O que o empresário assassinado pelo filho tem em comum com o dono da Precisa

O caso do empresário Fabrício César de Oliveira, assassinado pelo próprio filho, permite um mergulho no mundo da lavagem de dinheiro e, a partir daí, tirar algumas conclusões sobre os negócios da Precisa.

Peça 1 – a indústria da contravenção

A grande indústria da contravenção avança a passos largos no país, com o avanço das milícias, a desmobilização da repressão e o aval tácito dos Bolsonaro..

É composta de duas pernas: as atividades ilegais e a lavagem de dinheiro. Não significa que todos os empresários, de algumas dessas atividades, sejam necessariamente contraventores.

Grupos de geradores de receita

Os principais setores da atualidade:

  • Indústria do cigarro.

Hoje em dia, é o negócio preferido da economia subterrânea.

  • Rodeios

Como foi demonstrado pelo próprio Adriano da Nóbrega, do Escritório do Crime, tornou-se campo preferencial para investimentos das milícias.

  • Contrabando

Hoje em dia, um dos pontos centrais é o contrabando, especialmente de produtos chineses, devido à larga proliferação de grupos empresariais chineses e a pouca regulação do mercado.

  • Narcotráfico
  • Jogos e cassino
  • Combustíveis

Grupo da lavagem do dinheiro

Operam em mercados com baixas referências para precificação de preços.

  • mercados de colecionadores

Entra aí o mercado de carros, de artes etc.

Vez por outra surge um artista pouco conhecido cujas cotações explodem. Qual a justificativa? Algum colecionador que gostou da obra puxa a cotação e cria um efeito manada. Mas não há como se basear em nenhum parâmetro para saber se o preço pago foi excessivo ou não.

  • cavalos e touros de raça

Outro setor em que o valor não tem referencial maior.

  • criptomoedas

Criou-se um sistema monetário paralelo, fora do alcance dos óirgãos de controlwe.

  • passe de jogador de futebol

Como justificar uma compra de jogador por 222 milhões de euros, ou US$ 266 milhões? Esse foi o valor pago pelo PSG por Neimar. Ocorre que a receita anual do PSG é de 520 milhões. Como justificar economicamente tal valor?

  • cassinos e sites de jogos

Na CPI dos Anões, um obscuro deputado baiano justificou o aumento de patrimônio alegando ter vencido dezenas de vezes na loteria. Na época, já havia o jogo de se comprar bilhetes premiados de terceiros, para lavar dinheiro. 

Agora, com a disseminação de cassinos e cassinos eletrônicos, a lavagem de dinheiro ficou enormemente facilitada.

Peça 2 – O empresário assassinado pelo filho de 14 anos

Os exemplos abaixo não são necessariamente de contraventores, mas de empresários que transitam nessas zonas cinzentas.

Fabrício César de Oliveira foi morto pelo próprio filho, de 14 anos, devido às agressões frequentes contra ele e contra a mãe. Um dia antes da tragédia, Fabrício colocou ambos de joelhos no chão e apontou uma arma para suas cabeças. Enfiou uma arma na boca de um deles e ameaçou matá-los.

A mídia apresentou Fabrício como “empresário do ramo de som automotivo”.

Aparece como controlador do grupo Booster do Brasil. É nomeado “embaixador da qualidade e do mérito empresarial” de uma certa Câmara Brasileira do Comércio Brasil-China por uma Associação Brasileira de Liderança – cujos sites lembram, bastante, a Secretaria Nacional de Direitos Humanos, do reverendo Amilton de Paula.

A Booster, é uma empresa de Miami, que entrou no Brasil através do Paraguai e tem parte de sua produção na China e na Coréia. Os países escolhidos são significativos do modo de operação da companhia..

Ao chegar no local do crime, a polícia encontrou oito armas, entre as quais um fuzil e uma submetralhadora.

Durante o dia, moradores do condomínio viram o empresário rodando em um Lamborghini, carro de colecionador. Em uma das reportagens, contava-se que o empresário era conhecido por colecionar carros de luxo e já tinha passagens pela polícia por estelionato. Era presidente de uma certa Câmara de Comércio Brasil-China.

Repare, portanto, que o empresário que espancava filhos e esposa tinha um conjunto de características comuns.

* Empresas que passam por Miami, Paraguai e China.

* Posse de carros de coleção.

* Posse de armamento pesado.

* Participação em sites de poker.

O empresário morto pelo filho era usuário de poker online. Seu histórico lembra Luiz Antonio Duarte Ferreira,  Luizinho Cai-Cai, fabricante de cigarros que depois passou a transitar por outros setores, especialmente pelo futebol. Lidava com venda de carros de luxo, poker e negócios no mundo do futebol. Fez parte da lista dos 14 produtores de tabaco entre os 500 maiores devedores da União, com dívida de R$ 8,8 bilhões.

Atualmente investe em clubes de futebol. Passou pela Ferroviária e, agora, atua no mercado português.

Empresário para quem Luizinho vendeu a Ferroviária, Giuliano Bertolucci tornou-se empresário de alguns dos mais valiosos jogadores do momento, incluindo Neymar. Recentemente foi alvo de inúmeros processos do Ministério Público do Rio Grande do Sul, por malfeitos no Internacional de Porto Alegre.

Peça 3 – a loja de carros do dono da Precisa

O que Francisco Maximiano o dono da Precisa Medicamentos – acusado de golpes pela CPI do Covid – tem em comum com Fabrício? Ambos são especializados em carros de coleção.

O COAF (Conselho de Controle das Atividades Financeiras) identificou transações suspeitas, envolvendo carros de luxo. As transações se davam entre a 6M Participações, que tem capital de apenas R$ 500,00, e a Precisa. Foram movimentados R$ 33 milhões na 6M e R$ 22 milhões na Precisa.

As operações passam pela 4 Boss Brasil e Comércio e Locação de Veículos, empresa com capital de R$ 80 mil, que opera no aeroporto de Brasilia. 

Foi identificada outra transação, da HVM Comércio e Locação de Veículos, que tem o mesmo endereço da 4 Boss.

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