A expressão “luta de classes” dá uma impressão ruim, quando se pressupõe que qualquer conflito de interesses tem de ser resolvido necessariamente pela força, de maneira violenta, impositiva. Na verdade, isso depende da disposição das partes envolvidas. Numa relação comercial corriqueira, por exemplo, existe o conflito de interesses entre vendedor e comprador. O vendedor quer vender pelo maior preço possível e o comprador quer comprar pelo menor preço possível. Podemos dizer que que há uma “luta” entre a classe “comprador” e classe “vendedor”. Algumas vezes, o comprador consegue impor suas condições (por exemplo, quando o vendedor se vê obrigado a vender algo “na bacia das almas”). Outras vezes, é o vendedor que impõe as condições (por exemplo, quando o comprador não tem opção de buscar o que precisa em outras fontes e se vê obrigado a pagar “qualquer preço”). Mas acontecem também condições em que o conflito é “administrado”, de maneira que comprador e vendedor saem ganhando… Nos tempos do K. Marx (século XIX), as condições em que se dava a relação entre o capitalista (que compra mão-de-obra) e o “proletário” (que vende sua mão-de-obra) era totalmente desfavorável para este último, obrigado a aceitar qualquer coisa em troca do trabalho ou passar fome (sem direitos trabalhistas, sem organização e representação política forte, etc.). Com o tempo, as condições foram mudando. Nos países capitalistas “desenvolvidos”, a classe operária foi incluída como “sócia” do empreendimento capitalista. A luta de classes encontrou meios democráticos de ser “administrada” e o poder de decisão (poder político) ficou menos concentrado nas mãos das classes dominantes, ao ser mais “dissolvido” dentro da sociedade. Assim, a melhor distribuição de renda que esses países têm não ocorreu por “generosidade” da classe capitalista, mas resultou de um melhor equilíbrio de forças, que é o que provoca o diálogo e leva a uma “negociação mais justa”. A luta de classes continua…
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