A relação da milícia de Rio das Pedras com os prédios que desabaram em Muzena no Rio

Corpo de Bombeiros confirma 15 pessoas mortas após o desabamento. Estruturas estavam em área de Proteção Ambiental e, de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro, chegaram a ter obras embargadas

Equipes que atuam na busca e resgate de pessoas após o desabamento na comunidade da Muzema. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Jornal GGN – Na última sexta-feira (12), e após a sequência de enchentes que deixaram mortes no estado, a população do Rio de Janeiro foi atingida por mais um sofrimento: o desabamento de dois prédios em Muzena, na zona oeste.

Segundo informações mais recentes do Corpo de Bombeiros, até agora 15 pessoas foram retiradas mortas dos escombros. Do total de oito feridas, quatro continuam internadas.

As estruturas estavam em área de Proteção Ambiental e, de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro, os prédios não tinham autorização para serem construídos e as obras foram interditadas e embargadas em novembro do ano passado. A prefeitura pontuou ainda que, por ser uma área dominada por milícias, a fiscalização é complicada.

Muzema é vizinha de Rio das Pedras, as duas regiões tem o mercado imobiliário controlado por uma organização criminosa. Em janeiro de 2019, o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), com o apoio da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil deflagraram a operação Os Intocáveis, quando prenderam membros da milícia, entre eles ex-capitão do Batalhão de Operações Especializadas (Bope) Adriano Magalhães da Nóbrega, o major da ativa da Polícia Militar Ronald Paulo Alves Pereira e o subtenente reformado da PM Maurício Silva da Costa.

Segundo o Ministério Público, eles lideram um grupo de pelo menos 13 homenos que lucram ilegalmente com o mercado imobiliário na região, incluindo a cobrança de taxas dos moradores. A operação Os Intocáveis surgiu durante as investigações sobre os assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, ocorridos em março de 2018.

Leia também:  Doria recua e agora se diz chocado com agressões e mortes em Paraisópolis

A suspeita do MPRJ é que o grupo que atua em Rio das Pedras, e comanda o Escritório do Crime, teria envolvimento nas mortes.

Uma reportagem da BBC News Brasil abordando a relação entre o desabamento no Rio com a atuação das milícias na região de Muzema ouviu moradores que contaram como se dão as transações com esses criminosos.

Os dois prédios tinham quatro e seis andares, segundo relatos, e foram construídos muito próximos um ao outro. Além disso, o bairro onde estavam, o Itanhangá, sofre com alagamentos há pelo menos dois anos, e foi atingido pelas últimas enchentes.

As estruturas foram levantadas em cerca de dois anos e em uma área verde de mil metros quadrados, totalmente derrubada para receber esses e outros empreendimentos.

Os relatos apontam ainda que cada apartamento era vendido a partir de uma entrada que variava de R$ 30 a R$ 60 mil. Além disso, os moradores recebiam uma cobrança mensal de cerca de R$ 100 reais, dependendo do número de habitantes na casa. Os moradores de prédios ou casas não construídos pelos milicianos e os donos de comércios não escapavam das taxas. Para ler a matéria da BBC na íntegra, clique aqui.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

4 comentários

  1. E tome condescendência explícita e atual de certas autoridades…
    se a percepção do perigo fosse só por aí, construtores, que maravilha seria

    seja lá como for, já podemos desconfiar que há controles em certas áreas que precisam ser divididos com os que tocam o terror de verdade

    em tempos idos: mídia também já foi condescendente

    ( com base em constatações do Favela Bairro- BID )

  2. “As estruturas estavam em área de Proteção Ambiental e, de acordo com a prefeitura do Rio de Janeiro, os prédios não tinham autorização para serem construídos e as obras foram interditadas e embargadas em novembro do ano passado. A prefeitura pontuou ainda que, por ser uma área dominada por milícias, a fiscalização é complicada.”

    Ok, agora alguém me explica como havia água luz e telefone (esgoto?).

  3. o medo assusta até de pensar em falar sobre essas milícias….
    amedronta até usar qualquer palavra sobre essaa infame realidade.
    imagine o cara de
    pender cotidianamente dessa gente fora da lei…

    e adianta cumprir a lei que já não é mais
    lei como ocorre no atual estado de exceção?

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome