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A manipulação das estatísticas no Brasil, por Luis Nassif

Nesses tempos de big data, de abundância de estatísticas, é chocante a pobreza da discussão econômica do país, especialmente em relação aos gastos públicos, despesas correntes, investimentos e financiamentos.

O jogo ideológico consagrou alguns economistas que se especializaram em contas públicas, Previdência, cálculos de subsídios. Todos eles, invariavelmente, analisam os dados a seco, sem nenhuma preocupação em estender as analises para as chamadas externalidades positivas ou negativas.

Vamos a alguns exemplos.

Subsídios ao BNDES

O cálculo é feito sobre os aportes do Tesouro comparando os custos da dívida pública (medido pela Selic) em comparação com o custo dos financiamentos (em TJLP).

Desconsideram os seguintes pontos.

O financiamento vai gerar um novo empreendimento, que ampliará a capacidade instalada do país. Especificamente no plano fiscal, o novo empreendimento gerará os seguintes tipos de receita:

  • Imposto de Renda da empresa, quando em operação.

  • ISS (Imposto sobre Serviços) e IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) pagos pela empresa

  • Contribuição previdenciárias sobre a folha de salários.

  • Nos casos de obras de infra-estrutura, aumento da eficiência econômica no entorno.

  • Com a venda dos produtos, pagamento de ICMS que será transferido para o consumidor, na ponta.

  • Do ponto de vista social, aumento da oferta de emprego.

Nenhum desses dados é considerado, apesar de o BNDES fazer esses levantamentos de impacto em cada grande financiamento concedido.

Salário mínimo

No caso do salário mínimo na aposentadoria, estudos do IBGE identificaram que em 55% das residências com um aposentado ou pensionista ele se torna o arrimo de família, as crianças estudam mais e entram no mercado de trabalho mais tarde.

Significa:

  • Economia nos gastos com saúde

  • Economia nos gastos com segurança pública

  • Melhoria da eficiência da mão-de-obra, porque crianças com mais condições de estudo.

Anos atrás, o IBGE soltou essa pesquisa. A reação do mercado foi contratar um economista da Tendências Consultoria para tentar comprovar a tese de que, em casas com aposentado ou pensionista, aumenta a propensão à vagabundagem por parte das crianças.

A pesquisa foi feita com essa intenção e não comprovou a tese. Mas seus resultados jamais foram incorporados ao debate econômico.

Custo dos juros

O diferencial de juros a mais, no Brasil, impacta os seguintes setoresÇ

  • Encarece o custo do investimento, já que o cálculo é feito em cima da Taxa Interna de Retorno, que é influenciada pela Selic.

  • Desvia recursos do orçamento, impactando diretamente os investimentos públicos em infraestrutura.

  • Encarece toda a produção, já que a empresa irá procurar uma TIR compatível com o custo do dinheiro. Isso a faz restringir os financiamentos e aumentar o preço dos produtos gerados, como maneira de alcançar os níveis de rendimento da SELIC.

Não basta ter a planilha. É preciso imaginação criadora e espírito isento para bem utilizá-la

 
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policarpo

Economistas de banco não são

Economistas de banco não são nem bancário nem economista. Depois de anos buscando uma função para estes estranhos inúteis — antes eram apenas lobistas mesmo — finalmente encontraram uma tarefa realmente importante para eles: militante político do patrão, um papel equivalente ao que realiza certos jornalistas da grande imprensa, vem daí também as afinidades eletivas entre os dois, podemos dizer inclusive que se complementam. Outra característica comum entre os economistas de banco e os jornalistas da grande imprensa, além é claro da inapetência profissional, é uma qualidade muito reconhecida por seus patrões: o arrivismo social e a falta de caráter. Não deveria surpreender a ninguém a "qualidade" intelectualidade e a "contribuição" desses "financista da Bruzundanga" para o debate econômico do pais. Lima Barreto no início do século XX já se maravilhava com essa peculiar espécie de nossa "nobreza doutoral".

