19 de junho de 2026

80 anos de Bretton Woods e a necessidade de reformas do FMI

Para economista, é fácil esboçar uma agenda – mas a principal dificuldade seria justamente a sua implementação
Photograph Illustration by Henrik Gschwindt de Gyor/IMF - via flickr IMF

Representantes de 44 países se reuniram em julho de 1944 para negociar o acordo de Bretton Woods, que oficializa a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e a data apenas destaca a urgência de que seja feita uma reforma em suas regras.

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“Algumas reformas necessárias são simples e amplamente aceitas, o que levanta a questão de saber por qual motivo não foram adotadas”, afirma Barry Eichengreen, professor de economia e ciências políticas na Universidade da Califórnia/Berkeley, em artigo publicado no site Project Syndicate.

Entre os pontos considerados simples, estaria a possibilidade de o FMI oferecer aos seus integrantes a possibilidade de alocações anuais de seu instrumento financeiro interno, os direitos de saque especiais – o que poderia ser uma alternativa do dólar como ferramenta de liquidez global ao mesmo tempo em que ajudaria a lidar com os desequilíbrios globais crônicos.

Eichengreen também aponta a necessidade de melhora na organização das reestruturações da dívida para países de menor renda – a última tentativa nesse sentido, o chamado Framework Comum para o Tratamento de Dívidas, fracassou.

Quanto às políticas de crédito, o FMI precisa dissociar o tamanho dos empréstimos de um sistema anacrônico de cotas e reduzir as taxas de juro cobradas aos países de média renda.

O articulista também lista pontos como a insistência na cooperação do governo e das instituições financeiras da China, que “não estão familiarizadas com as responsabilidades de um credor soberano”, afirmando que o país deveria “apoiar reformas para acelerar reestruturações e apoiar iniciativas para reprimir credores”.

Em termos da sua supervisão das políticas dos países, Eichengreen destaca que o FMI precisa resolver a sua aparente falta de imparcialidade; enquanto os países emergentes e em desenvolvimento obedecem a padrões mais exigentes, os países de rendimento elevado, como os Estados Unidos, ficam isentos de responsabilidades.

“ (O FMI) precisa revigorar sua análise das repercussões transfronteiriças das políticas dos grandes países, um processo que os EUA conseguiram reprimir”, destaca o articulista.

Mas, acima de tudo, o economista afirma que o FMI precisa reconhecer que não pode ser tudo para todos. “Sob a gestão de recentes diretores-gerais, (o FMI) ampliou sua agenda, preservando a estabilidade econômica e financeira, para abranger igualdade de gênero, mudanças climáticas e outras questões não tradicionais. Estes não são temas sobre quais os macroeconomistas do FMI tenham experiência (…)”.

Tatiane Correia

Jornalista, MBA em Derivativos e Informações Econômico-Financeiras pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Com passagens pela revista Executivos Financeiros e Agência Dinheiro Vivo. Repórter do GGN desde 2019.

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