17 de junho de 2026

Marisa – reflexões sobre a morte de uma mulher comum

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por Sérgio Saraiva

Para uma mulher que tinha como traço de personalidade ser uma mulher comum, para uma mulher que teve como missão de vida cuidar do marido e da família, para uma mulher da qual pouco se conhece de declarações públicas, impressiona a presença que Dona Marisa teve na vida política nacional.

A repercussão de sua morte esteve à altura dessa presença.

Não teria muito o que falar dessa mulher. Mas é interessante o que sua morte e seu funeral trouxeram a público.

Quantas vezes o poder político e popular de Lula será reafirmado?

Pois bem, este momento de dor foi mais uma dessas vezes.

Quando Temer, na condição de “presidente da República” julga importante estar presente e, para tanto, busca permissão para fazê-lo, pode se avaliar o poder político de Lula.

Milhares de pessoas comparecendo ao Sindicato dos Metalúrgicos ABC para as despedidas e para abraçar Lula.

Dona Marisa apoiando a luta de Lula do início ao seu último momento. Bem disse a sensibilidade de Mino Carta: Lula nasceu da costela de Marisa.

Os baixos são apenas os baixos.

Não quero perder meu tempo com Noblat ou Janaina Paschoal – dois sem-noções. Cometeram as baixarias que estavam às suas alturas. Sujaram de merda as canelas das formiguinhas que, por infelicidade, as atravessaram.

E as pessoas comuns? Que as baixarias viriam era sabido.

Mas o interessante foi como foram recebidas. Há algum tempo que o branco de classe média busca se diferenciar através de se apresentar o mais baixo e grosseiro que consiga ser. Julga valorizar-se.

Poucos se esmeraram tanto nessa “arte” como a classe médica. Ainda que alguns procuradores da Justiça não ficassem atrás.

Não vou aqui repetir suas torpezas e monstruosidades. Pois bem, as que tiveram repercussão pública foram de tal modo rechaçadas que levaram à perda sumária dos empregos, quando na iniciativa privada, ou a processos por parte das corregedorias, quando no serviço público.

Seus autores não devem ter entendido nada. Seus empregadores preferiram se desassociar de suas imagens. Menos de um ano atrás, uma pediatra causou frisson ao se recusar a atender o filho de uma petista. Foi saudada como uma digna representante da classe.

Dolorosamente interessante que a morte de Dona Marisa tenha nos proporcionado, se não uma viragem nesse comportamento bestial que já se apresentava como “normal”, pelo menos, um breve momento de reflexão ética.

Ainda que, em muitos casos, hipócrita. A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude.

Interessante que tenha sido Dona Marisa.

Para uma mulher que tinha como traço de personalidade ser uma mulher comum, impressiona a presença que Dona Marisa teve na vida política nacional.

 

PS: caro Lula, meu presidente e companheiro operário do ABC, ainda que este Oficial de Plantão não nutra ilusões metafísicas, sei que as pessoas continuam vivas enquanto nos lembrarmos delas, enquanto as celebrarmos. Elas só se vão realmente quando nós também nos formos. Celebremos até lá a memória de Dona Marisa.

Redação

Curadoria de notícias, reportagens, artigos de opinião, entrevistas e conteúdos colaborativos da equipe de Redação do Jornal GGN

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5 Comentários
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  1. Urbano

    5 de fevereiro de 2017 7:46 pm

    Era de se esperar a reação

    Era de se esperar a reação que se viu hoje na midia ao emocionado pronunciamento de Lula na depedida de sua companheira

    E mais significativo que venha de publicitario importante porque revela o fundo da questão:

    Desde antes. durante o processo do golpe de estado ja se escutava aqui e ali que o PT deveria se resignar e não reagir. Mais uma vez o discurso preparado pelos golpistas deveria como em 64 ser  o unico a chegar ao povo. Não pode ninguem ( e ainda mais i Lula) dizer que o rei esta nú sem atrapalhar o enredo. Lula tocou na ferida que não pode se mostrada ao publico – “Os Fascinoras” são os mocinhos desse enredo golpista e só eles podem mexer no script.

    Ainda bem que a realidade se impõe sempre, ainda que demore as vezes demasiado. Brecht nos anos que antecederam o outro fascismo disse uma vez : “essa humanidade desumanizada”

  2. jose adailton v ribeiro

    5 de fevereiro de 2017 8:10 pm

    Comentários

    Lula tem o direito e nós também de falar o que nos dê na telha em qualquer ocasião. Na despedida à sua esposa ele supostamente em tom de revolta abordou temas inapropriados acerca de assuntos políticos e juridicos . O que dirão os seus correligionários e admiradores? Alguns responderão talvez que estamos em guerra.

  3. Anna Dutra

    5 de fevereiro de 2017 9:25 pm

    A marca pessoal, a
    A marca pessoal, a contribuição e o impacto que uma pessoa traz ao mundo independem de sua posição: palco, bastidores, estúdio, ateliê, sob holofotes ou à sombra. Importa as mãos que alcançou, os abraços dados, a palavra, a escuta. Há pessoas-sustentáculo: creio ter sido Dona Marisa uma delas. Importante para um desafio coletivo e colaborativo, mas antes de tudo, a força para que seu companheiro pudesse realizar sua tarefa.
    Bonito.
    Um abraço Sérgio.

  4. José X.

    5 de fevereiro de 2017 9:44 pm

    Post no facebook

    Post no facebook achincalhando o velório de Marisa

     

    https://www.facebook.com/fabio.fernandes.589583/posts/1296834960396561

  5. mcn

    5 de fevereiro de 2017 10:24 pm

    Melhor explicação
    Do Twitter:

    Motivo de tanto ódio: um operário nordestino e uma empregada doméstica que decidiram – e conseguiram – ser Presidente da República e Primeira Dama do Brasil. Duas vezes.

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