Guedes quer reduzir desigualdades tirando renúncia fiscal em saúde e educação

Após o corte nas universidades públicas, é a vez de cortar investimentos da classe média em educação e também saúde

Foto: Carolina Antunes/PR

Jornal GGN – Após o contingenciamento por decreto do presidente Jair Bolsonaro contra as universidades públicas do país e instituições de ensino superior, agora será a vez da educação básica e da saúde da classe média brasileira que serão afetadas.

A próxima proposta bomba apresentada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, é retirar da dedução do imposto de renda os gastos com saúde e educação. Ao ser questionado pelo Congresso Nacional durante uma audiência, nesta terça-feira (14), o que o governo faria para diminuir as desigualdades no país, essa foi a solução encontrada por Guedes.

O ensino superior público, gratuito, já será visivelmente afetado pelos cortes anunciados pelo ministro da Educação, Abraham Weintraub, após o decreto feito por Jair Bolsonaro. Mas para diminuir a desigualdade, o governo irá não somente impactar a educação pública, como também a privada.

No modelo que Guedes informou que está sendo estudado, o governo prevê baixar todas as alíquotas do Imposto de Renda e acabar com as deduções. “É um tema caro para a classe média, que gasta com saúde e educação de seus filhos”, admitiu, na Comissão Mista de Orçamento (CMO).

Segundo o “guru da Economia” do atual governo, é uma saída porque é “paradoxal” que “os mais pobres, que são milhões e milhões, gastam 100 (bilhões de reais com o SUS) e você deixa para os mais favorecidos levarem R$ 20 bilhões”. “Claro que há algo errado aí. Claro que tem que se olhar isso”, continuou.

A referência dada é porque este ano o governo de Jair Bolsonaro deixará de arrecadar R$ 20,098 bilhões em imposto pelas deduções, que incluem principalmente serviços de educação e de saúde pagos pela população.

Mas na proposta de Jair Bolsonaro, não está o aumento da tributação para grandes fortunas e classe alta. Ao contrário, além de cortar o benefício da dedução que reduz os gastos – uma necessidade da classe média, e não dos mais ricos, Guedes propõe rever as renúncias fiscais ainda para entidades sem fins lucrativos.

Sem usar como exemplo ONGs e outras entidades que dependem da renúncia fiscal para sobreviver no país, o ministro da Educação mencionou o hospital da classe alta Albert Einstein: “Os mais favorecidos quando ficam doentes vão para o Einstein, e o Einstein não paga imposto”.

“À medida que o país fica mais apertado, você tem que escolher onde vai reduzir. E isso é uma questão seríssima. Deixa isso aí para frente, mas vai ser discutido. Há a proposta de reduzir alíquotas para tirar todas as deduções”, incrementou Paulo Guedes, sem mencionar que a preferência adotada pelo governo foi começar pelo corte na educação pública e, em seguida, pensará em cortar no incentivo obtido pela classe média na educação privada.

Esses e outros temas devem entrar na pauta de votações do Congresso Nacional, mas após ser aprovada a reforma da Previdência.

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