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As disputas pela terra Suiá Missú, no Mato Grosso

Por Paulo BR.

Há uma situação de crescente tensão numa reintegração de posse no Mato Grosso, e aparentemente o uso da força está se intensificando dos dois lados: centenas de policiais de um lado, centenas de pessoas dispostas ao enfrentamento do outro.

A julgar pelas matérias abaixo, falta muito pouco para um derramamento de sangue. Espero que esse assunto ganhe destaque nacional antes disso.

Prefeito e moradores queimam bandeira do Brasil e deputado diz que Assembleia apoia ato

Olhar Direto, Lucas Bólico e Renê Dióz
- enviados especiais a Estrela do Araguaia (Posto da Mata)

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Prefeito e moradores queimam bandeira do Brasil e deputado diz que Assembleia apoia ato

Por anos a entrada do distrito de Estrela do Araguaia foi reconhecida por uma pequena estátua de Cristo Redentor e uma bandeira brasileira. A partir desta sexta-feira (14), passa a contar apenas com o Cristo. Cerca de 200 moradores e produtores rurais, acompanhados de líderes sindicais, de associações e políticos incendiaram o símbolo maior da pátria em revolta contra o processo de desintrusão que vem retirando todos os não-índios de Suiá Missú, demarcada como terra xavante em 1998.

O ato, planejado exclusivamente para dar repercussão nacional à situação da gleba, tem apoio da Assembleia Legislativa (AL) de Mato Grosso, segundo anunciou o deputado estadual Baiano Filho (PMDB) logo após o protesto – o qual contou com a presença de sindicalistas rurais e produtores de outros pontos da região, sobretudo da cidade de Querência.

 Foto: José Medeiros / Olhar Direto

O peemedebista defende que a queima do lábaro nacional é um ato democrático do setor produtivo que está insatisfeito com o desfecho da disputa jurídica pelas terras. “[O ato tem] apoio nosso da Assembleia [Legislativa], todo parlamento estadual até porque nós da Assembleia entendemos que o que está acontecendo aqui é uma injustiça muito grande”, argumenta.

Quem, do microfone, chamou a população para o protesto anti-patriótico foi o prefeito de São Félix do Araguaia, Filemon Limoeiro (PSD), que detém área em Suiá Missú e já retirou todo o seu gado devido à desintrusão. “Eu convido a todos que vamos lá, abaixar a bandeira brasileira, que é uma vergonha para todos nós, e fazer o ato. Aqueles que concordam, queiram nos acompanhar”, conclamou o peessedista.

A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) e a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat) só não tiveram representantes no ato porque foram intimados pelo Ministério Público Federal (MPF), segundo o qual poderiam ser presos por incentivar impedimento a cumprimento de decisão judicial.

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Lábaro em chamas

Iniciada a manifestação, crianças em fila se dirigiram à base do mastro para puxar a flâmula para baixo, ajudadas por alguns adultos. Após a queda da bandeira, líderes do movimento jogaram álcool e gasolina no tecido e atearam fogo com isqueiros. Enquanto os trapos se desprendiam, a multidão emitia alguns gritos e aplausos.

“Não somos terroristas, somos ruralistas”, gritaram alguns. “Vamos botar uma bandeira dos Estados Unidos no lugar, lá ninguém tá nem aí pra índio não!”, exclamou outro.

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Observados por aproximadamente trinta caminhoneiros retidos no bloqueio mantido na rodovia BR-158, os manifestantes passaram a rasgar os restos chamuscados da bandeira brasileira enquanto algumas crianças corriam, ávidas para mostrar cartazes de protesto às câmeras da imprensa. O ato só se encerrou com a chegada de um ônibus abastecido com alimentos, em apoio aos moradores de Estrela do Araguaia (Posto da Mata). Algumas crianças levavam pedaços de tecido verde, amarelo e azul para casa de bicicleta.

O ato só não saiu como o planejado, porque os manifestantes exaltados acabaram inutilizando a corda do mastro. No lugar do símbolo nacional, os produtores, moradores e políticos, pretendiam erguer um pedaço preto de lona, em sinal de luto.

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Moradores interceptam comboio e tentam resgatar bens de fazendeiro

Olhar Direto, Lucas Bólico e Renê Dióz
- enviados especiais a Estrela do Araguaia (Posto da Mata)

Segund encontro entre manifestantes e policiais acontece na BR 080 durante a noite

Segund encontro entre manifestantes e policiais acontece na BR 080 durante a noite

Cerca de 60 homens de Suiá Missú interceptaram um comboio de vinte viaturas da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e da Força Nacional de Segurança (FNS) na noite desta quinta-feira (13) entre as rodovias BR-080 e BR-158.

Com objetivo de recuperar o caminhão de mudanças de um fazendeiro que tinha sido despejado pelas forças policiais, o grupo de produtores rurais - muitos com pedras na mão e alguns munidos de coquetel molotov escondidos na mata - conseguiu parar o comboio por alguns minutos, encarando dezenas de policiais armados e protegidos por escudos. Os mais exaltados planejavam recuperar o caminhão de mudanças ou incendiá-lo. Os mais contidos buscavam uma negociação.

No entanto, a expectativa por encontrar o veículo acabou frustrada. Após pouco mais de meia hora de espera, só o comboio policial despontou na estrada, com fortes luzes. Vinte veículos – da PRF, da PF e da FNS – foram recepcionados pela população com gritos, não muito altos, de provocação. Os agentes começaram a dar ordens de recuo, pois em caso contrário poderiam atirar, e três representantes dos moradores de Suiá Missú se encaminharam para o meio da estrada de mãos ao alto para negociar o fim do impasse.

