4 de junho de 2026

Secretário deve explicar contrato de reforma do Metrô ao MP

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Da Rede Brasil Atual

 
Metrô não consegue resolver problema de sistema eletrônico. Em paralelo, quatro contratos de reforma de 98 trens, objeto de apuração do Ministério Público de São Paulo, estão suspensos por 90 dias
 
por Eduardo Maretti
 
São Paulo – O promotor Marcelo Camargo Milani disse hoje (3) que o secretário de Transportes Metropolitanos do estado de São Paulo, Jurandir Fernandes, tem até 20 de fevereiro para explicar ao Ministério Público de São Paulo convincentemente ou suspender o contrato de reforma do sistema operacional dos trens do Metrô, conhecido como CBTC. Do contrário, “moveremos ação contra ele e também contra a empresa que ganhou a licitação, a Alstom”. O prazo foi pedido pelo próprio governo do estado e pelo Metrô.
 
O sistema de operação CBTC, totalmente informatizado, identifica os trens na tela do computador. Mas o sistema está provocando graves problemas operacionais e o Metrô não está conseguindo fazê-lo funcionar, notícia que a RBAdivulgou ao longo de todo o ano passado, versão sempre negada ou atenuada pela empresa. “Nos testes, os trens abrem a porta e desaparecem da tela. Os operadores não sabem onde o trem está. Por isso cunharam o apelido de trem-fantasma. O CBTC é um dos principais motivos dos atrasos no cumprimento dos contratos”, esclarece o promotor.

 
Além disso, Milani anunciou que estão suspensos, por 90 dias, quatro dos dez contratos firmados para reforma de 98 trens das linhas 1 e 3 do Metrô. Nesses contratos, o MP “verificou indícios de que eram viciados e de que existia ausência de competitividade”. Em outras palavras, formação de cartel, denúncia que foi encaminhada ao órgão pela primeira vez em 2008, mas que só começou a vir à tona no ano passado por meio de reportagens. Questionado sobre se já está configurada, na opinião do MP-SP, a formação de cartel nos contratos de reforma dos trens, Milani afirmou que “no fundo, sim”.
 
No começo de dezembro, o MP recomendou ao Metrô paulistano a suspensão dos dez contratos para reforma dos 98 trens das linhas 1 e 3. “O Metrô acolheu a recomendação e na data de hoje suspendeu 4 contratos por 90 dias. São os contratos cujas reformas estão por fazer.”
 
Segundo o promotor, a partir de amanhã as empresas envolvidas nos contratos começarão a ser convocadas. “Primeiro, para entregarem os dez trens que estão nos pátios dessas fábricas; e, segundo, vamos procurar outra resolução para os trens ainda não entregues. Se as empresas não cumprirem o que pedimos em audiência, isto ensejará numa eventual posterior ação por parte do Ministério Público para cobrar o prejuízo que já está constatado. Vamos fazer um levantamento do já pago, do que já está nas fábricas e do que resta ser cumprido para chegar aos valores”, explicou. “Em não cumprindo, não está descartado o pedido de dissolução dessas sociedades objeto desses contratos.”
 
Segundo o promotor, dos 98 trens, 46 foram entregues e dez estão nos pátios das empresas em reforma. A reforma dos outros 42 trens só será executada “se as empresas pagarem o prejuízo causado”.
 
O MP estima que os contratos – cujo valor chega a R$ 2,5 bilhões – suspeitos de formação de cartel provocaram prejuízo estimado de R$ 800 milhões aos cofres públicos.
 
Os quatro contratos suspensos, firmados em processo que foi dos anos 2008 a 2009, são os seguintes: ModerTrem (Alstom e Siemens); BTT (Bomberdier, Tejofran e Temoinsa), consórcio Reformas Metrô (Alstom e Iesa) e MTTrens (MPE, Projetos Especiais e Temoinsa), segundo o promotor.

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7 Comentários
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  1. José G. Baccarin

    4 de fevereiro de 2014 11:33 am

    Técnica Tucana

    Vai ver que foi essa competência técnica que o FHC ressaltou em seu artigo de 3 de fevereiro no estadão.

    pelo meu lado, entendo que os tucanos têm muita copetência para fazer bons contratos, no sentido de agradar e enriquecer indevidamente grandes empresas e empresários. Se há gorjeta, esperemos (ou melhor, torçamos para que aconteçam) as apurações da justiça.

