TV GGN 20 horas: os brasileiros na rua contra Bolsonaro e a privatização da Eletrobras

Luis Nassif entrevista Raimundo Bomfim, coordenador da CMP (Central de Movimentos Populares) e Ikaro Chaves, Diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras

Jornal

O programa começa com os dados sobre a covid-19 no Brasil: foram registrados 49.768 novos casos no país. A média chegou a 60.140, queda de 6,7% ante a média de sete dias e de 3,7% sobre o visto há 14 dias.

Quanto aos óbitos, 1.186 pessoas perderam a vida para o vírus. A média chegou a 1.819 vidas mortes, queda de 6,9% ante sete dias, e queda de 5,8% ante a média de 14 dias.

O primeiro tema relevante do programa envolve o escândalo em torno da privatização da Eletrobras. Para tratar do assunto, Nassif conversa com Ikaro Chaves, diretor da Associação dos Engenheiros e Técnicos do Sistema Eletrobras (ANESEL).

“(A privatização da Eletrobras) é um escândalo. Um escândalo, uma das maiores negociatas da história do Brasil”, afirma Chaves. “A gente às vezes custa a acreditar na maneira como eles estão querendo fazer, uma privatização que foi feita para beneficiar determinados grupos de interesses e, principalmente, o setor financeiro”.

Segundo Chaves, a proposta também conta com uma situação inusitada: “a privatização vem junto com a descotização das usinas, o que vai aumentar a conta de luz. Então, não é só uma venda, é uma venda casada com uma extorsão dos brasileiros”, diz Ikaro.

Ikaro Chaves afirma que a Eletrobras “fez parte do espólio do golpe de 2016, claramente. E os diversos grupos que participaram claramente daquele golpe em 2016, cada um pegou o seu quinhão (…) A Eletrobras, claramente estava reservada para a turma do Lehmann”, afirma Ikaro

“Só que o negócio ficou tão grande, tão atrativo, que outros grupos participam. Então, hoje a gente pode dizer que existe um interesse muito grande não só do Grupo 3G, mas de vários fundos, do sistema financeiro nacional inclusive nessa privatização, como o próprio BTG”, pontua o diretor da ANESEL.

Segundo Ikaro, a proposta atual de privatização é muito pior do que a apresentada na época do governo FHC. “Na época do FHC, ele queria vender mas ele queria vender separadamente”.

“O que esses caras querem fazer é vender a Eletrobras, que vai ter um poder de mercado enorme, mas nas mãos de setores privados, e ainda com esse escândalo da descotização que vai fazer com que ela tenha lucros absurdos”.

Sobre a MP que trata do tema, Ikaro lembra que o relatório chegou à Câmara dos Deputados no mesmo dia de ser votado. “Você imagina um deputado que, evidentemente, a grande maioria não é especialista do setor elétrico, eles nem leram (…) Ele (o relatório) chegou na noite da votação, uma coisa absurda, escandalosa – eles não leram, não teve nenhuma audiência pública, e o governo não apresentou nenhum estudo sobre o impacto da privatização na tarifa e sobre o impacto da privatização no mercado”, lembra Ikaro.

O governo federal não efetuou os cálculos sobre o impacto da privatização da Eletrobras na conta da luz. Mas a AESEL fez. “Em 2017 a Aneel havia feito um estudo e chegou à conclusão que, só o processo de descotização, levaria a um aumento médio de 16,7% (…) Pelo nosso estudo, o aumento agora seria da ordem de 14% na conta de luz”.

Contudo, Ikaro afirma que existe um detalhe importante: a usina de Tucurui, que é uma usina muito grande, não estava no projeto de privatização do governo Temer. Ela entrou agora.

“Como é uma usina muito grande, o Brasil teria uma redução, esse ano (se ela fosse renovada pelo sistema de cotas, como prevê a lei), o Brasil teria uma redução de 10% na conta de luz só por causa da renovação de Tucuruí no sistema de cotas – no projeto deles, não vai ter essa redução (…) Com os jabutis que foram colocados, com as térmicas, vai aumentar mais 7% – nós fizemos os cálculos e, no final das contas, 33% a mais na conta de luz do brasileiro só por conta disso, sem nenhum benefício”, afirma Ikaro Chaves.