José Medeiros/ Olhar Direto

Os moradores explicaram, durante a breve conversa, que queriam resgatar a mobília do fazendeiro. Os policiais responderam que os bens já haviam sido transportados para a base das forças repressoras e que só o proprietário tinha autorização para buscar os móveis.

A conversa ficou um pouco mais tensa quando um dos moradores disse que eles iriam lá buscar o que havia sido retirado da propriedade. Um dos membros da FSN declarou que quem fizesse baderna em órgão do Estado ‘teria problema’. “Estado não, governo federal, porque o governador Silval Barbosa (PMDB) já disse que está do nosso lado”, respondeu um dos manifestantes.

A negociação se encerrou com uma pergunta com resposta inesperada, segundo relata um dos membros da comissão que negociou com os policiais. “Perguntei qual era o nome dele [um dos interlocutores] e ele respondeu ‘Força Nacional’”.

José Medeiros/ Olhar Direto

A caçada continua

Dando sequência à “caçada” às forças policiais iniciada no dia anterior, os produtores rurais toparam com os agentes após terem se concentrado no ponto conhecido como Posto do Arnon, parada de caminhoneiros da região, localizado fora da gleba de Suiá Missú.

Ao lado do posto de combustível, o grupo de moradores organizou por volta das 20h um bloqueio e aguardou a passada do caminhão de mudanças. Alguns improvisaram coletes balísticos sob a roupa com materiais como plástico, telas e couro – precavendo-se contra disparos de bala de borracha, que marcaram o encontro violento entre eles e as forças policiais na tarde de segunda-feira.

José Medeiros/ Olhar Direto

Enquanto esperavam, veículos eram parados e os condutores interrogados a respeito da movimentação na estrada e alguns moradores da gleba iam e voltavam de motocicletas das fazendas nas proximidades para prover informações sobre o deslocamento das forças policiais junto ao caminhão.

A movimentação atraiu menos pessoas que no dia anterior, mas contou com reforços até de fora de Suiá Missú ou das três cidades com áreas abrangidas por ela (Alto Boa Vista, São Félix do Araguaia e Bom Jesus do Araguaia). Moisés Júnior Franco de Souza, 23 anos, por exemplo, saiu de Querência para participar das ações em defesa dos moradores da gleba. “Vim dar apoio ao meu tio, que não arreda o pé”, declarou.

Apagão aumenta tensão

Durante o contato entre moradores e policiais, houve um suspeito apagão. A pane comprometeu o funcionamento da luz elétrica nos postes e no posto de combustível do local, que passou a ser iluminado apenas pelas lanternas dos policiais e de suas viaturas. A tensão aumentou.

A conversa entre policiais e moradores em protesto durou cerca de vinte minutos. Na sequência, a luz elétrica voltou ao funcionamento e mais agentes tomaram a estrada, vindos de viaturas da parte de trás do comboio. Escudos em punho, eles protegeram a passagem dos veículos na BR-080.

Com as forças policiais dispersando-se, os produtores passaram a gritar provocações aos policiais que seguiam seu deslocamento: “Cuidado na hora de passar na ponte!”; “Vamos tocar fogo, hein?!”; “Estão com medo é?!”. Os gritos, no entanto, serviam mais para elevar o moral dos mesmos, segundo um deles. “É mais pra ‘botar pilha’ nos caras”, debochou, falando à reportagem.

Houve também incitações contidas, por parte de alguns, de incendiar um caminhão de nitrogênio e oxigênio que havia parado perto da rodovia para esperar o comboio policial passar. Outro alvo seria um carro da Cemat, o qual chegou ao local poucos minutos antes do encontro entre policiais e produtores, mas os poucos que pensaram em “punir” o carro da empresa pelo apagão durante o episódio foram logo demovidos da ideia.

José Medeiros/ Olhar Direto

Briga pela terra

A interceptação é fruto da revolta dos moradores da gleba Suiá Missú, que desde segunda-feira (10) sofre cumprimento de despejo judicial. Os 165 mil hectares foram demarcados como terra xavante em 1998 e, após uma disputa na Justiça Federal, devem ser esvaziados de toda a população não-índia, entre produtores rurais e os moradores da área urbana do distrito de Estrela do Araguaia (Posto da Mata).

A ação dos moradores foi parte da estratégia de contenção à desintrusão. No primeiro dia, eles entraram em duro confronto com as forças policiais em reação ao despejo sendo cumprido na maior fazenda da região. Pelo menos dez pessoas ficaram feridas. Depois disso, iniciou-se a “caçada” às forças policiais.

Ciente disto, a PF chegou a anunciar mudança de estratégia e de deslocamento para cumprir os despejos na área. E, devido à frustração da tentativa de interceptar as forças policiais ao longo de toda a quarta-feira, chegou-se a se falar em mudança de estratégia também por parte dos produtores e moradores. Por enquanto, contudo, nada leva a crer que a caçada deva se encerrar.

José Medeiros/ Olhar Direto

Moradores de Suiá Missú fazem 'caçada' a policiais; fazendeiros dizem que foi à revelia

Olhar Direto, Lucas Bólico e Renê Dióz
- enviados especiais a Estrela do Araguaia (Posto da Mata)

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Moradores de Suiá Missú fazem 'caçada' a policiais; fazendeiros dizem que foi à revelia

Moradores do Posto da Mata, no distrito de Estrala do Araguaia, entre Alto Boa Vista e São Felix do Araguaia fizeram uma verdadeira 'caçada' durante a tarde desta quarta-feira (12) aos policiais federais, rodoviários federais e aos agentes da Força Nacional que conduzem a operação de desintrusão de não-índios da área demarcada pela Funai em 1998 como terra Xavante.

Líderes da Associação dos Produtores Rurais de Suiá Missú (Aprosum) alegam que não apoiaram a ação. A ‘caçada’ aos agentes federais mobilizou aproximadamente uma centena de homens, divididos entre carros e caminhonetes. Os moradores, que desde ontem não estão mais conseguindo acesso às ações da operação tampouco à sua linha estratégica, saíram entrando nas fazendas atrás das forças policiais.

“Quero deixar muito claro que eu desaprovo essa ação. Eu sou contra”, asseverou o produtor e membro da Aprosum Naves José Bispo, em entrevista ao Olhar Direto. De acordo com ele, o também membro da associação Sebastião Prado é igualmente contra.

 Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Planejada durante mais uma vigília noturna no dia anterior (quando também foi anunciada para a imprensa), a ação de caçada às forças policiais começou cedo da manhã e só foi se encerrar ao fim da tarde, em meio à chuva. Os homens envolvidos na ação percorreram quatro propriedades rurais ao longo da esburacada rodovia federal BR-080, onde concentram-se fazendas de maior porte – as quais foram agrupadas no “grupo 1”, dentre um total de 4, do cronograma de ação das forças policiais.

Embora a princípio cientes da estratégia de deslocamento das forças policiais, os produtores foram se deslocando com base em informações desencontradas e, a cada instante, um novo paradeiro dos agentes era cogitado. De início, eles se concentraram na propriedade de Naves, a fazenda Mata Azul, onde mataram uma vaca para o almoço. Cerca de uma hora depois, começaram a percorrer a BR-080 em busca dos agentes federais.

Em um ponto no caminho, os moradores a bordo das caçambas das caminhonetes recolheram pedaços de pau na mata e pedras para reagir contra as forças policiais se necessário. Os armamentos improvisados acabaram não sendo usados, pois não houve sequer rastro da presença de policiais nas próximas três fazendas nas quais entraram até cerca de 20 km da BR-080.

 Foto:José Medeiros / Olhar Direto

No retorno, o único ‘rastro’ de agentes federais foram notícias dadas por pessoas ao longo da estrada dando conta de sobrevoos de helicópteros – os quais certamente notaram a presença dos veículos em comboio e descartaram uma possível ação naquela área. No perímetro urbano do distrito de Estrela do Araguaia (Posto da Mata), os helicópteros – geralmente “recepcionados” pela população com disparos de rojão – também foram notados.

Ao fim do dia foi divulgado que a Polícia Federal decidiu não mais seguir o cronograma publicado anteriormente de visitas às áreas em via de desintrusão para não ensejar novos confrontos com os moradores locais, como ocorreu na tarde da última segunda-feira. De qualquer maneira, a primeira fase da operação federal de cumprimento do despejo nos 165 mil hectares de Suiá Missú (abrangendo as maiores propriedades da gleba) se encerra no próximo sábado, também segundo divulgaram fontes oficiais nesta quarta-feira.

Foto: José Medeiros / Olhar Direto

Apesar da caçada frustrada, os moradores continuam mobilizados para lutar. Medicamentos e alimentos doados por empresários solidários à causa chegaram hoje ao coração da resistência dos moradores do distrito, o posto de gasolina localizado na entrada de Estrela do Araguaia.

Valtenir alerta sobre derramamento de sangue na gleba Suiá Missú

Olhar Direto, De Brasília - Vinícius Tavares

Foto: José Medeiros/Olhar Direto

Valtenir alerta sobre derramamento de sangue na gleba Suiá Missú

O deputado federal Valtenir Pereira (PSB-MT) alertou o presidente da república em exercício, Michel Temer (PMDB), sobre o risco de haver derramamento de sangue entre os ocupantes da gleba Suiá Missú e integrantes da Força Nacional de Segurança que executam ação de despejo na região a ser transformada em reserva indígena Maraiwatsede.

O parlamentar, que integrou a comitiva da bancada federal que reuniu-se com Temer na noite de terça-feira (11.12), em Brasília, disse ao presidente que o Brasil corre o risco de ficar cum a imagem arranhada diante da comunidade internacional devido à decisão do governo federal de promover a desintrusão das famílias.

Temer tem reunião com ministros e pode evitar despejo em Suiá Missú

"Eu disse a ele que a comunidade internacional está atenta ao problema. Estamos correndo o risco de deixar ocorrer derramamento de sangue. O conflito já começou. Já tivemos incidentes entre a polícia e os moradores que não querem deixar a área", revelou.

Pontes serão fechadas em Barra do Garças às 15 horas desta quarta-feira

Ao presidente interino, Valtenir elogiou a presidente DIlma Rouseff e do próprio Michel Temer pela condução do governo federal, mas pediu atenção e uma solução para evitar derramamento de sangue na região, já que os moradores estão dispostos a resistirem à desocupação da área iniciada no final de semana.

"Disse também que este conflito pode se tornar uma mancha de sangue na presidência da república. Não pode a presidente Dilma e o seu vice-presidente deixarem isso acontecer, sob pena de mancharem a imagem do Brasil no âmbito internacional. A solução só depende da presidência da república", ressaltou.

Michel Temer tem reunião nesta quarta-feira com os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo, da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, e com o advogado Geral da União (AGU), Luiz Inácio Adams, para buscar mais informações sobre o caso.

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+14 comentários

Deixo minha crítica e repúdio aos políticos envolvidos nas grilagens  de terra de suiá missú e que queimaram a bandeira do nosso país, pois enriquecem a custo de nossos impostos, compram grandes propriedades e depois cospem e destroem nossa bandeira, pisam em nosso sonho, simbolo máximo da nação! VOCÊS SÃO CRIMINOSOS E DÉSPOTAS, E DEVEM RESPONDER POR ISSO. Vocês estão instigando o povo, fazendo-os de massa de manobra a fim de que este defenda seus patrimônios irregulares, fruto de grilagem. Pondo em risco vidas inocentes... Será mesmo verdade, que covardemente atrairam pessoas para a região vendendo terras irregulares a fim de aumentarem suas forças, e neste hambito se tornaram responsáveis pela desgraça do povo que dizem defender? Isto é muito sério...

 

O que ajudando a ferrar esse país é a falta de educaçao de ambos os lados, nao sei porque dar terras pra indios, eles nao fazem nada com ela e ainda revendem pra estrangeiros se preciso for, nosso territorio é nosso e de mais ninguem, os indios deveriam ser mandados todos para uma area que nao tivesse recurso minerais essenciais a economia do País. Qunto a queimar a bandeira nacional, lamentave, demonstra o que realmente esse tipo de gente faz pelo seu país, nada que preste.

 

Europa e EUA estão interessados num raro mineral chamado NIÓBIO, o Brasil detém a maior parte desse minério em seu subsolo.


Querem internacionalizar, controlar os territórios onde há nióbio. No MT está cheio de ONGs europeias que adentram aldeias. Os índios enviam relatórios sobre a situação das reservas, com fotos, para o exterior.


Já está articulado, e dificilmente o governo voltará atrás. O Brasil detém em seu subsolo uma quantidade enorme desse NIÓBIO, que é o motivo das futuras desapropriações de terras que ainda acontecerão, pois na verdade, suia missu é apenas a ponta do iceberg do que está por vir.


Primeiro transforma a área produtiva em reserva e depois internacionaliza disfarçadamente. A descupa é proteger o meio ambiente, mas os índios ateiam fogo na mata para afugentar animais a fim de caça-los com mais facilidade. Quem conhece um pouco da cultura indígena sabe desse hábito, bem antigo.


Se vc sobrevoar uma reserva indígena, verá a quantidade de hectares de matas queimadas. Essas áreas demoram anos para se tornar florestas novamente.


Ao redor das fazendas as matas são densas e verdes, mas ao redor das aldeias são ralas, o solo é preto devido às queimadas propositais dos indigenas. Os agricultores não queimam as matas pois sabem da multa que pagariam por isso, pois para os não-índios existe punição!


85 por cento dos xavantes nem querem mais a Suia Missu, os caciques estão do lado dos agricultores contra as desopropriações, pois preferem outra reserva que foi oferecida em troca, mas o governo do PT insiste em entregar a Suia Missu.


RESUMINDO: MATO GROSSO PASSARÁ DE PRODUTOR MUNDIAL DE GRÃOS PARA SE TORNAR PROPRIEDADE DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS.


O BRASIL ESTÁ PERDENDO DE NOVO, GRAÇAS AO PT !!!

 

http://telmadmonteiro.blogspot.com.br/2012/12/o-niobio-e-nosso-e-os-resi...

O nióbio é ‘nosso’ e os resíduos radioativos/tóxicos também, artigo de Norbert Suchanek
O câncer é nosso!
Um dia o homem do Brasil vai acordar e descobrir que nióbio não é para comer: Uma polêmica sobre a febre de nióbio no Brasil e os riscos dos resíduos radioativos e a concorrência com o Canadá.


“O nióbio é nosso!” Vários websites, blogs e tweets estão fazendo nesta fase de final de ano uma campanha para um metal pesado que antigamente foi chamado “Columbinum”, uma homenagem a um genovês famoso que viajou com uma caravela da Espanha para o Oeste.
Os textos brasileiros de hoje falam: Nióbio, é uma riqueza que o povo brasileiro desconhece. Mas que o Brasil está vendendo por centavos. Os textos criticam que um contrabando de nióbio estaria financiando a Rede Globo Minas com a venda subfaturada de nióbio. E no youtube circula atualmente um filme com o título “Acorda Brasil! Nióbio: Brasil 98 X Canadá2″, porque o nosso país produz 98porcento do nióbio do mercado mundial e o Canadá somente 2 porcento.
É verdade que o Brasil é o maior produtor e exportador de nióbio e também dono das maiores jazidas do mundo. E também é a verdade que vários países industrializados, como China, EUA, Japão, Alemanha e Coréa dependem das importações deste metal pesado, extraído atualmente do subsolo de Minas Gerais e Goiás. Este metal pesado e raro é um componente fundamental dos aços de alta resistência, usados na fabricação de automóveis, aviões, foguetes, na construção civil e na indústria naval. Ele também é especialmente importante para a indústria de petróleo na construção de plataformas de petróleo e na produção de tubulações de óleo e gás. Mais de 30 porcento de todo nióbio produzido mundialmente está sendo usado só para fabricar dutos!
É muito claro: sem nióbio, a indústria do petróleo – o grande vilão do meio ambiente – terá problemas. Mas “o nióbio é nosso!” Com este quase-monopólio do Brasil na produção de nióbio e a forte demanda, as empresas brasileiras poderiam pedir qualquer preço no mercado mundial.
Mas a situação é uma outra. Já por um bom tempo as duas minas de nióbio em operação são privadas e multinacionais. Quase dez porcento da produção de nióbio do Brasil está diretamente na mão da empresa chamada Anglo American, proveniente da África do Sul. “Por meio da Mineração Catalão, Anglo American é uma das maiores produtoras de nióbio do mundo, com operações nos municípios de Catalão e Ouvidor em Goiás“, escreve a mineradora poderosa que está no Brasil desde a ditatura militar, em 1973.
Mas a maior mina de nióbio do Brasil e do mundo está localizada em Minas Gerais perto da cidade de Araxá. A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração (CBMM) é dona desta mina que produz 90 porcento do nióbio do Brasil. No website da CBMM está escrito: “A Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração, do Grupo Moreira Salles, é uma empresa nacional que extrai, processa, fabrica e comercializa produtos à base de nióbio.” Mas isto só tem menos de 50 % de verdade. Já por um bom tempo o nióbio de Araxá está multinacionalizado. 45 porcento da CBMM pertence à empresa de petróleo da Califórnia Unocal que é parte da grande concorrente da Petrobrás, Chevron. Isto faz sentido porque uma empresa de petróleo depende de dutos e plataformas que precisam de nióbio. Agora desde 2011, outros 30 porcento da CBMM foram vendidos para empresas da China, Japão e Coréa. A família Moreira Salles ganhou quase 4 bilhões de dólares com esta venda.E o que ganha a população de Araxá? Alguns postos de trabalho e provavelmente um banho de radiação elevada e um alto risco de câncer.
A internet está cheia de artigos sobre o contrabando de nióbio, a sua venda subfaturada. Mas a mineração deste metal pesado também tem um lado muito mais escuro e irradiante no mesmo momento: resíduos radioativos e tóxicos! Uma pesquisa de 1993 feita pelo Instituto de Radioproteção e Dosimetria da CNEN no Rio de Janeiro concluiu: 
“Contaminação interna com material radioativo de trabalhadores de mineração é um problema comum no Brasil. Isto é causado pela presença de urânio, de tório, e seu decaimento natural associado com o minério extraído. Os exemplos claros são os trabalhadores na mina de nióbio localizada no Estado de Goiás. O nióbio está associado com quantidades consideráveis de urânio e tório, mas a mina não é legalmente sujeita a requisitos de protecção contra as radiações.”
Esta pesquisa foi feita na mina de nióbio em Goiás. A mina de Araxá que é dez vezes maior do que a mina da Anglo American não fez parte desta pesquisa, mas o nióbio de Araxá é também associado com os mesmos minérios radioativos.
Durante o processo da mineração e da concentração do minério são produzidas toneladas de rejeitos radioativos que são depositados em barragens de resíduos. E isto apresenta um alto risco de contaminação ao meio ambiente e à saúde humana, podendo afetar não apenas os trabalhadores, mas também a população local. Até hoje apenas poucos autores falam sobre este risco no Brasil. Um dos poucos é o colunista Gilson B. Santos do Jornal “A Voz de Araxá“, uma publicação corajosa desta cidade mineira de Araxá com mais ou menos 95.000 habitantes.
Câncer – Índice cresce em Araxá!
“Uma coisa é fato hoje em Araxá –MG, temos um número alarmante de pessoas com câncer e problemas respiratórios”, escreve Gilson e nomea também a causa: A mineração e processamento de nióbio. “Solo, água e ar contaminados resultam dos poluentes liberados da atuação mineradora da CBMM. Não é necessário ser médico ou especializado na área de saúde ambiental para chegar à conclusão de que dezenas de milhares de toneladas por ano de poeira abundante em suspensão de ferro, tório, chumbo, fosfato e demais minerais é deletéria à saúde. Agredida por tais minerais estranhos à normalidade do funcionamento do organismo humano e ambiental, a população apresenta aumento de doenças respiratórias juntamente com doenças degenerativas, demência assim como câncer.”
Em outubro de 2012, Gilson denunciou mais uma vez na Voz de Araxá: “Câncer – Índice cresce em Araxá! Chegou a hora de nós araxaenses criarmos vergonha na cara e exigir a verdade de nossas autoridades sobre os números reais de câncer em nossa cidade. Dados nos indicam que hoje já são mais de 10.000 casos na cidade, e até 2030 teremos uma media de mais de 40% da população com a doença em Araxá.”
Por causa deste alto risco de contaminação, os cidadãos, povos indígenas e ONGs de meio ambiente do Canadá estão lutando contra a mineração de nióbio neste país. O Canadá já por muito tempo poderia produzir mais nióbio. Mas desde 2003 os indígenas Mohawk e canadenses locais lutam contra uma nova mina de nióbio em Quebec. Os Mohawk não querem que as suas terras e águas sejam contaminadas com os rejeitos radioativos deste projeto da mineradora Niocan.
No Brasil a situação é ao contrário. Uma luta contra a mineração de nióbio é quase invisível, só uma luta a favor da mineração está divulgada em massa. Os lobies do nióbio querem ainda aumentar a mineração. Até as jazidas de nióbio nos territórios indígenas no Alto Rio Negro ou na Raposa Serra do Sol podem ser exploradas para enriquecer o povo do Brasil.
Mas economicamente falando – de um capitalista para outro – um aumento da produção de nióbio não faz sentido para o Brasil. Mais uma mina de nióbio significa só mais concorrência com o resultado de uma depreciação do preço do nióbio no mercado mundial. Só um idiota cria concorrência em sua própria casa. Também o Brasil já tem Araxá, a maior mina de nióbio da planeta com a capacidade de abastecer o mercado mundial para mais de 400 anos!
Claramente as forças internacionais, as mineradoras e a indústria internacional de aço e de dutos e da construção civil gostariam ter muito mais nióbio disponível, porque assim o preço seria mais barato no mercado. Mas isto não é a favor nem da economia e nem da saúde do povo do Brasil.
Resumo: Por enquanto a situação é assim: o nióbio do solo brasileiro é para a exportação e enriquecimento de poucos e o risco de câncer é para a população do Brasil.
“O lucro é deles, o câncer é nosso!”
Assim o nióbio não é muito diferente dos outros comodities como soja ou café. As frutas da terras do Brasil são para exportação, o que fica na terra e nas águas do Brasil são os pesticidas e adubos químicos, que também podem causar câncer além de outras doenças mortais. O Brasil é o maior consumidor de pesticidas no mundo, e muitos destes pesticidas são proibidos exatamente em países que são importadores destes produtos agrícolas brasileiros.
A maior riqueza do Brasil não são nióbio, soja ou urânio. A maior riqueza são os rios e as águas subterrâneas limpas, solos saudáveis e férteis, povos e pessoas tradicionais que ainda sabem usar a grande biodiversidade das florestas e outros biomas de forma sustentável e social. Mas tudo isto é uma riqueza em extinção por causa de uma indústria predatória, insustentável e sem pátria que precisa de elementos perigosos como o nióbio.
“O nióbio é nosso – deixamos este minério no solo!”
Norbert Suchanek, Rio de Janeiro
Norbert Suchanek, Correspondente e Jornalista de Ciência e Ecologia, é colaborador internacional do EcoDebate Postado em EcoDebate, 21/12/2012 

 

mpaiva

Estranha sua análise mulher ... ongs , ambientalistas e defensores de direitos indígenas andam às turras com o governo que avança sem piedade com os tratores do progresso , flexibilizando usos de reservas anteriormente protegidas ... 

Saiu hoje um post ( um pouquinho mais complexo )  aqui mesmo no Nassif , sobre o novo Marco Regulatório da Mineração , em estudo pelo governo ... talvez os seus receios sejam infundados afinal :

http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-debate-do-novo-marco-legal-da...

Recomendo .

Abç

 

mpaiva

Europa e EUA estão interessados num raro mineral chamado NIÓBIO, o Brasil detém a maior parte desse minério em seu subsolo.


Querem internacionalizar, controlar os territórios onde há nióbio. No MT está cheio de ONGs europeias que adentram aldeias. Os índios enviam relatórios sobre a situação das reservas, com fotos, para o exterior.


Já está articulado, e dificilmente o governo voltará atrás. O Brasil detém em seu subsolo uma quantidade enorme desse NIÓBIO, que é o motivo das futuras desapropriações de terras que ainda acontecerão, pois na verdade, suia missu é apenas a ponta do iceberg do que está por vir.


TODA A REGIÃO ACIMA DE BARRA DO GARÇAS SE TRANSFORMARÁ EM RESERVA E DEPOIS EM ÁREA INTERNACIONAL.


Primeiro transforma a área produtiva em reserva e depois internacionaliza disfarçadamente. A descupa é proteger o meio ambiente, mas os índios ateiam fogo na mata para afugentar animais a fim de caça-los com mais facilidade. Quem conhece um pouco da cultura indígena sabe desse hábito, bem antigo.


Se vc sobrevoar uma reserva indígena, verá a quantidade de hectares de matas queimadas. Essas áreas demoram anos para se tornar florestas novamente.


Ao redor das fazendas as matas são densas e verdes, mas ao redor das aldeias são ralas, o solo é preto devido às queimadas propositais dos indigenas. Os agricultores não queimam as matas pois sabem da multa que pagariam por isso, pois para os não-índios existe punição!


85 por cento dos xavantes nem querem mais a Suia Missu, os caciques estão do lado dos agricultores contra as desopropriações, pois preferem outra reserva que foi oferecida em troca, mas o governo do PT insiste em entregar a Suia Missu.


RESUMINDO: MATO GROSSO PASSARÁ DE PRODUTOR MUNDIAL DE GRÃOS PARA SE TORNAR PROPRIEDADE DOS PAÍSES DESENVOLVIDOS.

 

Entenda o caso

Os Xavante que viviam na área batizada como Marãiwatsédé (“mata fechada”, na sua língua) foram  removidos de seu território em aviões da Força Aérea Brasileira pela Ditadura em 1966. Com objetivo de incentivar a colonização da região nordeste de Mato Grosso, entre as bacias do Xingu e do Araguaia, o governo federal forçou os indígenas a seguirem para a Missão Salesiana São Marcos, a cerca de 400 quilômetros, onde enfrentaram uma epidemia de sarampo que dizimou dois terços do grupo. Desde aquela época, o povo de Marãiwatsédé tenta retornar à sua área, que, por sua vez, foi vendida para o Grupo Ometto, tornando-se conhecida como Fazenda Suiá Missu, o maior latifúndio do mundo. Ela chegou a ter nada menos que 800 mil hectares.


"Vamos matar os índios" e "Índio bão é índio morto", ódio contra os Xavante. Foto: Divulgação

Nos anos 80, a fazenda foi vendida para a empresa italiana AGIP Petroli, que no final da década sofreu fortes pressões de grupos ambientalistas da própria Itália da Campanha Norte e Sul. A mobilização culminou no constrangimento do grupo empresarial na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 1992, a Eco 92, ao ponto de o presidente da corporação, Gabriel Cagliari, prometer a devolução da área aos Xavante. Na semana em que acontecia a Eco 92, o gerente da fazenda, Renato Grillo, juntou-se a políticos locais contrários ao retorno dos indígenas. Em vez da desocupação, foi organizada a invasão de parte da área na localidade conhecida como Posto da Mata, episódio amplamente divulgado nos meios de comunicação.

