A economia mundial, como uma enorme e incontrolável bola de neve, dispara cada vez mais rapidamente em direção daquilo que já podemos definir como a Grande Depressão do século XXI, sem que se vislumbre no horizonte qualquer saída imediata.
O capitalismo norte-americano, centro da economia imperialista mundial, cruza os dedos e se agarra aos planos de Obama (como já fez no passado com Roosevelt, na Grande Depressão), esperando que impeçam a derrocada. Até mesmo o próprio Alan Greenspan, ícone neoliberal e presidente da Reserva Federal durante a última grande onda especulativa norte-americana, pede a nacionalização temporária dos grandes bancos à beira da falência de Wall Street (cujas perdas o FMI calcula em 2,2 bilhões de dólares – outras fontes dizem 3,6 -, enquanto o valor das ações dos bancos foi reduzida a 400 bilhões). Entretanto, surge uma nova fraude piramidal massiva, no estilo Madoff, com uma estafa que chega a 8 bilhões de dólares. O Estado da Califórnia, diante da insolvência, decretou estado de emergência fiscal. Aos cortes dos salários dos funcionários públicos, acrescentou cartas de demissão para 20.000 (20% do total do funcionalismo), suspendeu as obras públicas e anunciou que poderia pagar suas contas com títulos, o que não acontece desde a Grande Depressão. Cresce a onda de despejos. Os grandes fabricantes de automóveis de Detroit, que estão à beira da falência – começando pela General Motors -, exigem novas somas milionárias (30 bilhões até 2011) e planejam demitir 47 mil trabalhadores e fechar novas fábricas. Mais de meio milhão de trabalhadores norte-americanos somam-se ao exército de desempregados a cada mês. Mas ninguém se livra da catástrofe. O Ministro da Economia do Japão acaba de declarar, diante dos resultados econômicos do quarto trimestre de 2008 (queda do PIB da ordem de 3,3% em relação a 2007), que “a economia japonesa foi literalmente varrida”.
A envergadura da crise na Europa
Os chamados países emergentes, em especial a China, foram brutalmente atingidos pelo colapso da economia mundial. E, claro, a Europa. Os governantes europeus repetiram durante meses que estávamos diante de uma crise importada dos EUA, que estava localizada nas hipotecas subprime e que a fortaleza econômica européia resistiria, deteria a crise financeira e impediria que a “economia real” fosse afetada. Bastaram poucos meses para que a Europa, atacada pelos mesmos males, fosse precipitada ao abismo, com índiceseconômicos que não deixam nada a dever ao colosso norte-americano. Osdados oficiais europeus do último trimestre de 2008 são ainda piores que osdos EUA. Com uma queda da ordem de 1,5% do PIB europeu, a imprensa da União Européia (UE) fala em “queda em parafuso”, com a Alemanha, a grande locomotiva do continente, encabeçando o ranking (2.1%). A produção industrial de dezembro de 2008 foi 11,5% inferior à do mesmo mês de 2007 e as vendas européias de veículos caíram 27% em janeiro. A crise afeta em cheio todo o continente: as grandes potências européias, os imperialismos menores e toda a periferia. Aquela que pertence à UE (os países do Leste e os bálticos) e a que não pertence (Rússia, Ucrânia, etc.).
O sistema fnanceiro europeu
O sistema financeiro europeu está tão à beira da falência quanto o dos EUA, sem que haja um único país que se livre dela. Como na América do Norte, todas as medidas adotadas até agora (comprometendo mais de 1,8 bilhão de euros, cerca de 15% do PIB europeu) só conseguiram deter a duras penas a queda no abismo, enquanto a crise financeira é agravada. Foi assim com as sucessivas baixas na taxa de juros, com as injeções multimilionárias de liquidez por parte do Banco Central Europeu (BCE) e com as intervenções maciças dos governos comprando valores podres dos bancos, bancando suas dívidas e injetando somas enormes em seu capital. Mas o crédito não flui; as operações de salvamento vêm uma atrás da outra e os bancos continuam vendo seu valor na Bolsa despencar cada vez mais (em 16 de fevereiro perderam em um único dia 7% de seu valor, reduzido a mais da metade no transcurso dos últimos 12 meses e em alguns casos, como o Deutsche Bank, a um terço).
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