Representantes de 44 países se reuniram em julho de 1944 para negociar o acordo de Bretton Woods, que oficializa a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI), e a data apenas destaca a urgência de que seja feita uma reforma em suas regras.
“Algumas reformas necessárias são simples e amplamente aceitas, o que levanta a questão de saber por qual motivo não foram adotadas”, afirma Barry Eichengreen, professor de economia e ciências políticas na Universidade da Califórnia/Berkeley, em artigo publicado no site Project Syndicate.
Entre os pontos considerados simples, estaria a possibilidade de o FMI oferecer aos seus integrantes a possibilidade de alocações anuais de seu instrumento financeiro interno, os direitos de saque especiais – o que poderia ser uma alternativa do dólar como ferramenta de liquidez global ao mesmo tempo em que ajudaria a lidar com os desequilíbrios globais crônicos.
Eichengreen também aponta a necessidade de melhora na organização das reestruturações da dívida para países de menor renda – a última tentativa nesse sentido, o chamado Framework Comum para o Tratamento de Dívidas, fracassou.
Quanto às políticas de crédito, o FMI precisa dissociar o tamanho dos empréstimos de um sistema anacrônico de cotas e reduzir as taxas de juro cobradas aos países de média renda.
O articulista também lista pontos como a insistência na cooperação do governo e das instituições financeiras da China, que “não estão familiarizadas com as responsabilidades de um credor soberano”, afirmando que o país deveria “apoiar reformas para acelerar reestruturações e apoiar iniciativas para reprimir credores”.
Em termos da sua supervisão das políticas dos países, Eichengreen destaca que o FMI precisa resolver a sua aparente falta de imparcialidade; enquanto os países emergentes e em desenvolvimento obedecem a padrões mais exigentes, os países de rendimento elevado, como os Estados Unidos, ficam isentos de responsabilidades.
“ (O FMI) precisa revigorar sua análise das repercussões transfronteiriças das políticas dos grandes países, um processo que os EUA conseguiram reprimir”, destaca o articulista.
Mas, acima de tudo, o economista afirma que o FMI precisa reconhecer que não pode ser tudo para todos. “Sob a gestão de recentes diretores-gerais, (o FMI) ampliou sua agenda, preservando a estabilidade econômica e financeira, para abranger igualdade de gênero, mudanças climáticas e outras questões não tradicionais. Estes não são temas sobre quais os macroeconomistas do FMI tenham experiência (…)”.
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