
Por Válber Almeida
Comentário ao post “O jurisdiquês como forma de contornar a lógica“
E por falar em juridiquês, lá se vão quase dez anos que trabalho com os cursos de Direito e Ciência Política, junto a desembargadores, promotores, advogados, juízes etc. Neste período, tive a oportunidade de trabalhar as principais teorias filosóficas e científicas do Direito Moderno, de Platão e Aristóteles, passando pelos contratualistas, Kant, Hegel, Marx, Kelsen até Dallari, Reale, Luhmann, Habermas e outros contemporâneos.
Com todo o conhecimento técnico e teórico que aprendi com estas experiências hiper enriquecedoras, encontrei no Direito elementos tanto para afirmar quanto para negar o seu valor científico. Como ciência, o Direito é feito dentro das academias. Ao sair das portas das academias, o Direito se converte em ideologia, que são as doutrinas, conjunto de princípios e regras que, supostamente, orientam a racionalidade dos profissionais do Direito.
E o problema da cientificidade ou da ideologização do Direito se encontra exatamente neste critério básico de racionalidade: enquanto Ciência, o Direito precisa ser um conhecimento crítico; por sua vez, enquanto ideologia, ele é apenas uma maquiagem técnica, formal e moral que obstrui e oculta o conjunto de racionalidades necessárias para a compreensão da realidade histórica.
Como crítica e ciência, o Direito não é apenas um conhecimento fundamentado em teorias, metodologias e dados empíricos, mas é também um conhecimento histórico, no sentido de que explica e desvela as razões históricas que se ocultam por trás das regras e doutrinas: concretamente, os interesses sociais, econômicos, políticos e geopolíticos que dão origem às regras, doutrinas e que são satisfeitos nas decisões dos tribunais.
Como ideologia, o Direito tenta reduzir toda a complexidade do real e as diversas faces de interesses que o compõem a meros formalismos técnicos e, muitas vezes, morais. Este formalismo é devedor das doutrinas idealistas desde Platão e culmina com a ética deontológica (do dever) de Kant.
Fruto da suposta pureza dos espíritos dos sábios, esta postura intelectual opera pela ruptura do pensamento com o real: diante da realidade histórica concreta, ao invés de mergulhar o espírito na entranha da natureza humana para compreender seus mecanismos de funcionamento e explicar as ações dos sujeitos a partir dela, os formuladores e adeptos desta postura passam a elaborar conceitos perfeitos sobre uma realidade que só existe no mundo das ideias e, através delas, passam a julgar a realidade temporal com suas dinâmicas e “imperfeições”.
O dever próprio de sua ética é fruto exatamente deste mundo ideal que postulam como superior ao mundo real, das necessidades, dos desejos e das vontades humanas. Daí o suposto apego à pureza dos conceitos técnicos e ao formalismo das doutrinas. Contudo, tal postura supostamente deontológica, técnica e formal destes “operadores do direito” não sobrevive ao teste científico. É fácil encontrar ingredientes que desnudam e desmentem o agir formal, técnico e deontológico que dizem obedecer, tanto no Brasil quanto no mundo inteiro.
No caso do Brasil, especificamente, os exemplos que atestam a racionalidade jurídica formal como mera farsa, falseamento do real e ideologia são fartos.
Os tribunos sequer se dão ao trabalho de seguir um padrão de comportamento necessário para atestar o mínimo de isenção e objetividade diante do cenário jurídico e político nacional: sobem nos palanques armados pelos grupos de oposição, seja na imprensa oposicionista, seja nas redes sociais, seja nos eventos e encontros promovidos pela oposição, seja nas sessões de reality show nas quais se transformaram as sessões dos tribunais.
Tá tudo muito escancarado e, portanto, não precisamos perder tempo em tentar compreender o juridiquês a não ser para atestar a sua farsa. Cientificamente falando, os interesses concretos que explicam o comportamento e as decisões dos nossos tribunos não são de natureza formal, técnica e deontológica, mas de natureza histórica, são os interesses políticos, econômicos, geopolíticos, sociais e ideológicos representados pela oposição.
Fernandoc
15 de abril de 2016 2:18 pmÉ como se para condenar uma
É como se para condenar uma pessoa não precisa-se mais de provas, mas somente do clamor popular e da constante atribuição de problemas a esta pessoa. Poderiamos dizer que o impedimento da presidente não estará destruindo a imagem da mulher por detrás do cargo, mas somente estará tirando a mulher do cargo. Mas o que não percebemos é que, se houver um crime neste afastamento, estes políticos e juízes não só estarão tirando a mulher do cargo, como estarão criminalizando a mulher que estava no cargo; e de forma criminosa. Ou seja, Além de retirarem a presidente que não cometeu crime, estarão criminalizando uma mulher através do clamor dos jornais e do bombardeio indiscriminado dela através dos jornais e juízes mal-intencionados. Isso seria comparável a ditadura ou a uma tortura em praça pública, seria um crime contra a humanidade. É mais sério do que pensamos. Não é atoa o ódio que vemos nas ruas e nas redes sociais por parte de alguns… isso seria comparável a um estado de excessão. Criaram um estado de excessão através de jornais, juízes e políticos simpatizantes; criminalizaram o partido e para os mais incaltos alimentaram o ódio por uma determinada parcela da população. A não ser que o PT tenha realmente fraudado a eleição, acabaram de perverter a ordem estabelida desde a ditadura. Se é que alguma vez houve ordem por parte deles. Será que sempre será como disse Jesus? Dai a César o que é de César?
José Carlos Lima...
15 de abril de 2016 2:24 pmA farsa e as sátiras de Daumier aos “genios’ da Justiça
A farsa e as sátiras de Honoré Daumier sobre os “gênios” da Justiça
https://jornalggn.com.br/blog/luisnassif/a-satira-do-cartunista-honore-daumier
José Carlos Lima...
15 de abril de 2016 2:34 pmO Direito Achado na Rua, cria do jurista Roberto Lyra Filho
O Direito Achado na Rua é uma herança do jurista Roberto Lyra Filho, um contraponto ao direito formal, que usa esses rituais e linguajar polido muito usado por Moro na aplicação do Direito Penal do Inimigo visando ferrar quem não é aliado da Globo, a emissora está pressionando os minitros do STF para que não votem a favor dos recursos de Cardozo/AGU
Professor da UnB defende a necessidade de romper paradigmas e colocar a justiça a serviço do povo, contemplando as reivindicações dos movimentos sociais
http://revistaforum.com.br/digital/161/o-direito-achado-na-rua/
Marília-MG
15 de abril de 2016 2:39 pmÉ de embrulhar o estômago
É de embrulhar o estômago assistir à verborragia desses ministros para não decidir coisa alguma e ainda ter de aturar o contorcionismo verbal do pedante Celso de Mello. Com raras exceções (como Ricardo Lewandowski e Marco Aurélio), esse tribunal mostra em cada julgamento o que é: ACOVARDADO sim (a cara do Teori é o retrato da covardia) e como bem salientado no artigo, composto por pessoas da elite muito mais preocupados em manter privilégios do que em defender a Constituição.
Roxane
15 de abril de 2016 4:57 pmO direito é um braço do
O direito é um braço do estado e como tal , sempre , historicamente, contra a sociedade e sempre, historicamente, a favor das minorias dominantes. Lembro da Maria Rtia Kehl na eleição de 2014: é luta de classes sim. O resto é escamotear.Quer gostemos ou não.. É a caricatura de Daumier que José Carlos de Lima cita aqui nos comentários. Farsa. O triste é que temos que jogar o jogo, senão é pior.
Alexandre Weber - Santos -SP
16 de abril de 2016 7:02 amDireito é recitar fórmulas mágicas
Já cansei de repetir aqui no Nassif.
Não fui eu que inventei isto, infelizmente, desde a Grécia antiga os livros escrevem e os tribunais confirmam . A brilhante argumentação desenvolvida pelo autor da mensagem confirma com todas as letras o que digo. O direito codificado simplifica de forma fatal o mundo.
Na minha humilde opinião, só com o uso da Astrologia, Tarot e Geometria é que se começa a modelar um mundo manejável por humanos, mas ai não chama Direito e sim algo diferente, como magia por exemplo.
O tribunal SEMPRE decide de acordo com isto, não existe “lógica” nas decisões, especialmente nos colegiados e no STF em particular.
Mas comandar os humanos é para profissionais.