14 de junho de 2026

Fiocruz mapeia danos causados pelas queimadas no Pantanal

AVC, doença pulmonar, asma, câncer de pulmão e doenças do sistema circulatório estão entre os efeitos da exposição aos poluentes de incêndio
Crédito: Joédzon Alves/ Agência Brasil

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Nos últimos cinco anos, os incêndios no Pantanal degradaram cerca de 9% da vegetação do bioma, destruição que causa danos irreparáveis a curto, médio e longo prazos, populações humanas e de outros animais de formas variadas, conforme a constatação da Fiocruz. 

De acordo com as pesquisadoras e biólogas Sandra Hacon e Marcia Chame, da Fiocruz, as queimadas prejudicam a saúde humana de forma desproporcional, pois os determinantes sociais da saúde, como local e condições de moradia, nível de acesso a serviços de saúde e falta de saneamento, tendem a exacerbar os efeitos da exposição aos poluentes.

Segundo Sandra, não há fronteiras para os poluentes, pois a depender da direção e velocidade dos ventos e outras condições metereológicas, a poluição atinge outras cidades, estados e até países. 

“Partículas de poluentes podem penetrar profundamente nos pulmões, chegando à corrente sanguínea, com efeitos sistêmicos para o organismo humano. Esses poluentes são responsáveis por cerca de um terço das mortes por Acidente Vascular Cerebral (AVC), doença pulmonar obstrutiva crônica, asma e câncer de pulmão, além de um quarto das doenças do sistema circulatório”, explica.

Além de doenças cardiovasculares, a poluição causa ainda outras patologias. “A fumaça e o material particulado no ar geram contaminação por mercúrio e outros elementos químicos tóxicos. As cinzas brancas, resultante da queima de toda a matéria orgânica, também é composta de elementos que geram contaminação, intoxicação e doenças degenerativas como câncer, que só vai aparecer tempos depois. Com a chegada das chuvas, toda a cinza deságua nos corixos, poluindo os rios, as baías e matando peixes e alevinos (iscas que são fonte de renda de muitas comunidades). Não há mais água potável para beber”, afirma Marcia Chame. 

As pesquisadoras constataram ainda que a saúde mental dos pantaneiros também está comprometida pelas queimadas, que afetam de maneira mais enfática populações de menor renda, que vivem em condições de moradias precárias e com pouco acesso a serviços públicos. 

Os níveis de suicídio na região são grandes, assim como a depressão entre jovens e idosos. “Por serem comunidades pequenas e distantes dos grandes centros urbanos, não geram apelos e sensibilização nacional. Estão sós e apartadas da esperança”, continua Marcia. 

*Com informações da Fiocruz.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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Repórter do GGN há 9 anos. Especializada em produção de conteúdo para as redes sociais.

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