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Danilo Jorge Vieira

A conta dos juros e o orçamento público

A lógica que domina é a seguinte: a conta dos juros e dos serviços da dívida pública é deduzida, extraída, seccionda, retirada do orçamento público. Por mágica, esta pesada e onerosa conta é "desaparecida". Vira o que a imprensa adora: resultado primário. Trata-se, simplesmente, do orçamento líquido dos gastos com a dívida; o resto que fica é posteriormente DISPUTADO pelos agentes, tranformando-se em políticas públicas, as quais absorvem mais ou menos recursos a depender do poder de pressão e barganha de cada grupo da sociedade. Neste processo politizado de orçamentação, os pobres não cabem no orçamento público.É simples assim.

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É o que acontece quando se

É o que acontece quando se entrega a conversa sobre economia na mão dos cabeções dos bancos de cassin...investimento.

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Stefan Zweig disse que o Brasil é o país do futuro.

Já a elite brasileira quer que o Brasil seja o país do passado.

E o Brasil vai se transformando no país do futuro do pretérito.

O subdesenvolvimento é um projeto !

O subdesenvolvimento é um projeto !

Está sendo colocado em prática neste momento.

Tanto faz a análise, se esta não cabe na "ideologia" da dependência e do subdesenvolvimento.

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J.marcelo

Nassifão não se interessamos

Nassifão não se interessamos por números por não saber ou não querer saber da importância deles,se calculássemos a porcentagem de cada serviço ou produto q consumimos pelo salário q ganhamos e comparássemmos com outros países,aí sim teríamos alguma noção,mas me parece q somos sadomasoquistas(afirmação genérica)gostamos de ser extorquidos e explorados(será herança cultural?)
Obs:Se precisar faço o carnezão ou pago caro por um produto ou serviço mesmo,nunca refleti se é por falta de opção ou sem vergonhice mesmo!

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alcides carpinteiro

Não são apenas economistas

Não são apenas economistas que são rasos. O grande físico americano Richard Feynmann relatou que seus alunos brasileiros, quando deu aulas no CBPF, eram icapazes de relacionar a teoria à prática. Eram muitos aplicados aos cálculos, mas não eram capazes de enxergar o que eles representavam. Isso resulta de um sistema de ensino deficiente e de um modo de ver a vida que não evolui. Parece que somos incapazes de fazer algo novo, sem que nos digam para fazer e como fazer. Isso explica porque nossos economistas ainda trabalham com o consenso de washington. Era a época em que mantinham contato com as escolas liberais. Retornaram ao Brasil e passram a adotar o conhecimento adquirido. Enquanto não se atualizarem lá fora, continuarão no mesmo ritmo, pois não conseguem acreditar que aquilo não funciona, nem têm a capacidade de encontrar o caminho por eles mesmos.

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Marcos K

Tudo isso ocorre porque somos

Tudo isso ocorre porque somos governados por medíocres. Mas o pior mesmo é que, tem tão medíocres que nós mesmos somos, não nos damos conta do quanto essa gente é medíocre.

Aceitados toda baboseira que nos empurram e dizemos amém. Como escreveu sabiamente o prof Aldo Fornazieri: somos um povo indigno. E ainda teve gente que achou ruim essa duras, mas verdadeiras palavras.

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dja

Deus criou o Brasil para matar a fome do Mundo

 

A meu ver a reforma política, econômica, a previdência pública, da petrobras, e do "juros do mercado financeiro" são utopia para essa geração de brasileiros.

O progresso econômico do Brasil está na industrialização dos alimentos do campo, não esse agronegócio de meia-dúzia aí que esta com Temer...

A terra neste País é de poucos, por isso não vale a pena investimento em infra-estrutura nesses locais, e sim aquisição e industrialização alimentícia desses locais...

Doravante, chegaremos a 8 bi de consumidores no Mundo e poucos vão conseguir se alimentar apenas de cápsulas de suprimentos e shakes ou de luz.

Afinal, Deus criou o Brasil para matar a fome do Mundo.

 

 

 

 

 

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PauloBR

Estatisticamente, basta escolher o inimigo...

Os bancários, por exemplo, são uns vagabundos: 40% das faltas de bancários aos serviço acontecem nas segundas-feiras e sextas-feiras. Prova de que emendam o fim de semana!...

Eu já estudei sessenta e seis por cento do livro sobre Estatística, enquanto meus colegas mal chegaram a ler dois terços da obra...

 

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O mesmo tipo de SIMPLIFICAÇÃO

O mesmo tipo de SIMPLIFICAÇÃO estatistica ocorre no calculo de CONTEUDO NACIONAL em equipamentos.

