Veja vídeos do massacre da PM no Ibirapuera

Não é esse tipo de polícia que devemos apoiar para a defesa de quem quer que seja. Polícia não é pra matar suspeitos.

No Ibirapuera, a Caminhada do Silêncio celebra as vítimas da ditadura. Nas conversas com familiares contam os métodos adotados. As pessoas eram assassinadas, a sangue frio ou sob tortura. Depois, fabricava-se uma versão, tipo fuga seguida de atropelamento, ou resistência a mão armada.

A alguns quarteirões dali, dois rapazes são executamos e um terceiro é preso. O título da matéria é implacável: “Dois criminosos são mortos e um é detido durante tentativa de assalto em casa próxima ao Parque Ibirapuera”.

Reproduz-se integralmente a versão da Polícia Militar. Diz que foram mortos e detido em tentativa de assalto a uma casa. Teriam percebido ao ver uma Mercedes com insulfilme estacionada na frente da residência, que não pertencia a nenhum dos moradores. Segundo a versão da polícia – acatada pela reportagem – levantou a suspeita de que haveria algum refém dentro do carro.

Os policiais teriam ordenado para que os indivíduos saíssem do carro. Não obtendo resposta, um dos agentes quebrou o vidro traseiro e viu um homem com uma arma na mão. Reagiu com dois tiros. 

Um outro policial, no lado oposto, viu outro indivíduo saindo do carro e fazendo um movimento brusco em direção à cintura. Supondo ser um revólver, fuzilou o sujeito. Uma terceira pessoa foi detida ilesa.

Segundo a versão, nada de ilícito foi encontrada no veículo. Constatou-se que o Mercedes fora furtado em 7 de março em Guarulhos.

Nenhum ponto da versão da Rota foi colocado em dúvida pela reportagem.

Nada bate com a versão.

Era mentira que foram detidos em um assalto à casa, como alega um policial ao sobrevivente do massacre. Diz que recebeu um telefonema de dentro da casa, do morador se dizendo ameaçado por assaltantes armados. Como assim, se foram mortos dentro do carro e se a única arma foi encontrada dentro do carro?

Não resiste a nenhum teste de verossimilhança a versão da suspeita de um refém dentro do carro. Se havia a suspeita, o que explica o policial arrebentando o vidro e atirando em quem estava dentro do carro?

Parte da vizinhança que teve acesso aos vídeos, comemorou. Não entendem que esse tipo de violência nao vai afastar os ladroezinhos do bairro. Só vai fazer com que se armem de verdade e piorem as supostas tentativas. Não é esse tipo de polícia que devemos apoiar para a defesa de quem quer que seja. Polícia não é pra matar suspeitos.

Afinal, quem é esse homem (comandante) que diz “belezinha” pra uma ação cometida sem nenhum profissionalismo?

Se o carro era blindado, como quebraram a janela? Ou seja, já chegaram atirando. Ou os cadáveres já estavam plantados lá dentro (fora a arma). Não há outra explicação.

E as Fotos mostram nitidamente “cadáveres”, mas a matéria diz que foram “feridos”, atendidos posteriormente e não sobreviveram. É um completo “de ja vu” das notícias da ditadura.

O combate à selvageria policial e à violência disseminada exige jornalismo sério.

O que seviufoi a repetição do endosso jornalístico aos massacres da ditadura.

Os vídeos abaixo foram remetidos a mais de vinte jornalistas. O único que deu atenção foi Eduardo Barreto, da coluna de Guilherme Amado, no Metrópolis.

Luis Nassif

10 Comentários

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  1. Cortes e mais cortes de profissionais no jornalismo da mídia corporativa.
    Mais “barato” pagar um estagiário para fazer um texto com a reprodução da versão recebida do que pagar jornalistas investigativos para apurarem a verdade. Assim, a notícia “está dada”!
    E la nave vá…

  2. A situação é crítica.
    Ontem,após a chacina de Blumenau, era comum lermos comentários feitos em sites ou blogs sobre o assassino ainda estar vivo.Muitos desses comentários foram feitos por pessoas que se dizem defensoras da justiça.
    De fato, como cada um de nós reagiriamos se fosse um de nossos filhos? Qual a reação esperada?
    Parece-me que o problema deve começar a ser analisado a partir desta premissa.
    Quais foram os conceitos que foram incutidos em nossa cultura que possibilita que pessoas saiam às ruas para comemorar a morte de alguém?
    Quo vadis?

  3. Conversando com um policial aposentado ele me disse que ERA SOLDADO COMBATENTE. Forma-se o policial com treinamento e doutrinação militar vão querer o que?

  4. Imagine quando o Dr. GPT estiver a toda né? jornalista investigativo pra quê cara-pálida? A comunicação da PM faz o pedido e o Dr Chat responde com uma ‘bela notinha’ na hora, do jeito que o diabo gosta … fica vendo!

  5. Jornalismo no Brasil morreu em 2016, agora estamos só vendo zumbis atrás de audiência (cérebros) e nada vai mudar isso a curto prazo, a imprensa brasileira precisa ressuscitar.

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