21 de maio de 2026

Estudo aponta que obesidade causa danos cardiovasculares já na infância

Excesso de peso aumenta o risco de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC), além de envelhecimento precoce das células de defesa
Crédito: Getty Images

Estudo da Unifesp com 130 crianças mostra que obesidade infantil causa danos precoces à saúde cardiovascular.
Crianças com sobrepeso apresentam inflamação e disfunção endotelial, indicando início precoce do adoecimento vascular.
Pesquisa feita em SP inclui ações educativas e reforça necessidade de políticas públicas contra obesidade infantil.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

Um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificou que a obesidade infantil pode provocar danos imediatos à saúde cardiovascular, aumentando o risco de doenças como aterosclerose, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) ainda na infância. A pesquisa avaliou 130 crianças entre 6 e 11 anos e foi publicada no International Journal of Obesity.

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O trabalho, apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP), encontrou sinais precoces de inflamação e disfunção no endotélio, camada que reveste os vasos sanguíneos, em crianças com sobrepeso e obesidade. Segundo os pesquisadores, esses achados indicam que o processo de adoecimento cardiovascular pode se iniciar muito antes da vida adulta.

“Os resultados do estudo reforçam a gravidade da obesidade infantil, mostrando que ela precisa ser revertida desde cedo. Alertamos também sobre a necessidade de políticas públicas para a redução da obesidade na infância, sobretudo em populações em vulnerabilidade socioeconômica”, afirma a coordenadora do estudo, Maria do Carmo Pinho Franco.

Inflamação precoce

A pesquisa mostrou que a obesidade provoca uma inflamação crônica de baixo grau, tanto em adultos quanto em crianças, deixando o sistema imunológico em constante estado de alerta. Esse processo pode levar ao envelhecimento precoce das células de defesa e causar danos ao endotélio, considerado essencial para a saúde vascular.

Segundo Franco, embora já fosse conhecido que crianças com sobrepeso tendem a manter a condição na adolescência e na vida adulta, o estudo revelou que os efeitos não são apenas cumulativos.

“O estudo identificou que as crianças com sobrepeso ou obesidade já apresentam sinais de inflamação e disfunção endotelial, indicando que o processo de adoecimento cardiovascular começa já na infância, mesmo antes de outros fatores de risco aparecerems fatores de risco”, explica.

Os pesquisadores destacam que as crianças analisadas não apresentavam hábitos tradicionalmente associados a doenças cardiovasculares, como tabagismo ou consumo de álcool, e eram pré-púberes, sem influência de hormônios sexuais. “O único fator presente é o excesso de peso. Portanto, a análise mostrou que a obesidade, por si só, é suficiente para iniciar um processo inflamatório crônico de baixo grau, com impacto direto na saúde vascular”, completa a pesquisadora.

Marcadores inflamatórios elevados

As análises revelaram aumento da expressão do gene da citocina inflamatória TNF-alfa no sangue das crianças com sobrepeso e obesidade, além de níveis elevados de micropartículas endoteliais apoptóticas, marcadores associados a danos nas células do endotélio. Essas alterações indicam disfunção vascular e podem favorecer o desenvolvimento precoce de doenças cardiovasculares.

O estudo também avaliou indicadores como índice de massa corporal (IMC), circunferência da cintura, pressão arterial e função endotelial da microvasculatura. Crianças com excesso de peso apresentaram pior desempenho no Índice de Hiperemia Reativa (RHI), que mede a saúde dos microvasos, além de correlação entre inflamação, aumento das micropartículas endoteliais e piora da função vascular.

Ação em comunidades vulneráveis

A pesquisa foi realizada com crianças atendidas em um Centro da Juventude na capital paulista. As avaliações clínicas ocorreram no próprio local, com apoio de nutricionistas, médicos e enfermeiros voluntários. As análises laboratoriais foram conduzidas no Departamento de Biofísica da Escola Paulista de Medicina (EPM-Unifesp).

Além da investigação científica, o projeto incluiu ações educativas, com orientação e treinamento de merendeiras e responsáveis, incentivando a substituição de alimentos ultraprocessados por opções mais saudáveis no cardápio infantil.

Os pesquisadores defendem a ampliação urgente de políticas públicas de prevenção à obesidade infantil. “Sem intervenção precoce, essas crianças tendem a se tornar adultos com doenças cardiovasculares e metabólicas, o que representa um impacto significativo para a saúde pública e para a sustentabilidade do sistema de saúde brasileiro”, alerta Franco.

O artigo completo, intitulado Whole blood TNF-α expression and apoptotic endothelial microparticles reveal early vascular injury in pediatric obesity, está disponível na revista International Journal of Obesity.

*Com informações da Agência Fapesp.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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