Cristiane Alves e Nossas Vidas Pretas no Cai na Roda deste sábado (10)

Feminista, mulher negra na luta antirracista e colunista do GGN, conta sobre seu primeiro livro e esclarece pontos centrais da luta antirracista. Assista

Jornal GGN – A 50ª edição do Cai na Roda, programa tocado pelas mulheres da redação GGN, conta com a participação da professora de geografia, especialista em Educação Especial na área de Altas Habilidades e gestora ambiental, Cristiane Alves. Feminista, mulher negra na luta antirracista e colunista do GGN, ela lança seu primeiro livro, “Nossas Vidas Pretas”, no próximo dia 7 de agosto, um projeto que ganhou vida por meio do apoio de amigos das redes sociais, que acompanhavam suas histórias. O programa vai ao ar às 20h, na TV GGN. 

“Esse primeiro livro conta a vida, não a minha vida, mas a vida na qual eu me insiro e acabei sendo produzida. São as minhas observações, as minhas vivências e ele aparece pra mim como uma forma de exorcizar sofrimentos, angústias e trazer de volta também coisas que são boas, porque embora tenha toda uma descrição de vivências difíceis, também tem alegria nessas coisas todas”, conta a escritora. 

Alves explica que o processo de criação de “Nossas Vidas Pretas” se fez aos poucos, de “forma terapêutica, de reencontro e também de desconstrução de coisas ruins”. “O livro foi sendo tecido aos ‘pouquinhos’, com a ajuda de todas as pessoas que me escutaram, que me leram, que participaram comigo, todos os meus amigos do Facebook, que são os meus reais amigos e são parte dele”, diz.

“Eu sempre digo que a escrita é uma construção coletiva, como todas as coisas que a gente faz a partir de quando nós nascemos. Então esse livro não é meu, esse livro é nosso, são de todas as pessoas que eu convivo e, no final das contas, todas as vivências das pessoas no Facebook também me deram bagagem para que eu pudesse falar das minhas”, explica. 

Para a satisfação daqueles que a leem, Alves tem um segundo livro pronto e que deve chegar ao público em breve. Em “Vidas Marias”, o feminismo vem à tona, por meio da história de diversas mulheres. “Este é um livro também sobre pessoas, sobre a vida, são muitas marias, porque eu digo que a vida é maria, maria é o comum, maria é ser humano, ser mulher é ser maria, e cada uma delas tem uma características completamente diferente [uma das outras]”, aponta a escritora. 

“Mas esse livro não tem uma preocupação com uma linha de tempo, ele vai e volta, porque ele fala de pessoas e as pessoas vivem o todo, independente do momento histórico”, ressalta Alves. 

Lugar de fala 

Em meio ao levante da luta antirracista, Alves também esclarece a poderosa expressão do “lugar de fala”. Ela ressalta a importância do debate e, ainda mais, do lugar da escuta neste cenário.

“Não se constrói nada quando um só fala e o outro só escuta, nós construímos tudo na base do debate, do conflito, naquilo que surge como resultado das interações. Agora, a diferença é quando o outro quer assumir aquilo que eu posso dizer, o que eu posso sentir”, diz.

“Em relação ao lugar de fala, que as pessoas acham – inclusive – que nós não damos o direito dos outros atuarem, que tiramos o direito dos outros lutarem conosco, isso é equivocado, porque o que nós estamos dizendo é: Nós queremos te dar o lugar da escuta, o lugar da alteridade, nós queremos compartilhar com você a luta, mas eu preciso que você pare e me escute, não interrompa, porque nós já ficamos por séculos interrompidos e também nós não estamos pedindo que você nos salve, nós somos capazes e temos feito isso”, dispara a escritora. 

“Nós queremos o direito de assumir protagonistas da nossa luta, porque o que nós temos são histórias contadas, onde nós só aparecemos como os prejudicados, os açoitados, os invadidos, violentados e a nossa luta é cancelada, ela não aparece”, completa. 

Questionada sobre como os brancos podem contribuir na luta antirrascista, Alves é clara: “Como vocês brancos podem nos ajudar? Como seres humanos, só isso. Entendendo que nós [negros], somos serem humanos extremamente ignorados, então não nos cancelem, não nos ignorem, vejam o que nós [negros] estamos dizendo”. 

“A luta é antirracista, e antirracista não é de branco contra preto, é de uma humano contra outro humano, que acha que a humanidade no outro é menor”, completa.

Ao longo da entrevista, Alves ainda fala do ativismo social nas redes, o racismo disfarçado nas machetes dos jornais, a necessidade de despertar a humanidade por meio da educação e mais. Participaram desta edição as jornalistas Lourdes Nassif, Patricia Faermann, Tatiane Correia, Ana Gabriela Sales e Duda Cambraia. Assista:

Sobre o Cai na Roda

Todos os sábados, às 20h, o canal divulga um novo episódio do Cai Na Roda, programa realizado exclusivamente pelas jornalistas mulheres da redação, que priorizam entrevistas com outras mulheres especialistas em diversas áreas. Deixe nos comentários sugestão de novas convidadas. Confira outros episódios aqui:

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome