A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta quinta-feira (7) sobre a detecção de um surto de hantavírus a bordo do navio holandês MV Hondius. Embora três mortes já tenham sido confirmadas entre os passageiros, a agência minimizou o risco de uma emergência sanitária global, classificando o potencial epidêmico como “baixo”.
“Não é o começo de uma pandemia”, garantiu Maria Van Kerkhove, responsável pela prevenção de epidemias da OMS. Segundo ela, a dinâmica do hantavírus difere drasticamente de patógenos como a Covid-19 ou a gripe, dependendo de contato muito próximo para haver contágio entre humanos — uma característica rara desta cepa, a Andes, presente na América Latina.
Monitoramento internacional e evacuação
O cruzeiro, que partiu de Ushuaia, na Argentina, no início de abril, tornou-se o epicentro de uma operação logística internacional. Atualmente, o navio navega em direção às Ilhas Canárias, na Espanha, onde está prevista a evacuação de 150 pessoas a partir de segunda-feira (11). Por precaução, o governo regional espanhol determinou que a embarcação não atraque no porto, permanecendo ancorada enquanto o desembarque é feito por lanchas de apoio.
Até o momento, o balanço oficial indica oito casos, sendo cinco confirmados e três suspeitos. Entre as vítimas fatais estão um casal de holandeses e uma alemã. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, informou que, devido ao período de incubação de até seis semanas, “é possível que sejam notificados mais casos”.
Rastreamento de passageiros e origem
A origem exata do contágio permanece sob investigação, mas a principal hipótese é que a exposição inicial tenha ocorrido antes do embarque. A primeira vítima, um homem de 70 anos, manifestou sintomas poucos dias após o início da viagem. O casal holandês havia realizado excursões por Chile, Uruguai e Argentina, regiões onde o vírus é endêmico em populações de roedores.
A preocupação das autoridades agora se volta para os 30 passageiros que desembarcaram na remota ilha de Santa Helena entre 22 e 24 de abril. Países como Singapura, Reino Unido, Suíça e Dinamarca já isolaram indivíduos que tiveram contato com os infectados ou que apresentam sintomas leves.
Resposta sanitária
O diretor de operações de emergência da OMS, Abdi Rahman Mahamud, insistiu que o surto será “limitado se forem implementadas medidas de saúde pública e se houver solidariedade entre todos os países”.
Não existe vacina ou tratamento específico para o hantavírus, que pode evoluir para síndromes respiratórias agudas graves.
A bordo do MV Hondius, a Oceanwide Expeditions, operadora do navio, afirma que o ambiente é de normalidade e que não há novos sintomáticos. O capitão da embarcação reportou à OMS que o ânimo da tripulação e dos passageiros melhorou com a aproximação do território espanhol, onde a operação de repatriação será concluída.
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