O Brasil enfrenta um surto inédito e alarmante de intoxicação por metanol associado ao consumo de bebidas alcoólicas. Até este domingo (5), o Ministério da Saúde contabilizava 225 notificações em todo o país — 16 casos confirmados e 209 em investigação. Ao menos 15 mortes foram registradas, duas delas confirmadas em São Paulo e as demais em análise.
“A demora no atendimento e na identificação da intoxicação aumenta a probabilidade do desfecho mais grave, com o óbito do paciente”, alerta o boletim oficial.

São Paulo no centro da crise
A situação é mais crítica em São Paulo, que responde pela imensa maioria dos registros: 192 notificações, das quais 14 confirmadas e 178 ainda em apuração. O estado concentra também nove das mortes em análise, incluindo duas já confirmadas.
Além de São Paulo, outros 12 estados apresentaram casos suspeitos: Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco, Paraná, Rondônia, Piauí, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Paraíba e Ceará. A Bahia e o Espírito Santo, que inicialmente notificaram episódios, tiveram as suspeitas descartadas.
Em Pernambuco, três mortes seguem em investigação, enquanto Mato Grosso do Sul, Paraíba e Ceará notificaram um óbito suspeito cada. A gravidade da crise levou o governo federal a instalar uma Sala de Situação para coordenar a resposta e reforçar a vigilância em todo o território nacional.
Ações emergenciais
Diante do avanço do surto, o Ministério da Saúde iniciou a distribuição de etanol farmacêutico, utilizado como antídoto em casos de intoxicação por metanol. Na primeira remessa, 580 ampolas foram enviadas a cinco estados: 240 para Pernambuco, 100 para o Paraná, 90 para a Bahia, 90 para o Distrito Federal e 60 para Mato Grosso do Sul. O país também negocia a importação de fomepizol, medicamento específico contra o envenenamento por metanol, ainda não disponível no Brasil.
A pasta anunciou a compra emergencial de mais 5 mil tratamentos, correspondentes a 150 mil ampolas, e firmou parceria com a OPAS para garantir a chegada de doses adicionais. Ao mesmo tempo, farmácias de manipulação foram autorizadas a preparar estoques locais de etanol farmacêutico, numa tentativa de evitar desabastecimento.
Sintomas e riscos
A intoxicação por metanol é uma emergência médica grave. No organismo, a substância se transforma em formaldeído e ácido fórmico, compostos altamente tóxicos que podem provocar cegueira irreversível e levar à morte. Os principais sintomas incluem visão turva ou perda da visão, náuseas, vômitos, dores abdominais, sudorese intensa e confusão mental.
Diante de qualquer suspeita, o paciente deve buscar atendimento de urgência e acionar os serviços especializados, como o Disque-Intoxicação da Anvisa (0800 722 6001) ou os centros de toxicologia locais.
O Ministério da Saúde recomenda ainda que pessoas que tenham consumido a mesma bebida que o intoxicado procurem avaliação médica imediata.
Investigação policial
O padrão de casos chamou a atenção das autoridades. O Ministério da Saúde classificou o episódio como “situação inédita” no país e acionou a Polícia Federal (PF) para investigar a origem da contaminação. Em São Paulo, a Polícia Civil já apreendeu 50 mil garrafas de bebidas adulteradas e 15 milhões de selos falsificados, levantando a suspeita de atuação de redes criminosas.
Com informações da Agência Brasil
Carlos
7 de outubro de 2025 12:04 amApesar de, conforme o texto, “A situação é mais crítica em São Paulo, que responde pela imensa maioria dos registros: 192” o “jestor” local, o “martelinho de ouro” afirma que se irá se preocupar quando for a coca-cola. Como já disseram: o novo “eu não sou coveiro”
Panaca!