Os "economistas de mercado" fazem uma comparação de custo direto entre o nacional é o importado.

Mas a compra de um NAVIO construido no Pais  traz como vantagens:

1.Salarios pagos no Pais

2.Impostos e contribuições previdenciairas pagas ao Estado brasileiro.

3.Materias primas, aço, tubos, tintas, correntes, soldas, motores eletricos, geradores comprados no Pais

4.Emprego em regiões pobres o que contribui para os orçamentos de segurança publica, saude, treinamento de maõ de obra,

educação e apoio a micro empresas na região.

5.A diminuição do desemprego diminui os custos publicos no combate à criminalidade, no atendimento à saude fisica e mental,

no seguro-desemprego e demais custos sociais evidentes causados por familias sem renda.

A pobreza intelectual dos "economistas de mercado" vê exclusivamente o custo da fatura e deliberadamente esquece os ganhos reais e imediatos do dispendio de uma grande compra ser efetuada dentro do Pais, calculo que é efetuado

por todos os graddes Paises que dão proteção à sua industria.

 

 

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Clever Mendes de Oliveira

É preciso tomar cuidado com o que os estatísticos dizem

 

Luis Nassif,

Como leigo tentando entender economia, eu sempre procurei buscar nos dados a comprovação das afirmações dos doutos. O problema é que os doutos sempre aproveitam da nossa ignorância e nada como o uso dos dados estatísticos para nos enganar. Foi no seu blog há quase dez anos que eu vim a conhecer o livro “How to lie with Statistic” que tem a versão brasileira “Como mentir com estatísticas” de Darrell Huff.

Ontem eu li um velho post interessante sobre Estatística. No blog de Dave Giles, “Econometrics Beat”, ele faz referência a uma pergunta que Milton Friedman, um jovem nos seus 25 anos, fez ao estatístico polonês Jerzy Neyman em uma conferência em abril de 1937. A pergunta era sobre Intervalo de Confiança e mostrava um jovem Milton Friedman ainda sem compreender o significado do Intervalo de Confiança. A história pode ser vista no post “An Overly Confident (Future) Nobel Laureate” de terça-feira, 30/08/2011, no seguinte endereço:

https://davegiles.blogspot.com.br/2011/08/overly-confident-future-nobel-laureate.html

Ontem, em comentário que enviei terça-feira, 01/08/2017 às 08:53, para junto do comentário de Diogo Costa enviado segunda-feira, 31/07/2017 às 12:45, para BFCosta junto ao comentário dele de segunda-feira, 31/07/2017 às 11:06, lá no seu post “Xadrez do atraso do pensamento econômico brasileiro, por Luis Nassif” de segunda-feira, 31/07/2017 às 07:00, aqui no seu blog eu cheguei a falar sobre essa manipulação dos dados em comparação que fiz entre Antonio Delfim Netto e Felipe Rezende. E o endereço do post “Xadrez do atraso do pensamento econômico brasileiro, por Luis Nassif” é:

http://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-do-atraso-do-pensamento-economico-brasileiro-por-luis-nassif

E no trecho do meu comentário para Diogo Costa que interessa aqui eu disse o seguinte:

“Essa similaridade do discurso de Antonio Delfim Netto com o de Felipe Rezende ao usar os dados que mais bem demonstram a análise que tenham elaborado pode ser conferida com o que eu comento sobre Antonio Delfim Netto em comentário que enviei segunda-feira, 07/10/2013 às 21:14, para Luis Nassif junto ao post “O pecado que Delfim Netto nunca conseguirá expiar” de terça-feira, 08/10/2013 às 00:24, aqui no blog de Luis Nassif e de autoria dele e . . . .”

Pensei até em enviar um comentário para você também em que eu traria alguns exemplos concretos dessa manipulação. E no meu comentário para você, eu lembraria a história que considero muito ilustrativa para mostrar o quanto os bons estatísticos são bons economistas pelo menos no que diz respeito à manipulação dos dados. A história diz respeito à declaração de Fernando Henrique Cardoso em resposta a pergunta de jornalista sobre como um sociólogo sentia sendo indicado para o Ministério da Fazenda no governo de Itamar Franco.

