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Fábio de Oliveira Ribeiro
Fábio de Oliveira Ribeiro

Rolezinho e racismo

Esta semana dois países colidiram num Shopping e o resultado foi uma explosão de irracionalidade.

Garotos pobres da periferia de São Paulo (nem brancos, nem bem nascidos), combinaram dar um “rolezinho” no Shopping Itaquera. O resultado foi repressão policial desmedida e cenas que lembram bastante as proporcionadas pelo regime racista da África do Sul antes de Mandela ser eleito presidente http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1396629-video-mostra-pms-agredindo-jovens-em-rolezinho-dentro-no-shopping-itaquera-em-sp.shtml .

Shoppings são locais privados abertos ao público. Portanto, não devem em hipótese alguma discriminar quem irá ou não adentrar em suas dependências. Quem adentra a um Shopping não pode ser obrigado a consumir, nem deve ser colocado para fora porque resolveu passear com os amigos pelo local. Mas não foi isto o que ocorreu.

O “rolezinho” indesejado dos garotos pobres provocou um verdadeiro Estado de exceção. Uma parte da população brasileira, branca e bem nascida, parece acreditar que eles não deveriam ter direito de ir e vir. Então o “rolezinho” foi brutalmente interrompido, inclusive com anuência do Judiciário paulista http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2014/01/1396585-shoppings-de-sp-conseguem-liminar-na-justica-para-impedir-rolezinho.shtml .

A CF/88 garante a todos os cidadãos, sem qualquer distinção de raça, credo, cor ou situação econômica, o direito de ir e vir. Portanto, a decisão judicial que implicitamente revogou esta garantia para atender às veleidades racistas e classistas do Shopping é bastante questionável. Idem para o comportamento brutal da PM, cuja função é garantir o exercício dos direitos constitucionais dos cidadãos e não impedir seu exercício como se vivêssemos num regime de apartheid racial, sócio-econômico ou cultural.

A decisão judicial que legitimou a brutal repressão policial no Shopping e cassou o direito de ir e vir dos garotos pobres (nem brancos, nem bem nascidos), expõe uma chaga aberta. No Brasil existem dois países. Um não quer conviver com o outro e deixou isto bem claro ao recorrer à força bruta estatal para discriminar quem pode e quem não deve passear no Shopping.

Ao menor sinal de conflito, o Estado brasileiro abandonou os princípios de igualdade racial e da concessão de garantias políticas e individuais à todos os cidadãos, para ficar ao lado de alguns (brancos bem nascidos) contra o “resto da população”. Nesse sentido, não foi o “rolezinho” que perturbou a ordem no Shopping, o evento apenas comprovou a desordem que é a vida num país racista e classista que se recusa a admitir sua incapacidade de permitir a coexistência entre os habitantes dos “bairros nobres” e os “favelados da periferia”, que devem ficar contidos na periferia.

Sem querer (ou querendo) os garotos pobres que realizam estes “rolezinhos” estão nos ensinando uma coisa bastante valiosa: o regime de apartheid racial, sócio-econômico ou cultural existe no Brasil e terá que ser enfrentado. Como se dará este enfrentamento?

A imprensa parece inclinada a criminalizar o “rolezinho”. Uma clara indicação disto é o fato do jornalista que fez a matéria acima mencionada não ter emitido qualquer juízo de valor sobre o conteúdo possivelmente racista da decisão do Shopping de proibir o “rolezinho” e da repressão policial  que se seguiu. Nenhuma objeção racional foi levantada contra o conteúdo da decisão judicial que cassou de maneira absurda o direito de ir e vir dos jovens que participam ou pretendem participar destes eventos. Num conflito desta natureza, quem não fica ao lado dos oprimidos legitima a opressão imposta por quem pode empregar a violência estatal.

Até o presente momento não vi o Ministério Público de São Paulo e o Ministério Público Federal se manifestarem sobre o assunto. Ambos são guardiãs da CF/88 e deveriam estar adotando medidas para permitir que todos os jovens, independentemente de cor, raça, credo ou condição sócio-econômica, possam exercer seu direito de ir e vir em locais públicos e abertos ao público. Discriminação racial é crime e o MP é titular da ação penal incondicionada nestes casos. Os donos dos Shoppings serão processados por racismo? As decisões judiciais permitindo a brutal repressão policial serão questionadas e os Juízes que as proferiram com evidente violação da CF/88 serão representados no CNJ?

Acompanharemos de perto a evolução deste novo espetáculo de irracionalidade política. O que está em jogo não é a ordem, mas o direito à igualdade. O “rolezinho” é uma excelente oportunidade para reconhecermos a existência do apartheid racial, sócio-econômico ou cultural. Neste momento, a tarefa dos defensores da civilização deve ser superá-lo e não justificar o racismo através da omissão. 

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150 comentários

Comentários

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sueli santos teixeira

discordo do rolezinho

sabemos que desrespeito a cf garante o direito de ir e vir ,o problema e simplesmente o exagero no qual os jovens cometem em xi que sabemos nao comporta tantas pessoas ,grito de guerra a que guerra estao falando,palavroes a quem se destina ,a liberdade de expressao e necessaria ,mais a lberdade esta alem do limite

nao importa o local seja nos bairro ou na praça de alimentaçao,eles gostam de afrontar e nao conviver

,o mesmo direito que eles tem nos tambem ,e noler um livro ou ate ficar de bobeira,hoje e impossivel ,pois nao sabemos ssa familia de ir ate la para um lanche ,namorar  ou ficar apenas de bobeira hoje e impossivel 

 

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jorge56790

rolezinho

a maioria desses jovens nao trabalham e tem roupas de marca por causa dos pais que nao tem a minima ideia que eles fazem, uns 3 anos forçados no quartel ia mudar tudo isso, mas hoje em dia o governo da mole pra esses vagabundos

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mary pinheiro

rolezinhos proveitosos

Por que essa meninada nao vai dar rolezinho em hospitais visitando doentes?

Por que nao fazem campanhas em ajuda aos necessitados?

Por que nao ajudam em filas de postos de saude?

Por que nao ajudam aos desbrigados da chuva?

 

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Abdias

Esperança? Que mané esperança

Esperança? Que mané esperança de "invasão de praias dos chiques"!

Esses caras querem consumir, nada os impede! Fazer arruaça dentro de estabelecimento privado é o que NÃO PODE e já aconteceu quando vândalos agrediram covardemente 2 guardas municipais em SP!

Não há racismo, muito menos uma luta social e política nesse caso como quer fazer crer o PT!

