TV GGN 20hs – CPI da COVID: começa a identificação dos culpados

Luis Nassif e Marcelo Auler falam sobre o que a CPI da Pandemia desvendou até agora. Participa também Luiz Melchert para falar sobre o 5G.

Jornal GGN – O programa começa apresentando os dados da covid-19 no Brasil: nesta sexta-feira, foram 91.182 novos casos. A média diária chegou a 41.087, 13,6% a menos que o visto há sete dias, e -21,1% em relação a 14 dias. Quanto ao total de óbitos, 2.912 pessoas perderam a vida para a covid-19. A média diária foi de 1.244, queda de 10,5% ante o visto há sete dias, e -19,4% a menos ante 14 dias.

Um dos assuntos do dia foi a última edição do TV GGN Jurídica, que abordou o que já existe de positivo em relação à CPI da Pandemia. Para discutir a respeito, Nassif conversa com o jornalista Marcelo Auler.

“Em 2018, nós todos nos assustamos quando o Eduardo Bolsonaro, em uma palestra na campanha, ameaçou que com um cabo e dois soldados, ele fecharia o Supremo Tribunal Federal”, disse Auler.  “Pois bastou um cabo e um funcionário efetivo, concursado, do Ministério da Saúde, para derrubar todo o Estado Maior do Pazuello no Ministério da Saúde”.

Segundo Auler, o depoimento do cabo Luiz Paulo Dominghetti, acrescido dos detalhes apresentados por Cristiano, “é o grupo do qual o Omar Aziz falou, e do qual o Braga Netto tentou se defender. Estes são os membros do lado podre das Forças Armadas”.

“E o Pazuello apareceu hoje, negociando logo com a Coronavac, que o Doria – adversário do Bolsonaro – comprou a preço acessível. Ele (Pazuello) comprando a preço três vezes maior”, ressalta Auler. “Eu acho que a CPI desvendou um grande esquema e esse esquema de corrupção, pela notícia de hoje, e pela notícia que o próprio Cristiano deu que outras pessoas estavam tentando vender, acho que poderão surgir novos esquemas sim (…)”.

Corrupção e Davati

Após detalhar os esquemas envolvendo o financiamento da ultradireita, as chamadas ‘franquias de picaretas’ e até mesmo o modo de organização de tráfico, Nassif contextualiza a questão envolvendo o caso Davati.

“A Davati foi uma empresa que foi montada em cima de um fundo para novos empreendimentos. Esse fundo foi montado, pega um dinheiro”, diz Nassif citando reportagem do Jornal GGN que pode ser lida clicando aqui.

“No segundo passo, o que ele faz – ‘precisamos pegar picaretas do mundo inteiro para conseguir contratos com os governos para nos passar’. E, em cima do contrato, eles poderiam dar mil golpes. Podiam levantar dinheiro, podiam na hora de entregar vacina – falavam em AstraZeneca, não tinha AstraZeneca. Mas, na hora de entregar vacina, os governos depois que foram passados para trás poderiam aceitar qualquer coisa”, diz Nassif

“Esse cara, o que ele faz: ele consegue aventureiros no Canadá, consegue aqui e daí aparece um outro esquema, que surge simultaneamente a essas estruturas da ultradireita, que são esses evangélicos fundamentalistas”, explica Nassif

“Você pega, por exemplo, essa Secretaria do reverendo (SENAH – Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários). Ele indica para o cabo, para a Davati, ele indica Paraguai, Arábia Saudita – ou seja, toda essa estrutura de picaretas que se montam no mundo em torno desses governos de ultradireita”.

“E aqui, quando você chega no Ministério da Saúde, você tem três esquemas que surgem: o esquema nativo, que é o esquema Precisa/Global ligado ao centrão, ligado ao Ricardo Barros, que controla o Departamento de Logística”, afirma Nassif. “E aparece esse esquema Davati com vários, com dois representantes comerciais. Quando chega a Davati no Ministério da Saúde, todo mundo começa a passar a perna no outro e ter contato direito para ter as comissões. E daí entra coronel Guerra, coronel disso, daquilo”.

