao município na última sexta-feira (17). Nesta quarta (22) e quinta (23), a prefeitura promove capacitação de profissionais de enfermagem para orientar a população sobre as regras de aplicação e identificar possíveis contraindicações antes da imunização.
Na sexta-feira (24), os imunizantes serão distribuídos para todas as salas de vacinação do município, incluindo as unidades de saúde indígena. Para o feriado de 1º de maio, está prevista uma ação em formato drive-thru, das 8h às 12h, no pátio da prefeitura.
A meta é vacinar pelo menos 27% da população-alvo, cerca de 43 mil pessoas. A imunização deve ocorrer de forma gradual, já que cada pessoa precisa passar por avaliação individual antes de receber a dose.
O Ministério da Saúde restringe a vacina a pessoas entre 18 e 59 anos.
Estão impedidos de receber o imunizante: gestantes e lactantes; pessoas em uso de imunossupressores ou em tratamento de câncer com quimioterapia ou radioterapia; transplantados de órgão sólido ou de medula óssea há menos de dois anos; pessoas com HIV/aids; pessoas com doenças autoimunes, como lúpus e artrite reumatoide; e pessoas com pelo menos duas condições crônicas simultâneas, entre elas diabetes, hipertensão, insuficiência cardíaca, obesidade e doença renal crônica.
Também não podem se vacinar quem teve chikungunya nos últimos 30 dias, quem está em estado febril grave, quem recebeu outra vacina de vírus atenuado nos últimos 28 dias ou vacina de vírus inativado nos últimos 14 dias.
A vacina foi aprovada pela Anvisa em abril de 2025 e está sendo administrada de forma estratégica em cerca de 20 municípios de seis estados, selecionados com base em critérios epidemiológicos, tamanho populacional e capacidade operacional do sistema local de saúde.
Recursos
No fim de março, o Ministério da Saúde liberou R$ 900 mil em aporte emergencial para Dourados, transferidos em parcela única do Fundo Nacional de Saúde ao fundo municipal.
Os recursos devem ser usados em vigilância epidemiológica, controle do mosquito Aedes aegypti, principal vetor da doença no Brasil, e qualificação do atendimento às populações afetadas.
*Com informações da Agência Brasil.
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