Agora culpa também de TODOS os governos (municipais, estaduais e federal)! Que tal abrirem as escolas nos fins de semana para atividades culturais (hip hop e dança de rua, por exemplo)? Talvez a possibilidade de ofertar cursos profissionalizantes para a comunidade? Que tal construírem quadras esportivas? Que tal construírem pistas de skate para a molecada? A defensora do rolezinho, que está em Davos hoje, prometeu quadras esportivas espalhadas pelo Brasil, onde estão?

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Abdias

Esperança? Que mané esperança

Esperança? Que mané esperança de "invasão de praias dos chiques"!

Esses caras querem consumir, nada os impede! Fazer arruaça dentro de estabelecimento privado é o que NÃO PODE e já aconteceu quando vândalos agrediram covardemente 2 guardas municipais em SP!

Não há racismo, muito menos uma luta social e política nesse caso como quer fazer crer o PT!

Agora culpa também de TODOS os governos (municipais, estaduais e federal)! Que tal abrirem as escolas nos fins de semana para atividades culturais (hip hop e dança de rua, por exemplo)? Talvez a possibilidade de ofertar cursos profissionalizantes para a comunidade? Que tal construírem quadras esportivas? Que tal construírem pistas de skate para a molecada? A defensora do rolezinho, que está em Davos hoje, prometeu quadras esportivas espalhadas pelo Brasil, onde estão?

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M. Marlene

Tempo de esperança: os

Tempo de esperança: os rolezinhos invadindo as praias dos chiques...

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M. Marlene

Novos tempos: os rolezinhos

Novos tempos: os rolezinhos invadindo as praias dos chiques...

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volnei

FALANDO POR MIM...

... passei pela experiencia em Joinville, não eram de classe baixa, e me senti ameaçado e constrangido pela presença de centenas de jovens andando em grupo e fazendo algazarra... Aqui, com certeza, não é o caso de ser pobre ou não, e ilustra o fato de não ser necessariamente o caso de rico contra pobre... O que incomoda é a ação um tanto intimidatória tipica de quem anda em grupo pelas ruas, seja em shoppings, festas ou outros locais... Diria que, fossem 500 crentes atacando pessoas no shopping com panfletos e discursos religiosos, causaria o mesmo efeito...

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São mesmo de periferias ? Ou

São mesmo de periferias ? Ou são de cidades da Grande São Paulo onde tem toques de recolher ? Ninguém fala nisso. Eu sei porque trabalhei numa delas, e moradores me disseram que todas cidades da região têm, já há algum tempo, toque de recolher. Seriam, segundo as informações que tive, Itapecerica da Serra, Taboão da Serra e Embu, outras não sei. Mas, memo a periferias de São Paulo, como as de Campinas, como vimos ultimamente, vem enfrentando muita violência. Assim os jovens têm procurado regiões mais servidas de segurança, como a região da Paulista. Mas, em todo caso, eu, pessoalmente, não vejo em quê os shoppings possam ter tantas atrativos para os jovens, a menos, pela ausência de cinemas e teatros, que, infelizmente, perderam a autonomia e hoje se concentram nesses ambientes fechados e elitistas. Os jovens, cheios de vida, devem resgatar as ruas e praças públicas, e deixar os shoppings para a velharia de idade ou cabeça. As ruas e praças são do povo, os shoppings são ambientes particulares de seus donos.

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Jander

"Rolezinho" é coisa de

"Rolezinho" é coisa de ladrão. Moro numa comunidade pobre de Recife e afirmo sem a menor cerimônia: só almas-sebosas se prestam a isso.

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Paulo Henrique Andrade

A História se repete

A História se repete. O regime nazista fazia isso - proibia a entrada de judeus em certos locais públicos. Século XIX, Guerra do ópio - os britânicos ocuparam a China, e colocaram no parque de Shangai a placa - "proibida a entrada de cachorros e chineses". Também no Apartheid da África do Sul e no Alabama (USA) nos anos 1960, era tudo segregado - lojas, ônibus, banheiros, bebedouros.  Isso não pode chegar no Brasil de jeito nenhum.  Em hipótese alguma, pode haver proibição seletiva com base na aparência da pessoa. Ou todos podem entrar, ou ninguém pode. O shopping somente pode usar critérios objetivos de seleção, que valerão para todos - do tipo 'proibido entrar sem camisa', 'proibido fazer algazarra', 'proibido tocar música ou portar instrumentos musicais ligados em volume alto', e etc. Isso tem que vale para brancos e negros, ricos e pobres, para funk ou jazz ou samba ou MPB.  Qualquer coisa diferente disso é uma aberração.

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> A imprensa parece inclinada

> A imprensa parece inclinada a criminalizar o “rolezinho”.

Se o rolezinho for o que eu vi em imagens, não pode mesmo ser permitido. O fato de um espaço ser aberto ao público não dá ao distinto público o direito de usá-lo como bem entender.

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Guibelmonster

Arruaça

Deram poder de compra, mas não deram educação. Eis aí a badalada classe mérdia!

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Sugiro aos interessados que

Sugiro aos interessados que leiam a seguinte matéria jornalística: http://www.estadao.com.br/noticias/geral,beltrame-diz-que-rolezinho-nao-e-crime,1118381,0.htm

 

Beltrame foi perfeito. No Brasil, o único crime descrito no Código Penal que incrimina uma coletividade é a "formação de quadrilha ou bando para a prática de crimes". Cada garoto que participa de um rolezinho só pode ser responsabilizado criminalmente pelo que fizer. Em outras palavras, os garotos que não cometerem nenhum furto nem danificarem lojas não podem ser punidos por passearem no Shopping . Sou advogado há 20 anos e a única ação criminosa que vi até agora foi a da PM, que puniu grosseira e indiscriminadamente garotos que estavam apenas se divertindo.

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Mariatereza (tite)

Rolezinho da morte em Campinas

Em Campinas (SP), neste final de semana ocorreu um outro tipo de  "rolezinho". O rolezinho da Morte, onde  se executou em série 12 elementos pardos, pobres.  Os algozes são os suspeitos de sempre.

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Daniele Felburg

Rolézinho

Não é questão de discriminar, seu imbecil. É uma questão de ordem. Há tempos não lia tanta baboseira junta num texto só. 
Quem quiser ir ao shopping, vá. Agora, ir pra gritar, cantar no volume 10 e fazer baderna, isso não pode. 
Você gostaria de ir a um restaurante e de repente ter que jantar no meio de um rolézinho de 3 mil jovens?! Pobre ou rico não importa. Baderna é baderna. Um pouco mais de bom senso antes de escrever essas asneiras, por favor. 