“Privatizar a Eletrobras é uma coisa ruim, só que esse projeto é a pior maneira possível de fazer uma coisa ruim. E na Câmara, conseguiram piorar ainda mais. É um monstro que pariram ali”, ressalta Chaves.

“A Eletrobras tem R$ 15 bilhões em caixa, parados. Paga dividendos para acionistas privados e para a União. Então, a Eletrobras, ela tem dinheiro mas não investe – é muito parecido com o que aconteceu na época do FHC nesse aspecto (…)”.

Segundo o representante da ANESEL, a Eletrobras desde 2016 não investe praticamente nada. “Antes do golpe, a Eletrobras investia dez, onze bilhões por ano. Agora, ela investe três”, diz. “E a iniciativa privada também não investiu. Resultado: estamos caminhando para um novo apagão, talvez neste ano, no ano que vem, no mais tardar em 2023 nós vamos ter um racionamento. Não tem como, porque não tem usinas sendo construídas”, afirma.

“A única política energética desse governo é privatizar, seja no setor de petróleo, seja no setor de energia elétrica. A única coisa que eles querem fazer é privatizar (…)”, diz Chaves, da AESEL. “O que há no Brasil é um apagão de investimentos, a Eletrobras foi proibida de investir justamenta para justificar sua privatização, e agora com a crise hídrica, algo sazonal, algo que sempre acontece, a gente corre um risco enorme”, ressalta Ikaro.

Manifestações Fora Bolsonaro

Sobre as articulações programadas no Brasil contra Bolsonaro neste sábado, Nassif conversa com Raimundo Bomfim, coordenador nacional da CMP (Central de Movimentos Populares)

“Nós decidimos (realizar o ato) no dia 11 de maio, em uma plenária de 500 dirigentes de partidos políticos, movimentos, de centrais sindicais”, diz Bomfim.  “Temos um espaço em âmbito nacional que se chama Campanha Fora Bolsonaro, que reúne as duas frentes: a Frente Brasil Popular, que reúne cerca de 80 entidades, mais a Povo Sem Medo, que reúne cerca de 35, quase 40 entidades”

“Então, estamos falando de um conjunto de 100 entidades, entre movimento popular urbano, centrais sindicais, movimentos do campo, partidos políticos (…) Essa mobilização de amanhã é construída, coordenada por esse arco de aliança (…)”.

Os últimos dados computados pelos organizadores apontavam 205 manifestações confirmadas pelo Brasil. “Estamos falando de cerca de 200 cidades no Brasil, incluindo todas as capitais, cidades médias, e cerca de 12 cidades no exterior”, diz Bonfim.

“Eu acompanho essas movimentações há muito tempo, e não me lembro de um Dia Nacional de Luta, de Mobilização que alcançou todas as capitais e cidades médias. É uma coisa impressionante como o povo está entalado na garganta de dar um basta nessa situação”, diz Raimundo.

“As pessoas falam ‘vocês são loucos, convocando manifestação?’. Ocorre que um lado declarou guerra. Quando um lado declara guerra, que é a morte do seu povo, da sua nação, nós vamos ficar quietos?”, pergunta o coordenador da CMP. “Lógico que nós não vamos de peito aberto, nós vamos tomando todas as providências, todos os cuidados. Nas redes sociais tem um manual de como as pessoas se comportarem, levar álcool gel, levar mais de uma máscara. Todos os atos são em locais abertos, em praças”.

“Nós fomos obrigados. Nós não queríamos tomar essa decisão, mas diante da situação que, a cada dia, se atrasa o processo de vacinação, quase 15 milhões de desempregados, aumento da fome e da miséria e o presidente zombando da vida do povo”.

A lista completa com os locais onde os atos públicos serão realizados no Brasil e no exterior pode ser vista no site da Central de Movimentos Populares – https://cmpbrasil.org/

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