TV GGN com Boulos: “Nós temos mais casa sem gente do que gente sem casa”

"Nós temos 7 milhões e 700 mil famílias sem casa. Esse drama coexiste com o fato de a gente ter 7 milhões e 900 mil imóveis abandonados no Brasil"

Foto: Mídia Ninja

Jornal GGN – “Nós temos 7 milhões e 700 mil famílias sem casa. (…) Esse drama coexiste com o fato de a gente ter 7 milhões e 900 mil imóveis abandonados no Brasil. Olha que loucura, nós temos mais casa sem gente, do que gente sem casa”, afirmou Guilherme Boulos, coordenador do MTST e candidato este ano à Prefeitura de São Paulo pelo PSOL, em chapa com Luiza Erundina.

O cenário sobre a habitação no Brasil foi exposto pela liderança da esquerda em entrevista ao vivo ao jornalista Luis Nassif, na série Refundação da TV GGN, desta quarta-feira (05). Boulos lembrou que o problema estende a lógica de investimento em programa habitacional.

“Historicamente os programas habitacionais não deram conta, porquem era baseados no crédito. São programas de uma lógica bancária. Então é um financiamento habitacional, mais facilitado, mais popular, mas exige que quem entre seja sujeito de crédito. E gera e amplia a especulação imobiliária. É a financeirização da moradia. Trata a moradia como ativo financeiro e exclui a enorme maioria. Lembrando 92% do défict habitacional brasileiro são famílias que ganham menos de 3 salários mínimos”, destacou.

Entre as políticas defendidas, está a da construção da que considera ser a “minimamente civilizada”, distoando do que chama de políticas de “barbárie” e “atraso”. Que inclui a desapropriação dos imóveis abandonados e ociosos, em política que está garantida pela legislação brasileira, e investimento na política de habitação popular, que pode incluir o modelo de locação social, que concede à população o direito de posse e não o direito de propriedade, evitando assim o repasse dos imóveis novamente ao círculo da especulação imobiliária.

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Assista à entrevista completa:

 

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2 comentários

  1. Até agora, não tive a pachorra de assistir os 50 minutos da Live com Guilherme Boulos.

    Li o resumo do Jornal GGN e não há dúvida, para avançar na direção de uma São Paulo mais civilizada, a chapa certa é a de Guiherme Boulos e Luisa Erundina. A mesma posição manifestada pelo cientista político André Singer, ex-porta voz do governo Lula.

    Moradia popular não pode ser tratada como um ativo financeiro, a ser adquirido por famílias com renda de até 3 S.M., numa operação de crédito bancário, e pagar juros bancários durante 20 a 30 anos.

    Este modelo é inviável economicamente e socialmente perverso. Estas famílias não tem garantia de renda durante este longo período. Com isto é real a possibilidade das famílias se tornarem inadimplentes e terem o imóvel tomado pelo banco.

    Com renda até 3 S.M., estas famílias de renda instável, em vários períodos, tem que escolher usar sua renda mensal ($$) entre passar fome ou pagar a mensalidade do financiamento habitacional.

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