 

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Blá, blá, blá... todo mundo

Blá, blá, blá... todo mundo sabe que quem começa o vandalismo e a violência é a PM paulista, que não tem nenhuma educação quando lida com jovens pobres, pardos e negros. Os PMs estão acostumados a baixar porrada e matar a tiros estes jovens nas periferias. E fariam isto de bom grado nos Shoppings se não existissem câmeras de TV filmando.

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Ronaldo Simões

Muita sandice...

Tenho certeza absoluta de que a polícia reprimiu "um rolezinho" ingênuo, partiu pra cima da "criançada" sem nenhum motivo ou provocação, apenas porque eram "nem brancos, nem bem nascidos"...

Coitadinhos... Estavam apenas passeando, admirando as vitrines, paquerando-se mutuamente, aí vem a polícia, toda truculenta e sem absolutamente nenhuma justificativa, partiu para a ignorância contra estas criança inocentes...

Tenho convicção de que foi assim!

Que dó...

O povo repete as coisas ditas por alguns formadores de opinião como um mantra... Parece que discordar ou ter outra opinião é que é proibido...

Eu frequento alguns dos maiores shoppings deste país, em São Paulo e em Campinas...

Nunca vi nenhum "não branco mal nascido" ser discriminado em shopping ou ter seu "rolezinho" impedido...

Mas será que alguém verdadeiramente acredita (ou gostaria de argumentar e tentar me convencer) que os 6000 jovens se encontram em um shopping porque são "amigos"? São "da turminha" do colégio? Foram lá apenas para dar um rolezinho, passear de escada rolante e apreciar vitrine?

Qualquer um destes jovenzinhos inocentes pode, quando quiser, convidar uma destas jovenzinhas, ambos da periferia, ambos pardos e pobres (que "não brancos" e "não bem nascidos" é linguajar tolo de quem está tentando ser politicamente correto), e irem passear em qualquer shopping, mesmo os que têm liminar, tomar lanche, ir ao cinema, etc., que eu corto o saco se um policial ou guarda municipal os abordar e mandar retirarem-se!

Meu, na boa... Acordem!

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Abdias

Para os nervosinhos em defesa do Rolezinho....

Gostaria de perguntar aos que estão tão nervosinhos em defesa do rolezinho o que vocês acharam da cena de selvageria protagonizada pelos "jovens segregados da periferia que ousaram entrar em templos de consumo da classe burguesa" espancando sem piedade dois guardas municipais em um shopping de São Paulo?

Inclusive um saiu desacordado pela surra covarde que recebeu dos "anjinhos do rolezinho".  

Discordo integralmente do texto.  Que tal começarem a respeitar as leis? A propriedade dos outros? O respeito ao próximo?

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Culto à Mercadoria

Nada mais contraditório do que a negação ao consumo na sociedade da mercadoria.

Ficam debatendo o preconceito - real - e não percebem que poderia ser muito pior. Ao perderem a oportunidade -  palavra tão cara ao nosso capitalismo coxinha e incapaz - de educar seus novos e potenciais consumidores, de doutriná-los em seus valores mais caros, estão abrindo as portas do inferno.

Estão promovendo sua antítese,  esvaziando os shoppings pelo medo. Ao barrarem o desejo de consumo, estão correndo o risco de transformá-lo em rejeição, em bloqueio físico e espacial por uma massa que ao invés de consumir passa a protestar.

Se as greves antigamente eram arma política que parava a produção, o boicote hoje é uma arma muito mais destrutível deste capitalismo que acha pode viver sem o trabalho mas não sobrevive sem o consumidor, a única forma objetiva possível de cidadania e valoração dentro desta sociedade sem  outro valor.

Promovam o consumo ou sucubam à barbárie de sua negação. 

 

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Um testemunho pessoal sobre o apartheid em São Paulo

Interessante isso estar sendo explorado tanto só agora, justo quando se elege em São Paulo, finalmente, um prefeito disposto a abordar essa questão. Pois está explicitado no plano de governo de Haddad a intenção de reavivar a cidade, de tomar os espaços públicos para uso do povo e ativar a cultura: tudo isso que estão pleiteando só agora é o próprio coração do governo Haddad, basta ler seu plano de governo para constatar.  Pela minha experiência de vida pessoal, o apartheid começou a partir da metade da década de 70. Nos 1ºs anos dessa década, eu era bem jovem, universitária, e costumávamos frequentar ambientes bem populares como Cassino Vila Sofia e Asa Branca, em Pinheiros. Embora já fossem tidos como um pouco perigosos, íamos em grupos e nunca houve ameaça alguma, nenhum incoveniente, muito pelo contrário a troca era rica. Podíamos dançar e coversar com nordestinos de todos estados, aprender danças e músicas regionais com eles. Havia uma interação social bem sadia quando São Paulo era apenas uma cidade, não a megalópole atual. Para mim, parece que foi a partir de 1975 mais ou menos que começou a separação de ambientes, que muito lamentamos na época. E de lá em diante só foi acentuar essa tendência, até que na década de 90 já haviam muitas escolas particulares com grades próprias e um certo desprezo pelo ensino público de base, que, realmente já tinha perdido toda qualidade de outrora, e as escolas já estavam depredadadas e sucateadas. Assim, desde crianças as classes sociais já começaram a ser separadas. Portanto, o apartheid é bem antigo, e nunca foi ignorado, pelos menos pelos que não aprovaram essa nova modalidade de sociabilidade. 

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Breve história dos rolês no

Breve história dos rolês no Brasil

 

A internet está pegando fogo com o debate provocado pelos "rolezinhos". Em razão disto, resolvi fazer um pequeno esforço histórico. 

 

Os rolês são tão antigos quando o Brasil. Em 1500  os portugueses resolveram dar um rolê no desconhecido Mar Oceano e chegaram aqui por acaso. Dois séculos depois os descendentes deles com as índias litorâneas estavam dando rolês no interior para aprisionar, reunir e descer milhares de índios. O primeiro rolê mencionado foi chamado de "descobrimento", o segundo de "Bandeiras". 

 

Os mesmos bandeirantes que deram rolês para escravizar índios foram contratados para dar um rolezão num aldeamento de negros fugidos liderados por Zumbi. E a coisa ficou preta para os ex-escravos trazidos da África. 