Do ato da sua modéstia, Fernando Henrique Cardoso disse: “enquanto eu dava aula de “História do Pensamento Econômico” Antonio Delfim Netto dava aula de “Estatística””.

É claro que Fernando Henrique Cardoso sabia que a frase era bazófia e tratou-se de cercar de bons economistas com bom conhecimento em Estatística.

Clever Mendes de Oliveira

BH, 02/08/2017

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É esperar...

...demais. Para essa compreensão mais ampla seria necessário que os responsáveis, primeiro, que fossem designados pela sua competência e cultura geral, além de haver uma barreira contra sociopatas que percebe-se claramente que ocorre o oposto. Uma compreensão do entorno excede as limitações óbvias de uma compreensão básica de aritimética. Uma sofisticação dos Balanços Contábeis é o Balanço Social, a que todo ente público deveria estar sujeito. Mas por regra temos pessoas de gabinete que mal compreendem seus próprios estudos, o resultado da incompetência e corrupção que somadas explicam praticamente todos os males de nossa República. 

Em tempo: Na China Antiga, séculos atrás os funcionários públicos eram admitidos através de concurso em que se avaliava conhecimentos, cultura e curiosamente a sua habilidade para dança, música e conversação. Nunca entendi os porques até que alguns operadores de Direito e seus senhores de engenho tornassem-se públicos. Tentava-se pelo que vejo, ter concursados com um certo mínimo de habilidade social e de alguma forma limitar a entrada de alienados.

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joel lima

Aquela frase - torture os

Aquela frase - torture os números para ele dizer o que o torturador quer ouvir - nunca foi tão verdadeira no Brasil. A questão  não é de aritmética - é de ética. Boa parte - a nada boa - da elite brasileira vê seu povo como um estorvo, um obstáculo que não permite que essa elite estiveja no céu em vida. Se não fossem os que conseguiram se aposentar com um salário mínimo e o bolsa família, esse país já teria entrado em convulsão social estando numa pré-depressão econômica. Uma conquista, pra mim, marcante do governo Lula foi á ida em massa da juventude para as faculdades. E isso foi possível não só por uma economia em crescimento e pelo financiamento estudantil ( que infelizmente o governo fez vistas grossas pra virar uma farra que beneficiou donos de faculdades particulares que ganharam muito bem por um ensino na maioria das vezes de baixa qualidade), mas porque muitos avôs ajudaram os seus netos a custear a faculdade. Conheço pelo menos 4 casos. Lógico que esses cabeças de planilha sabem disso. A questão é que pra eles os pobres são os parasitas do estado - e não a alta elite do funcionalismo público. Pra eles tudo bem um juiz receber 4000 de auxílio moradia, mas tudo contra pagar 50 reais a mais num bolsa família. 

Não há jeito. Sem cortar cabeças dessa elite, o Brasil nunca sairá disso, nunca dará um salto de verdade. 

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Romanelli

olha alguns EXEMPLOS que NÃO

olha alguns EXEMPLOS que NÃO aparecem nas estatísticas sobre os verdadeiros NABABOS que INFESTAM e atormentam esta REPUBLICA

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Romanelli

Entender estatistica é fácil,

Entender estatistica é fácil, basta se discutir o que interessa, e de forma ética

e convenhamos, há DÈCADAS que a IMPRENSA PORCA não sabe cumprir o seu papel  ..geralmente, inclusive, nos apresentando "técnicos" e economistras sofríveis pra defender suas teses e forçar suas idéias 

qdo se fala em resultado primário :

O IMPORTANTE é abrir os dados da PREVIDÊNCIA em 1o lugar ..entre o que é privado, público e o que é BENEFÌCIO SOCIAL  ..fora claro  ..esclarecer à população sobre os NABABOS que ainda ganham aposentadoria integral  ..se não assim, a CANALHADA vai continuar a cobrar de quem ganha o salário mínimo nacional

qdo se fala em contas públicas

O importante é comparar gastos com juros aqui e alhures  ..e tb confrontar com os gastos da saúde e educação  ..POR EXEMPLO, em 2015 a conta de juros bateu em R$ 500 bilhões no ano  ..contra saúde, educação e Bolsa Familia que SOMADOS, mal chegaram em R$ 200 bi

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