A polêmica sobre o IUPERJ

Por Geraldo Tadeu Moreira Monteiro

Prezado Luis Nassif,

Diante de comentários que têm sido postados em seu blog, cumpre-me esclarecer seus leitores sobre a natureza do projeto do Novo Iuperj. Em primeiro lugar, não preciso me estender sobre as circunstâncias da crise por que passou o Iuperj em 2010, pois são bastante conhecidas. Entendo as razões que levaram meus colegas à ruptura com a Universidade Cândido Mendes e à sua migração para a Uerj. O diferendo trabalhista entre as partes deverá ser resolvido nos foros apropriados e, por isso, não nos cabe um posicionamento sobre a questão. Em segundo lugar, gostaria de afirmar que as direções do Iuperj e do Iesp têm mantido uma cordial, respeitosa e profícua relação de trabalho, buscando encontrar as melhores soluções para os inevitáveis problemas colocados por uma transição desta magnitude. Aliás, é esse o tipo de relação que se espera de profissionais de alto nível.

O projeto do Novo Iuperj, quer em seus aspectos institucionais quer pedagógicos, em nada contraria os cânones estabelecidos pela comunidade científica através das agências de fomento para a constituição e avaliação de cursos de pós-graduação stricto sensu. Antes pelo contrário, todos os princípios, normas e práticas aceitas pela comunidade acadêmica foram escrupulosamente seguidos na constituição do novo corpo docente, na definição das linhas de pesquisa, das disciplinas e das regras para o funcionamento do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais do Iuperj. Procuramos a coerência da proposta pedagógica, a aderência das linhas de pesquisa às áreas de titulação e de atuação dos membros do corpo docente e à definição de um elenco de disciplinas que privilegie a formação teórica, metodológica e a análise crítica dos problemas socais contemporâneos, em particular do Brasil.

A refundação do Iuperj envolveu, no entanto, mais do que isso. Houve um esforço de redesenho organizacional que implicou a seleção de novos docentes, a implantação de um novo regimento, a incorporação dos cursos de graduação em ciências sociais do antigo Instituto de Humanidades da UCAM, a articulação com os centros de pesquisa existentes (como o Cesec, o Cesap, o Centro de Estudos das Américas e o Centro de Estudos Afro-asiáticos) e a abertura de novas frentes, como a Escola Brasileira de Governo e Políticas Públicas, a ser implantada ainda este ano. A Biblioteca do Iuperj, segunda maior biblioteca de ciências sociais do Brasil, será totalmente reformada e tornada pública, com amplo acesso da comunidade. Os novos docentes têm todas as qualificações necessárias para dar sustentação a um curso deste nível e têm colaborado ativamente na definição dos novos rumos do Iuperj. Temos a convicção de que a nova turma nos trará discentes igualmente comprometidos com o trabalho acadêmico e motivados para executar bons trabalhos de análise social. Um programa de pós-graduação de excelência, embora tenha nos docentes e discentes seu motor, é feito também de uma instituição que gere, sustenta e promove esses corpos, com instalações, equipamentos, material e, principalmente, com uma biblioteca cujo acervo é reconhecidamente único no Brasil.

Com relação à política de financiamento do instituto, pareceu-nos claro que a sustentabilidade só poderia ser alcançada com a instituição de mensalidades, ainda que isso rompa com a tradição de gratuidade da casa. O Iuperj tomou a decisão de não depender de recursos públicos para seu funcionamento regular. Por isso, não somente definimos a cobrança de mensalidades (que foram objeto de pesquisa mercadológica e ajustes financeiros internos para que atingissem parâmetros aceitáveis de mercado), mas ainda abrimos mão das 30 bolsas que a Capes atribui ao nosso programa para que elas sejam realocadas a outros cursos que delas necessitem. O Iuperj já destina bolsas aos novos alunos que forem professores da UCAM, além de estudar a concessão de um número de bolsas para alunos que conjuguem mérito acadêmico e insuficiência de recursos. Não há, aliás, nenhuma irregularidade em uma instituição de ensino privado instituir uma mensalidade por seus serviços educacionais.

Finalmente, não há da parte da direção do novo Iuperj, bem como da Universidade Cândido Mendes qualquer desígnio de empreender uma “ofensiva” para “sufocar” quem quer que seja, mobilizando uma suposta máquina “midiática e financeira” de que não dispomos. Tenho a certeza de que nenhum dos professores do novo Iuperj se prestaria a ser instrumento de qualquer ação neste sentido. O novo Iuperj deseja ocupar o lugar que lhe for devido na comunidade científica do Rio de Janeiro e do Brasil, valendo-se exclusivamente de seus meios e recursos próprios, sem embargar ou denegrir ninguém. Se vamos conseguir o nosso objetivo, só o tempo e o trabalho dirão.

Acreditamos que existe espaço para vários centros de formação e de pesquisa em ciências sociais no cenário nacional, que a diversidade de pólos de reflexão vem em proveito do desenvolvimento da reflexão e que, num ambiente de respeito e colaboração, todos poderão usufruir de seu legítimo direito de expressão.

Cordialmente,

Prof.Dr.Geraldo Tadeu Moreira Monteiro
Diretor-Executivo
Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro
Universidade Cândido Mendes 

Por Adalberto Cardoso

Caro Nassif,

Acompanho com tristeza as mensagens sobre o IUPERJ. Sugiro uma visita à página do IESP-UERJ (www.iesp.uerj.br), onde você encontrará uma carta à comunidade científica do país sobre os passos que demos nos últimos meses para salvar o patrimônio que construímos sob aquela insígnea, e que é maior do que ela. Pertence aos 400 doutores que formamos, aos 200 hoje matriculados nos programas da UERJ e que vieram conosco sem hesitar. Não é verdade que alunos e funcionários do antigo IUPERJ estão à míngua. Estavam quando funcionários da Candido Mendes, com 8 meses sem receber salários. Não é verdade que prejudicamos os alunos. Nosso movimento os teve como referência primeira, e eles estão conosco, todos, sem exceção. São todos alunos da UERJ, por movimento voluntário e solidário.

Não é verdade que recebemos salários líquidos de R$6.200. Trata-se de uma bolsa, sobre a qual descontamos imposto de renda, com a qual pagamos nosso INSS individualmente, sem contribuição patronal, na qual não temos FGTS, férias ou décimo terceiro salário. Não migramos para a UERJ para mamar no erário, como sugerem alguns, que abandonaram o barco ao primeiro sinal do naufrágio. Fizemos isso para salvar um patrimônio construído a duras penas por duas gerações de grandes cientistas sociais, que conseguiram, eles e não o novo IUPERJ, os conceitos 7 na CAPES.

A situação do IUPERJ é mesmo complexa. Há muitos oportunistas se beneficiando dessa complexidade. Sua veia jornalística saberá separar as coisas.

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