22 de junho de 2026

A verdadeira autoria da poesia Ser Mineiro

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General Batista Queiroz: reparação de uma injustiça poética

Por Pisquila

Quem nunca leu ou ouviu falar na poesia “Ser Mineiro”? Aliás, essa poesia gera até hoje um debate acalourado entre os que dizem que a mesma é de autoria de Drummond, enquanto muitos sustentam que é da lavra do Fernando Sabino. Sinto dizer, mas as duas correntes estão erradas. A poesia em questão é de autoria do General de Brigada Reformado Batista Queiroz. Nascido José Batista Queiroz, esse mineiro de Patrocínio registrou a poesia “Ser Mineiro” (transcrita abaixo) em 1985, na Biblioteca Nacional.  Ele tem o nº de registro e tudo o mais que comprova tal autoria (vide link abaixo para o seu blog). Por isso, eu que batia mãos espalmadas nas mesas botequianas afirmando que essa obra poética era do Fernando Sabino, dou a mão à palmatória e peço desculpas ao poeta Batista Queiroz, pelas inúmeras vezes que dei o feito a outrem. Bem, com essa confissão, creio ter feito uma justa homenagem ao verdadeiro autor, uma vez que o seu texto possui uma qualidade comparável ao grande Fernando Sabino, o que por si só, já é motivo de orgulho.

Ser Mineiro

Ser mineiro é não dizer o que faz,
nem o que vai fazer.
É fingir que não sabe aquilo que sabe.
É falar pouco e escutar muito.
É passar por bobo e ser inteligente.
É vender queijos e possuir bancos.
Um bom mineiro não laça boi com
embira, não dá rasteira no vento, não
pisa no escuro, não anda no molhado,
não estiva conversa com estranhos, só
acredita na fumaça quando vê o fogo, só
arrisca quando tem certeza, não troca
um pássaro na mão por dois voando.

Ser mineiro é dizer UAI e ser diferente; é
ter marca registrada, é ter história.
Ser mineiro é ter simplicidade e pureza,
humildade e modéstia, coragem e
bravura, fidalguia e elegância.

Ser mineiro é ver o nascer do sol e o
brilhar da lua; é ouvir o cantar dos
pássaros e o mugir do gado; é sentir o
despertar do tempo e o amanhecer da
vida.

Ser mineiro é ser religioso, conservador,
cultivar as letras e as artes ; é ser poeta
e literato, é gostar de política e amar a
liberdade, é viver nas montanhas e ter
vida interior.

José B. Queiroz

Link: http://jobaque.blogspot.com.br/p/poesia-ser-mineiro.html

Obs.:

1)-Não sei se o poeta José B. Queiroz ainda está vivo, pois desde agosto/14 não há nenhuma nova publicação no seu blog (apesar disso nada significar…). Se alguém souber, nos informe.

2)-Independente da opção ideológica do poeta, o que está em pauta aqui é a questão literária (eu, por exemplo, sou contra as opiniões políticas externadas pelo Batista Queiróz em seu blog. Porém, isso não me impede de separar as coisas).

 

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  1. Plinio J. V. Lins

    23 de novembro de 2014 3:58 pm

    Conclusão:

    O Aécio é qualquer coisa, só não é mineiro.

  2. Wendel

    23 de novembro de 2014 4:44 pm

    Realmente…………..

    É uma bela poesia, e retrata fielmente a alma do povo mineiro !!!

    Como mineiro, eu também ignorava o autor desta poesia, e só agora, através deste artigo, fiquei sabendo da autoria.

    Vivo ou não, merece nosso agradecimento por retratar tão bem a alma mineira.

  3. César Nardelli

    23 de novembro de 2014 5:57 pm

    “Ser mineiro”: uma história complicada….

    A notícia de ter-se identificado o autor do famoso texto “Ser mineiro” acendeu novamente a centelha de curiosidade que esse texto sempre exerceu sobre mim.

    Informa-se na notícia ser o autor José Batista Queiroz, mineiro de Patrocínio que registrou a poesia “Ser Mineiro” em 1985, na Biblioteca Nacional.

    Por anos guardei cópia de uma versão impressa e anônima que perambulava pelas lojas de Belo Horizonte (na década de 80), que reproduzo abaixo. Essa versão é quase idêntica à da no site do autor, com algumas diferenças gráficas, sobretudo de pontuação e paragrafação, e alguma poucas textuais.

    O notícia do registro em 1985 causou-me surpresa, pois acreditava já tê-la lido antes. Para averiguar-se minha memória não estava equivocada, fiz uma breve busca e pude achar um registro anterior a 1985: consta de uma edição do Jornal do Brasil, de 05 de fevereiro de 1980 (1. cad., p. 6). A versão aparece novamente como anônima e o texto está mais próximo da versão da folha volante do que da publicada no site do autor.

    Levando adiante a busca por versões, apareceu uma outra citada na obra A saga da extensão rural em Minas Gerais, de José Paulo Ribeiro (São Paulo: Annablume/Emater, 2000, p. 70), atribuída a Joaquim Vilhena da Silva e extraída do suplemento do Estado de Minas (sem data nem página informada). Embora a autoria esteja equivocada levando em conta a recente notícia sobre o autor, novamente a versão se aproxima mais da folha volante do que da publicada no site do autor.

    Apenas para evidenciar mais as semelhanças, comparem-se

    Folha volante: “Ser mineiro é ser religioso conservador (…).”
    EM (s.d.):       “Ser mineiro é ser religioso conservador   (…).”
    JB 1980         “Ser mineiro é ser religioso e conservador (…).”
    Site do autor:  “Ser mineiro é ser religioso, conservador (…).”

    Folha volante: “(…) é viver nas montanhas, é ter vida interior.”
    EM (s.d.):       “(…) é viver nas montanhas, é ter vida interior.”
    JB 1980         “(…) é viver nas montanhas, é ter vida interior, e ser  gente…”
    Site do autor:  “(…) é viver nas montanhas e ter vida interior.”

    Tudo parece indicar então que o principal veículo para a divulgação do texto tenha sido os diferentes exemplares daquela folha volante, e não propriamente a versão registrada de 1985 (hoje disponível no site do autor).

    Esse texto, com estrutura bem peculiar (recorrentemente “não é…., é….”), inspirou diversos outros, como a música reggae Ser Mineiro, interpretada pelo grupo Terreal, e a versão do Ser Mineiro própria do Frei Betto.

    —-

    Versões

    Folha volante (s.d.)

    SER MINEIRO

        Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer. É fingir que não sabe aquilo que sabe, é  falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir Bancos.
        Um bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda  no molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê o fogo, só arrisca quando  tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando.
        Ser mineiro é dizer “uai”, é ser diferente, é ter marca registrada, é ter história. Ser mineiro  é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser mineiro  é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o  despertar do tempo e o amanhecer da vida. Ser mineiro é ser religioso conservador, cultivar as letras e  as artes, é ser poeta e literato, é gostar de política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior.

    Suplemento Estado de Minas (s.d.) [citado em Ribeiro (2000, p. 70)]

    Ser mineiro

        Ser mineiro é não dizer o que faz, nem o que vai fazer. É fingir que não sabe aquilo que sabe, é  falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos.
        Um bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda no  molhado, não estica conversa com estranhos, só acredita na fumaça quando vê o fogo, só arrisca quando  tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando. Ser mineiro é dizer “uai”, é ser diferente, é  ter marca registrada, é ter história. Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia,  coragem e bravura, fidalguia e elegância. Ser mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir  o cantar dos pássaros e o mugir do gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida. Ser  mineiro é ser religioso conservador, cultivar as letras e as artes, é ser poeta e literato, é gostar de  política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior.

    Jornal do Brasil (05.02.1980)

    Ser mineiro

        “Ser mineiro é não dizer o que faz nem o que vai fazer, é fingir que não sabe aquilo que sabe, é  falar pouco e escutar muito, é passar por bobo e ser inteligente, é vender queijos e possuir bancos.
        Um bom mineiro não laça boi com embira, não dá rasteira no vento, não pisa no escuro, não anda  no molhado, não estica conversa com estranho. Só acredita na fumaça quando vê o fogo, só arrisca quando  tem certeza, não troca um pássaro na mão por dois voando.
        Ser mineiro é dizer “uai”… É ser diferente. É ter marca registrada. É ter história.
        Ser mineiro é ter simplicidade e pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e  elegância.
        Ser mineiro é ver o nascer do sol e o brilhar da lua, é ouvir o cantar dos pássaros e o mugir do  gado, é sentir o despertar do tempo e o amanhecer da vida.
        Ser mineiro é ser religioso e conservador, cultivar as letras e as artes, é ser poeta e  literato, é gostar de política e amar a liberdade, é viver nas montanhas, é ter vida interior, e ser  gente…” (De um mineiro)

     

     

    1. Pisquila WIne

      24 de novembro de 2014 5:29 am

      Prezado César, parabéns pela

      Prezado César, parabéns pela sua pesquisa que é muito interessante. Realmente, a poesia do Batista Queiroz  foi registrada em 1985 mas isso não quer dizer que tenha sido feita nesta data. Uma fonte acaba de me informar que a mesma foi feita ainda na década de 70, mas que o autor somente a registrou em 1985, exatamente para manter a autoria da obra, considerando a proliferação de várias versões da mesma sem identificação do autor.

  4. Anarquista Lúcida

    23 de novembro de 2014 9:27 pm

    Ser mineiro é possuir bancos?

    Entao quase nao há mineiros… (rs)

    1. Pisquila WIne

      24 de novembro de 2014 5:19 am

      Cara Anarquista, tudo depende

      Cara Anarquista, tudo depende do contexto… Na época na qual a poesia foi feita, realmente havia um sem número de bancos de origem mineira, com bandeiras ficadas em diversas praças desse “Brasilzão”. Que eu me lembre, posso citar de cabeça (pois ja fui bancário): Banco Nacional, Banco da Lavoura, Banco Agrimisa, Banco Mercantil do Brasil, Banco Real, Banco BMG, Banco Rural, Banco Bonsucesso, Unibanco, etc. A maioria já não existe mais. Ou fecharam as portas, foram vendidos ou incorporados. Desses, hoje em dia só funcionam sob o mesmo nome o Mercantil e o BMG. O Real foi incorporado pelo ABN e depois pelo Santander. Já o Unibanco, pelo Itaú.

  5. lenita

    24 de novembro de 2014 12:13 am

    Sou mineira, mas onde vivo,

    Sou mineira, mas onde vivo, não existe mineiro, são todos paulistas. Pergunte a alguém para que time torce: Se não é “curintianu”, e Palmeirense, Santista e São Paulino. Hoje o Cruzeiro foi campeão: onde os fogos ? Será culpa da chuva?, que, como em SP, estava dura de cair tb. Onde os comerciantes fazem suas compras ? em SP, claro, é bem mais perto e barato que em nossa capital. Não se tem nenhuma notícia de Belo Horizonte, em nenhum canal de TV. E as rádios da cidade em seus horários noturnos retransmitem, rádio Bandeirantes e argh Jovem Pan, todas de SP, claro. Mudei de SP para Minas, mas não saí de SP.

  6. José Pedro Araújo

    15 de maio de 2019 10:23 am

    Prezados amigos, apesar de não ser mineiro, nem ao menos um construtor de coisa nenhuma, gostaria de pôr a minha colher(não uma de pedreiro, talvez uma de sopa), para dizer que, de fato o Fernando Sabino escreveu algo sobre o “Ser Mineiro”. Em uma crônica muito bonita contida no seu livro “As Melhores Crônicas de Fernando Sabino” – ed. Record -1985, ele discorreu sobre o tema com muita… mineridade, eu diria. Sob o título Minas Enigma, ele se desmancha de saudade na procura da resposta para a questão “O Quê é ser Mineiro?”. Algumas passagens tem consonância com o poema, mas outras são diferentes, quando ele extravasa o seu conhecido bom humor. Como na historinha do Boi velho e o Boi novo. Sugiro o resgate desse livro, para quem ainda não o leu. Vão dar boas gargalhadas, isso eu garanto. Melhor do que querer passar por erudito, Uai!

  7. Luan Queiroz

    27 de julho de 2020 3:04 pm

    O autor é meu Tio, ainda está vivo e mora em Brasília. Ele registrou o poema em 1985, mas o poema é mais antigo. Apenas registrou depois de começarem a publicar com outras autorias. É uma pessoa extremamente correta, apesar de ter opiniões políticas deprimentes.

  8. João

    19 de novembro de 2020 8:30 am

    Esse poema é quase um plágio das principais ideia da crônica “Minas Enigma”, escrita por Fernando Sabino, publicada em 1967.
    http://www.releituras.com/fsabino_minas.asp

    As ideias estão todas no texto de Sabino. Não é por acaso que existe tanta confusão sobre a autoria de “Ser Mineiro”.

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