Ainda em 1992, já haviam sido iniciados os estudos da FUNAI para identificação do território Xavante, homologado em 1998 pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, apesar do processo de invasão e de denúncias pela urgência da desintrusão à época. Em maio de 1995, saiu a primeira decisão da Justiça determinando a desintrusão. E apenas em 2004, após ficarem acampados por 10 meses à beira da Rodovia BR-158, um grupo de Xavante de Marãiwatsédé conseguiu, com respaldo em uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), retomar uma parte diminuta de seu território, onde permanecem até hoje. Em 2010, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) julgou por unanimidade que os ocupantes não indígenas agiram de má-fé e não têm direito à indenização. Em 2011, os deputados José Geraldo Riva e Adalto de Freitas aprovaram uma lei inconstitucional na Assembleia Legislativa de Mato Grosso, chancelada pelo governador Silval Barbosa, colocando à disposição a União o Parque Estadual do Araguaia em permuta à Terra Indígena Marãiwatsédé.


Representantes dos Xavante protestam durante a Rio+20, no Rio de Janeiro. Foto: Daniel Santini

Três dias depois, o desembargador do mesmo TRF-1 Fagundes de Deus considerou que havia possibilidade de acordo e suspendeu por liminar a decisão que autorizava a desintrusão. Esta liminar foi derrubada em maio de 2012 pelo desembargador Souza Prudente. Pressionada pelos Xavante naConferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento de 2012, a Rio+20, em agosto a FUNAI apresentou o plano de desintrusão, mas, em setembro, o vice-presidente do TRF1, Daniel Dias, voltou a suspender o processo por força de recursos interpostos pelos fazendeiros, representados pelo advogado Luiz Alfredo Feresin de Abreu, irmão da senadora Kátia Abreu, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O caso chegou ao STF, quando seu então presidente, ministro Carlos Ayres Britto, derrubou a liminar, autorizando a continuidade do processo de desintrusão. No dia 7 de novembro começaram as notificações para retirada dos invasores.
 

http://www.reporterbrasil.org.br/exibe.php?id=2143

 

mpaiva

Essa queima de bandeira suscita outras imagens 

 

E cade o lado dos índios?

Quem motivou a ocupação de terras que sabiadamente pelo menos desde 1998 estavam irregulares?

 

Isso aqui está cheirando a Pinheirinho.

Intrusão de terras fomentadas por grupos políticos, assentamento, justiça, reintegração de posse, violência, mídia.

Passo a passo está igualzinho ao Pinheirinho.

 

...tava até estranhando uma reportagem tão detalhada sobre um confronto político com forças de repressão. é porque é uma confrontação movida pelos ruralistas, e a razão dos protestos --a demarcação de terras indígenas e o cumprimento desse ato-- só aparece miudinha no final.

...de minha adolescência anarquista até aqui, pensava que nunca ia ver a polícia do lado certo em conflitos de natureza política. vamos ver quanto tempo dura.

 

Do que entendi desse imbróglio:

1) Grandes "proprietários"( apareceram nomes de políticos e desembargadores, por exemplo) tomaram conta da área. Quando começaram a ver que perderiam as terras, fizeram a própria "reforma agrária" : distribuíram boa parte das terras a pesquenos produtores, com o único intuito de ocupá-las e usar esses pequenos como argumento contra a desintrusáo. Isso está ocorrendo agora: há uma semana, antes de ler a reportagem do Midia News, eu mesmo estava incomodado com a falta de sensibilidade da Justiça e do Governo com aqueles que estavam sendo expulsos das terras. Todo dia as TVs de MT colocam nos telejornais os depoimentos de dramas de pequenos produtores que estão a perder tudo.

2) Boa parte da imprensa de MT reforça a percepção de injustiça : não mostra o nome dos grandes proprietários da região; não mostra os argmentos da FUNAI, MP, AGU, etc, que levaram a JUSTIÇA a ordenar a desistrusão. A idéia é: o governo não tem dó das pessoas, tira tudo delas somente para ficar bem com as ONGs que defendem os índios; o problema é o Governo do PT.

3) A imprensa não divulga tambem, que o Decreto Presidencial que delimitou a área indígena, de 1998, foi assinada por FHC, o então presidente. NUNCA li nenhuma notícia colocando o nome dele (para o bem ou para o mal). Usam o episódio para causar desgaste no Governo Federal, que está apenas cumprindo uma odem judicial transitada em julgado.

4) Me parece que haverá um assentamento, com direito a crédito, para os expulsos do local, obedecidos certos critérios: http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/11/governo-nao-ira-indenizar-familias-que-ocupam-area-indigena-em-mt.html. Os demais não receberão nada, já que são considerados ocupantes de má fé pela Justiça.  A reportagem do Site "Midia News"que coloquei aqui não deixa dúvidas sobre isso: as reuniões que "organizavam" as invasões estão fartamente documentadas. As pessoas sabiam que eestavam invadindo terras indígenas, tentaram "um jeitinho" ( ocupá-las para formar um fato consumado) , que não funcionou. O que está acontecendo é somente o peso da lei. Falta, na minha opinião, cadeia para os que organizaram a ocupação de 1992, a qual podeia ser combinada com algum tipo de ajuda mais concreta aos ingênuos que foram usados para isso (pequenos produtores de terra).

 

O governo poderia estudar uma medida intermediária onde houvesse indenização aos índios pelas terras perdidas ou aos agricultoras para que eles pudessem se intalar em outras terras. 

Salomônicamente poderia propor um acordo onde cada parte abriria mão da metade. Sei lá.

A última alternativa deveria ser o uso da violência e ela deverá ser evitada a qualquer custo.