 

De quando em vez o Exército colonial e seus sucessores (o Exército imperial e o Exército republicano), dava  um rolê punitivo contra a população brasileira. Os resultados eram quase sempre os mesmos: degolas e mais degolas. Foi o que ocorreu nos rolês de portugueses contra índios que não aceitaram o jugo luso (Revolta dos Tamoios); rolê contra os caboclos do sertão (Cabanos); rolê contra os partidários de um fabricante de balaios (Balaiada); rolê contra aldeamentos suspeitos (Reino da Pedra Encantada do Rodeador); rolê contra o povo rebelado por causa das novos pesos e medidas imperiais (Quebra Quilos); rolê contra gauchos republicanos que defendiam a secessão (Farroupilha);  e o famoso rolê contra nordestinos pobres que se recusavam a aceitar o domínio dos fazendeiros (Canudos).  Ainda no século XIX o Exército deu um rolezão no Paraguai degolando quase toda a população masculina daquele país. 

 

No princípio do século XX cansados da modorra racista e excludente da república velha, os tenentes resolveram dar um rolê pelos sertões do Brasil. Este rolê ganhou o nome de "Coluna Prestes" , mas infelizmente não chegou a lugar algum depois de percorrer milhares de quilometros.

 

Muita pouca coisa mudou desde os primeiros rolês punitivos do período Colonial. Há algum tempo a PM paulista deu um rolê num presídio e o resultado foi mais de uma centena de prisioneiros mortos predominantemente com tiros nas costas. Quando faz seus rolês pela periferia de São Paulo a PM geralmente produz cadáveres, mas os rolezinhos da PM nos bairros nobres nunca são tão sanguinários.  

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Nunca ví tanta besteira em um

Nunca ví tanta besteira em um unico texto 

Que coisa impressionante...rs

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leonidas

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selmo

rolezinho

comentário sem contra argumentação é pífio...

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Blá, blá, blá... sua opinião

Blá, blá, blá... sua opinião não me interessa.

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ESTAMOS APOIANDO OS ROLEZINHOS PELO MOTIVO ERRADO...

ESTAMOS APOIANDO OS ROLEZINHOS PELO MOTIVO ERRADO... PROPOSITALMENTE...

Que eles façam os rolezinhos nos aeroportos... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos nas rodoviárias (ônibus de viagem)... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos nos barzinhos e restarantes que frequentamos... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos na portas dos hotéis (os bons)... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos nos clubes e danceterias que frequentamos... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos nas faculdades/universidades que esudamos... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

Que façam rolezinhos nos concessionárias de veículos... É UM DESEJO DE CONSUMO DELES, OU NÃO???

 

QUANDO OS ROLEZINHOS ACIMA ACONTECEREM, VIRÃO AS CRÍTICAS DOS "HOJE" APOIADORES...

 

Porque ai, diram estes: ELES PRECISAM TRABALHAR PARA CONSEGUIR "CONSUMIR" ESTAS COISAS... Foi assim que "NÓS" fizemos... Nós lutamos, estudamos, trabalhamos, ora...

Alguns dirão: Pô! Eu também vim da "comunidade", vim de baixo... Mas eu lutei, batalhei... Agora vem estes moleques querendo "consumir", ter as coisas apenas com "rolezinhos", sem trabalhar... Pô!!!

Outros dirão: Vocês viram nas fotos dos jornais, os tênis que os moleques estavam usando??? Só tênis de 600 contos pra cima, só roupa de marca... Como esses moleques conseguem isso, se não trabalham???

 

TODOS DEVERIAM ter condições de alcançar o desejado, de viver com dignidade... Mas por mérito (luta, batalha), apesar de alguns ter por sorte, e até por meios ilícitos...

 

Ah tá!!! Eu estava esquecendo...

Aqui não se trata disso, estamos aqui combatendo é o Alckmim, aquele picolé de xuxú... E não nos importa se a tática (do PIG, PSDB, DEM...) que usamos é aquela que repudiamos e temos a tanto tempo combatido... É APOSTAR NO QUANTO PIOR MELHOR...

VAMOS ESPERAR ATÉ QUE OS ROLEZINHOS CHEGUE PRÓXIMOS DA GENTE...

Já há vários marcados em outros estados...

ESPEREMOS.

 

 

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Zeraldo

É facil defender olhando pela

É facil defender olhando pela TV. 

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kg

nao, amigo. não.

https://www.youtube.com/watch?v=X7LtIRj9v68

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tiao

Corrigindo- " Elite nojenta

Corrigindo- " Elite nojenta "

 

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tiao

Branquinho,bonitinho,bem

Branquinho,bonitinho,bem vestido,bem nascido pode tudo.Até botar fogo em indio pode...

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Alexandre Gargiam

?????

Acho que quem postou essa matéria está meio por fora..

Procure por vídeos no youtube deste ROLEZINHO!!!!

Os jovens estaam impedindo a passagem dos carros no estacionamento, estavam transitando sem camisa, estavam escutando som alto e dançando na porta da entrada...

Passear.. ok, ninguém pode dizer que não pode... porém, fazer algazarra na porta do shopping impedindo as pessoas de entrar, ameaçando os seguranças do shopping que estavam fazendo seu trabalho, no vpideo o seguraça pede para amenizarem a bagunça, e é respondido com encaradas de 2 ou 3, ameaças de chutes por mais uns 4, 5 e é chamado " para o pau" por muitos outros, que gritam, chingam, algumas garotas rebolam na porta do shipping, recomendo assistir o vídeo gravado por esses mesmos do "rolezinho" para perceber, que, o direito de ir e vir é de todos, mas se quer bancar o trouxa gritando na porta de algum lugar e rebolando, que seja na porta da própria casa.

Há situações e situações.

Não julgo, não discrimino, mas acho q p mínimo de bom senso é necessário!

 

Abraços.!

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A esquerdalha apoia vagabundo

A esquerdalha apoia vagabundo ate o momento que eles falem mal da Dilma rs

Foi assim nas manifestaçoes ,  quando a PM reprimiu era um escandalo , uma opressao ditadorial contra o povo na rua. et

Na epoca eles achavam que podiam usar elas mas quando notaram que eles começaram a vaiar os grpos de esquerda

Os manifestantes passaram a ser coxinhas a serviço do PIG

A sem vergonhice deles é infinitas...rs

Se esses vagabundos começarem a falar mal do PT nos ditos " protestos " logo deixam de ser negro e pobre e passa a ser uma massa burra manipulada pelo Pig 

Com o Barbosa tambem foi o mesmo.

OBarbosa é cria do PT filho dessa demencia politicamente correta que eles tanto usam desavergonhadamente para seus interesses.

Antes o Barbosa era o negro ocupando a casa grande à contra gosto da elite branca de olhos azuuis

Agora que ele detonou o PT ele só nao é santo.