  2. antonio francisco

    4 de fevereiro de 2014 11:38 am

    Cartel deve pagar prejuízos, diz promotor

    http://br.noticias.yahoo.com/promotor-pede-cartel-pague-preju%C3%ADzo-101600162.html

    O promotor estadual Marcelo Milani, responsável por parte dos inquéritos civis do cartel em São Paulo, deu prazo de 90 dias para que as empresas contratadas para reformar 98 trens das linhas 1 (Azul) e 3 (Vermelha) do Metrô paguem pelos prejuízos que ele sustenta ter havido nos respectivos contratos. Milani afirma que, caso isso não ocorra no prazo, ele irá ajuizar uma ação por improbidade administrativa e pedir a dissolução das empresas.

    Tem mais, no link

  3. J. Alberto

    4 de fevereiro de 2014 12:20 pm

    Longe de mim…

    … defender a quadrilha tucana, mas o CBTC já opera em testes comerciais aos domingos, portanto não creio que o Metrô esteja colocando o sistema pra operar com passageiros em trens que “somem” do painel de controle da companhia. Sei lá, só acho… Talvez o problema já tenha sido contornado.

    Mas com esse “xoque de jestão” que já dura 20 anos é melhor não duvidar…

  4. luiz c

    4 de fevereiro de 2014 12:39 pm

    Salvo engano a questão do
    Salvo engano a questão do trem fantasma vem desde arautos de 2012, quando foi inaugurada a operação comercial do trecho sacomã – vila prudente da linha 2. O problema já é notório e conhecido por todo o pessoal da operação do Metrô, sendo que na época que constataram isso um acidente bem feio quase ocorreu

  5. luiz c

    4 de fevereiro de 2014 12:49 pm

    Complementando: me assusta
    Complementando: me assusta muito só saber que se preocuparam com isso.

  6. AlvaroTadeu

    4 de fevereiro de 2014 12:56 pm

    Nosso orgulho, nossa vergonha.

    Até a metade dos anos 90, nosso pequeno metrô nos enchia de orgulho. Limpo, confiável, seguro, pontual. Dava até para acertar o relógio com base no horário dos trens. De repente, pararam os investimentos, o sistema parou no tempo e no espaço. Aguentou-se mais ou menos, o alto desemprego congelou o número de passageiros por 8 anos. O metrô não investia, mas o movimento não crescia, estava tudo bem para seus dirigentes. Eis que um presidente com outra visão de Brasil é eleito, privilegiando o emprego e a renda. O Brasil cresce, o desemprego cai e os novos empregados correm para o metrô. Este não estava preparado. Aí, começam os problemas. Obras atrasadas, acidente com mortes, pela primeira vez em 30 anos. Sete mortes na Estação Pinheiros do Metrô, janeiro de 2007, carros canabalizados e fora de condições. Em 2010 são comprados ou reformados novos trens. Serra, no governo do estado, gasta tanto com a propaganda dos novos trens do que dava para comprar um composição inteirinha (R$ 9 milhões de reais de propaganda do Metrô naquele ano).

    A competência do PSDB cantada em verso e prosa pela nossa imprensa mesquinha e desonesta fica patente nas obras da Estação Oscar Freire: em 2002 a obra estava em ritmo acelerado. Perderam as eleições, não investiram mais um tusta nela. Até hoje, DOZE anos depois, não está pronta e não ficará neste ano de 2014. Se a Pirâmide di Gizé demorou 20 anos para ser construída, sem computador, com operários analfabetos, sem retroescavadeiras e sem concreto, que os antigos egipcios não conheciam, por que a Estação Oscar Freire nunca fica pronta? Em tempo: NÃO HÁ problemas geólogicos no local que já não tenham sido resolvidos há mais de 40 anos. Só há uma contestação: INCOMPETÊNCIA.

  7. lenita

    4 de fevereiro de 2014 3:07 pm

    Maluf

    A comparação entre as obras feitas pelo Maluf e aquelas feitas pelos tucanos (ambos ladrões de primeira), mostra que, pelo menos, as obras do Maluf eram muito bem feitas: Metrô, Estação Rodoviária, algumas vias, dentre outras , eram de alto padrão. Embora ache que ele deveria estar atrás das grades, assim como espero que num futuro próximo, os tucanos tb estejam

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