“E onde que entra o ponto central dessa CPI: entra quando você tiver as comunicações entre o Palácio do Planalto, no tempo em que o ministro da Defesa fazia articulação em torno da covid, com o Ministério da Saúde. Quando chegar isso aqui, você tem a explosão final”

“E é o que o Braga Netto teme”, disse Auler. “As ordens que ele passou – porque o ministro da Saúde, na verdade, era o Bolsonaro. Não sei se o Bolsonaro entrou nesse esquema de vacina, mas o ministro da Saúde era o Bolsonaro. Ele (Bolsonaro) não deixou comprar a coronavac, depois estavam negociando a coronavac. Cadê ‘um manda, o outro obedece’? E o Braga Netto era o elo, o próprio Pazuello admitia que não estava com o presidente toda semana”.

“Em plena pandemia, gente morrendo pra tudo quanto é lado, e o ministro da Saúde não falava com o presidente toda semana. Se fosse um governo sério, falaria todo dia”, afirma Auler. “Ele estava comandando para atrasar a compra de vacinas oficiais, mas o intermediário ao que tudo indica era o Braga Netto, que passou a presidir aquele conselho do covid quando o Teich dança e entra o Pazuello”, diz Nassif.

“Você tem um escândalo aí que não tem como – e o ministro da Defesa, como é que fica? O ministro da Defesa que é suspeito, que era o cara que articulava tudo isso, que comandava, e o Pazuello seguindo ordens, boicotou a compra oficial de vacinas e estimulou compras paralelas”

“Ele (Braga Netto) articula uma nota do alto comando para atrapalhar uma investigação que, no fundo, vai bater nele como uma das peças-chave. Como é que faz?”, diz Nassif

“A CPI, em um primeiro momento, deixou claro o total descaso do governo com a pandemia. Recorrendo para cloroquina, recorrendo para outras coisas, evitando a vacina”, afirma Auler.

“A história dos 81, que parece que são mais de 100 e-mails da Pfizer oferecendo vacinas sem resposta, nós só soubemos por causa da CPI”, explica Auler.

“E isso muda, muda na cabeça das pessoas, saber isso muda a interpretação de tudo. Quem duvidava que o governo estava fazendo pouco caso não pode mais duvidar”, ressalta Marcelo Auler

Tecnologia 5G e geopolítica

Outro ponto abordado no programa é a tecnologia 5G, cuja implementação levou a uma briga dos Estados Unidos para impedir que os chineses entrem no Brasil, alegando razões de segurança geopolítica.

Para falar sobre o tema, Nassif conversa com Luiz Melchert, que mostra o outro lado da questão da segurança e da geopolítica.

“A própria internet nasceu nas Forças Armadas norte-americanas, nos anos 60 (…) O que aconteceu foi o seguinte: eles abriram para a população, a Internet, mas mantiveram no governo americano a IANA – Internet Assigned Numbers Authority”.

“Quer dizer, a IANA é que destina todos os IPs do mundo (…) Hoje, a IANA tem um poder fantástico. Se ela quiser, ela desliga um país. Ela simplesmente tira do ar um bloco IP, e o país está fora do ar”, diz Melchert

“Desde 2010 que a China está tentando forçar os EUA a entregarem a IANA para uma organização supra-nacional, provavelmente a ONU. E os EUA não querem perder esse poder. E a 5G vai aumentar muito esse poder”, diz Melchert

“Como o 5G é 15 vezes mais rápido do que as mais rápidas das internets atuais, e ele usa o IP de seis blocos (…) Você imagina se isso tudo continua na mão da IANA: a IANA desliga o Brasil e pronto, carro autônomo sai batendo, nenhuma transação bancária é feita” “A questão é que isso é uma arma de dissuasão – eles não precisam fazer isso para assustar (…) E outra coisa: a IANA dentro dos EUA é uma forma de espionagem (…) Não existe informação que seja secreta para os americanos”, ressalta Melchert. “Na minha opinião, fechar com a tecnologia americana é suicídio”

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