Chamam o homem de tudo quanto é nome e nada que faça esta certo desde sempre! 

Enfim uma turma de estelionatarios que falam mal da midia pois vê nela o que eles sao...rs

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leonidas

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Motta Araujo

Este tema aqui é forte

Este tema aqui é forte canidadato ao CONCURSO DE BESTEIROL, gente falando em Constituição para justificar baderna,

professores de direito POMBAS GIRA citando de ir e vir em ibvasão de propriedade particucalr, criando um espaço publico em qualquer estabelecimento privado, shopping, hospital,supermercado,teatro, cinema,escola,clube, TEM REGRAS DE USO, que são estabelecidas pelos proprietarios. Ou será que alguem pode entrar em um shopping sem camisa, carregando um som altissimo, mascarado ? Ou levando uma onça na coleira e uma cobra em volta do pescoço? Pode entrar em um hospital sem se identificar e fedendo? Pode entrar em um supermercado descalço?

O maximo é dizer que no Shopping Itaquera, em uma zona popular, frequentado por um publico emergente, há preconceito CONTRA PESSOAS DO MESMO BAIRRO DOS FREQUENTARES,  conseguiram achar uma ELIETE BRANCAE RACISTA, no mesmo bairro dos invasores, essa gente precisa ter alguma noção antes de escrever tantas bobagens.

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Os jovens pardos e pobres que

Os jovens pardos e pobres que participam dos Rolezinhos nos Shoppings de São Paulo são descendentes de índios escravizados no interior pelos Bandeirantes, cujos "roles" pelas aldeias indígenas recebem o nome de Bandeiras?

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O IG deu um enfoque bastante

O IG deu um enfoque bastante adequado ao problema:

“É crueldade de classe tratar rolezinho como arrastão”, diz sociólogo

http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2014-01-14/e-crueldade-de-classe-tratar-rolezinho-como-arrastao-diz-sociologo.html

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Eis aqui mais um indicativo

Eis aqui mais um indicativo claro de que a imprensa brasileira pretende criminalizar o Rolezinho. Ontem o Jornal da Gazeta entrevistou um advogado que apóia a repressão ao Rolezinho e, portanto, a revogação do direito constitucional dos jovens negros, pobres e pardos de circular nos Shoppings. O Jornal da Gazeta, porém, não entrevistou um advogado que é contra esta repressão. É assim que o jornalismo trata os eventos de maneira isenta. Escolhendo o lado do opressor. 

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Os imbecis de sempre estao

Os imbecis de sempre estao mais uma vez falando as abobrinhas de sempre

Dessa vez a demencia ideologica os fez enxergar no shopping ITAQUERA !!!!! um  local de ELITE rs

E pior, os fez dividir os freguentadores em dois grupos:

O pirmeiro só tem pobre e negro

O segundo só brancos e classe media ou seja os que nao eram vandalos eram TODOS classe média e branco dos olhos azuis

Só um IDIOTA ou alguem com retardo mental ou ( hipotese + provavel ) um estelionatario ideologico comprometido em manipular fatos poderiam ver algum nexo nessas analises de merda feita por esses supostos sociologos...rs 

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leonidas

quanto mais ideologizado,

quanto mais ideologizado, mais imbecil...tanto à esquerda quanto à direita...os "entendidos"  acham que o tal rolezinho é um movimento de protesto, de denúncia contra o templo do consumismo em...Itaquera, Campo Limpo... reunir 500, 1000 mil pessoas pra fazer baderna é ato de protesto apenas para idiotas ideologizados que necessitam de moinhos para guerrear...gente que que consegue ver apenas A e B, sem perceber que há um alfabeto todo...a imbecilização chegou e ficou...

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Vixe

Só queria saber que "elite"

Só queria saber que "elite" que frequenta o shopping Itaquera...

O local é periferia e seus frequentadores são, em sua maioria, pobres e moradores da Z/L.

Há um exagero aí em demonizar os comerciantes e a polícia e santificar um grande grupo de arruaceiros que provocam o tumulto e em seguida partem para os saques e arrastões.

Não estou escrevendo isso por "desconhecimento de causa ou preconceito".

Escrevo isso por viver o dia a dia nesta região e saber bem o que ocorre por lá.

Pra quem não acha que não h´s assaltos e furtos nestes "rolezinhos", perguntem aos logistas que tiveram suas lojas arrombadas e produtos roubados, nos quiosques do terminal de ônibus da Estação Itaquera, ou aos jovens mais novos e em pequenos números ou sozinhos, que foram cercados e tiveram tenis e dinheiro roubados.

Estes jovens que foram roubados, não são "elite branca de olhos azuis" e sim, moradores do próprio bairro de Itaquera e imediações.

Portanto, não viagem na maionese achando que toda "manifestação popular" é válida só por ser "popular", sendo assim, estaria justificado até os linchamentos públicos, afinal, também são uma forma de "manifestação popular"...

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E de repente... olha nóis de novo!

Musiquinha para alegrar os assustados corações de rebollas e alianças e tais.  Pesadelo
(Maurício Tapajós / Paulo César Pinheiro)

Quando o muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olhe o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí

O muro caiu, olha a ponte
Da liberdade guardiã
O braço do Cristo, horizonte
Abraça o dia de amanhã, olha
aíLink: http://www.vagalume.com.br/paulo-cesar-pinheiro/pesadelo.html#ixzz2qKmksbqv

 

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MAF

Sonhar nunca é demais

Rolezinho é nada mais que o desejo de ostentação de jovens despolitizados, amestrados e invariavelmente presos as cadeias da ideologia consumista, exibicionista e ultracapitalista. Para essa gente, o sujeito vale o que veste, o que aparenta, o que ostenta. Adoram ao deus Consumismo. Um deus que nunca responde aos anseios por autoestima, realização e conforto moral.

Despreparados para o acesso a condições dignas de vida social e econômica são, em geral, muito mal-educados. Resultado da lobotomia eletrônica executada sem misericórdia pela TV e pela nossa mídia-lixo ocidental. 

Abandonados, sem pai nem mãe, gritam por aceitação marcando encontros em shopping centers. Orfãos do colapso da família, do descarte da memória cultural tradicional e da péssima educação pública disponível para a sua inclusão na sociedade do conhecimento. Fragilizados economicamente, cultural e socialmente, são admitidos na escola onde são mais deformados que formados. Recebem largas doses de construtivismo, psicologismo, relativismo, cientificismo pós-modernismo, tudo misturado a um ambiente completamente entrópico. Superar isto seria um milagre. Sabemos que eles acontecem, mas via de regra, no final do processo industrial de bestialização surgem monstros novinhos em folha da linha de montagem social pós-moderna. É verdade que agora alguns vêm até com cheiro de perfume francês!

