Mestre em Gestão Pública critica intervenção federal no Rio de Janeiro e traça paralelos da ação com táticas do período escravocrata

(Foto Fernando Frazão ABr)
Bezerra bradou lá do Alto da Colina. Sagrada! O poeta do morro sabia das coisas. Desta indagação ficam alguns questionamentos: Se o Rio não está entre as cidades mais violentas conforme o Mapa da Violência; se no Morro não se produz a pasta base; se são pelas fronteiras que as “drogas” entram; se combatendo o morro somente toca numa pontinha do iceberg; se; se; se… se todas estas informações são públicas e qualquer pessoa que conhece pouco do assunto sabe (e quem ordena a invasão sabe muito) o que justifica esta invasão descabida, desastrosa, perniciosa e amedrontadora nos Morros do Rio de Janeiro?
Muita coisa pode contribuir para esta arribada. Dentre elas, por exemplo, está a educação pelo medo. Demonstrar para as pessoas que “o crime não compensa” como nos velhos tempos.
No tempo da escravidão (explícita e legal) não servir às ordens do senhor de escravizados era um crime. Desta forma chicoteava-se é matava-se em praça pública para servir de exemplo para os demais. Mas, há um pano de fundo que merece uma reflexão.
Quem é que diz o que é o crime? (Se é o crime ou o creme e quem não deve não teme). Não, Racionais MCS’s, referência de nossa geração. Entre o povo preto e empobrecido deste Brasil de base escravocrata e autoritária, quem não deve teme. E teme muito. O fato de ser preto ou preta já se é um temor. As chances de apanhar, sofrer assedio e morrer é uma regra. E, se a isso se somar o local de moradia, o sexo e a idade… aumenta. E aumenta muito.
Crime é uma qualificação do ilícito definido por um congresso de “inimputáveis”. Desta forma o crime deve servir para quem não faz parte da corte. Marx chamava a isso de Comitê da Burguesia. A Casa Grande. Quiçá daríamos um nome mais astucioso nos dias de hoje.
Invadir os invadidos é a linha. A orientação. A pegada. A caça. A caça não na Senzala, mas nos Quilombos. Nos Quilombos que resistiu a expulsão quando da “libertação” e depois e continuou na luta e na labuta. Onde se construiu habitações sobre as plantas ali existentes: as favelas.
Em meio a uma “crise econômica “se investe o equivalente a seis anos de investimentos sociais para controlar o que? Para controlar quem? Para domesticar quais corpos? Para colonizar quais mentes? Para disputar hegemonia com quem? Perguntar não ofende. Ou ofende?
Os grandes criminalistas do país apontam que esta forma de ação por invasão dos territórios já foi testada em outros lugares e foi um fracasso. Apontam que a linha de ação deve ser outra. Ocupar com a presença do Estado apontando a saída (pela porta) pelo acesso e não apontando o despenhadeiro da janela como solução.
Com a aplicação de políticas sociais e de desenvolvimento como um todo. Com construções endógenas. Com participação. Com segurança, de fato. Não uma pseudo-segurança. Que nem serve pra Inglês ver. Lembremo-nos o quê é que servia para ingleses verem, né? Era a gente. Depois de tanto tempo avançamos. Mas, ainda não chegamos. Chegaremos?
A mente escravocrata não consegue observar a porta como uma saída para favelado. Desta forma a política segregacionista, conservadora, escravagista segue sendo a máxima desta nação. Segue sendo a cor que pinta este país como um modelo de gestão pública (com poucas interrupções) a não ser seguido. Segue a caravana – ou melhor, a caravana não segue.
A ideia da invasão é acabar com a caravana que segue ao caminho do Leblon, Ipanema, Copacabana… para que “estes suburbanos feito muçulmanos” não assistam mais o asfalto e a orla. É isso. É o medo de um lado como orientação para um não fazer. É o medo de outro lado pelo “bem viver”. “Não há gente tão insana, nem caravana do Arauá”. Sigamos!
Por Jocivaldo dos Anjos, mestre em Gestão Pública
Ugo
25 de fevereiro de 2018 8:31 pmestá garantida a integridade territorial do País?
Enquanto os esbirros cuidam da segurança?????? das cidades o tio sam cuidará da rapinagem e conquista da Amazônia sem um único tiro, sem rambos hollywoodianos.
layla
26 de fevereiro de 2018 5:53 amcaçada bolivariana
“Colombia —el primer Estado del mundo con el mayor número de personas desplazadas y que hasta 2017 tenía siete millones— ya parece tener un monto para esa “ayuda” a Venezuela. Se trata de 60 mil millones de dólares.” @ AVN
Cafezá
26 de fevereiro de 2018 3:00 amQuanto de cocaína os morros
Quanto de cocaína os morros do Rio necessitam para o comércio mensal? Como é a demanda de oferta e procura? De qual quantidade os traficantes dos morros necessitam para a distribuição na cidade do Rio inteira? Os bairros ricos consomem quanta? Sabe-se que os bairros ricos são os maiores consumidores, os pobres não têm money para sustentar um vício ardente. Qual quantidade de pó entra pelas narinas, veias e ânus dos riquinhos? Meia tonelada, duas, quatro, dez, quantas? Aquele helicóptero estava abarrotado com meia tonelada destinada ao comércio exterior, mas quantas transporta para o comércio interno? Quem possui esses dados? As Forças Armadas possuem? Será que esse cálculo já foi feito? Qual quantidade as FFAA esperam apreender na invasão?
jose carlos lima...
26 de fevereiro de 2018 8:53 amJá a dinastia Carli, do
Já a dinastia Carli, do Paraná, não precisa temer…
https://theintercept.com/2018/02/24/carli-filho-politico-parana-reu/
Salomao Machado
26 de fevereiro de 2018 12:07 pmOs traficantes agradecem este discurso
Nascido e criado na Baixada Fluminense, eu vivenciei a “Pax Brizolista” na década de oitenta.
Por ordem do governador, a polícia não subia o morro. Os traficantes cuidavam de seus “negócios” com tranquilidade e o asfalto estava feliz, sem arrastão, ônibus queimado, fechamento de vias.
A pergunta é: o povo das favelas estava em paz?
O discurso desgastado deste artigo, o “nós” contra “eles”, a ” Casa Grande contra a Senzala” ingnora que, antes de enevitáveis e possíveis constrangimentos pelo poder público, o povo das comunidades são oprimidos diariamente pelos traficantes, longe dos olhos canhotos.