16 de agosto de 2026

ABI relembra 50 anos de atentado contra sua sede durante a ditadura

Edição especial resgata documentos sobre explosão de 1976 e reforça papel da imprensa livre na defesa da democracia
Crédito: Divulgação/ ABI

ABI lança edição especial para marcar 50 anos do atentado com bomba em sua sede no Rio, em 1976, durante a ditadura militar.
Ataque foi reivindicado pela Aliança Anticomunista Brasileira, grupo de extrema direita que deixou panfleto no local da explosão.
Em homenagem, ABI fará ato no edifício atingido e instalará placa em defesa da democracia e da liberdade de imprensa.

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Resumo gerado por Inteligência artificial

A Associação Brasileira de Imprensa (ABI) lançou uma edição especial de seu boletim para lembrar os 50 anos do atentado contra a sede da entidade, no centro do Rio de Janeiro. A explosão da bomba ocorreu em 19 de agosto de 1976, durante a ditadura militar (1964-1985), e é considerada parte da onda de ataques promovidos por grupos de extrema direita contra instituições e setores que defendiam a abertura política.

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A bomba explodiu no sétimo andar do edifício da Rua Araújo Porto Alegre, número 71, próximo à sala da presidência da ABI. Dois banheiros foram destruídos, além de áreas de salas vizinhas, do elevador e de outros dois pavimentos. Ninguém ficou ferido.

A publicação, lançada neste sábado (15), reúne documentos históricos, fotografias e relatórios produzidos durante o regime militar. O material também recupera a repercussão do atentado e destaca a importância da liberdade de imprensa no enfrentamento à censura e à violência política.

Documentos da ditadura

Entre as principais fontes utilizadas na edição especial está o Boletim da ABI de julho e agosto de 1976, publicado pouco depois da explosão. A publicação também apresenta informações de documentos produzidos pelos órgãos de inteligência do regime.

Um dos registros é um relatório confidencial do Serviço Nacional de Informações (SNI), produzido em setembro daquele ano e posteriormente disponibilizado pelo projeto Memórias Reveladas, do Arquivo Nacional.

Segundo a ABI, o documento revela o nível de monitoramento realizado pelos órgãos de segurança sobre reuniões, atividades e integrantes da entidade.

A edição foi organizada pelo conselheiro da ABI Geraldo Cantarino e inclui imagens dos danos provocados pela explosão no prédio de 13 andares, inaugurado em 1938 e considerado um marco da arquitetura moderna brasileira. O imóvel continua sendo a sede da associação.

Ataque foi reivindicado por grupo de extrema direita

A autoria do atentado foi reivindicada pela Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), grupo paramilitar de extrema direita que deixou um panfleto no edifício após a explosão.

No texto, a organização acusava a ABI de estar sob influência comunista e dizia que o ataque seria uma primeira advertência.

A entidade era presidida na época pelo jornalista Barbosa Lima Sobrinho e reunia profissionais como Alberto Dines, Maurício Azêdo, Marcelo Beraba e Odylo Costa Filho.

Para o atual presidente da ABI, Octávio Costa, a defesa da liberdade de imprensa, dos direitos humanos e da livre manifestação do pensamento transformou a instituição em alvo de grupos contrários ao processo de abertura política promovido durante o governo do general Ernesto Geisel.

Onda de atentados

A explosão na ABI ocorreu em meio a uma sequência de ataques destinados a intimidar movimentos e instituições que defendiam a redemocratização do país.

No mesmo dia, uma bomba atribuída à AAB foi colocada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também no Rio de Janeiro. O artefato não chegou a explodir devido a uma falha no mecanismo de detonação.

No dia seguinte, 20 de agosto, duas bombas do tipo coquetel molotov foram lançadas durante a madrugada contra a 1ª Auditoria da 3ª Circunscrição Militar, em Porto Alegre. O ataque provocou um princípio de incêndio.

Em 4 de setembro, uma bomba caseira explodiu durante a madrugada no Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), em São Paulo.

Segundo levantamento citado pela ABI, o Jornal do Brasil registrou nove atentados terroristas no Rio de Janeiro entre agosto e novembro de 1976. Oito deles teriam sido reivindicados pela AAB.

Apesar da mobilização dos órgãos de inteligência e repressão, os responsáveis pelos ataques não foram identificados.

Homenagem

Para marcar o aniversário do atentado, a ABI realizará na próxima quarta-feira (19), às 17h, um ato no sétimo andar do edifício-sede, local atingido pela explosão há cinco décadas.

Durante a cerimônia, será instalada uma placa com uma mensagem de repúdio ao terrorismo e de defesa da democracia.

Segundo Octávio Costa, a entidade pretende reafirmar, com a homenagem, seu compromisso com a defesa do Estado Democrático de Direito e com a liberdade de imprensa.

*Com informações da Agência Brasil.

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Camila Bezerra

Graduada em Comunicação Social – Habilitação em Jornalismo pela Universidade. com passagem pelo Jornal da Tarde e veículos regionais. É repórter do GGN desde 2022.

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