Mas, sonhar nunca é demais! Porque não aproveitar para criar nos seus estacionamentos dos shoppings shows culturais de bom nível em horários de pouco movimento. Poderiam ser feitos sorteios, concursos, enfim, algo bem organizado. Devem haver idéias melhores do simplesmente resolver o assunto a bala. Mesmo que sejam de borracha. 

 

 

 

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Eduardo Pereira

Melhor Análise

Parabéns , cara !

Sua análise sem firulas ideologicas é a mais exata do que realmente está acontecendo com esse pessoal , indicando uma falência dessa m... de sociedade pós moderna em que estamos vivendo atualmente , onde a indigência existencial parece ter tomado conta de todos e, sendo o jovem o mais afetado dentre estes !

Coloquemos , assim , nossa fé , ou sonhos , como bem disseste , nos valorosos homens de bom senso ( dos dois lados da referida questão , autoridades e manifestantes   ) e nos nobres valores essenciais que restam ao ser humano , para reverter tal tragédia !

É Eusper , acertaste na mosca , acima da turma do Aliança Liberal , que defende a repressão pura e simples e a porrada como solução , ou o pessoal da ultra esquerda radical que ve o movimento simplesmente como uma reação ao preconceito social e racial (que é ingrediente aí , mas , sinceramente , como disseste , o buraco é mais em cima ) ! O problema crucial , e que a maioria não quer ( ou não consegue ) ver , é a P... do materialismo desenfreado que domina os tempos atuais , onde o valor essencial do ser humano vale menos que uma titica !

Belíssimo comentário , e desafio o Nassif a transformá-lo em um post , já que sua colocação foge a toda mesmice que se falou até agora sobre o referido assunto ! Seria muito rico debater esta sua ( lúcida ) visão !

Abrçs a todos .

 

 

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Rolezinho

Olá Eduardo!

Grato por ler e pelos comentários.

Sérgio Pereira

 

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Pedro Arruda

A quem interessa a política higienista da elite paulistana?

São Paulo, uma cidade cada vez mais careta no meio de tanta gente interessante.

Sabem aquela frase, que muitos paulistanos se vangloriavam de repetir até a exaustão? Refiro-me ao slogan "A cidade que não para". Dizia-se que era possível encontrar lazer, diversão, restaurantes e barzinhos em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. Tudo mentira!

Ontem (12 de janeiro, domingo) eu tentei dar um rolezinho no Mercado Municipal da Lapa, para comprar uns ingredientes para o almoço. Gosto de fazer turismo em São Paulo, explorar a cidade inteira... Como a minha mulher não conhecia o mercado da Lapa, quis lhe mostrar alguma coisa diferente do Mercadão do centro. O mercado da Lapa não estava funcionando, mas não desistimos. Fomos até o mercado municipal de Pinheiros, que também estava fechado. Depois de muito procurar algo diferente pra fazer em São Paulo, fomos parar em Embu das Artes!

Eu poderia citar inúmeros outros exemplos. A Vila Madalena já não é mais a mesma, e certa vez eu encontrei quase todos os barzinhos fechados antes da meia-noite! Também, com tantas regras e proibições... É a Lei do Psiu, a proibição de cadeiras na calçada, a Cidade Limpa... sem falar na parcela de responsabilidade do governo estadual e a insegurança pública que traz cada vez mais medo àqueles que querem se divertir até as altas horas. A propósito, e o transporte publico 24 horas por dia?

No século passado, eu conheci uma cidade que nunca parava. Isso foi na minha adolescência, num lugar localizado entre os municípios de Guarulhos, Osasco, região do ABC etc. A classe média conservadora e a burguesia dessa cidade costumava eleger políticos conservadores para administrá-la: Jânio Quadros, Paulo Maluf, Celso Pitta, José Serra, Gilberto Kassab etc. Então, começaram a criar um monte de regras. A maioria das mudanças era cosmética, dessas que transformam a fachada para manter o mesmo conteúdo. Ou melhor, dessas mudanças superficiais que servem para manter privilégios seculares em nome da "lei e da ordem".

Parece que a vassourinha de Jânio Quadros ressurgiu ali no shopping center JK. Tudo bem, afinal Juscelino ajudou a eleger Jânio Quadros para a presidência, com seu apoio discreto em 1960. Mas o presidente Bossa Nova não está mais aqui para ver essa bosta nova. O presidente pé de valsa ficaria constrangido com o pé na bunda que os pobres continuam tomando da polícia... ou não, como diria o Caetano Veloso, cada dia mais careta (mas deixa pra lá, ele é um baiano-carioca que nessas questões ao menos continua progressista).

Aqui em Sampa, muitos aplaudiram as políticas higienistas adotadas. Quiseram, tentaram e quase conseguiram eliminar os moradores de rua. Muitos prefeitos, apesar de não se chamarem Caco Antibes, não fizeram questão de esconder seu horror diante dos pobres. Então decidiram concretar os vãos sob viadutos para impedir a presença de moradores de rua. E também chegaram ao ponto de colocar obstáculos nos bancos das praças para impedir que uma certa gente diferenciada os utilizasse para uma boa e merecida soneca.

Por falar em política higienista, num bairro com o nome muito parecido alguns moradores não querem saber de pobres. Algumas senhoras, daquelas que em 1964 estavam ao lado de dona Leonor na "Marcha da Família", voltaram às ruas para protestar contra as reformas de base (sim, a construção de uma nova linha/estação de metrô que passaria sob as bases do seu edifício de alto padrão).

É uma cidade cujos nobres "doutores" criticaram em peso a chegada de médicos estrangeiros. O CREMESP chegou a colocar uma gigantesca faixa preta no seu edifício, na Rua da Consolação, com a palavra "Luto". São os mesmos médicos que ficam deslumbrados com concessionárias de carros importados, altos executivos de corporações estrangeiras e a privatização de bancos brasileiros, adquiridos por um Santander ou HSBC. Parece que patrão estrangeiro pode, só não pode trabalhador.

Essa cidade já teve uma administração marcada por uma quantidade incrível de incêndios suspeitos em favelas. Coincidência ou não, assim que o tal prefeito deixou o cargo, os incêndios praticamente desapareceram.

