11 de junho de 2026

Documentos dos EUA comprovam torturas nas unidades militares

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Jornal GGN – O governo norte-americano entregou documentos à Comissão Nacional da Verdade que mostram que o país sabia das torturas praticadas durante o regime militar, com detalhes, mas mantiveram-se em silêncio. Nos documentos, estão explicados os métodos de tortura física e psicológica, incluindo o relato de um dos agentes de repressão.

Um dos arquivos é um aerograma enviado pelo cônsul geral do Rio de Janeiro, Clarence Boonstra, ao Departamento de Estado, em abril de 1973. Informava que com o aumento das prisões, os agentes brasileiros passaram a usar novos métodos de extração de informações. Além de não terem abandonados os tradicionais choques elétricos e pau de arara, haviam iniciado o método inglês – “uma nova e mais sofisticada pressão psicológica e física”, diz o aerograma.

Nesse método, o torturado é levado a uma sala totalmente escura ou com temperaturas muito baixas, congelantes, abandonado por várias horas. Depois, sons de sirenes, gritos e apitos são colocados em volumes insuportáveis. Depois, os interrogadores chegam e anunciam as torturas tradicionais, caso o preso não cooperasse.

O método inglês foi ensinado por militares britânicos aos brasileiros. Segundo o documento adquirido pela Comissão Nacional da Verdade, a tortura só não era aplicada aos suspeitos que tivessem contatos e influências que poderiam ocasionar repercussões, e os denominados “terroristas duros”, passados diretamente para as torturas físicas.

Outro arquivo, dessa vez enviado pelo Consulado em São Paulo, os norte-americanos descrevem uma conversa com um torturador do Centro de Inteligência Militar de Osasco e informante regular do cônsul. O militar explicou como conseguiu quebrar uma célula comunista, aplicando choques nos ouvidos de um policial civil, que entregou a companheira – colocada em um pau de arara, por 43 horas, sem água ou comida, para revelar o que sabia. O mesmo militar disse como havia “costurado um subversivo”, atirando-o da cabeça aos pés. Ele disse que a tortura era prática comum.

Acreditando que tais ações fossem resultado do que chamavam de “porões da ditadura”, como se fossem atos isolados ou situações desconhecidas pelo comando militar na época, a embaixada norte-americana recomentava que os relatos e denúncias fossem enviados ao governo brasileiro, mas com muita cautela, e como se estivessem falando como ‘amigos preocupados’, a fim de não prejudicar a relação entre os dois países.

Os documentos, em mãos da Comissão Nacional da Verdade, revelam que os presos estavam sendo levados para unidades militares. Essa informação é mais uma que comprova e contradiz a declaração das Forças Armadas, que se disse desconhecer os instrumentos de tortura dentro das instalações do Exército, Marinha e Aeronáutica.

Sobre isso, a Comissão Nacional também se manifestou, lamentando a conclusão das Forças Armadas e já encaminhou pedido de esclarecimento do Ministério da Defesa sobre o resultado das sindicâncias nos três comandos das Forças Armadas.

Leia a nota:

“Em que pese considerar positivo o acatamento da solicitação da CNV por parte do Ministério da Defesa e dos Comandantes da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, a CNV deplora e lamenta profundamente o entendimento exarado nos três relatórios, de que não há comprovação da ocorrência de tortura e outras graves violações de direitos humanos nas instalações militares investigadas. Diante da completa incorreção dessa conclusão, registre-se – conforme informações que foram detalhadas pela CNV por ocasião da solicitação de instauração das sindicâncias – que o Estado brasileiro, em virtude até mesmo de lei aprovada em 1995 pelo Congresso Nacional (Lei federal nº 9.140, de 04.12.1995), já reconheceu sua responsabilidade por aquelas condutas criminosas de militares e policiais praticadas durante a ditadura, incorrendo inclusive no pagamento de indenizações por conta justamente de fatos agora surpreendentemente negados”.

Os 43 documentos do Departamento de Estado dos Estados Unidos, produzidos no período de janeiro de 1967 a dezembro de 1977 podem ser consultados nesse link da Comissão Nacional da Verdade.

Com informações do Estado de S.Paulo e da CNV.

Patricia Faermann

Jornalista, pós-graduada em Estudos Internacionais pela Universidade do Chile. Coordenadora de Projetos. Repórter e documentarista de Política, Justiça e América Latina do GGN desde 2013.

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4 Comentários
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  1. Não me diga

    3 de julho de 2014 3:12 pm

     continuo acreditando, por


     continuo acreditando, por ser depoimento de viva voz de quem viveu, no  Zé de Abreu de que a Gloriosa foi super branda e que Serra só fgiu por covardia. Por isso, tudo isto pode ser fruto da influência de FHC junto dessa turma para produzirem documentos falsos que salva pele da sua turma

  2. Fábio de Oliveira Ribeiro

    3 de julho de 2014 4:18 pm

    A infâmia da Ditadura não tem

    A infâmia da Ditadura não tem fim. Quanto mais cavarem, mais podres serão revelados. Não dúvida quanto a isto. 

  3. Murdok

    3 de julho de 2014 5:09 pm

    Esperamos que as forças

    Esperamos que as forças maramdas possam se manifestar. De qualquer forma a mentira faz parte da política militar. A querra do Iraq foi travada tendo como a mentira a base do negócio. Os amercianos são comapões em mentiras.

  4. Flavio Martinho

    3 de julho de 2014 11:35 pm

    Isto é bom para que esse

    Isto é bom para que esse pessoal aprenda, de uma vez por todas, que seus amiguinhos, quando lhes interessa e mesmo sem pressão ou tortura, abrem o jogo e entrega todo mundo. Agora ficou mais dificil negar que as dependencias não foram usadas para a prática de crimes. A não ser que tudo tenha sido praticado à revelia do comando. Mas como nesse tempo “não havia anarquia porque imperava a lei e a ordem”, ficou inviavel qualquer negativa. 

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