A deputada que reagiu ao assédio: Isa Penna no Cai na Roda deste sábado

Durante a entrevista, Isa Penna também comenta sobre o cenário eleitoral para 2022 e defendeu uma frente única para derrotar Bolsonaro. Assista

Jornal GGN – A deputada estadual de São Paulo, Isa Penna (Psol) é a convidada do Cai na Roda, programa tocado pelas jornalistas mulheres da redação GGN, deste sábado, 26 de junho. Advogada trabalhista, feminista e militante dos direitos LGBT, ela fala sobre o assédio que sofreu no final de 2020 na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) e a luta contra o autor do crime, o deputado estadual Fernando Cury (Cidadania). O programa vai ao ar às 20h, na TV GGN.

Em 17 de dezembro do ano passado, durante uma sessão sobre o orçamento do estado, Cury passou a mão no seio da parlamentar. O ato foi registrado pelas câmeras da Alesp, ação fundamental para a denúncia de Isa Penna, que relatou ao Cai na Roda como esta foi uma situação traumática. “Mexeu muito com a minha vida, desde que aconteceu minha vida não é mais a mesma (…) Você fica um tempo grande com uma reação pós-traumática”, conta.   

A deputada, no entanto, destacou que este não foi o primeiro assédio que sofreu no ambiente político, que é “hegemonicamente masculino” e as mulheres encontram dificuldade “de se impor, de ter a sua opinião escutada e valorizada”. 

“Muita gente me conheceu pelo caso do assédio [do Fernando Curry], mas eu venho de uma trajetória de alguns anos no movimento feminista e, além disso, eu gosto de dizer que eu sou a deputada que reagiu ao assédio, porque várias deputadas já sofreram assédio. O ambiente político, seja o da política institucional ou dos partidos e dos movimentos sociais, é bastante machistas”, explica. 

Em certo ponto da entrevista, Isa Penna dispara: “Eu já fui muito assediada no parlamento, na Câmara Municipal de São Paulo já tirando fotos minhas, ficaram me aterrorizando por diversas razões, uma vez abri minha bolsa e tinha um papel enrolado com algo que parecia ser sémen”. 

No início de 2017, veio à tona um dos casos sofridos pela parlamentar na Câmara Municipal de São Paulo, quando foi vereadora suplente do mandato de Toninho Vespoli (PSOL). Na época, ela foi agredida verbalmente e ameaçada pelo também vereador Camilo Cristófaro (PSB). “Ele falou que iria me bater na rua, me chamou de vadia e terrorista”, afirma. 

Apesar das denúncias, o vereador Camilo Cristófaro saiu ileso, já Fernando Curry teve o mandato suspenso, em uma decisão histórica. “Diante de todas essas circunstâncias que eu relatei, é a primeira vez na história do Brasil que um deputado é penalizado por um assédio. Então a vitória é que ninguém conseguiu ‘varrer pra debaixo do tapete’. Eu já tinha um caso lá atrás que arquivaram, mesmo com as provas contra o vereador Camilo, que inclusive se reelegeu. Então, veja, alguém que na minha primeira semana como vereadora passou por tudo isso, e quatro anos depois passei de novo, uma situação muito pior, mas pelo menos dessa vez não conseguiram fingir que nada tinha acontecido”, desabafa.

Isa Penna também comenta que “o lado mais positivo dessa situação” foi sua coragem de reação, “porque isso mostrou [o que deve ser feito] para as mulheres que não sabem como reagir”. 

A parlamentar também destaca a mobilização feminina em sua defesa. “Apesar de eu ser uma deputada notoriamente de esquerda, feminista e socialista, a amplitude do apoio que eu recebi se deve ao fato de que as mulheres de todo o espectro político já passaram por alguma situação parecida e isso fez com que emergisse aquela onda de indignação”, explica. 

A União para derrotar Bolsonaro em 2022

Questionada sobre o cenário eleitoral para 2022, Isa Penna defendeu uma frente única de campanha para derrotar Jair Bolsonaro (sem partido) nas urnas.

“Nós temos uma tarefa agora que é estratégia: derrotar o bolsonarismo primeiro nas urnas e tirar a máquina do estado das mãos do facismo”, explica. 

Com isso, “caso o Bolsonaro não fique inelegível, tem que ser uma campanha unificada desde o primeiro turno”, diz. Neste caso, “ o Psol tem que apoiar a campanha do Lula”, afirma a deputada. 

Participaram desta entrevista Lourdes Nassif, Cintia Alves, Tatiane Correia e Ana Gabriela Sales. Assista

Sobre o Cai na Roda

Todos os sábados, às 20h, o canal divulga um novo episódio do Cai Na Roda, programa realizado exclusivamente pelas jornalistas mulheres da redação, que priorizam entrevistas com outras mulheres especialistas em diversas áreas. Deixe nos comentários sugestão de novas convidadas. Confira outros episódios aqui:

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