O prefeito apoiou uma lei, chamada Cidade Limpa, que limitava o espaço destinado à propaganda publicitária. A lei em si mesma até que era interessante, mas também serviu como uma grande jogada de marketing. Para a mídia venal, isso serviu para esconder a situação nas periferias e todo o esquema de corrupção na prefeitura. E alguns tolos passaram a acreditar que a cidade estava limpa de verdade.

Nessa cidade, pessoas do mesmo sexo que se amam têm medo de demonstrar afeto em público, porque podem ser espancadas até a morte. E assim como em outros lugares, também encontramos idiotas que repetem a frase "orgulho de ser hetero".

Nessa cidade, manifestantes apanham da polícia por participarem de uma marcha pela legalização da maconha. A propósito, eu estive recentemente no Uruguai e participei de uma marcha parecida: mas em Montevidéu, havia apenas 5 policiais (isso mesmo: cinco!) diante de uma multidão de 10 mil pessoas. Não houve violência, o que comprova um dos slogans das jornadas de junho aqui no Brasil: "Ah, que coincidência, não tem polícia, não tem violência!"

É a cidade dos quatrocentões e da USP, que não forma quase nenhum médico negro.

Em nome da tranquilidade, tentaram acabar com as opções de lazer dos jovens. Quem não se lembra do troglodita da Guarda Civil Metropolitano espancando um skatista na Praça Roosevelt? Acho que todos lembram, mas não sabem (assim como eu) o que aconteceu com o cretino, que acha mais importante o silêncio de um cemitério do que a diversão de um jovem.

Pois é. Essa é a cidade onde algumas pessoas chegam a propor o fechamento do vão livre do MASP com grades ou paredes de concreto! É a cidade onde alguns vizinhos do parque Ibirapuera querem a cobrança de entrada para os frequentadores. Onde as autoridades, que nunca pensam em educação e cidadania de verdade, querem proibir motociclistas de andarem com garupas. É a cidade que fecha bicicletários em estações de metrô, e não pensa em ciclovias como uma opção de transporte para o trabalho e sim uma alternativa de lazer nos finais de semana. É a cidade das regras, dos limites, da punição, das multas. É o lugar onde o presidente da FIESP se vangloria em orquestrar uma ação para os ricos pagarem menos impostos, e os pobres pagarem mais!

É a cidade do apartheid, como é o resto do Brasil.

Mas felizmente é a cidade também do protesto, da indignação, das grandes manifestações. E enquanto eu tiver forças, vou continuar ocupando, xingando, levantando minhas bandeiras, chamando o policial de coxinha, o filhinho de papai de babaca, o autoritário de fascista, a mídia de venal e essas regras de autoritárias. Vou continuar apoiando os sem-teto, porque "enquanto morar for um privilégio, ocupar será um direito". Vou apoiar os maconheiros, porque apesar de não fumar eu defendo o direito individual e entendo que a política baseada na repressão revelou-se completamente equivocada. A repressão não é apenas burra, ela é inócua!!!

Viva a rebeldia, por um mundo mais libertário. Fora autoritarismo!

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Motta Araujo

Elite no Shopping Itaquera?

Elite no Shopping Itaquera? Faça-me o favor.

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Pedro Arruda

A quem interessa o higienismo da elite paulistana?

São Paulo, uma cidade cada vez mais careta no meio de tanta gente interessante.

Sabem aquela frase, que muitos paulistanos se vangloriavam de repetir até a exaustão? Refiro-me ao slogan "A cidade que não para". Dizia-se que era possível encontrar lazer, diversão, restaurantes e barzinhos em qualquer lugar, a qualquer hora do dia. Tudo mentira!

Ontem (12 de janeiro, domingo) eu tentei dar um rolezinho no Mercado Municipal da Lapa, para comprar uns ingredientes para o almoço. Gosto de fazer turismo em São Paulo, explorar a cidade inteira... Como a minha mulher não conhecia o mercado da Lapa, quis lhe mostrar alguma coisa diferente do Mercadão do centro. O mercado da Lapa não estava funcionando, mas não desistimos. Fomos até o mercado municipal de Pinheiros, que também estava fechado. Depois de muito procurar algo diferente pra fazer em São Paulo, fomos parar em Embu das Artes!

Eu poderia citar inúmeros outros exemplos. A Vila Madalena já não é mais a mesma, e certa vez eu encontrei quase todos os barzinhos fechados antes da meia-noite! Também, com tantas regras e proibições... É a Lei do Psiu, a proibição de cadeiras na calçada, a Cidade Limpa... sem falar na parcela de responsabilidade do governo estadual e a insegurança pública que traz cada vez mais medo àqueles que querem se divertir até as altas horas. A propósito, e o transporte publico 24 horas por dia?

No século passado, eu conheci uma cidade que nunca parava. Isso foi na minha adolescência, num lugar localizado entre os municípios de Guarulhos, Osasco, região do ABC etc. A classe média conservadora e a burguesia dessa cidade costumava eleger políticos conservadores para administrá-la: Jânio Quadros, Paulo Maluf, Celso Pitta, José Serra, Gilberto Kassab etc. Então, começaram a criar um monte de regras. A maioria das mudanças era cosmética, dessas que transformam a fachada para manter o mesmo conteúdo. Ou melhor, dessas mudanças superficiais que servem para manter privilégios seculares em nome da "lei e da ordem".

Parece que a vassourinha de Jânio Quadros ressurgiu ali no shopping center JK. Tudo bem, afinal Juscelino ajudou a eleger Jânio Quadros para a presidência, com seu apoio discreto em 1960. Mas o presidente Bossa Nova não está mais aqui para ver essa bosta nova. O presidente pé de valsa ficaria constrangido com o pé na bunda que os pobres continuam tomando da polícia... ou não, como diria o Caetano Veloso, cada dia mais careta (mas deixa pra lá, ele é um baiano-carioca que nessas questões ao menos continua progressista).

Aqui em Sampa, muitos aplaudiram as políticas higienistas adotadas. Quiseram, tentaram e quase conseguiram eliminar os moradores de rua. Muitos prefeitos, apesar de não se chamarem Caco Antibes, não fizeram questão de esconder seu horror diante dos pobres. Então decidiram concretar os vãos sob viadutos para impedir a presença de moradores de rua. E também chegaram ao ponto de colocar obstáculos nos bancos das praças para impedir que uma certa gente diferenciada os utilizasse para uma boa e merecida soneca.

Por falar em política higienista, num bairro com o nome muito parecido alguns moradores não querem saber de pobres. Algumas senhoras, daquelas que em 1964 estavam ao lado de dona Leonor na "Marcha da Família", voltaram às ruas para protestar contra as reformas de base (sim, a construção de uma nova linha/estação de metrô que passaria sob as bases do seu edifício de alto padrão).