 

Aqui uma reportagem que ajuda a jogar mais luz sobre essa bagunça. Me parece que o "Olhar Direto" não repercutiu isso:

http://www.midianews.com.br/conteudo.php?sid=3&cid=143439

Governo do Estado teria apoiado ocupação de área xavanteEm gravação, prefeito e líderes locais afirmam que sabiam que área pertencia aos índiosAudio

Titulo:  Ouça aqui a gravação da reunião

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Jardel Patricio Arruda

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Moradores e forças de segurança entram em confronto na segunda-feira, primeiro dia da desocupação

CAROLINA HOLLAND
DA REDAÇÃO

Uma gravação feita durante reunião realizada no dia 20 de junho de 1992, no Distrito de Estrela do Araguaia, no Vale do Araguaia (Nordeste de Mato Grosso), revela que líderes locais sabiam que a polêmica área de Suiá-Missú era uma reserva indígena.O áudio aponta, ainda, que a ocupação foi incentivada pelo então prefeito de Alto Boa Vista, José Antônio de Almeida, o “Baú”.

A gravação, feita pela Rádio Mundial FM, que acompanhou o encontro, mostra detalhes da discussão e foi entregue ao Ministério Público Federal em Mato Grosso. O MidiaNews teve acesso a uma cópia do áudio.

O então prefeito teria obtido o aval e o respaldo do Governo do Estado, que, na época, era comandado pelo hoje senador Jayme Campos (DEM). 

O distrito, hoje conhecido como Posto da Mata, é localizado dentro da terra indígena de Marãiwatsédé, que tem 165 mil hectares e foi reconhecida pela Justiça como território xavante. É uma das áreas que terão que passar pelo processo de desocupação da região, iniciado na segunda-feira (10). 

No encontro, os participantes deixaram claro que a ocupação seria feita para evitar que os índios retomassem a área, e que a volta deles não seria aceita pelos posseiros. E distribuíram mapas indicando quais lugares poderiam ser invadidos. 

Uma semana antes, durante a Eco 92, no Rio de Janeiro, a Agip (multinacional italiana) se comprometeu a devolver a área da Fazenda Suiá-Missú (Liquifarm Agropecuária Suiá-Missú), um dos maiores latifúndios do mundo, aos xavantes. 

Participaram do encontro, que teve o objetivo de “organizar” o movimento, além de Báu, o então vereador e candidato a prefeito de Alto Boa Vista, Mazim Kalil, Renato Grillo, à época gerente da Agip no Brasil, o advogado Ivair Matias, Filemon Limoeiro, atual prefeito de São Félix do Araguaia, e posseiros. 

Um dos primeiros a falar na reunião foi Mazim Kalil, o Mazinho, que disse que a área, que já tinha sido da Itália, agora era dos brasileiros e que, se os índios tivessem que voltar para suas terras, teriam que "tomar todo o Brasil”. 

Imagem cedida pelo MPF


Posseiros, políticos e advogados se reúnem no Posto da Mata, em 1992



“Como é que vai colocar índio no meio do povo? O índio... tem que colocar ele no habitat natural....Então, isso é ilusão de algumas pessoas que querem fazer de nós, o povo da região, nós, os brasileiros, de bobos. Achando que aqui só tem índio também, beiço furado, que vai deixar talvez gringo chegar e ficar mandando no que é nosso”, disse. 

Ao assumir o microfone na reunião, o então prefeito “Baú" disse que, quando surgiram os primeiros comentários sobre a possiblidade da volta dos xavantes para a região, "todo o povo ficou muito preocupado”. 

O prefeito citou ainda o apoio do Governo do Estado à invasão da propriedade e se esquivou de ser o mentor da ocupação.

“Nós não somos mentores de invasão de propriedade (...). Se a população achou por bem tomar conta dessas terras, em vez de dá-las pros índios, nós temos que dar esse respaldo. Esta área ainda não foi passada a escritura para os índios. Nós já conversamos com o governador: o governador dará todo respaldo ao povo”, disse.

Baú também declarou, durante o encontro, que esperava que todos os posseiros tivessem sucesso em “não aceitar o retorno dos índios”.

“Nós realmente não queremos índios aqui porque senão iria desvalorizar a região”, afirmou.

O advogado Ivair Matias também deixou claro seu posicionamento contrário à volta dos xavantes à terra. “Isso é um movimento irreversível! Aqueles que têm alguma esperança de ver concretizada essa reserva, podem tirar o cavalinho da chuva”, afirmou. 

No encontro, Filemon também se disse desfavorável à ocupação indígena. “Chegou um ponto... ou nós ou eles. E preferimos ser nós, porque temos o direito. Ia ser jogado nas mãos dos índios! Um direito que não sei onde acharam!”

Ele também sugeriu que os índios fossem levados pra outro lugar, para não “atrapalhar a região”. 

“Tem um monte de país que não tem índio. Pode levar metade! Leva pra lá! Não vem jogar em nós não. Atrapalhar um município recém-criado aqui, se colocar índios aqui, acaba!," disse

Mapa

No mesmo dia da reunião, Mazinho distribuiu mapas da fazenda Liquifarm Agropecuária Suiá-Missú, que indicavam as áreas que poderiam ser invadidas pelos posseiros e as que deveriam ser “respeitadas”.

“Nessa negociação que nós fizemos com a fazenda, eles pediram para não mexer aqui nessa terra. Aqui é um outro título, que tem uns três proprietários – aqui é tudo da Liquigás, mas empresas diferentes e eles querem manter as coisas deles. Então, nós devemos respeitar porque eles não vão mexer com vocês! Já conversamos com o governador, o governador também não vai mandar Polícia. Não tem nada, podem ficar tranquilos”, afirmou.