É uma cidade cujos nobres "doutores" criticaram em peso a chegada de médicos estrangeiros. O CREMESP chegou a colocar uma gigantesca faixa preta no seu edifício, na Rua da Consolação, com a palavra "Luto". São os mesmos médicos que ficam deslumbrados com concessionárias de carros importados, altos executivos de corporações estrangeiras e a privatização de bancos brasileiros, adquiridos por um Santander ou HSBC. Parece que patrão estrangeiro pode, só não pode trabalhador.

Essa cidade já teve uma administração marcada por uma quantidade incrível de incêndios suspeitos em favelas. Coincidência ou não, assim que o tal prefeito deixou o cargo, os incêndios praticamente desapareceram.

O prefeito apoiou uma lei, chamada Cidade Limpa, que limitava o espaço destinado à propaganda publicitária. A lei em si mesma até que era interessante, mas também serviu como uma grande jogada de marketing. Para a mídia venal, isso serviu para esconder a situação nas periferias e todo o esquema de corrupção na prefeitura. E alguns tolos passaram a acreditar que a cidade estava limpa de verdade.

Nessa cidade, pessoas do mesmo sexo que se amam têm medo de demonstrar afeto em público, porque podem ser espancadas até a morte. E assim como em outros lugares, também encontramos idiotas que repetem a frase "orgulho de ser hetero".

Nessa cidade, manifestantes apanham da polícia por participarem de uma marcha pela legalização da maconha. A propósito, eu estive recentemente no Uruguai e participei de uma marcha parecida: mas em Montevidéu, havia apenas 5 policiais (isso mesmo: cinco!) diante de uma multidão de 10 mil pessoas. Não houve violência, o que comprova um dos slogans das jornadas de junho aqui no Brasil: "Ah, que coincidência, não tem polícia, não tem violência!"

É a cidade dos quatrocentões e da USP, que não forma quase nenhum médico negro.

Em nome da tranquilidade, tentaram acabar com as opções de lazer dos jovens. Quem não se lembra do troglodita da Guarda Civil Metropolitano espancando um skatista na Praça Roosevelt? Acho que todos lembram, mas não sabem (assim como eu) o que aconteceu com o cretino, que acha mais importante o silêncio de um cemitério do que a diversão de um jovem.

Pois é. Essa é a cidade onde algumas pessoas chegam a propor o fechamento do vão livre do MASP com grades ou paredes de concreto! É a cidade onde alguns vizinhos do parque Ibirapuera querem a cobrança de entrada para os frequentadores. Onde as autoridades, que nunca pensam em educação e cidadania de verdade, querem proibir motociclistas de andarem com garupas. É a cidade que fecha bicicletários em estações de metrô, e não pensa em ciclovias como uma opção de transporte para o trabalho e sim uma alternativa de lazer nos finais de semana. É a cidade das regras, dos limites, da punição, das multas. É o lugar onde o presidente da FIESP se vangloria em orquestrar uma ação para os ricos pagarem menos impostos, e os pobres pagarem mais!

É a cidade do apartheid, como é o resto do Brasil.

Mas felizmente é a cidade também do protesto, da indignação, das grandes manifestações. E enquanto eu tiver forças, vou continuar ocupando, xingando, levantando minhas bandeiras, chamando o policial de coxinha, o filhinho de papai de babaca, o autoritário de fascista, a mídia de venal e essas regras de autoritárias. Vou continuar apoiando os sem-teto, porque "enquanto morar for um privilégio, ocupar será um direito". Vou apoiar os maconheiros, porque apesar de não fumar eu defendo o direito individual e entendo que a política baseada na repressão revelou-se completamente equivocada. A repressão não é apenas burra, ela é inócua!!!

Viva a rebeldia, por um mundo mais libertário. Fora autoritarismo!

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Motta Araujo

1-Shoppings são locais

1-Shoppings são locais privados construidos para um fim determinado, NÃO E NUNCA FORAM LOCAIS PUBLICOS.

2-A finalidade do shopping é comercial, existe para facilitar venda de produtos e serviços, não é praça publica, parque ou museu publico, mesmo neste locais HA REGRAS DE USO.

3-Direito de ir e vir NÃOO TEM NADA A VER com aglomeraçõs ou INVASÕES DE GRUPOS PARA REUNIÕES em locais privados. Se assim fosse porque não invasão de HOTEIS, RESTAURANTES, ESCOLAS, HOSPITAIS . CONDOMINIOS RESIDENCIAIS, CLUBES, PREDIOS DE ESCRITORIOS, ESTADIOS, CASAS DE SHOWS?

4-Shoppings sempre funcionam com REGRAS, quanto a horarios, circulação, limpeza,uso dos equipmanetos. Quem estabelece as regras são os donos do shopping.Ponto.

5.O Shopping Itaquera é popular, situado em zona popular, seus usuarios são pessoas do povo, essas invasões prejudicam pessoas do povo da mesma classe social dos invasores, não só usuarios mas tambem funcionarios.

6.O direito de IR E VIR pode ser invocado para que 50 pessoas cerquem em atitude ameaçadora um veiculo levando

um professor de direito constitucional da PUC São Paulo, o mesmo que defende invasão de shoppings . Não é o mesmo sagrado direito de ir e vir ?

6.Multidões invadindo recintos NUNCA FOI PERMITIDO em paises comunistas.

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Ei, avarento branquelo... aceite o direito do povo pobre!

Justiça para o Povo Pobre!

Vamos implodir a casa-grande e mandar os racistas e preconceituosos pelos ares!

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Na minha opinião essa

Na minha opinião essa discussão não condiz com a realidade.

Penso que essa molecada apenas está pedindo um lugar decente, com segurança e com uma boa infraestrutura para se divertir em seus bailes funks ou coisas do tipo nas periferias.  Os rolezinhos nos shoppings são um indicativo disto.

Eles eram obrigados a fazer os seus pancadões nas ruas, o que gerava conflito com bandidos, moradores e policiais.

Está na hora de prefeituras e governo do estado lhes franquear espaços sub-utilizados em clubes, associações ou mesmo ginásios de escolas. Sempre separando menores de maiores.

É uma questão de sentar à mesa e fazer acontecer. Não é difícil.

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Walter o primeiro

Policia não é para policiar

A policia não deve agir, mesmo que dez pessoas tenham sido assaltadas no ponto de onibus na frente deste Shopping pela turma do rolé quando corriam da policia.

A função da policia não deve ser policiar pois caso contrario idiotas como o escritor do texto acima tira conclusões absurdas

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